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13 Reasons Why provoca reação de escolas e pais nos EUA

Série, que aborda suicídio adolescente, é criticada por conter cenas fortes; Selena Gomez e os criadores da série defendem

por Redação em 28/04/2017

É uma cena graficamente dolorosa de assistir: Uma menina de 17 anos de idade entra em uma banheira cheia com uma navalha. Vemos sua pele, seu sangue, seu choro e sua luta para continuar respirando.

O QUE A TRILHA DE 13 REASONS WHY, DA NETFLIX, NOS CONTA SOBRE A SÉRIE

O suicídio da heroína na nova série popular da Netflix, 13 Reasons Why, não deve ser encarado como um choque, uma vez que é retratado no episódio final de uma série construída em torno da morte da personagem. Mas saber que o ato está chegando não torna a situação mais fácil para o espectador.

Essa cena provocou críticas sobre uma suposta romantização do suicídio e levou muitas escolas norte-americanas a enviar cartas de advertência aos pais e responsáveis. Os criadores do programa não se desculpam ou voltam atrás, dizendo que sua representação franca precisa ser "inflexível e crua".

"Muitas pessoas estão acusando a série de glamurizar o suicídio e eu acho que todos que criaram o programa sentem muito fortemente que fizeram exatamente o oposto", disse o roteirista Brian Yorkey, que ganhou um Tony Award e um Pulitzer pelo musical Next to Normal, que fala sobre doenças mentais. "O que fizemos foi retratar o suicídio e o retratamos como algo horrendo e muito prejudicial", completa.

SELENA GOMEZ FALA SOBRE BULLYING E SEU TRABALHO NA DISNEY

A série, co-produzida pela atriz e cantora Selena Gomez, é baseada no best-seller de Jay Asher, de 2007, sobre uma estudante do ensino médio que se mata e deixa 13 fitas de áudio detalhando os eventos que levaram à morte, como ataques físicos, abuso de substâncias e bullying.

Como normalmente faz, a Netflix liberou todas as 13 horas da série de uma vez no dia 31 de março, deixando os especialistas em prevenção de suicídio adolescente preocupados pelo fato de jovens poderem ver toda a série sem uma chance de absorver completamente os problemas e fazer perguntas. Eles também desejavam que o programa exibisse de forma consistente a linha telefônica de atendimento da Prevenção Nacional do Suicídio.

"Sabemos historicamente que mostrar detalhes gráficos sobre suicídio não é recomendado", disse Phyllis Alongi, diretor clínico da Sociedade para a Prevenção do Suicídio de Adolescentes. "Eu entendo o que os produtores estão dizendo, mas poderia realmente ser inseguro e eu acho que precisamos ser um pouco mais responsáveis". Tanto a Netflix quanto os criadores afirmam que vários profissionais de saúde mental foram consultados.

TRILHA SONORA DE 13 REASONS WHY ENTRA NO BILLBOARD 200

O programa é classificado nos Estados Unidos como TV-MA, o que significa que pode não ser apropriado para crianças menores de 17 anos.

Alguns profissionais de saúde mental estão sendo mais radicais, como os da Associação Nacional de Psicólogos Escolares declarando: "Nós não recomendamos que a juventude vulnerável, especialmente aqueles que têm qualquer grau de ideação suicida, assistam a esta série". Os críticos argumentam que a depressão e a doença mental – chaves para a compreensão do suicídio – raramente são mencionadas e o fato de que sua heroína, Hannah, começar a contar sua história após sua morte envia uma mensagem potencialmente perigosa. Eles também estão chateados pelo fato de o orientador da escola retratado no programa parece culpar a vítima.

A Jed Foundation e a Suicide Awareness Voices of Education juntaram forças para criar 13 pontos de discussão para jovens, adultos e orientadores conversarem enquanto assistem a série, incluindo avisos de que a maneira como o conselheiro escolar é retratado é atípico e que "deixar mensagens depois da morte é uma dramatização produzida em Hollywood" – os 13 pontos podem ser lidos nesse site, em inglês e espanhol.

Sistemas escolares em todo o país estão alertando os pais, tornando-os conscientes de que seus filhos podem estar vendo a série. A escolas pedem para que assistam com eles e forneçam informações para ajudá-los a falar sobre isso.

