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Desencanado do Sepultura, Max Cavalera recorda vômito em Eddie Vedder e promete dentes novos

por em 12/10/2014
Por Maurício Amendola O Cavalera Conspiracy, atual projeto dos irmãos Iggor e Max Cavalera, passou pelo Brasil recentemente para uma turnê de 11 shows. São Paulo, Fortaleza, Manaus, Belém, Recife, Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre receberam a banda da dupla de irmãos mais famosa do mundo do metal, que lança o terceiro disco de estúdio, Pandemonium, no fim deste mês. Diretamente de sua casa, em Phoenix, nos Estados Unidos, Max conversou com Billboard Brasil,e falou de assuntos como sua missão histórica pelo gênero musical, a atual vivência no underground e seus dentes – o músico é frequentemente “zoado” na web pela condição de sua arcada. FIDELIDADE DOS METALEIROS “Sempre vai ter gente que gosta de uma coisa alternativa, e o metal está sempre na beirada, no lado de fora do mainstream. Isso é ótimo, porque não morre. Pode até ficar menos popular, como na época do grunge, em que todo mundo era meio Nirvana. Mas, por exemplo, naquela época, a gente estava fazendo o Chaos AD. É um estilo que se nega a morrer e o movimento mundial do metal deve ser a maior tribo do mundo. Eu costumo chamar os nossos fãs de tribe.” OUTROS ESTILOS “Eu gosto mais é de metal mesmo. Às vezes, ouço um dub de leve para relaxar. Gosto também de Nação Zumbi. Gostei do disco novo que os caras fizeram. Consegui uma cópia e achei bem legal.” A VIDA PÓS-SEPULTURA “É melhor para mim. A minha vida é melhor hoje em dia, eu curto mais. Faço meu metal, estou conectado com o underground, com as bandas novas, troco camisetas com eles e canto em alguns CDs de grupos que estão começando. Nem sinto muita falta do Sepultura. Estou na vida que planejei. Sou um guerreiro do metal, gosto de tocar em buraco, em lugar pequeno. Meu esquema é militar pelo metal.” SOULFLY E CAVALERA CONSPIRACY “O Soulfly é mais misturado, tem umas jam sessions. O Cavalera é mais metal para valer. Os irmão tocando metal. A gente foi até “meio racista” com outros tipos de música. Não é bem-vindo. Hip hop, reggae, jazz não tem nada a ver com Cavalera. A gente toca metal direto.” PANDEMONIUM “O disco novo é mais barulheira, mais porradaria. A gente gravou com a mentalidade de fazer uma coisa mais rápida. Adoro quando Iggor toca rápido. A proposta foi fazer o disco que tivesse dez músicas que seguissem a linha de Arise, do Sepultura. Também tem influência do grind core.” SAUDADES DO BRASIL “Sinto falta do clima, de andar na rua e de simplesmente sentir o país. Isso não da para explicar em palavras, tem que sentir. E, claro: guaraná e feijoada. Mas, principalmente, sinto falta da doideira do Brasil. Por exemplo, na Europa, os festivais são tão organizados que até ficam meio sonolentos. Tudo arrumado, nada estranho acontece. No Brasil, dá sempre para esperar o inesperado do público.” REUNIÃO DO SEPULTURA “Hoje, não tem nada rolando. Teve uma época em que tentei fazer, liguei para o Andreas Kisser e tudo, mas não deu certo. Depois disso, desencanei de tentar fazer. Agora, só estou levando os meus projetos e, se rolar, rolou. Mas, para falar a verdade, estou bem em paz com isso já.”  RELAÇÃO COM IGGOR “Está ótima, melhor do que nunca. É muito bom ter ele como irmão, amigo e companheiro de banda. Tocamos juntos há um bom tempo e isso tem muitas vantagens. Tem coisas que a gente não precisa nem falar, só um olhar já resolve.” GUITARRA DE QUATRO CORDAS “Foi um lance que começou no Brasil, na época do Sepultura. Nós estávamos ensaiando em Belo Horizonte e uma corda arrebentou. Passou um tempo, estourou outra. Aí o roadie falou que a gente tinha pouca grana na caixinha da banda. ‘Dá para comprar corda ou comprar cachaça’, ele disse. Preferi encher a cara e continuar fazendo o som. Depois de um tempo, tocar com quatro cordas virou marca registrada. Eu nem usava as outras mesmo...”  