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Andreas Kisser: “O metal é o gênero mais popular do mundo”

Billboard Brasil conversou com o guitarrista do Sepultura sobre o novo álbum, Machine Messiah

por Marcos Lauro em 13/01/2017

Há 30 anos, Andreas Kisser estreava em disco no Sepultura com o Schizophrenia, segundo trabalho da banda. Em 1987, a banda ainda morava (e gravava) em Belo Horizonte, Minas Gerais, e contava com sua formação clássica: Max e Iggor (ainda sem os dois gês no nome) Cavalera e o baixista Paulo Junior. Andreas, já um estudioso das cordas, chegava para botar ordem no caos sonoro do Sepultura.

45 MÚSICAS QUE FAZEM 30 ANOS EM 2017

Hoje, 30 anos depois, apenas Andreas e Paulo seguem na banda, depois de algumas trocas nos outros postos. Derrick Green comanda os vocais e Eloy Casagrande as baquetas. Conversamos com Andreas sobre essa história e o novo álbum, Machine Messiah, que chega às plataformas nessa sexta-feira (13/1). “Não é necessariamente um disco temático, mas as letras falam muito sobre robotização e como o mundo se comporta hoje perante às máquinas”, diz Andreas.

As letras de Machine Messiah são inspiradas em algum livro ou filme?
Não, na vida em si. Mais do que livro ou filme, é o mundo como está hoje. Em 1989, quando a gente foi fazer show no exterior pela primeira vez, era só vinil pra ouvir música e fax pra se comunicar. Então a gente presenciou essa evolução. Hoje eu vejo gente no show com o celular na mão a noite inteira, filmando e fazendo foto, em vez de curtir o momento. As bandas, hoje, estão penando pra achar soluções. E, bom, até pra pegar mulher tem aplicativo [risos]. Os robôs ajudam o nosso cérebro, o Google tá aí pra nos dar respostas instantâneas, mas eles acabam trabalhando pra gente e dá preguiça de pensar.

Você citou rapidamente essa coisa do fã com celular no show. Isso te incomoda?
Não, o problema é deles, eles que estão perdendo tempo e a experiência de estar ali.

E, no meio disso tudo, como o disco foi pensado?
Curioso é que pensamos no disco como se fosse um vinil. Qual música fecharia o lado A, qual música abriria o lado B... formato tradicional.

Você consegue identificar o perfil do fã do Sepultura, se mudou muito da época dos Cavalera até hoje?
Não tem estereótipo de fã, isso é legal. O Sepultura faz discos muito diferentes uns dos outros, então, a cada lançamento, a gente perde e ganha fãs. E é normal pra gente, renova muito.

Você vê isso no metal, em geral?
Não. Mas o metal é o gênero mais popular do mundo, eu não tenho dúvidas. Esses dias o Metallica foi tocar na Coreia... imagina!

Na última vez que entrevistei vocês, em 2015, vi que o Eloy (atual baterista) conheceu o Sepultura já sem os Cavalera. Ou seja, ele é de uma geração muito nova, que conheceu o Sepultura já muito grande, com renome mundial, e hoje toca na banda. O público do Sepultura se renova muito? O que, hoje, atrai a molecada para o metal?
O metal é o gênero mais “seja você mesmo” que existe. Metal é liberdade, o rock começou assim. Quer ter cabelo comprido, andar de preto...? Pode. Se não quiser, tudo bem. O moleque vai descobrir um mundo muito grande quando começar a ouvir e aprender sobre o metal.

A biografia do João Gordo (Vila La Vida Tosca, lançada em novembro de 2016) fala bastante sobre o período em que ele praticamente morou com o Sepultura e cita você como um “nerd das cordas”, de ficar estudando violão e guitarra o dia todo e tal. Você ainda estuda muito?
Cara, eu queria ter tempo pra estudar mais, sabia? O que rola hoje é que eu toco todos os dias, a música está sempre aqui. Comecei a estudar mesmo nos anos 1990, quando fui pra Phoenix. E hoje eu estou em estúdio quase todo dia. Quando não é estúdio, é show. É produção, gravação, trilhas sonoras...

E já tem turnê marcada para o disco novo?
Já temos agenda cheia até agosto, vamos viajar pela Europa com o Kreator, depois tem Estados Unidos e queremos tocar muito pelo Brasil. Fora os grandes festivais de metal, que estaremos em quase todos.

