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Beto Bruno: “Rolling Stones foi o evento mais importante da história de Porto Alegre”

Líder da banda Cachorro Grande conta como foi a experiência de abrir e ver o show dos ingleses

por Beto Bruno em 04/03/2016

Na quarta-feira, dia 02 de março, eu acordei num hotel em Porto Alegre meio sem saber onde estava. Na noite anterior, eu enchi a cara de vinho pra poder dormir cedo e acordar cedo. E precisei tomar o vinho pra ficar mais tranquilo. Foi um mês de nervosismo. E essa sensação só começou a passar quando eu notei que estava de fato no Rio Grande do Sul, perto do estádio Beira Rio.

Encontrei o resto da banda na piscina do hotel e todo mundo estava com o mesmo sentimento... tinha caído a ficha e passado o nervosismo. Aquela coisa de “é hoje, não foge, vai rolar”. Almoçamos juntos e voltamos para os quartos. Mas, na hora em que entramos na van, chegamos ao estádio e vimos todos aqueles caminhões... o nervosismo voltou triplicado. Foi um absurdo! Pouco tempo depois, a gente estava no camarim e pediu pros nossos convidados saírem. A gente nunca fez isso, é até grosseria. Mas o nervosismo era tanto que a gente precisou ficar sozinho.

RESENHA: ROLLING STONES NO RIO DE JANEIRO

Esse show dos Rolling Stones foi o maior acontecimento cultural da história de Porto Alegre! Eles nunca tinham vindo e o Cachorro Grande foi a abertura da maior banda do mundo. A gente mora em São Paulo há 12 anos, mas foram três anos de formação no Sul. E tudo isso veio pra cima de nós nesse momento, ficou muito claro. O tempo foi passando e entramos no palco. A nossa expectativa não era grande, porque a gente sabe que o cara pagou uma fortuna, chega lá e está a gente no palco... Só que fomos super ovacionados e tudo passou... E a gente chorou.

Chorava entre uma música e outra. Já estava bem cheio e as pessoas cantando junto. Nós parecíamos criancinhas ou bichas velhas, sei lá... Ficou bem claro pra todo mundo que estávamos emocionados. A produção dos Rolling Stones tem um cuidado especial com as bandas de abertura, conversa com a gente, foi muito carinhosa. Fomos preparados para o pior também. Afinal, a gente era uma “bandinha de merda” perto dos Stones. Apenas nos colocamos no nosso lugar e tomamos o cuidado de levar nossa melhor equipe pra trabalharmos bem. Até que tivemos dez minutos com eles.

RESENHA: ROLLING STONES EM SÃO PAULO – DIA 1

O maior cagaço de todos, que eu tentava esquecer, foi esses tempo com os Rolling Stones. E, cara, eles não são nada arrogantes. O Guns N’ Roses, aquela bosta, é arrogante. E a maior banda do mundo não é. Eles escutaram a gente tocando e foram espiar, porque não viam uma resposta do público pra uma banda de abertura tão grande há algum tempo. Isso quem nos contou foi o intérprete, e eu pedi pra ele repetir umas três vezes pra ver se eu não tinha entendido errado. E você olha nos olhos deles e vê de onde você veio, de onde veio o rock... são baixinhos, cabeçudos e com um brilho interno muito grande. Fizemos as fotos do encontro com o fotógrafo deles.

A gente assinou um termo de não poder divulgar nada. Foi uma aula para nós. A gente toca pelo Brasil com várias bandas abrindo nossos shows. Vamos tratar todo mundo bem agora [risos]. Como correu tudo bem no nosso show, passou o nervosismo e a gente ficou muito solto pra ver a apresentação deles. Fomos pra pista premium, onde tinha nossas famílias, amigos do começo da banda. Gente que viu a gente nos dias difíceis, emocionada com os Stones e com a gente. Fizemos um pacto com São Pedro.

A gente subiu no palco depois que parou a chuva e ela voltou com tudo depois que a gente parou. E, mesmo no meio da chuva, eles usaram muito a passarela que passa pelo meio da pista. Muita gente disse que foi o melhor show da turnê, eles estavam enlouquecidos.

RESENHA: ROLLING STONES EM SÃO PAULO – DIA 2

A sensação é de dever cumprido e tem a expectativa do que vai ser daqui pra frente. Não só em relação à carreira da banda, mas a tudo. O que eu vou ser como pessoa agora? E eu resolvi: vou deixar de ser um Mick Jaggerzinho de merda e ser o Beto Bruno. De verdade. Na volta pra São Paulo, a gente não se falou muito no aeroporto. Todo mundo meio bobão ainda. E eu pedi folga: só eu, meus gatos e minha mulher agora, só quero ver os caras na semana que vem. Foi o dia mais importante das nossas vidas.

