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Dermeval Neves, o paladino do reggaeton no Brasil

Estudante dedica 90% do seu tempo para difundir o gênero no país há 12 anos

por Rebecca Silva em 03/08/2017

Assim como muitos outros brasileiros, a história do estudante Dermeval Neves com o reggaeton começou no escuro: ele ouvia o gênero, gostava do ritmo, mas não sabia do que se tratava. O amor foi ao primeiro play em “Gasolina”, hit de Daddy Yankee lançado em 2004 e que fez barulho em solo brasileiro. A paixão pela língua espanhola o fazia traduzir as músicas que escutava para o português e, ao travar em uma palavra, que não conseguia encontrar a tradução, Dermeval descobriu o nome de seu novo amor: “reggaeton”.

As batidas envolventes e contagiantes do reggaeton conquistaram ele de um jeito que passou a gravar CDs em casa com uma seleção de suas preferidas para mostrar para os colegas e divulgar o ritmo. “Eu batia de porta em porta para divulgar. Não entendia por que o brasileiro não gostava do reggaeton. Fazia vídeos, dava palestra em escolas”, relembra Dermeval.

CANTOR DE “DESPACITO” REJEITA USO DA MÚSICA EM CAMPANHA DE CONSTITUINTE NA VENEZUELA

Foi aí que começou a história do Reggaeton Brasil, página que atualmente conta com 15.600 curtidas no Facebook, onde Dermeval divulga as novidades do gênero e apresenta novas músicas para seus seguidores. “No início, quis fazer a página para ajudar o reggaeton brasileiro, porque aquele feito lá fora já tinha apoio. Algumas faixas bem conhecidas como 'Piriguete' têm pegada de reggaeton, por exemplo. Várias pessoas que cantam reggaeton no Brasil tinham as portas fechadas, mas agora existe mercado". E isso tudo teve início lá atrás, no finado Orkut.

Dermeval formou então uma rede de contatos com pessoas de todo o país que também se interessavam e se dedicavam ao reggaeton: produtores musicais, cantores que apostavam no gênero, DJs, professores de dança. Criou-se, então, um movimento que cresceu tanto que saiu das redes sociais para se tornar um site.

MALÁSIA PROÍBE “DESPACITO” APÓS RECLAMAÇÕES SOBRE “LETRA OBSCENA”

Após 12 anos dedicando 90% do seu tempo ao reggaeton, Dermeval afirma que é estranho ver o sucesso espontâneo de "Despacito". "Agora, a indústria musical deu espaço. Acredito que tinham receio de apresentar um material 'diferente', que o público não conhecia. A mistura foi o ingrediente que deu certo".

Para ele, a participação de artistas brasileiras como Anitta, Claudia Leitte e Wanessa Camargo foi fundamental na difusão do ritmo no país. A mistura, arriscada nas palavras dele, fez com que o público primeiro se apaixonasse pelas batidas – já que se tratam de artistas muito ativas e com bases de fãs muito grandes - para depois se interessarem e conhecerem os nomes tradicionais por trás do gênero.

DADDY YANKEE FALA SOBRE SUCESSO DE “DESPACITO”

Esse mix, porém, traz um gosto agridoce. "Todos os cantores acham porta no reggaeton, inclusive o Luis Fonsi. É bom de dançar, é envolvente, o consumo é rápido. Fico feliz e triste com o sucesso. Feliz porque o reggaeton está sendo reconhecido, mas triste porque ele só chegou ao grande público na boca de cantores de pop e funk. Ainda vai um levar tempo para que os verdadeiros artistas do gênero sejam reconhecidos", afirma com esperança.

Aproveitando o boom de "Despacito" e a atenção que a música trouxe para o reggaeton, Dermeval segue na sua luta diária de divulgar o gênero por aqui, principalmente os artistas locais que se aventuram pelo ritmo com raízes panamenhas e porto-riquenhas. "O reggaeton é um movimento independente da língua. Os brasileiros também são latinos", frisa.