A AUTOBIOGRAFIA MY BLOODY ROOTS Foi muito bom, deu para encarar bastante os demônios. Foi um exorcismo, botei tudo para fora. O livro ficou super bem feito e tem pessoas que eu adoro que falam nele: Sharon Osbourne, Mike Patton, Sean Lennon, David Vincent... Tem muita informação para o fã e tem todas as histórias que me lembrei da carreira. Por exemplo, quando eu vomitei no Eddie Vedder, do Pearl Jam. Foi lá em Seattle, quando a gente fez turnê com o Ministry. Acabou o show do Sepultura, eu comecei a beber e fiquei chapado. Fui no ônibus do Ministry e tinha um povo no fundo usando heroína. Sentei do lado deles, já estava para lá de bêbado, tomei um goró que desceu errado e vomitei na perna do Vedder. Mas ele ficou tranquilo, só limpou. Logo depois, pedi um autógrafo para minha irmã, que é fã de Pearl Jam, e ele deu. Ainda falei que não era fã da banda dele, mas minha irmã amava [risos]” DENTIÇÃO ZOADA NA INTERNET “Isso não importa muito para mim, sou da escola mais punk rock mesmo. Não ligo muito para aparência. Tem um pessoal que me chama de mendigo na internet. Para mim, é até legal [risos]. Curto ficar com aquela imagem meio ‘fora da sociedade’. Quebrei meu dente muitas vezes no microfone e nunca me cuidei. A maioria foi para a merda. Hoje em dia, estou pensando em colocar um lance aqui nos Estados Unidos. Um dente falso, que não sai mais. Não é dentadura, mas é tipo dentadura. Vou fazer isso para pararem de me pentelhar. É chato explicar isso, mas eu nem ligo mesmo. Não tenho vaidade. Quanto mais podre, melhor!” https://www.youtube.com/watch?v=fHGhxTmw4c4
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Desencanado do Sepultura, Max Cavalera recorda vômito em Eddie Vedder e promete dentes novos

por em 12/10/2014
Por Maurício Amendola O Cavalera Conspiracy, atual projeto dos irmãos Iggor e Max Cavalera, passou pelo Brasil recentemente para uma turnê de 11 shows. São Paulo, Fortaleza, Manaus, Belém, Recife, Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre receberam a banda da dupla de irmãos mais famosa do mundo do metal, que lança o terceiro disco de estúdio, Pandemonium, no fim deste mês. Diretamente de sua casa, em Phoenix, nos Estados Unidos, Max conversou com Billboard Brasil,e falou de assuntos como sua missão histórica pelo gênero musical, a atual vivência no underground e seus dentes – o músico é frequentemente “zoado” na web pela condição de sua arcada. FIDELIDADE DOS METALEIROS “Sempre vai ter gente que gosta de uma coisa alternativa, e o metal está sempre na beirada, no lado de fora do mainstream. Isso é ótimo, porque não morre. Pode até ficar menos popular, como na época do grunge, em que todo mundo era meio Nirvana. Mas, por exemplo, naquela época, a gente estava fazendo o Chaos AD. É um estilo que se nega a morrer e o movimento mundial do metal deve ser a maior tribo do mundo. Eu costumo chamar os nossos fãs de tribe.” OUTROS ESTILOS “Eu gosto mais é de metal mesmo. Às vezes, ouço um dub de leve para relaxar. Gosto também de Nação Zumbi. Gostei do disco novo que os caras fizeram. Consegui uma cópia e achei bem legal.” A VIDA PÓS-SEPULTURA “É melhor para mim. A minha vida é melhor hoje em dia, eu curto mais. Faço meu metal, estou conectado com o underground, com as bandas novas, troco camisetas com eles e canto em alguns CDs de grupos que estão começando. Nem sinto muita falta do Sepultura. Estou na vida que planejei. Sou um guerreiro do