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“A música brasileira se tornou imbatível.” Marcos Valle fala sobre shows com Stacey Kent

por em 12/04/2012
Imagem: Divulgação

Um dos músicos brasileiros de maior prestígio no exterior, o carioca Marcos Valle se uniu à cantora americana Stacey Kent para realizar uma série de shows no Brasil. A dupla tocará canções de Valle com a companhia do saxofonista Jim Tomlinson, marido de Stacey.

A união não é novidade. A dupla já havia se apresentado no show de comemoração dos 80 anos do Cristo Redentor, em outubro de 2011. Agora, Valle e a cantora – nomeada para o Grammy de 2007 – voltam aos palcos para mostrar seu show especial em quatro apresentações brasileiras. A dupla se apresentou na noite de ontem, dia 11, no Teatro do Via Sul Shopping, em Fortaleza, e hoje toca no Bourbon Street, em São Paulo. A breve turnê terá seu encerramento no Rio de Janeiro, onde Valle e Stacey se apresentam na sexta-feira, dia 13, e no sábado, dia 14, no Miranda.

Em entrevista a Billboard Brasil, Marcos Valle falou sobre o reconhecimento da música brasileira no exterior e revelou detalhes de sua parceria com a cantora americana. Com o cacife de ter tido sua música “Samba de Verão” regravada por mais de 80 artistas nos EUA, Valle destaca que a qualidade da bossa nova e da MPB “tornou a música brasileira imbatível no mundo todo”. Confira a entrevista completa abaixo:


Você e Stacey Kent já haviam se apresentado no show de 80 anos do Cristo Redentor, em outubro do ano passado. Como vocês se conheceram?

A gente se conheceu como fãs. Eu a conheci uma vez em que eu estava no carro, aí eu ouvi aquela voz no rádio e adorei. Eu não sabia quem era, ela estava cantando em francês, e eu estava pensando ‘que voz linda, quem é?’. E aí  no final eu pude descobrir que era a Stacey Kent, e quando cheguei em casa fui saber quem ela era. Aí que eu vi os discos que ela tinha gravado, que tinha sido nomeada para o Grammy, então eu a conheci como fã e descobri sobre o marido dela, o saxofonista Jim Tomlinson, e pensei: ‘que dupla incrível’.

Mal sabia eu que ela era minha fã e gostava das minhas músicas. Aí por uma coincidência, eles resolvem promover um encontro entre eu e Stacey no evento do Cristo Redentor. Naquele momento a ideia então foi de fazer uma música, que é o meu “Samba de Verão. Aí eu fiz um arranjo especial, e um dia antes da gente fazer o show a Stacey e o Jim foram lá em casa, e parecia que a gente já se conhecia há muito tempo. São pessoas maravilhosas. Isso estabeleceu um contato muito bom entre a gente, não só profissional, mas pessoal. E no palco a gente sentiu isso, então ficou esse clima perfeito.

De lá pra cá a gente ficou esperando fazer mais alguma coisa juntos. Aí quando vimos que dava pra fazer essa pequena turnê, eu conversei com a Stacey e nós escolhemos 14 músicas minhas para esse show. Algumas antigas, como a própria “Samba de Verão”, “Preciso Aprender a Ser Só”, mas tem coisas mais recentes que vão chegando mais pros dias de hoje, e músicas novas, músicas que nunca foram cantadas e que vão ser cantadas pela primeira vez pela Stacey nesse show.


Vocês tem interesse em realizar essa apresentação também nos EUA? Exista essa possibilidade?

Tenho sim. Eu acho que a gente vai querer ampliar isso aí. Nós vamos gravar esses shows ao vivo pra ver como é que fica o resultado, e se o resultado for positivo nós vamos inclusive usar em gravação. Embora ela tenha a agenda dela e eu tenha a minha, a gente sabe que isso aí é um show especial e que tem uma vida tranquila tanto no Brasil quanto fora, como nos EUA, na Europa, então eu tenho certeza que é um projeto que a gente vai usar pelo mundo afora.


Você é um dos artistas brasileiros que alcançou maior reconhecimento no exterior. Em sua opinião, como é a visão dos estrangeiros sobre a música nacional?