E estão me olhando diferente no meu bairro, aqui na Vila Mariana, em São Paulo: “Esse cara abriu o show dos Rolling Stones”.

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por Beto Bruno em 04/03/2016

Na quarta-feira, dia 02 de março, eu acordei num hotel em Porto Alegre meio sem saber onde estava. Na noite anterior, eu enchi a cara de vinho pra poder dormir cedo e acordar cedo. E precisei tomar o vinho pra ficar mais tranquilo. Foi um mês de nervosismo. E essa sensação só começou a passar quando eu notei que estava de fato no Rio Grande do Sul, perto do estádio Beira Rio.

Encontrei o resto da banda na piscina do hotel e todo mundo estava com o mesmo sentimento... tinha caído a ficha e passado o nervosismo. Aquela coisa de “é hoje, não foge, vai rolar”. Almoçamos juntos e voltamos para os quartos. Mas, na hora em que entramos na van, chegamos ao estádio e vimos todos aqueles caminhões... o nervosismo voltou triplicado. Foi um absurdo! Pouco tempo depois, a gente estava no camarim e pediu pros nossos convidados saírem. A gente nunca fez isso, é até grosseria. Mas o nervosismo era tanto que a gente precisou ficar sozinho.

RESENHA: ROLLING STONES NO RIO DE JANEIRO

Esse show dos Rolling Stones foi o maior acontecimento cultural da história de Porto Alegre! Eles nunca tinham vindo e o Cachorro Grande foi a abertura da maior banda do mundo. A gente mora em São Paulo há 12 anos, mas foram três anos de formação no Sul. E tudo isso veio pra cima de nós nesse momento, ficou muito claro. O tempo foi passando e entramos no palco. A nossa expectativa não era grande, porque a gente sabe que o cara pagou uma fortuna, chega lá e está a gente no palco... Só que fomos super ovacionados e tudo passou... E a gente chorou.

Chorava entre uma música e outra. Já estava bem cheio e as pessoas cantando junto. Nós parecíamos criancinhas ou bichas velhas, sei lá... Ficou bem claro pra todo mundo que estávamos emocionados. A produção dos Rolling Stones tem um cuidado especial com as bandas de abertura, conversa com a gente, foi muito carinhosa. Fomos preparados para o pior também. Afinal, a gente era uma “bandinha de merda” perto dos Stones. Apenas nos colocamos no nosso lugar e tomamos o cuidado de levar nossa melhor equipe pra trabalharmos bem. Até que tivemos dez minutos com eles.

RESENHA: ROLLING STONES EM SÃO PAULO – DIA 1

O maior cagaço de todos, que eu tentava esquecer, foi esses tempo com os Rolling Stones. E, cara, eles não são nada arrogantes. O Guns N’ Roses, aquela bosta, é arrogante. E a maior banda do mundo não é. Eles escutaram a gente tocando e foram espiar, porque não viam uma resposta do público pra uma banda de abertura tão grande há algum tempo. Isso quem nos contou foi o intérprete, e eu pedi pra ele repetir umas três vezes pra ver se eu não tinha entendido errado. E você olha nos olhos deles e vê de onde você veio, de onde veio o rock... são baixinhos, cabeçudos e com um brilho interno muito grande. Fizemos as fotos do encontro com o fotógrafo deles.

A gente assinou um termo de não poder divulgar nada. Foi uma aula para nós. A gente toca pelo Brasil com várias bandas abrindo nossos shows. Vamos tratar todo mundo bem agora [risos]. Como correu tudo bem no nosso show, passou o nervosismo e a gente ficou muito solto pra ver a apresentação deles. Fomos pra pista premium, onde tinha nossas famílias, amigos do começo da banda. Gente que viu a gente nos dias difíceis, emocionada com os Stones e com a gente. Fizemos um pacto com São Pedro.

A gente subiu no palco depois que parou a chuva e ela voltou com tudo depois que a gente parou. E, mesmo no meio da chuva, eles usaram muito a passarela que passa pelo meio da pista. Muita gente disse que foi o melhor show da turnê, eles estavam enlouquecidos.

RESENHA: ROLLING STONES EM SÃO PAULO – DIA 2

A sensação é de dever cumprido e tem a expectativa do que vai ser daqui pra frente. Não só em relação à carreira da banda, mas a tudo. O que eu vou ser como pessoa agora? E eu resolvi: vou deixar de ser um Mick Jaggerzinho de merda e ser o Beto Bruno. De verdade. Na volta pra São Paulo, a gente não se falou muito no aeroporto. Todo mundo meio bobão ainda. E eu pedi folga: só eu, meus gatos e minha mulher agora, só quero ver os caras na semana que vem. Foi o dia mais importante das nossas vidas.

E estão me olhando diferente no meu bairro, aqui na Vila Mariana, em São Paulo: “Esse cara abriu o show dos Rolling Stones”.