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Conheça os brasileiros por trás da trilha sonora de Narcos

Billboard conversou com Pedro Bromfman e Rodrigo Amarante

por Redação em 11/09/2015

A nova produção da Netflix, Narcos, estreou no fim do mês de agosto e já é um sucesso mundial. A série sobre a vida do poderosíssimo traficante colombiano Pablo Escobar (Wagner Moura), dirigida por José Padilha (Tropa De Elite), envolve o telespectador pelas dinâmicas cenas de ação e pela interessante história do império construído pelo colombiano. E, como regra de uma boa produção cinematográfica, a trilha sonora também tem papel importante no envolvimento do público. Dois brasileiros estão envolvidos em Narcos: Pedro Bromfman e Rodrigo Amarante, responsável pela música de abertura “Tuyo”.

A canção-tema da série estreou na 13ª posição no ranking Latin Digital Songs. A Billboard falou com os dois brasileiros, que moram atualmente em Los Angeles.

Como se envolveram com a série?
Rodrigo: Foi uma feliz coincidência. O primo do José Padilha fez um documentário sobre a minha banda, Little Joy. O Padilha me disse que viu o doc e ficou intrigado para saber quem eu era. Depois de ouvir minha música, ele conversou com Wagner Moura, com quem eu trabalhei como diretor musical de sua peça Hamlet. Ambos gostaram da minha música e acharam que eu poderia fazer um bom trabalho.
Pedro: José e eu fizemos três filmes antes de Narcos, nós nos conhecemos há muito tempo. Tudo o que ele faz eu fico feliz em estar envolvido. E Wagner Moura também é um velho amigo meu.

Já houve muitas intepretações da vida de Pablo no cinema e na TV. Como vocês fizeram para se aproximar de uma intepretação mais original e autêntica?
Rodrigo: A minha abordagem foi a de humanizar Pablo escrevendo uma música que pareça ser uma visão do interior do personagem, em vez de uma visão externa. Eu tinha a ideia de escrever uma canção que era a favorita de sua mãe quando ele criança, algo que influenciaria a ideia do homem que ele viria ser. Aparentemente sua mãe era fã de Carlos Gardel. Eu não queria fazer um tango, mas foi uma rota que eu tomei. A forma como as letras são escritas e a forma como os sons foram produzidos é sobre a transição da infância à fase adulta de Pablo. Eu quis entregar algo romântico, mas se você reparar na letra pode enxergar um ponto de vista narcisista. Na minha cabeça a música dá ao espectador um pouco de contexto em vez de apenas dizer: “esses caras são uns animais”. Eu acho que é muito mais do que isso.
Pedro: A ideia era usar um monte de instrumentos colombianos. Eu toco alguns deles, pois cresci na América do Sul. Mas outros eram novos para mim. Ao mesmo tempo em que em alguns pontos precisávamos de cumbias e ritmos locais, 80% do tempo os instrumentos são usados para cenas de crime e suspense.

Como foi a experiência de escrever para uma série em um serviço de streaming?
Rodrigo: Eu trabalhei antes no teatro, mas algo dessa magnitude nunca. Quando eu contei aos meus amigos que já fazem isso, eles me disseram: “Esteja prontos para revisões”. Eu estava, mas também estava muito certo do que eu queria e eu sabia onde estava chegando. Fiz questão de falar com todos pessoalmente e explicar o que estava fazendo. Quando eu apresentei a música, eles disseram: “Incrível, bom trabalho!”.  A única razão para contar a história de um monstro é revelar o monstro que temos em nós mesmos. Caso contrário, qual seria o ponto? Separar as pessoas entre bons e maus, como anjos e monstros? A vida não é assim.

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Billboard conversou com Pedro Bromfman e Rodrigo Amarante

por Redação em 11/09/2015

A nova produção da Netflix, Narcos, estreou no fim do mês de agosto e já é um sucesso mundial. A série sobre a vida do poderosíssimo traficante colombiano Pablo Escobar (Wagner Moura), dirigida por José Padilha (Tropa De Elite), envolve o telespectador pelas dinâmicas cenas de ação e pela interessante história do império construído pelo colombiano. E, como regra de uma boa produção cinematográfica, a trilha sonora também tem papel importante no envolvimento do público. Dois brasileiros estão envolvidos em Narcos: Pedro Bromfman e Rodrigo Amarante, responsável pela música de abertura “Tuyo”.

A canção-tema da série estreou na 13ª posição no ranking Latin Digital Songs. A Billboard falou com os dois brasileiros, que moram atualmente em Los Angeles.

Como se envolveram com a série?
Rodrigo: Foi uma feliz coincidência. O primo do José Padilha fez um documentário sobre a minha banda, Little Joy. O Padilha me disse que viu o doc e ficou intrigado para saber quem eu era. Depois de ouvir minha música, ele conversou com Wagner Moura, com quem eu trabalhei como diretor musical de sua peça Hamlet. Ambos gostaram da minha música e acharam que eu poderia fazer um bom trabalho.
Pedro: José e eu fizemos três filmes antes de Narcos, nós nos conhecemos há muito tempo. Tudo o que ele faz eu fico feliz em estar envolvido. E Wagner Moura também é um velho amigo meu.

Já houve muitas intepretações da vida de Pablo no cinema e na TV. Como vocês fizeram para se aproximar de uma intepretação mais original e autêntica?
Rodrigo: A minha abordagem foi a de humanizar Pablo escrevendo uma música que pareça ser uma visão do interior do personagem, em vez de uma visão externa. Eu tinha a ideia de escrever uma canção que era a favorita de sua mãe quando ele criança, algo que influenciaria a ideia do homem que ele viria ser. Aparentemente sua mãe era fã de Carlos Gardel. Eu não queria fazer um tango, mas foi uma rota que eu tomei. A forma como as letras são escritas e a forma como os sons foram produzidos é sobre a transição da infância à fase adulta de Pablo. Eu quis entregar algo romântico, mas se você reparar na letra pode enxergar um ponto de vista narcisista. Na minha cabeça a música dá ao espectador um pouco de contexto em vez de apenas dizer: “esses caras são uns animais”. Eu acho que é muito mais do que isso.
Pedro: A ideia era usar um monte de instrumentos colombianos. Eu toco alguns deles, pois cresci na América do Sul. Mas outros eram novos para mim. Ao mesmo tempo em que em alguns pontos precisávamos de cumbias e ritmos locais, 80% do tempo os instrumentos são usados para cenas de crime e suspense.

Como foi a experiência de escrever para uma série em um serviço de streaming?
Rodrigo: Eu trabalhei antes no teatro, mas algo dessa magnitude nunca. Quando eu contei aos meus amigos que já fazem isso, eles me disseram: “Esteja prontos para revisões”. Eu estava, mas também estava muito certo do que eu queria e eu sabia onde estava chegando. Fiz questão de falar com todos pessoalmente e explicar o que estava fazendo. Quando eu apresentei a música, eles disseram: “Incrível, bom trabalho!”.  A única razão para contar a história de um monstro é revelar o monstro que temos em nós mesmos. Caso contrário, qual seria o ponto? Separar as pessoas entre bons e maus, como anjos e monstros? A vida não é assim.