É a melhor possível. A música brasileira tem um prestigio desde a época da bossa nova, mas acho que o principal trunfo da música brasileiro foi que entrou nos músicos americanos, nos músicos de jazz, que são realmente a grande força da base da música americana. Os músicos americanos se encantaram com a bossa nova pelas qualidades que ela tinha e tem, que são as belas melodias, belas harmonias e o ritmo interessantíssimo que permite a eles improvisações e criações. E isso se incorporou de tal forma que os jazzistas americanos começaram até a fazer bossa nova.

Esse prestígio da música brasileira, desde aquela época até hoje, é inabalável. E é impressionante como essas gerações novas da Europa, dos EUA, do Japão, garotos novos que não sabiam disso, o interesse que eles tem pela música brasileira é fortíssimo e cada vez maior. E é por isso que quando eu vou pra fora eu tenho um público muito jovem. Eu acho  que é essa junção de melodia, harmonia e ritmo, isso foi o que tornou a música brasileira imbatível no mundo todo.


Tem ouvido algum novo artista?

Eu ouço muita gente, cantoras como a Monique Kessous, como a Céu, como a Tulipa Ruiz, como Mart’nália. Também gosto muito do trabalho do Max de Castro, do Celso Fonseca, cantoras que tem surgido que eu admiro muito. Eu falo das cantoras porque elas têm surgido mais do que os cantores. Essas cantoras são maravilhosas, cantam num estilo diferente e ao mesmo tempo trazem um respeito pela música brasileira, pelo que já foi feito na bossa nova, no samba. Existe uma renovação da música brasileira em cima do que já foi feito. Não tem uma ruptura, pelo contrário, existe um elo muito grande. Essa é uma das grandes vantagens da música brasileira. Quem surge hoje utiliza muito o que já foi feito, eles ouvem muito, tem um respeito, tem os discos, e com isso forma-se um elo muito interessante sobre o que foi feito e o que está sendo feito.


Há alguém que você gostaria de realizar uma parceria e que ainda não o fez?

Sempre tem, né? Sabe com quem eu gostaria? Não é das novíssimas, mas é uma pessoa que a gente já conversou de fazer umas coisas juntos, é a Adriana Calcanhoto. A Adriana tem uma maneira de compor, ela é abrangente, cai pelo pop, cai pela bossa, cai pela canção, e como eu também tenho essa abertura eu acharia muito interessante se a gente pudesse fazer alguma coisa juntos.


Neste ano completam-se 30 anos da morte de Elis Regina, data marcada com shows comemorativos e exposições. Recentemente também foi lançado o documentário A Música Segundo Tom Jobim, e outro ícone da MPB, João Gilberto, deve sair em turnê em breve. Acha que a nova geração está conhecendo melhor a música de sua geração?

Certamente. Inclusive, eu vou dizer uma coisa pra você: o interesse do público lá fora, na Europa, que começou pela bossa nova e por outros tipos de música brasileira, teve uma repercussão muito boa no Brasil, porque o que acontece é o seguinte: os DJs da Europa começaram a se ligar muito na minha música, na música do [João] Donato, músicas de Jorge Ben. Esses DJs começaram a influir as nossas músicas nos trabalhos deles, e a garotada no Brasil começou a escutar coisas que eram brasileiras através dos DJs e começaram a perceber o quanto a nossa música era apreciada pelo público lá fora. Isso ajudou muito pra que o pessoal daqui também se ligasse nisso.

E isso vem crescendo. Hoje eu acho que há um conhecimento muito grande do que foi feito, principalmente com a internet, que permite que você troque ideias e mande informações pra tudo que é lado. Essa garotada tá sabendo e muito. Aí eles começaram a comprar discos e descobrem um show que foi feito não sei aonde e já põem na internet. Inclusive nos shows que eu faço no Brasil, tem um pessoal bastante jovem que não tinha antigamente.


Acha que falta algo para a música nacional ser ainda mais reconhecida no exterior?

Olha, eu acho que o que pode ser feito - e eu acho que é assim que a música brasileira está cada vez mais conhecida - é através dos shows lá fora. Porque quando você vai - logicamente os discos, as gravações, isso tudo atrai o público - e foi assim que eu fiquei conhecido novamente por essa garotada lá fora. Eles começaram a tocar meus discos, aí formou um público muito grande e eu comecei a gravar, mas eu também comecei a ir lá.