metal, gosto de tocar em buraco, em lugar pequeno. Meu esquema é militar pelo metal.” SOULFLY E CAVALERA CONSPIRACY “O Soulfly é mais misturado, tem umas jam sessions. O Cavalera é mais metal para valer. Os irmão tocando metal. A gente foi até “meio racista” com outros tipos de música. Não é bem-vindo. Hip hop, reggae, jazz não tem nada a ver com Cavalera. A gente toca metal direto.” PANDEMONIUM “O disco novo é mais barulheira, mais porradaria. A gente gravou com a mentalidade de fazer uma coisa mais rápida. Adoro quando Iggor toca rápido. A proposta foi fazer o disco que tivesse dez músicas que seguissem a linha de Arise, do Sepultura. Também tem influência do grind core.” SAUDADES DO BRASIL “Sinto falta do clima, de andar na rua e de simplesmente sentir o país. Isso não da para explicar em palavras, tem que sentir. E, claro: guaraná e feijoada. Mas, principalmente, sinto falta da doideira do Brasil. Por exemplo, na Europa, os festivais são tão organizados que até ficam meio sonolentos. Tudo arrumado, nada estranho acontece. No Brasil, dá sempre para esperar o inesperado do público.” REUNIÃO DO SEPULTURA “Hoje, não tem nada rolando. Teve uma época em que tentei fazer, liguei para o Andreas Kisser e tudo, mas não deu certo. Depois disso, desencanei de tentar fazer. Agora, só estou levando os meus projetos e, se rolar, rolou. Mas, para falar a verdade, estou bem em paz com isso já.”  RELAÇÃO COM IGGOR “Está ótima, melhor do que nunca. É muito bom ter ele como irmão, amigo e companheiro de banda. Tocamos juntos há um bom tempo e isso tem muitas vantagens. Tem coisas que a gente não precisa nem falar, só um olhar já resolve.” GUITARRA DE QUATRO CORDAS “Foi um lance que começou no Brasil, na época do Sepultura. Nós estávamos ensaiando em Belo Horizonte e uma corda arrebentou. Passou um tempo, estourou outra. Aí o roadie falou que a gente tinha pouca grana na caixinha da banda. ‘Dá para comprar corda ou comprar cachaça’, ele disse. Preferi encher a cara e continuar fazendo o som. Depois de um tempo, tocar com quatro cordas virou marca registrada. Eu nem usava as outras mesmo...”  A AUTOBIOGRAFIA MY BLOODY ROOTS Foi muito bom, deu para encarar bastante os demônios. Foi um exorcismo, botei tudo para fora. O livro ficou super bem feito e tem pessoas que eu adoro que falam nele: Sharon Osbourne, Mike Patton, Sean Lennon, David Vincent... Tem muita informação para o fã e tem todas as histórias que me lembrei da carreira. Por exemplo, quando eu vomitei no Eddie Vedder, do Pearl Jam. Foi lá em Seattle, quando a gente fez turnê com o Ministry. Acabou o show do Sepultura, eu comecei a beber e fiquei chapado. Fui no ônibus do Ministry e tinha um povo no fundo usando heroína. Sentei do lado deles, já estava para lá de bêbado, tomei um goró que desceu errado e vomitei na perna do Vedder. Mas ele ficou tranquilo, só limpou. Logo depois, pedi um autógrafo para minha irmã, que é fã de Pearl Jam, e ele deu. Ainda falei que não era fã da banda dele, mas minha irmã amava [risos]” DENTIÇÃO ZOADA NA INTERNET “Isso não importa muito para mim, sou da escola mais punk rock mesmo. Não ligo muito para aparência. Tem um pessoal que me chama de mendigo na internet. Para mim, é até legal [risos]. Curto ficar com aquela imagem meio ‘fora da sociedade’. Quebrei meu dente muitas vezes no microfone e nunca me cuidei. A maioria foi para a merda. Hoje em dia, estou pensando em colocar um lance aqui nos Estados Unidos. Um dente falso, que não sai mais. Não é dentadura, mas é tipo dentadura. Vou fazer isso para pararem de me pentelhar. É chato explicar isso, mas eu nem ligo mesmo. Não tenho vaidade. Quanto mais podre, melhor!” https://www.youtube.com/watch?v=fHGhxTmw4c4