Em uma comunidade do estado de Nova York, Grand Island, os administradores de escola alertaram que a série "sensacionaliza o suicídio". O maior distrito escolar de Indiana alertou em um e-mail que a série "não modela com precisão o que queremos ou esperamos que os indivíduos façam se estiverem lutando ou estiverem em crise". Em Maryland, os diretores do sistema escolar público de Montgomery County notaram que os adolescentes falavam sobre a série e queriam ter certeza de que os pais tinham recursos para lidar com questões difíceis. Uma carta de advertência e links para conteúdos informativos foram enviados para todos os 35 mil alunos do ensino médio. "Se você é um jovem, a sua mente cresce de acordo com o que você vê e isso [a série] pode ter um impacto", disse Derek Turner, porta-voz do distrito. "Então, estamos dando dicas e ferramentas", completa o comunicado.

13reasons

De acordo com os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças, o suicídio foi a segunda principal causa de morte para crianças e jovens de 10 a 24 anos em 2014.

A Dra. Helen Hsu, psicóloga clínica em Fremont, na Califórnia, cujo trabalho envolve a prevenção do suicídio nas escolas, ajudou a moldar alguns dos roteiros de 13 Reasons Why. Ela disse que não mostrar o suicídio de Hannah seria evasivo e que os estudos médicos não são definitivos sobre os riscos de “contágio suicida”. Além disso, já existem até tutoriais online. "Se você acha que seu filho não pode encontrar isso em um segundo na internet você está tristemente errado", disse ela. "Dizer isso é ser ingênuo. O que eu fiz questão de enfatizar no meu trabalho com a série foi de não mostrar o suicídio como algo glamuroso, mas sim feio e doloroso. O que eu realmente quero é que o espectador se concentre na dor dos pais e das pessoas deixadas pra trás”.

Selena Gomez, que falou abertamente sobre suas próprias lutas em relação à saúde mental, disse que estava preparada para uma reação: "Vai acontecer, não importa o quê. Não é um assunto fácil de falar, mas eu sou muito afortunada por poder fazer o que estamos fazendo”.

O roteirista, Yorkey, disse que os criadores queriam contar uma história juvenil "da maneira mais honesta que nunca foi vista na televisão".

"Eu entendo que é difícil de assistir", disse ele. "E queríamos que fosse difícil de assistir, porque essas coisas são incrivelmente difíceis de suportar e queríamos dizer que essas coisas estão acontecendo na vida das crianças. Você pode ficar calado sobre eles. Você pode esconder esse conteúdo das crianças, mas isso não vai impedi-los de algo possa acontecer na vida delas. É a chance de falar sobre isso".

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É uma cena graficamente dolorosa de assistir: Uma menina de 17 anos de idade entra em uma banheira cheia com uma navalha. Vemos sua pele, seu sangue, seu choro e sua luta para continuar respirando.

O QUE A TRILHA DE 13 REASONS WHY, DA NETFLIX, NOS CONTA SOBRE A SÉRIE

O suicídio da heroína na nova série popular da Netflix, 13 Reasons Why, não deve ser encarado como um choque, uma vez que é retratado no episódio final de uma série construída em torno da morte da personagem. Mas saber que o ato está chegando não torna a situação mais fácil para o espectador.

Essa cena provocou críticas sobre uma suposta romantização do suicídio e levou muitas escolas norte-americanas a enviar cartas de advertência aos pais e responsáveis. Os criadores do programa não se desculpam ou voltam atrás, dizendo que sua representação franca precisa ser "inflexível e crua".

"Muitas pessoas estão acusando a série de glamurizar o suicídio e eu acho que todos que criaram o programa sentem muito fortemente que fizeram exatamente o oposto", disse o roteirista Brian Yorkey, que ganhou um Tony Award e um Pulitzer pelo musical Next to Normal, que fala sobre doenças mentais. "O que fizemos foi retratar o suicídio e o retratamos como algo horrendo e muito prejudicial", completa.

SELENA GOMEZ FALA SOBRE BULLYING E SEU TRABALHO NA DISNEY

A série, co-produzida pela atriz e cantora Selena Gomez, é baseada no best-seller de Jay Asher, de 2007, sobre uma estudante do ensino médio que se mata e deixa 13 fitas de áudio detalhando os eventos que levaram à morte, como ataques físicos, abuso de substâncias e bullying.

Como normalmente faz, a Netflix liberou todas as 13 horas da série de uma vez no dia 31 de março, deixando os especialistas em prevenção de suicídio adolescente preocupados pelo fato de jovens poderem ver toda a série sem uma chance de absorver completamente os problemas e fazer perguntas. Eles também desejavam que o programa exibisse de forma consistente a linha telefônica de atendimento da Prevenção Nacional do Suicídio.

