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Baiana, Candice Fiais faz blues e desafia estereótipos

por em 02/03/2016

Por Bruna Gonçalves Serur

A cantora, compositora e multi-instrumentalista baiana Candice Fiais divulgou recentemente o clipe de “Aqui (Don't Ever Leave)”, do seu disco de estreia, Blues Azuis, que contém dez faixas autorais e foi lançado no ano passado. Dirigido pelo fotógrafo e diretor Leo Monteiro, as imagens foram gravadas na pousada Praia do Flamengo, em Salvador.

candice fiais

"Essa música eu compus inicialmente toda em inglês. Para gravar, achei que ela merecia uma letra em português... Mas já estava tão acostumada com ela em outro idioma que, para ser sincera, preferi manter um pedaço da letra original”, explica a cantora.

No momento, Candice se concentra na pré-produção de uma turnê pelo sudeste, que deve ser realizada no segundo semestre. “Gosto de apresentar o Blues Azuis em um contexto de teatro. Com as pessoas atentas ao repertório, às ambiências, às nuances de cada música”, contou à Billboard Brasil. “Para traduzir o disco, o show passeia por momentos diversos: desde o momento mais intimista com violões, banjo e gaita acústica para criar uma atmosfera mais bluegrass, até aqueles mais viscerais, com solos de guitarra mais rock 'n roll e gaita com distorção”.

Você sempre compõe em inglês? Como nasceu esse hábito?

Esse era um hábito antigo, desde quando eu comecei a compor para a banda de rock que eu tinha anteriormente, a Anacê. De algum modo isso facilitava o processo de composição das melodias vocais. Creio que isso acontecia devido à grande maioria das minhas influências musicais serem estrangeiras, principalmente americanas. A fonética do idioma estava diretamente associada às minhas ideias musicais, então as músicas acabavam sempre "nascendo" em inglês, e depois eu criava letras em português para elas – ou não – para que ficassem acessíveis pra o público brasileiro e as pessoas pudessem entender rapidamente a letra e se identificar com ela. Com o tempo fui amadurecendo o processo de composição e isso foi mudando - hoje a música pode surgir em inglês, em português, até em francês já rolou. Tudo depende da inspiração.

Como aconteceu esse seu encontro com o blues? É algo que você cultiva desde criança ou descoberto quando você entrou no mundo da música?

A minha paixão pelo blues foi à primeira "ouvida". Conheci o estilo ainda criança, nos discos de Eric Clapton do meu irmão mais velho, mais especificamente o From The Cradle e o Unplugged da MTV. Os riffs de guitarra slide, a sonoridade da gaita diatônica, a intenção das melodias, tudo aquilo foi muito encantador aos meus ouvidos logo de cara. Quando entrei no mundo da música e montei a minha primeira banda, abraçamos uma linha mais voltada ao rock, pop/rock, que era a vertente comum entre todos os integrantes. Mas o meu namoro com o blues sempre esteve ali, sempre permeando a minha relação com a música, inclusive eu compus um blues acústico nessa época, que acabou entrando no primeiro CD da banda – em inglês e chamava-se "You Addict". Também nessa época eu comecei a estudar a gaita diatônica, e estudar gaita diatônica é estudar blues. Você se insere completamente naquele universo. Com o tempo fui amadurecendo essa minha inclinação pelo estilo e montei o meu show solo de blues; inicialmente tocando apenas covers e depois, comecei a inserir músicas autorais também. Um trabalho que resultou no Blues Azuis.

  Como é ser uma cantora baiana e fugir dos estereótipos musicais do estado e região? Você sofreu algum tipo de preconceito? Eu encaro como desafiador e interessante fugir dos padrões que as pessoas esperam de você. Muita gente ainda se surpreende quando uma artista da Bahia abraça o blues ou o jazz, como se fosse uma coisa de outro mundo. Acho maravilhoso ser porta-voz do fato de que esse é um grande engano, pois a Bahia é celeiro de uma diversidade cultural enorme! Aqui temos artistas de nível altíssimo fazendo trabalhos excelentes nos mais diversos estilos, seja blues, jazz, soul, chorinho, hip hop... Nunca sofri nenhum tipo de preconceito; na verdade, a reação que sinto despertar nas pessoas é de surpresa positiva. E isso me move. Essa história de que não existe Bahia para além do axé e carnaval já não cabe mais. É preciso destruir de uma vez por todas esse olhar limitado e limitante. Os tempos são outros – basta abrir os pulmões para respirar os novos ares da produção musical e cultural baiana.
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Baiana, Candice Fiais faz blues e desafia estereótipos

por em 02/03/2016

Por Bruna Gonçalves Serur

A cantora, compositora e multi-instrumentalista baiana Candice Fiais divulgou recentemente o clipe de “Aqui (Don't Ever Leave)”, do seu disco de estreia, Blues Azuis, que contém dez faixas autorais e foi lançado no ano passado. Dirigido pelo fotógrafo e diretor Leo Monteiro, as imagens foram gravadas na pousada Praia do Flamengo, em Salvador.