Quando você vai fazer um show e eles te veem, a mágica é muito grande. Você conquista aquele público que já conhece a tua música, mas eles ficam loucos de estar te vendo, é quase um sonho pra eles. Eu acho que quanto mais observarem a música do Brasil, melhor. Às vezes pra começar um trabalho você não pode ficar esperando muito, porque, no início, se você quiser botar seu trabalho, é melhor você ir, sem pensar muito no lucro. Quanto mais shows você fizer lá fora, vai ajudar cada vez mais a continuar divulgando a música brasileira e aumentando ainda mais esse interesse.


Atualmente estamos vendo um artista brasileiro fazendo bastante sucesso no exterior com uma música popular, que é o Michel Teló. Qual é a sua visão sobre isso? Você acha que é interessante o Brasil divulgar diversos tipos de música lá fora?

Eu acho que qualquer estilo de música que você tocar lá fora é interessante, disso eu não tenho dúvida. Eu apenas acho que em termos de cultura brasileira, cultura de um povo, você quando mostra a música que é característica da tua terra, por exemplo, o baião, o samba, a bossa nova, o rock brasileiro, o samba mais moderno, eu acho que essas coisas que são características do Brasil são muito legais. Isso por uma questão de cultura brasileira, que eu acho importante que seja reconhecido lá fora.

Existe um tipo de música que também tem sucesso no Brasil, mas não é exatamente música de origem brasileira. E como eu adoro música, eu adoro o fato da música ser uma coisa pra ser levada a sério, eu gosto de ver as características da música brasileira, que nasceram aqui - e nisso eu incluo até o próprio rock brasileiro, porque ele é rock, mas ele tem uma linguagem brasileira.

Eu gosto mais de ver esse estilo de música do samba, da bossa nova, do baião, do maracatu, todas essas coisas brasileiras que eu realmente acho muito importante de serem lançadas lá fora. Mas todos os artistas tem o direito de divulgar seu trabalho, e é muito bom de qualquer maneira, porque você traz mais atenção para o Brasil quando você leva qualquer artista nacional para fora.

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“A música brasileira se tornou imbatível.” Marcos Valle fala sobre shows com Stacey Kent

por em 12/04/2012
Imagem: Divulgação

Um dos músicos brasileiros de maior prestígio no exterior, o carioca Marcos Valle se uniu à cantora americana Stacey Kent para realizar uma série de shows no Brasil. A dupla tocará canções de Valle com a companhia do saxofonista Jim Tomlinson, marido de Stacey.

A união não é novidade. A dupla já havia se apresentado no show de comemoração dos 80 anos do Cristo Redentor, em outubro de 2011. Agora, Valle e a cantora – nomeada para o Grammy de 2007 – voltam aos palcos para mostrar seu show especial em quatro apresentações brasileiras. A dupla se apresentou na noite de ontem, dia 11, no Teatro do Via Sul Shopping, em Fortaleza, e hoje toca no Bourbon Street, em São Paulo. A breve turnê terá seu encerramento no Rio de Janeiro, onde Valle e Stacey se apresentam na sexta-feira, dia 13, e no sábado, dia 14, no Miranda.

Em entrevista a Billboard Brasil, Marcos Valle falou sobre o reconhecimento da música brasileira no exterior e revelou detalhes de sua parceria com a cantora americana. Com o cacife de ter tido sua música “Samba de Verão” regravada por mais de 80 artistas nos EUA, Valle destaca que a qualidade da bossa nova e da MPB “tornou a música brasileira imbatível no mundo todo”. Confira a entrevista completa abaixo:


Você e Stacey Kent já haviam se apresentado no show de 80 anos do Cristo Redentor, em outubro do ano passado. Como vocês se conheceram?

A gente se conheceu como fãs. Eu a conheci uma vez em que eu estava no carro, aí eu ouvi aquela voz no rádio e adorei. Eu não sabia quem era, ela estava cantando em francês, e eu estava pensando ‘que voz linda, quem é?’. E aí  no final eu pude descobrir que era a Stacey Kent, e quando cheguei em casa fui saber quem ela era. Aí que eu vi os discos que ela tinha gravado, que tinha sido nomeada para o Grammy, então eu a conheci como fã e descobri sobre o marido dela, o saxofonista Jim Tomlinson, e pensei: ‘que dupla incrível’.

