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Com muito carisma, Alceu Valença abre sua vida e traz o Nordeste para São Paulo

por em 25/10/2015
Alceu Valença – 24 de outubro – Sesc Pompeia/São Paulo Por Lucas Borges Teixeira O Sesc Pompeia tem espécie de teatro de arena moderno: o palco, ao centro, divide a plateia em dois, enquanto parte do público circunda o local, mais acima. É o ambiente perfeito para o projeto Sala de Estar, realizado durante todo o ano, em que artistas apresentam músicas que marcaram suas vidas enquanto contam histórias de suas trajetórias. Em outubro, Alceu Valença foi convidado para contar seus causos em uma apresentação de 25 músicas que durou quase três horas neste sábado (24/10). O pernambucano subiu ao palco às 21h para recitar um poema que escreveu na adolescência. “Meu pai não deixava ter som em casa com medo que os filhos sonhassem e virassem músicos.” Bem-humorado, Alceu Valença não se contentou em cantar sucessos que ouvia no rádio e lhe marcaram no começo da carreira, como decidiu imitar seus interpretes. Se fosse “A Volta do Boêmio”, lá surgia Nelson Gonçalves. “Conceição”? Por que não introjetar Cauby Peixoto? (Sem antes, claro, transformar o teatro em um programa de TV imaginário.) Em “Xote das Meninas”, um dueto com Luiz Gonzaga, assim como, em “O Canto da Ema”, não faltou Jackson do Pandeiro. O pernambucano parecia, de fato, em sua sala de estar. A apresentação poderia passar por improvisada, dada espontaneidade do músico, se não fosse o papel com roteiro entregue à plateia. “Qual a próxima música? Eu nem lembro!” Ria, olhando para o chão. “É essa mesmo! Essa aqui, eu...” Assim se seguia mais uma história sobre São Bento da Una, sua cidade natal, festivais internacionais, época que passou em Paris ou qualquer causo engraçado. “Vocês estão gostando do show?”, perguntou, em determinado momento, lá pelas duas horas de apresentação. A resposta da plateia, claro, foi calorosa. “Então tá bom, é que a apresentação de ontem durou 2h40! Deve ter gente que quer ir embora!” Dois minutos depois, já estava fazendo a plateia se balançar para simular uma viagem de navio. Além de o repertório de outros, as referências musicais de Alceu ficaram ainda mais claras no arranjo de apenas violão e sanfona. Enquanto algumas de suas músicas pareceram nascer para este formato, como “Tesoura do Desejo” e “Belle de Jour”, outras, mais animadas, encaixaram-se muito bem na roupagem intimista, caso de “Taxi Lunar”, “Coração Bobo” e “Anunciação”. A música nordestina estava persente em peso – do baião de Gonzaga às cantigas de roda, tão tradicionais no agreste e no sertão. As belezas de “Juazeiro” e “Lava Máguas”, interpretadas em uma voz que está longe de revelar seus quase 70 anos, evidenciam o que há mais de humano neste mundo. Se a região tem, na sua história, a marca de séculos de descaso e exploração e da dura realidade da seca, é nela também que se reconhecem a alegria e uma cultura tão diversificada quanto a caatinga é igual. Alceu Valença é a prova disso. Em 2h50, com um violão, uma sanfona e muito carisma, ele mostra que São Bento da Una é o Nordeste. E o Nordeste é o mundo.
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por em 25/10/2015
Alceu Valença – 24 de outubro – Sesc Pompeia/São Paulo Por Lucas Borges Teixeira O Sesc Pompeia tem espécie de teatro de arena moderno: o palco, ao centro, divide a plateia em dois, enquanto parte do público circunda o local, mais acima. É o ambiente perfeito para o projeto Sala de Estar, realizado durante todo o ano, em que artistas apresentam músicas que marcaram suas vidas enquanto contam histórias de suas trajetórias. Em outubro, Alceu Valença foi convidado para contar seus causos em uma apresentação de 25 músicas que durou quase três horas neste sábado (24/10). O pernambucano subiu ao palco às 21h para recitar um poema que escreveu na adolescência. “Meu pai não deixava ter som em casa com medo que os filhos sonhassem e virassem músicos.” Bem-humorado, Alceu Valença não se contentou em cantar sucessos que ouvia no rádio e lhe marcaram no começo da carreira, como decidiu imitar seus interpretes. Se fosse “A Volta do Boêmio”, lá surgia Nelson Gonçalves. “Conceição”? Por que não introjetar Cauby Peixoto? (Sem antes, claro, transformar o teatro em um programa de TV imaginário.) Em “Xote das Meninas”, um dueto com Luiz Gonzaga, assim como, em “O Canto da Ema”, não faltou Jackson do Pandeiro. O pernambucano parecia, de fato, em sua sala de estar. A apresentação poderia passar por improvisada, dada espontaneidade do músico, se não fosse o papel com roteiro entregue à plateia. “Qual a próxima música? Eu nem lembro!” Ria, olhando para o chão. “É essa mesmo! Essa aqui, eu...” Assim se seguia mais uma história sobre São Bento da Una, sua cidade natal, festivais internacionais, época que passou em Paris ou qualquer causo engraçado. “Vocês estão gostando do show?”, perguntou, em determinado momento, lá pelas duas horas de apresentação. A resposta da plateia, claro, foi calorosa. “Então tá bom, é que a apresentação de ontem durou 2h40! Deve ter gente que quer ir embora!” Dois minutos depois, já estava fazendo a plateia se balançar para simular uma viagem de navio. Além de o repertório de outros, as referências musicais de Alceu ficaram ainda mais claras no arranjo de apenas violão e sanfona. Enquanto algumas de suas músicas pareceram nascer para este formato, como “Tesoura do Desejo” e “Belle de Jour”, outras, mais animadas, encaixaram-se muito bem na roupagem intimista, caso de “Taxi Lunar”, “Coração Bobo” e “Anunciação”. A música nordestina estava persente em peso – do baião de Gonzaga às cantigas de roda, tão tradicionais no agreste e no sertão. As belezas de “Juazeiro” e “Lava Máguas”, interpretadas em uma voz que está longe de revelar seus quase 70 anos, evidenciam o que há mais de humano neste mundo. Se a região tem, na sua história, a marca de séculos de descaso e exploração e da dura realidade da seca, é nela também que se reconhecem a alegria e uma cultura tão diversificada quanto a caatinga é igual. Alceu Valença é a prova disso. Em 2h50, com um violão, uma sanfona e muito carisma, ele mostra que São Bento da Una é o Nordeste. E o Nordeste é o mundo.