NOTÍCIAS

“Danielas Mercurys” para todos os gostos

Só em 2017, cantora já se apresentou em São Paulo com pelo menos cinco formatos diferentes de shows

por Marcos Lauro em 22/05/2017

Uma das características mais conhecidas (e reconhecidas) da cantora Daniela Mercury é a inquietação. E o palco é o local onde ela demonstra mais facilmente essa face. Quem mora em São Paulo, por exemplo, já viu pelo menos cinco formatos diferentes do show de Daniela Mercury desde o começo do ano, entre apresentações solo e show como convidada. Para resumir: Trio elétrico (no Carnaval), convidada da Orquestra Sinfônica Heliópolis para cantar Villa-Lobos na Sala São Paulo, com Toquinho e Filipe Catto para homenagear Vinicius de Moraes, abertura da Virada Cultural da capital no Anhembi e show O Axé, A Voz e o Violão na Virada Cultura Paulista.

Esse último formato, que valoriza bastante a voz de Daniela, saiu como um álbum em 2016, com direito a faixas extras, que foram lançadas no último mês de maio nas plataformas digitais.

“[o formato voz e violão] Nasceu como um show mesmo, um momento mais intimista. Construí o repertório muito ligado aos blocos afro da Bahia e seus arranjos, letras, melodias. Tudo relacionado a isso e ao discurso de afirmação dos blocos. Era a expressão mais importante da arte local, muito politizada desde os anos 1970... aquilo sempre me interessou muito. E o show traz esse olhar sobre a profundidade dessa história. Minha carreira começou muito cedo e fui crescendo com isso”, conta a cantora em entrevista para a Billboard Brasil.

O show começou em locais fechados, mas já ganhou grandes palcos em locais abertos. “Nesse momento do país, isso é importante. Ele é mais direto, mais cru, mais intenso. Mais íntimo com o público. Reforça o sentido da minha música”, diz Daniela. A princípio, pode até parecer estranho ver Daniela num palco de uma forma mais contida, sem as danças, coreografias, dançarinos e a estrutura que segue o seu show mais convencional. Mas o suingue está garantido: “O retorno do público é interessante porque não é um show dançante. É violão, mas tem suingue, tem tambor, tem o suingue das palavras, da própria construção das melodias. E sempre tem um ou outro que se levanta para dançar [risos]”.

Além desse leque de formatos, o próprio show “convencional” da Daniela vai mudando conforme a mensagem que ela quer transmitir para o público naquele momento. Hoje, o foco é o empoderamento feminino. “Meu show é dividido em quatro partes. Nós somos uma tribo, então falo muito da construção cultural do Brasil, lembrando muito o tropicalismo. E aí a estética muda, os timbres...”, explica a cantora. Claro que nem todos esses detalhes chegam para o público. Por isso, ela sempre faz questão de explicar cada passo do conceito que está trabalhando no momento.

Do palco, a cantora consegue perceber as diferenças de público entre um formato de show e outro. “Eu dialogo com esses universos e isso traz mais gente, forma um novo público. Na Sala São Paulo, por exemplo [com a Orquestra Heliópolis], tinha um público mais velho, com mais de 50 anos, e eu levei gente mais jovem... ficou mistura muito legal”, relembra o show ocorrido no último dia seis de abril na Sala São Paulo, importante local de música clássica. “Há um desafio, um prazer imenso e um interesse de desenvolver um novo caminho, abrir novas portas. No meu show, por exemplo, a dança não é alegórica, está tudo amarrado, pensado... é o que eu sempre fiz de forma mais improvisada, mais solta, só que agora mais racional”, completa. A vontade de mudar sempre chega até nos músicos que a acompanham: “Minha banda não é fixa, então vamos mudando o repertório. Gosto do grupo que se alterna... tem improviso. Se você vir um show, quando vir outro vai ser outra coisa”.

Com a Parada do Orgulho LGBT chegando, pintou a dúvida: Será que Daniela Mercury está preparando algo especial para a data? “Onde quer que eu vá já é uma Parada LGBT [risos]”, brinca a cantora, que aproveita para inserir a axé music na discussão: “O rock reclama. Já o axé protesta se afirmando. O povo já é tão oprimido e triste, já vive a exclusão social. Então o axé se torna o grito dos excluídos, tem um olhar otimista. [a música] ‘Ilê Ayê’ fala de discriminação social, racismo... mas é uma reclamação às avessas. No axé, se canta para construir, não pra destruir”.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Ar-Condicionado No 15
Wesley Safadão
Áudio indisponível
2
Regime Fechado
Simone & Simaria
3
Avisa Que Eu Cheguei (Part. Ivete Sangalo)
Naiara Azevedo
4
Na Conta Da Loucura
Bruno & Marrone
5
Amigo Taxista
Zé Neto & Cristiano
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

