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Cultuado e repaginado, Nenung completa 30 anos de carreira

por em 27/03/2015
Por José Flávio Júnior Gravado por Paula Toller, Mariana Aydar e celebrado por uma porção de artistas que habitam o mainstream da música popular, o gaúcho Luís Nenung vive um ano especial. Em 2015, o cantor e compositor completa 30 anos de atividade artística, uma aventura que começou quando ele era “apenas um guri reativo, cheio de raiva, um piá revoltado do interior” que cantava na banda punk Barata Oriental. Seu trabalho mais conhecido, no entanto, experimenta uma espécie de suspensão atualmente: com seis discos na praça, o duo Os The Darma Lóvers, que Nenung divide com a cantora Irinia, só se reunirá em ocasiões especiais. O foco agora é todo em Nenung & Projeto Dragão, encarnação mais íntima e roqueira que acaba de editar o primeiro álbum cheio, intitulado Serenoato. “A gente quer situações legais para colocar o Darma na rua”, explica o músico. “Reservaremos ilhas, períodos para tocar e produzir e não deixar a história morrer. Já o Projeto Dragão é o trabalho do meu dia a dia, com músicos que podem ir para a estrada a hora que for. O Darma vai circular mais por um circuito de escolas de ioga, onde existe uma vibe filosófica. Não temos mais ansiedade por realizar. O que vier será pelo desfrute de estar fazendo. Se der para fazer a oferenda direito, faremos com toda a alegria. Tocar em bar, pelo interior, não vai rolar mais. Melhor cuidar dos gatos, do jardim”, completa, sem esconder que existem seis canções inéditas do grupo que podem vir ao mundo a qualquer momento. Mas que nenhum entusiasta dos vocais em uníssono de Nenung e Irinia perca o sono esperando por isso. Em Serenoato, que conta com participações de Moreno Veloso e Dado Villa-Lobos, Nenung entrega letras mais provocadoras do que as do Darma. Ele mais incita o ouvinte do que tenta apaziguá-lo com suas fraquezas. E esse é um dos motivos que faz com que o Projeto Dragão não seja unanimidade entre os fãs do Darma. O que não abala Nenung, diga-se. Mas já rendeu uma história curiosa. “Estava namorando uma garota que disse gostar mais de Darma Lóvers do que do Projeto Dragão. Tive de terminar a relação. Se tu não entendes esse disco, tu não tens condições de entender quem eu sou”, define. “No Darma, há todo um cuidado com a questão do budismo. No Dragão, não estou nem aí. Darma é para divertir e pacificar as pessoas; Dragão é para agitar o fundo do aquário, para que as coisas venham à tona”, conclui o aluno veterano do templo de budismo tibetano de Três Coroas (RS), o mais conceituado do país. Um dos destaques do repertório de Serenoato é a faixa de abertura, “Poeta”. O álbum foi realizado a partir de um “crowdfunding lúdico”, como classifica o gaúcho. Quem contribuísse com grana para bancar o disco garantia sua cópia, além de poder arrematar recompensas personalizadas, caso do “pocket chá”, um show do artista com direito a bolos preparados por sua mãe. Mas o prêmio mais interessante era uma canção. Por módicos R$ 500, Nenung se comprometia a escrever uma música seguindo a pauta do contratante e a enviar a gravação em MP3 por e-mail. Três pessoas solicitaram canções. “Poeta”, que nasceu de um desses pedidos, ficou tão boa que acabou entrando em Serenoato. “Uma amiga de adolescência, lá de Novo Hamburgo, veio com um envelope com o dinheiro pedindo uma música para o irmão dela, que era poeta e tinha se suicidado. Foi meio que a maneira que ela encontrou de amenizar a situação, de transformar aquilo em poesia”, relata. Em breve, Nenung deve estrear um site dedicado exclusivamente a atender encomendas do tipo. “De alguma forma, entro no universo da pessoa e trago à tona o que ela não consegue dizer por não ser poeta nem escrever música.” Outro ponto alto do disco é “Maque Dia Feliz”, que ironiza as ações caridosas da rede de lanchonetes mais famosa do mundo. Um coral de crianças cantando o título da composição só a deixa mais trágica e, ao mesmo tempo, engraçada. Já “Meu Amor Se Mudou Pra Lua” é a mesma que Paula Toller lançou como single há oito anos e que segue rendendo bons dividendos para o compositor. Vale dizer que nos shows do Projeto Dragão duas músicas dos Darma Lóvers costumam aparecer no repertório: “Peixes” e “Canção Para Minha Morte”. Ambas conectam-se muito bem com o trabalho atual de Nenung e reforçam que suas três décadas de carreira tiveram momentos brilhantes. E esses momentos não vão cessar enquanto sua sensibilidade ditar seu norte estético.
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