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por Marcos Lauro em 13/01/2017

Há 30 anos, Andreas Kisser estreava em disco no Sepultura com o Schizophrenia, segundo trabalho da banda. Em 1987, a banda ainda morava (e gravava) em Belo Horizonte, Minas Gerais, e contava com sua formação clássica: Max e Iggor (ainda sem os dois gês no nome) Cavalera e o baixista Paulo Junior. Andreas, já um estudioso das cordas, chegava para botar ordem no caos sonoro do Sepultura.

45 MÚSICAS QUE FAZEM 30 ANOS EM 2017

Hoje, 30 anos depois, apenas Andreas e Paulo seguem na banda, depois de algumas trocas nos outros postos. Derrick Green comanda os vocais e Eloy Casagrande as baquetas. Conversamos com Andreas sobre essa história e o novo álbum, Machine Messiah, que chega às plataformas nessa sexta-feira (13/1). “Não é necessariamente um disco temático, mas as letras falam muito sobre robotização e como o mundo se comporta hoje perante às máquinas”, diz Andreas.

As letras de Machine Messiah são inspiradas em algum livro ou filme?
Não, na vida em si. Mais do que livro ou filme, é o mundo como está hoje. Em 1989, quando a gente foi fazer show no exterior pela primeira vez, era só vinil pra ouvir música e fax pra se comunicar. Então a gente presenciou essa evolução. Hoje eu vejo gente no show com o celular na mão a noite inteira, filmando e fazendo foto, em vez de curtir o momento. As bandas, hoje, estão penando pra achar soluções. E, bom, até pra pegar mulher tem aplicativo [risos]. Os robôs ajudam o nosso cérebro, o Google tá aí pra nos dar respostas instantâneas, mas eles acabam trabalhando pra gente e dá preguiça de pensar.

Você citou rapidamente essa coisa do fã com celular no show. Isso te incomoda?
Não, o problema é deles, eles que estão perdendo tempo e a experiência de estar ali.

E, no meio disso tudo, como o disco foi pensado?
Curioso é que pensamos no disco como se fosse um vinil. Qual música fecharia o lado A, qual música abriria o lado B... formato tradicional.

Você consegue identificar o perfil do fã do Sepultura, se mudou muito da época dos Cavalera até hoje?
Não tem estereótipo de fã, isso é legal. O Sepultura faz discos muito diferentes uns dos outros, então, a cada lançamento, a gente perde e ganha fãs. E é normal pra gente, renova muito.

Você vê isso no metal, em geral?
Não. Mas o metal é o gênero mais popular do mundo, eu não tenho dúvidas. Esses dias o Metallica foi tocar na Coreia... imagina!

Na última vez que entrevistei vocês, em 2015, vi que o Eloy (atual baterista) conheceu o Sepultura já sem os Cavalera. Ou seja, ele é de uma geração muito nova, que conheceu o Sepultura já muito grande, com renome mundial, e hoje toca na banda. O público do Sepultura se renova muito? O que, hoje, atrai a molecada para o metal?
O metal é o gênero mais “seja você mesmo” que existe. Metal é liberdade, o rock começou assim. Quer ter cabelo comprido, andar de preto...? Pode. Se não quiser, tudo bem. O moleque vai descobrir um mundo muito grande quando começar a ouvir e aprender sobre o metal.

A biografia do João Gordo (Vila La Vida Tosca, lançada em novembro de 2016) fala bastante sobre o período em que ele praticamente morou com o Sepultura e cita você como um “nerd das cordas”, de ficar estudando violão e guitarra o dia todo e tal. Você ainda estuda muito?
Cara, eu queria ter tempo pra estudar mais, sabia? O que rola hoje é que eu toco todos os dias, a música está sempre aqui. Comecei a estudar mesmo nos anos 1990, quando fui pra Phoenix. E hoje eu estou em estúdio quase todo dia. Quando não é estúdio, é show. É produção, gravação, trilhas sonoras...

E já tem turnê marcada para o disco novo?
Já temos agenda cheia até agosto, vamos viajar pela Europa com o Kreator, depois tem Estados Unidos e queremos tocar muito pelo Brasil. Fora os grandes festivais de metal, que estaremos em quase todos.