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Diretora de documentário de Nina Simone revela que cantora era violenta com a filha

por em 26/06/2015
Por Chris Gardner, The Hollywood Reporter A diretora Liz Garbus pinta um retrato balanceado da legendária Nina Simone no primeiro documentário encomendado pela Netflix, What Happened, Miss Simone?, que estreia hoje (26/06). O documentário inclui relatos sobre a única filha da cantora, Lisa, hoje com 52 anos, e detalha os abusos físicos sofridos por ela nas mãos da mãe. Os pormenores dos excessos, que surgiram durante as gravações, foram uma surpresa para a documentarista, que também dirigiu There's Something Wrong With Aunt Diane, Bobby Fischer Against the World e Love, Marilyn. “O fato de que Lisa sofria abusos de Nina e de seu pai não era algo que eu sabia mas, quando a conheci, senti isso”, disse Liz. “Eu não sei quantos de nós poderíamos revelar algo desse tipo sem exigir por controle editorial. [Mas] sem reconhecer os pontos difíceis, como poderíamos reconhecer o gênio que ela era?”, pergunta. Liz discute seu processo criativo, seu primeiro projeto narrativo e o legado de Nina Simone em conversa com o The Hollywood Reporter. Como tem sido o retorno desde que o filme foi apresentado no começo do ano? Nós apresentamos o filme no Sundance [Festival] e John Legend tocou lá naquela noite, o que foi um lindo tributo e homenagem. Então tivemos ótimos festivais, fomos a Berlim e, agora, vamos para o Netflix – ou seja, tem sido incrível. Há tantas pessoas que tem ‘Ninas’ diferentes que elas podem se identificar. Tem a queapenas ama tocar sua música durante um jantar porque ela é legal, vai ganhar um cachê e toca bem. E há o ícone feminista, o ícone dos direitos civis e a inspiração. Todas essas pessoas trazem coisas diferentes para o entendimento de quem é Nina Simone, pois ela é tudo isso. Você utiliza a música de forma muito bonita durante o filme, conectando as canções a um momento particular. Quão importante isso era para você? Eu olhei para o filme como um musical de não-ficção. Não será [um filme] onde as pessoas conversam e, vez ou outra, você ouve pequenos trechos de música. A música ajuda a contar a história. Eu queria que as músicas tocassem por um tempo. Eu queria que as músicas ajudassem a contar a história. Então, quando ela está se apaixonando pelo primeiro grande amor de sua vida, toca “I Love You Porgy”.  Quando ela o deixa, entra “Don’t Smoke In Bed”, e quando seu lado político aflora, é a vez de “Gifted And Black”. As canções sempre tinham uma interação com a narrativa. Vocês trabalharam com o dono dos direitos de Nina. Como isso afetou o processo? Eu entendo essa pergunta e a beleza do projeto foi que isso não mudou nada sobre o filme. Eu trabalhei tanto com o dono dos direito quanto com a filha de Nina, que estava bem envolvida. Logo no começo estava claro que eu precisava de controle criativo e não faria algo com a versão de Nina de outra pessoa. Eu ia encontrar uma, como cineasta. Eles foram extraordinários e me deram espaço suficiente. Nada foi vetado. Nada foi deixado de fora. Não havia coisas do tipo:“Você pode só mudar isso?”. Eles tinham uma confiança extraordinária em mim e me deixaram encontrar Nina por mim mesma. As partes em que a filha sofre abusos nas mãos da mãe realmente me emocionou. Você ficou surpresa com essa parte da história de Nina? Na autobiografia de Nina fala-se sobre a violência com seu marido, então eu sabia disso. Mas que Lisa também era abusada por Nina e por seu pai não era algosobre o qual eu tinha conhecimento. Mas, na primeira vez em que conheci Lisa, eu senti isso. Ela não disse logo de cara, mas eu pude ver aquela violência e a história com sua mãe, a forma como sua mãe e seu pai interagiam, que havia algo a mais. E me sinto muito honrada de Lisa ter confiado em mim. Como você acredita que esse aspecto da história de Nina Simone tenha afetado seu legado? Alguém disse uma vez que esse é um retrato de amor duro. Há um perigo nisso. Ela tem tantos fãs e sua música é tão extraordinária que você não quer manchar o que está ali. E você quer ter o cuidado de não tirar essa alegria das pessoas. Mas, ao mesmo tempo, todos sabem que existe uma dor extraordinária ao assistir Ninae pode ser que não seja possível entendê-la, mas você sabe que ela está canalizando algo que pode ser muito sombrio. E isso acontece porque nós a amamos,sentimos que ela passou por algo que nós mesmos podemos ter vivido em momentos sombrios. Pintar um retrato de Nina sem reconhecer essas partes ruins dolindo diamante que ela é seria um desserviço para seus fãs. Eu também amei quando ela diz que você não pode ser um artista e não refletir sobre as épocas. Existe um artista hoje que você admire e acredite que reflete as épocas ou você acredita que isso nem existe mais nos dias atuais? Eu não acho que existe hoje da mesma forma que existia naquela época, mas eu acho que está começando a ter. Eu acredito que, no último ano, nós vimos um ressurgimento dos movimentos de direitos civis, acionados por esses incidentes horríveis dos assassinatos de homens negros e pelos artistas que estão pegando esse manto de alguma forma. Lauryn Hill, Common, John Legend e Usher estão fazendo isso. Há artistas que estão prontos para se posicionar e usar essa energia dos movimentos para entreter e inspirar as pessoas. Este é o primeiro documentário que o Netflix financia. Você tem planos para fazer outro projeto com eles? Vamos perguntar para eles [risos]. Não, eu não sei o que vem por aí. Estou trabalhando em alguns projetos de documentários e em um roteiro.
