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Aláfia faz álbum em homenagem a São Paulo e avisa: SP não é sopa!

Supergrupo de 11 integrantes usou a cidade como tema do terceiro trabalho

por Marcos Lauro em 10/03/2017

São Paulo é uma cidade complexa e repleta de desafios. É mais ou menos isso que o grupo Aláfia quer dizer com seu terceiro álbum de estúdio, São Paulo Não é Sopa.

Lançado no comecinho de 2017, o álbum já estava sendo pensado antes mesmo das últimas mudanças ocorridas na prefeitura da cidade. “A gente foi percebendo essas mudanças, como o lance dos grafites apagados, durante a gravação”, afirmou o vocalista Eduardo Brechó, principal compositor e também produtor do álbum, se referindo à atual política da prefeitura da cidade em relação ao grafitti e pichações.

O álbum traz convidados de gerações bastante distantes quando colocadas na linha do tempo da música brasileira. João Parahyba, do Trio Mocotó, um dos inventores do samba rock nos anos 1970, faz um paralelo com As Bahias e a Cozinha Mineira, da novíssima geração musical do país. “As Bahias são amigas de luta e de arte”, completa Brechó.

Ouça o disco e leia abaixo o papo com o vocalista:

O disco é bastante antenado em relação às últimas mudanças na cidade. O tema já estava pensado ou vocês pegaram o gancho?
O tema já estava definido, a gente já tinha pensado nele há cerca de dois, três anos. A cidade sempre inspirou, na verdade. Mas durante a gravação, fomos percebendo as mudanças, o que estava acontecendo depois da eleição do atual prefeito [o empresário João Dória Jr.], o lance dos grafites apagados etc.

A banda é grande, tem 11 integrantes. Até que ponto as decisões são coletivas?
As decisões estéticas são tomadas coletivamente, mas o trabalho inicial, de composição, é meu. A criação não é coletiva, mas a gravação sim. Todas as canções são minhas e o Filipe Gomes, co-produtor do álbum, é meu parceiro nessa parte.

Colocamos a Xênia França [vocalista do grupo] na nossa lista de apostas para 2017 por causa do disco solo que ela está pra lançar. Como é trabalhar ao lado dela?

É uma honra, a Xênia é uma figura, tem carisma. Vai rolar o disco solo dela e é uma honra participar desse processo também. Como compositor, ela é a pessoa que mais cantou minhas músicas, é interessante perceber isso. Então é uma troca mesmo.

E como é ter no disco artistas de gerações tão diferentes como João Parahyba e As Bahias e a Cozinha Mineira?
O João ensina, né? O cara gravou discos com Jorge Ben Jor usando dois canais, trabalhou com o Suba nos anos 1990... foi um dos primeiros caras que usou Pro-Tools [software de gravação profissional que hoje domina o mercado] no Brasil. E ele foi super solícito... a faixa que gravamos, “Agogô De 5 Bocas”, é quase um samba rock e pensamos nele para ratificar a nossa escolha. Já As Bahias são amigas de luta e de arte. O que liga tudo isso é a raiz na música preta, o novo e o velho com cabeça aberta.

O disco foi gravado no estúdio da Red Bull, que fica no centro de São Paulo. De lá saiu também outro disco que homenageia a cidade, do Kiko Dinucci. O centro inspira?
Demais. O disco, na verdade, começou em casa, na Brasilândia [bairro da zona norte]. Depois fomos pro estúdio do Filipe e finalizamos no centro. Quando eu não tenho nada pra fazer, eu vou pro centro. É pequeno em relação ao resto da cidade e tem tudo ali concentrado, como se fosse um núcleo de uma célula mesmo. Então, o centro tem tudo o que tem na periferia, as pessoas da periferia frequentam o centro. Tem o glamour e a pobreza. Eu gosto de estar no núcleo.

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Aláfia faz álbum em homenagem a São Paulo e avisa: SP não é sopa!

Supergrupo de 11 integrantes usou a cidade como tema do terceiro trabalho

por Marcos Lauro em 10/03/2017

São Paulo é uma cidade complexa e repleta de desafios. É mais ou menos isso que o grupo Aláfia quer dizer com seu terceiro álbum de estúdio, São Paulo Não é Sopa.

Lançado no comecinho de 2017, o álbum já estava sendo pensado antes mesmo das últimas mudanças ocorridas na prefeitura da cidade. “A gente foi percebendo essas mudanças, como o lance dos grafites apagados, durante a gravação”, afirmou o vocalista Eduardo Brechó, principal compositor e também produtor do álbum, se referindo à atual política da prefeitura da cidade em relação ao grafitti e pichações.

O álbum traz convidados de gerações bastante distantes quando colocadas na linha do tempo da música brasileira. João Parahyba, do Trio Mocotó, um dos inventores do samba rock nos anos 1970, faz um paralelo com As Bahias e a Cozinha Mineira, da novíssima geração musical do país. “As Bahias são amigas de luta e de arte”, completa Brechó.

Ouça o disco e leia abaixo o papo com o vocalista:

O disco é bastante antenado em relação às últimas mudanças na cidade. O tema já estava pensado ou vocês pegaram o gancho?
O tema já estava definido, a gente já tinha pensado nele há cerca de dois, três anos. A cidade sempre inspirou, na verdade. Mas durante a gravação, fomos percebendo as mudanças, o que estava acontecendo depois da eleição do atual prefeito [o empresário João Dória Jr.], o lance dos grafites apagados etc.

A banda é grande, tem 11 integrantes. Até que ponto as decisões são coletivas?
As decisões estéticas são tomadas coletivamente, mas o trabalho inicial, de composição, é meu. A criação não é coletiva, mas a gravação sim. Todas as canções são minhas e o Filipe Gomes, co-produtor do álbum, é meu parceiro nessa parte.

Colocamos a Xênia França [vocalista do grupo] na nossa lista de apostas para 2017 por causa do disco solo que ela está pra lançar. Como é trabalhar ao lado dela?

É uma honra, a Xênia é uma figura, tem carisma. Vai rolar o disco solo dela e é uma honra participar desse processo também. Como compositor, ela é a pessoa que mais cantou minhas músicas, é interessante perceber isso. Então é uma troca mesmo.

E como é ter no disco artistas de gerações tão diferentes como João Parahyba e As Bahias e a Cozinha Mineira?
O João ensina, né? O cara gravou discos com Jorge Ben Jor usando dois canais, trabalhou com o Suba nos anos 1990... foi um dos primeiros caras que usou Pro-Tools [software de gravação profissional que hoje domina o mercado] no Brasil. E ele foi super solícito... a faixa que gravamos, “Agogô De 5 Bocas”, é quase um samba rock e pensamos nele para ratificar a nossa escolha. Já As Bahias são amigas de luta e de arte. O que liga tudo isso é a raiz na música preta, o novo e o velho com cabeça aberta.

O disco foi gravado no estúdio da Red Bull, que fica no centro de São Paulo. De lá saiu também outro disco que homenageia a cidade, do Kiko Dinucci. O centro inspira?
Demais. O disco, na verdade, começou em casa, na Brasilândia [bairro da zona norte]. Depois fomos pro estúdio do Filipe e finalizamos no centro. Quando eu não tenho nada pra fazer, eu vou pro centro. É pequeno em relação ao resto da cidade e tem tudo ali concentrado, como se fosse um núcleo de uma célula mesmo. Então, o centro tem tudo o que tem na periferia, as pessoas da periferia frequentam o centro. Tem o glamour e a pobreza. Eu gosto de estar no núcleo.