Mal sabia eu que ela era minha fã e gostava das minhas músicas. Aí por uma coincidência, eles resolvem promover um encontro entre eu e Stacey no evento do Cristo Redentor. Naquele momento a ideia então foi de fazer uma música, que é o meu “Samba de Verão. Aí eu fiz um arranjo especial, e um dia antes da gente fazer o show a Stacey e o Jim foram lá em casa, e parecia que a gente já se conhecia há muito tempo. São pessoas maravilhosas. Isso estabeleceu um contato muito bom entre a gente, não só profissional, mas pessoal. E no palco a gente sentiu isso, então ficou esse clima perfeito.

De lá pra cá a gente ficou esperando fazer mais alguma coisa juntos. Aí quando vimos que dava pra fazer essa pequena turnê, eu conversei com a Stacey e nós escolhemos 14 músicas minhas para esse show. Algumas antigas, como a própria “Samba de Verão”, “Preciso Aprender a Ser Só”, mas tem coisas mais recentes que vão chegando mais pros dias de hoje, e músicas novas, músicas que nunca foram cantadas e que vão ser cantadas pela primeira vez pela Stacey nesse show.


Vocês tem interesse em realizar essa apresentação também nos EUA? Exista essa possibilidade?

Tenho sim. Eu acho que a gente vai querer ampliar isso aí. Nós vamos gravar esses shows ao vivo pra ver como é que fica o resultado, e se o resultado for positivo nós vamos inclusive usar em gravação. Embora ela tenha a agenda dela e eu tenha a minha, a gente sabe que isso aí é um show especial e que tem uma vida tranquila tanto no Brasil quanto fora, como nos EUA, na Europa, então eu tenho certeza que é um projeto que a gente vai usar pelo mundo afora.


Você é um dos artistas brasileiros que alcançou maior reconhecimento no exterior. Em sua opinião, como é a visão dos estrangeiros sobre a música nacional?

É a melhor possível. A música brasileira tem um prestigio desde a época da bossa nova, mas acho que o principal trunfo da música brasileiro foi que entrou nos músicos americanos, nos músicos de jazz, que são realmente a grande força da base da música americana. Os músicos americanos se encantaram com a bossa nova pelas qualidades que ela tinha e tem, que são as belas melodias, belas harmonias e o ritmo interessantíssimo que permite a eles improvisações e criações. E isso se incorporou de tal forma que os jazzistas americanos começaram até a fazer bossa nova.

Esse prestígio da música brasileira, desde aquela época até hoje, é inabalável. E é impressionante como essas gerações novas da Europa, dos EUA, do Japão, garotos novos que não sabiam disso, o interesse que eles tem pela música brasileira é fortíssimo e cada vez maior. E é por isso que quando eu vou pra fora eu tenho um público muito jovem. Eu acho  que é essa junção de melodia, harmonia e ritmo, isso foi o que tornou a música brasileira imbatível no mundo todo.


Tem ouvido algum novo artista?

Eu ouço muita gente, cantoras como a Monique Kessous, como a Céu, como a Tulipa Ruiz, como Mart’nália. Também gosto muito do trabalho do Max de Castro, do Celso Fonseca, cantoras que tem surgido que eu admiro muito. Eu falo das cantoras porque elas têm surgido mais do que os cantores. Essas cantoras são maravilhosas, cantam num estilo diferente e ao mesmo tempo trazem um respeito pela música brasileira, pelo que já foi feito na bossa nova, no samba. Existe uma renovação da música brasileira em cima do que já foi feito. Não tem uma ruptura, pelo contrário, existe um elo muito grande. Essa é uma das grandes vantagens da música brasileira. Quem surge hoje utiliza muito o que já foi feito, eles ouvem muito, tem um respeito, tem os discos, e com isso forma-se um elo muito interessante sobre o que foi feito e o que está sendo feito.


Há alguém que você gostaria de realizar uma parceria e que ainda não o fez?