candice fiais

"Essa música eu compus inicialmente toda em inglês. Para gravar, achei que ela merecia uma letra em português... Mas já estava tão acostumada com ela em outro idioma que, para ser sincera, preferi manter um pedaço da letra original”, explica a cantora.

No momento, Candice se concentra na pré-produção de uma turnê pelo sudeste, que deve ser realizada no segundo semestre. “Gosto de apresentar o Blues Azuis em um contexto de teatro. Com as pessoas atentas ao repertório, às ambiências, às nuances de cada música”, contou à Billboard Brasil. “Para traduzir o disco, o show passeia por momentos diversos: desde o momento mais intimista com violões, banjo e gaita acústica para criar uma atmosfera mais bluegrass, até aqueles mais viscerais, com solos de guitarra mais rock 'n roll e gaita com distorção”.

Você sempre compõe em inglês? Como nasceu esse hábito?

Esse era um hábito antigo, desde quando eu comecei a compor para a banda de rock que eu tinha anteriormente, a Anacê. De algum modo isso facilitava o processo de composição das melodias vocais. Creio que isso acontecia devido à grande maioria das minhas influências musicais serem estrangeiras, principalmente americanas. A fonética do idioma estava diretamente associada às minhas ideias musicais, então as músicas acabavam sempre "nascendo" em inglês, e depois eu criava letras em português para elas – ou não – para que ficassem acessíveis pra o público brasileiro e as pessoas pudessem entender rapidamente a letra e se identificar com ela. Com o tempo fui amadurecendo o processo de composição e isso foi mudando - hoje a música pode surgir em inglês, em português, até em francês já rolou. Tudo depende da inspiração.

Como aconteceu esse seu encontro com o blues? É algo que você cultiva desde criança ou descoberto quando você entrou no mundo da música?

A minha paixão pelo blues foi à primeira "ouvida". Conheci o estilo ainda criança, nos discos de Eric Clapton do meu irmão mais velho, mais especificamente o From The Cradle e o Unplugged da MTV. Os riffs de guitarra slide, a sonoridade da gaita diatônica, a intenção das melodias, tudo aquilo foi muito encantador aos meus ouvidos logo de cara. Quando entrei no mundo da música e montei a minha primeira banda, abraçamos uma linha mais voltada ao rock, pop/rock, que era a vertente comum entre todos os integrantes. Mas o meu namoro com o blues sempre esteve ali, sempre permeando a minha relação com a música, inclusive eu compus um blues acústico nessa época, que acabou entrando no primeiro CD da banda – em inglês e chamava-se "You Addict". Também nessa época eu comecei a estudar a gaita diatônica, e estudar gaita diatônica é estudar blues. Você se insere completamente naquele universo. Com o tempo fui amadurecendo essa minha inclinação pelo estilo e montei o meu show solo de blues; inicialmente tocando apenas covers e depois, comecei a inserir músicas autorais também. Um trabalho que resultou no Blues Azuis.

  Como é ser uma cantora baiana e fugir dos estereótipos musicais do estado e região? Você sofreu algum tipo de preconceito? Eu encaro como desafiador e interessante fugir dos padrões que as pessoas esperam de você. Muita gente ainda se surpreende quando uma artista da Bahia abraça o blues ou o jazz, como se fosse uma coisa de outro mundo. Acho maravilhoso ser porta-voz do fato de que esse é um grande engano, pois a Bahia é celeiro de uma diversidade cultural enorme! Aqui temos artistas de nível altíssimo fazendo trabalhos excelentes nos mais diversos estilos, seja blues, jazz, soul, chorinho, hip hop... Nunca sofri nenhum tipo de preconceito; na verdade, a reação que sinto despertar nas pessoas é de surpresa positiva. E isso me move. Essa história de que não existe Bahia para além do axé e carnaval já não cabe mais. É preciso destruir de uma vez por todas esse olhar limitado e limitante. Os tempos são outros – basta abrir os pulmões para respirar os novos ares da produção musical e cultural baiana.