“Danielas Mercurys” para todos os gostos

Só em 2017, cantora já se apresentou em São Paulo com pelo menos cinco formatos diferentes de shows

por Marcos Lauro em 22/05/2017

Uma das características mais conhecidas (e reconhecidas) da cantora Daniela Mercury é a inquietação. E o palco é o local onde ela demonstra mais facilmente essa face. Quem mora em São Paulo, por exemplo, já viu pelo menos cinco formatos diferentes do show de Daniela Mercury desde o começo do ano, entre apresentações solo e show como convidada. Para resumir: Trio elétrico (no Carnaval), convidada da Orquestra Sinfônica Heliópolis para cantar Villa-Lobos na Sala São Paulo, com Toquinho e Filipe Catto para homenagear Vinicius de Moraes, abertura da Virada Cultural da capital no Anhembi e show O Axé, A Voz e o Violão na Virada Cultura Paulista.

Esse último formato, que valoriza bastante a voz de Daniela, saiu como um álbum em 2016, com direito a faixas extras, que foram lançadas no último mês de maio nas plataformas digitais.

“[o formato voz e violão] Nasceu como um show mesmo, um momento mais intimista. Construí o repertório muito ligado aos blocos afro da Bahia e seus arranjos, letras, melodias. Tudo relacionado a isso e ao discurso de afirmação dos blocos. Era a expressão mais importante da arte local, muito politizada desde os anos 1970... aquilo sempre me interessou muito. E o show traz esse olhar sobre a profundidade dessa história. Minha carreira começou muito cedo e fui crescendo com isso”, conta a cantora em entrevista para a Billboard Brasil.

O show começou em locais fechados, mas já ganhou grandes palcos em locais abertos. “Nesse momento do país, isso é importante. Ele é mais direto, mais cru, mais intenso. Mais íntimo com o público. Reforça o sentido da minha música”, diz Daniela. A princípio, pode até parecer estranho ver Daniela num palco de uma forma mais contida, sem as danças, coreografias, dançarinos e a estrutura que segue o seu show mais convencional. Mas o suingue está garantido: “O retorno do público é interessante porque não é um show dançante. É violão, mas tem suingue, tem tambor, tem o suingue das palavras, da própria construção das melodias. E sempre tem um ou outro que se levanta para dançar [risos]”.

Além desse leque de formatos, o próprio show “convencional” da Daniela vai mudando conforme a mensagem que ela quer transmitir para o público naquele momento. Hoje, o foco é o empoderamento feminino. “Meu show é dividido em quatro partes. Nós somos uma tribo, então falo muito da construção cultural do Brasil, lembrando muito o tropicalismo. E aí a estética muda, os timbres...”, explica a cantora. Claro que nem todos esses detalhes chegam para o público. Por isso, ela sempre faz questão de explicar cada passo do conceito que está trabalhando no momento.

Do palco, a cantora consegue perceber as diferenças de público entre um formato de show e outro. “Eu dialogo com esses universos e isso traz mais gente, forma um novo público. Na Sala São Paulo, por exemplo [com a Orquestra Heliópolis], tinha um público mais velho, com mais de 50 anos, e eu levei gente mais jovem... ficou mistura muito legal”, relembra o show ocorrido no último dia seis de abril na Sala São Paulo, importante local de música clássica. “Há um desafio, um prazer imenso e um interesse de desenvolver um novo caminho, abrir novas portas. No meu show, por exemplo, a dança não é alegórica, está tudo amarrado, pensado... é o que eu sempre fiz de forma mais improvisada, mais solta, só que agora mais racional”, completa. A vontade de mudar sempre chega até nos músicos que a acompanham: “Minha banda não é fixa, então vamos mudando o repertório. Gosto do grupo que se alterna... tem improviso. Se você vir um show, quando vir outro vai ser outra coisa”.

Com a Parada do Orgulho LGBT chegando, pintou a dúvida: Será que Daniela Mercury está preparando algo especial para a data? “Onde quer que eu vá já é uma Parada LGBT [risos]”, brinca a cantora, que aproveita para inserir a axé music na discussão: “O rock reclama. Já o axé protesta se afirmando. O povo já é tão oprimido e triste, já vive a exclusão social. Então o axé se torna o grito dos excluídos, tem um olhar otimista. [a música] ‘Ilê Ayê’ fala de discriminação social, racismo... mas é uma reclamação às avessas. No axé, se canta para construir, não pra destruir”.