Sempre tem, né? Sabe com quem eu gostaria? Não é das novíssimas, mas é uma pessoa que a gente já conversou de fazer umas coisas juntos, é a Adriana Calcanhoto. A Adriana tem uma maneira de compor, ela é abrangente, cai pelo pop, cai pela bossa, cai pela canção, e como eu também tenho essa abertura eu acharia muito interessante se a gente pudesse fazer alguma coisa juntos.


Neste ano completam-se 30 anos da morte de Elis Regina, data marcada com shows comemorativos e exposições. Recentemente também foi lançado o documentário A Música Segundo Tom Jobim, e outro ícone da MPB, João Gilberto, deve sair em turnê em breve. Acha que a nova geração está conhecendo melhor a música de sua geração?

Certamente. Inclusive, eu vou dizer uma coisa pra você: o interesse do público lá fora, na Europa, que começou pela bossa nova e por outros tipos de música brasileira, teve uma repercussão muito boa no Brasil, porque o que acontece é o seguinte: os DJs da Europa começaram a se ligar muito na minha música, na música do [João] Donato, músicas de Jorge Ben. Esses DJs começaram a influir as nossas músicas nos trabalhos deles, e a garotada no Brasil começou a escutar coisas que eram brasileiras através dos DJs e começaram a perceber o quanto a nossa música era apreciada pelo público lá fora. Isso ajudou muito pra que o pessoal daqui também se ligasse nisso.

E isso vem crescendo. Hoje eu acho que há um conhecimento muito grande do que foi feito, principalmente com a internet, que permite que você troque ideias e mande informações pra tudo que é lado. Essa garotada tá sabendo e muito. Aí eles começaram a comprar discos e descobrem um show que foi feito não sei aonde e já põem na internet. Inclusive nos shows que eu faço no Brasil, tem um pessoal bastante jovem que não tinha antigamente.


Acha que falta algo para a música nacional ser ainda mais reconhecida no exterior?

Olha, eu acho que o que pode ser feito - e eu acho que é assim que a música brasileira está cada vez mais conhecida - é através dos shows lá fora. Porque quando você vai - logicamente os discos, as gravações, isso tudo atrai o público - e foi assim que eu fiquei conhecido novamente por essa garotada lá fora. Eles começaram a tocar meus discos, aí formou um público muito grande e eu comecei a gravar, mas eu também comecei a ir lá.

Quando você vai fazer um show e eles te veem, a mágica é muito grande. Você conquista aquele público que já conhece a tua música, mas eles ficam loucos de estar te vendo, é quase um sonho pra eles. Eu acho que quanto mais observarem a música do Brasil, melhor. Às vezes pra começar um trabalho você não pode ficar esperando muito, porque, no início, se você quiser botar seu trabalho, é melhor você ir, sem pensar muito no lucro. Quanto mais shows você fizer lá fora, vai ajudar cada vez mais a continuar divulgando a música brasileira e aumentando ainda mais esse interesse.


Atualmente estamos vendo um artista brasileiro fazendo bastante sucesso no exterior com uma música popular, que é o Michel Teló. Qual é a sua visão sobre isso? Você acha que é interessante o Brasil divulgar diversos tipos de música lá fora?

Eu acho que qualquer estilo de música que você tocar lá fora é interessante, disso eu não tenho dúvida. Eu apenas acho que em termos de cultura brasileira, cultura de um povo, você quando mostra a música que é característica da tua terra, por exemplo, o baião, o samba, a bossa nova, o rock brasileiro, o samba mais moderno, eu acho que essas coisas que são características do Brasil são muito legais. Isso por uma questão de cultura brasileira, que eu acho importante que seja reconhecido lá fora.

Existe um tipo de música que também tem sucesso no Brasil, mas não é exatamente música de origem brasileira. E como eu adoro música, eu adoro o fato da música ser uma coisa pra ser levada a sério, eu gosto de ver as características da música brasileira, que nasceram aqui - e nisso eu incluo até o próprio rock brasileiro, porque ele é rock, mas ele tem uma linguagem brasileira.

Eu gosto mais de ver esse estilo de música do samba, da bossa nova, do baião, do maracatu, todas essas coisas brasileiras que eu realmente acho muito importante de serem lançadas lá fora. Mas todos os artistas tem o direito de divulgar seu trabalho, e é muito bom de qualquer maneira, porque você traz mais atenção para o Brasil quando você leva qualquer artista nacional para fora.