"Sabemos historicamente que mostrar detalhes gráficos sobre suicídio não é recomendado", disse Phyllis Alongi, diretor clínico da Sociedade para a Prevenção do Suicídio de Adolescentes. "Eu entendo o que os produtores estão dizendo, mas poderia realmente ser inseguro e eu acho que precisamos ser um pouco mais responsáveis". Tanto a Netflix quanto os criadores afirmam que vários profissionais de saúde mental foram consultados.

TRILHA SONORA DE 13 REASONS WHY ENTRA NO BILLBOARD 200

O programa é classificado nos Estados Unidos como TV-MA, o que significa que pode não ser apropriado para crianças menores de 17 anos.

Alguns profissionais de saúde mental estão sendo mais radicais, como os da Associação Nacional de Psicólogos Escolares declarando: "Nós não recomendamos que a juventude vulnerável, especialmente aqueles que têm qualquer grau de ideação suicida, assistam a esta série". Os críticos argumentam que a depressão e a doença mental – chaves para a compreensão do suicídio – raramente são mencionadas e o fato de que sua heroína, Hannah, começar a contar sua história após sua morte envia uma mensagem potencialmente perigosa. Eles também estão chateados pelo fato de o orientador da escola retratado no programa parece culpar a vítima.

A Jed Foundation e a Suicide Awareness Voices of Education juntaram forças para criar 13 pontos de discussão para jovens, adultos e orientadores conversarem enquanto assistem a série, incluindo avisos de que a maneira como o conselheiro escolar é retratado é atípico e que "deixar mensagens depois da morte é uma dramatização produzida em Hollywood" – os 13 pontos podem ser lidos nesse site, em inglês e espanhol.

Sistemas escolares em todo o país estão alertando os pais, tornando-os conscientes de que seus filhos podem estar vendo a série. A escolas pedem para que assistam com eles e forneçam informações para ajudá-los a falar sobre isso.

Em uma comunidade do estado de Nova York, Grand Island, os administradores de escola alertaram que a série "sensacionaliza o suicídio". O maior distrito escolar de Indiana alertou em um e-mail que a série "não modela com precisão o que queremos ou esperamos que os indivíduos façam se estiverem lutando ou estiverem em crise". Em Maryland, os diretores do sistema escolar público de Montgomery County notaram que os adolescentes falavam sobre a série e queriam ter certeza de que os pais tinham recursos para lidar com questões difíceis. Uma carta de advertência e links para conteúdos informativos foram enviados para todos os 35 mil alunos do ensino médio. "Se você é um jovem, a sua mente cresce de acordo com o que você vê e isso [a série] pode ter um impacto", disse Derek Turner, porta-voz do distrito. "Então, estamos dando dicas e ferramentas", completa o comunicado.

13reasons

De acordo com os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças, o suicídio foi a segunda principal causa de morte para crianças e jovens de 10 a 24 anos em 2014.

A Dra. Helen Hsu, psicóloga clínica em Fremont, na Califórnia, cujo trabalho envolve a prevenção do suicídio nas escolas, ajudou a moldar alguns dos roteiros de 13 Reasons Why. Ela disse que não mostrar o suicídio de Hannah seria evasivo e que os estudos médicos não são definitivos sobre os riscos de “contágio suicida”. Além disso, já existem até tutoriais online. "Se você acha que seu filho não pode encontrar isso em um segundo na internet você está tristemente errado", disse ela. "Dizer isso é ser ingênuo. O que eu fiz questão de enfatizar no meu trabalho com a série foi de não mostrar o suicídio como algo glamuroso, mas sim feio e doloroso. O que eu realmente quero é que o espectador se concentre na dor dos pais e das pessoas deixadas pra trás”.

Selena Gomez, que falou abertamente sobre suas próprias lutas em relação à saúde mental, disse que estava preparada para uma reação: "Vai acontecer, não importa o quê. Não é um assunto fácil de falar, mas eu sou muito afortunada por poder fazer o que estamos fazendo”.

O roteirista, Yorkey, disse que os criadores queriam contar uma história juvenil "da maneira mais honesta que nunca foi vista na televisão".

"Eu entendo que é difícil de assistir", disse ele. "E queríamos que fosse difícil de assistir, porque essas coisas são incrivelmente difíceis de suportar e queríamos dizer que essas coisas estão acontecendo na vida das crianças. Você pode ficar calado sobre eles. Você pode esconder esse conteúdo das crianças, mas isso não vai impedi-los de algo possa acontecer na vida delas. É a chance de falar sobre isso".