“DESPACITO” SE TORNA A MAIS OUVIDA NO STREAMING

 

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Estudante dedica 90% do seu tempo para difundir o gênero no país há 12 anos

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Assim como muitos outros brasileiros, a história do estudante Dermeval Neves com o reggaeton começou no escuro: ele ouvia o gênero, gostava do ritmo, mas não sabia do que se tratava. O amor foi ao primeiro play em “Gasolina”, hit de Daddy Yankee lançado em 2004 e que fez barulho em solo brasileiro. A paixão pela língua espanhola o fazia traduzir as músicas que escutava para o português e, ao travar em uma palavra, que não conseguia encontrar a tradução, Dermeval descobriu o nome de seu novo amor: “reggaeton”.

As batidas envolventes e contagiantes do reggaeton conquistaram ele de um jeito que passou a gravar CDs em casa com uma seleção de suas preferidas para mostrar para os colegas e divulgar o ritmo. “Eu batia de porta em porta para divulgar. Não entendia por que o brasileiro não gostava do reggaeton. Fazia vídeos, dava palestra em escolas”, relembra Dermeval.

CANTOR DE “DESPACITO” REJEITA USO DA MÚSICA EM CAMPANHA DE CONSTITUINTE NA VENEZUELA

Foi aí que começou a história do Reggaeton Brasil, página que atualmente conta com 15.600 curtidas no Facebook, onde Dermeval divulga as novidades do gênero e apresenta novas músicas para seus seguidores. “No início, quis fazer a página para ajudar o reggaeton brasileiro, porque aquele feito lá fora já tinha apoio. Algumas faixas bem conhecidas como 'Piriguete' têm pegada de reggaeton, por exemplo. Várias pessoas que cantam reggaeton no Brasil tinham as portas fechadas, mas agora existe mercado". E isso tudo teve início lá atrás, no finado Orkut.

Dermeval formou então uma rede de contatos com pessoas de todo o país que também se interessavam e se dedicavam ao reggaeton: produtores musicais, cantores que apostavam no gênero, DJs, professores de dança. Criou-se, então, um movimento que cresceu tanto que saiu das redes sociais para se tornar um site.

MALÁSIA PROÍBE “DESPACITO” APÓS RECLAMAÇÕES SOBRE “LETRA OBSCENA”

Após 12 anos dedicando 90% do seu tempo ao reggaeton, Dermeval afirma que é estranho ver o sucesso espontâneo de "Despacito". "Agora, a indústria musical deu espaço. Acredito que tinham receio de apresentar um material 'diferente', que o público não conhecia. A mistura foi o ingrediente que deu certo".

Para ele, a participação de artistas brasileiras como Anitta, Claudia Leitte e Wanessa Camargo foi fundamental na difusão do ritmo no país. A mistura, arriscada nas palavras dele, fez com que o público primeiro se apaixonasse pelas batidas – já que se tratam de artistas muito ativas e com bases de fãs muito grandes - para depois se interessarem e conhecerem os nomes tradicionais por trás do gênero.

DADDY YANKEE FALA SOBRE SUCESSO DE “DESPACITO”

Esse mix, porém, traz um gosto agridoce. "Todos os cantores acham porta no reggaeton, inclusive o Luis Fonsi. É bom de dançar, é envolvente, o consumo é rápido. Fico feliz e triste com o sucesso. Feliz porque o reggaeton está sendo reconhecido, mas triste porque ele só chegou ao grande público na boca de cantores de pop e funk. Ainda vai um levar tempo para que os verdadeiros artistas do gênero sejam reconhecidos", afirma com esperança.

Aproveitando o boom de "Despacito" e a atenção que a música trouxe para o reggaeton, Dermeval segue na sua luta diária de divulgar o gênero por aqui, principalmente os artistas locais que se aventuram pelo ritmo com raízes panamenhas e porto-riquenhas. "O reggaeton é um movimento independente da língua. Os brasileiros também são latinos", frisa.

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