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Diretora de documentário de Nina Simone revela que cantora era violenta com a filha

por em 26/06/2015
Por Chris Gardner, The Hollywood Reporter A diretora Liz Garbus pinta um retrato balanceado da legendária Nina Simone no primeiro documentário encomendado pela Netflix, What Happened, Miss Simone?, que estreia hoje (26/06). O documentário inclui relatos sobre a única filha da cantora, Lisa, hoje com 52 anos, e detalha os abusos físicos sofridos por ela nas mãos da mãe. Os pormenores dos excessos, que surgiram durante as gravações, foram uma surpresa para a documentarista, que também dirigiu There's Something Wrong With Aunt Diane, Bobby Fischer Against the World e Love, Marilyn. “O fato de que Lisa sofria abusos de Nina e de seu pai não era algo que eu sabia mas, quando a conheci, senti isso”, disse Liz. “Eu não sei quantos de nós poderíamos revelar algo desse tipo sem exigir por controle editorial. [Mas] sem reconhecer os pontos difíceis, como poderíamos reconhecer o gênio que ela era?”, pergunta. Liz discute seu processo criativo, seu primeiro projeto narrativo e o legado de Nina Simone em conversa com o The Hollywood Reporter. Como tem sido o retorno desde que o filme foi apresentado no começo do ano? Nós apresentamos o filme no Sundance [Festival] e John Legend tocou lá naquela noite, o que foi um lindo tributo e homenagem. Então tivemos ótimos festivais, fomos a Berlim e, agora, vamos para o Netflix – ou seja, tem sido incrível. Há tantas pessoas que tem ‘Ninas’ diferentes que elas podem se identificar. Tem a queapenas ama tocar sua música durante um jantar porque ela é legal, vai ganhar um cachê e toca bem. E há o ícone feminista, o ícone dos direitos civis e a inspiração. Todas essas pessoas trazem coisas diferentes para o entendimento de quem é Nina Simone, pois ela é tudo isso. Você utiliza a música de forma muito bonita durante o filme, conectando as canções a um momento particular. Quão importante isso era para você? Eu olhei para o filme como um musical de não-ficção. Não será [um filme] onde as pessoas conversam e, vez ou outra, você ouve pequenos trechos de música. A música ajuda a contar a história. Eu queria que as músicas tocassem por um tempo. Eu queria que as músicas ajudassem a contar a história. Então, quando ela está se apaixonando pelo primeiro grande amor de sua vida, toca “I Love You Porgy”.  Quando ela o deixa, entra “Don’t Smoke In Bed”, e quando seu lado político aflora, é a vez de “Gifted And Black”. As canções sempre tinham uma interação com a narrativa. Vocês trabalharam com o dono dos direitos de Nina. Como isso afetou o processo? Eu entendo essa pergunta e a beleza do projeto foi que isso não mudou nada sobre o filme. Eu trabalhei tanto com o dono dos direito quanto com a filha de Nina, que estava bem envolvida. Logo no começo estava claro que eu precisava de controle criativo e não faria algo com a versão de Nina de outra pessoa. Eu ia encontrar uma, como cineasta. Eles foram extraordinários e me deram espaço suficiente. Nada foi vetado. Nada foi deixado de fora. Não havia coisas do tipo:“Você pode só mudar isso?”. Eles tinham uma confiança extraordinária em mim e me deixaram encontrar Nina por mim mesma. As partes em que a filha sofre abusos nas mãos da mãe realmente me emocionou. Você ficou surpresa com essa parte da história de Nina? Na autobiografia de Nina fala-se sobre a violência com seu marido, então eu sabia disso. Mas que Lisa também era abusada por Nina e por seu pai não era algosobre o qual eu tinha conhecimento. Mas, na primeira vez em que conheci Lisa, eu senti isso. Ela não disse logo de cara, mas eu pude ver aquela violência e a história com sua mãe, a forma como sua mãe e seu pai interagiam, que havia algo a mais. E me sinto muito honrada de Lisa ter confiado em mim. Como você acredita que esse aspecto da história de Nina Simone tenha afetado seu legado? Alguém disse uma vez que esse é um retrato de amor duro. Há um perigo nisso. Ela tem tantos fãs e sua música é tão extraordinária que você não quer manchar o que está ali. E você quer ter o cuidado de não tirar essa alegria das pessoas. Mas, ao mesmo tempo, todos sabem que existe uma dor extraordinária ao assistir Ninae pode ser que não seja possível entendê-la, mas você sabe que ela está canalizando algo que pode ser muito sombrio. E isso acontece porque nós a amamos,sentimos que ela passou por algo que nós mesmos podemos ter vivido em momentos sombrios. Pintar um retrato de Nina sem reconhecer essas partes ruins dolindo diamante que ela é seria um desserviço para seus fãs. Eu também amei quando ela diz que você não pode ser um artista e não refletir sobre as épocas. Existe um artista hoje que você admire e acredite que reflete as épocas ou você acredita que isso nem existe mais nos dias atuais? Eu não acho que existe hoje da mesma forma que existia naquela época, mas eu acho que está começando a ter. Eu acredito que, no último ano, nós vimos um ressurgimento dos movimentos de direitos civis, acionados por esses incidentes horríveis dos assassinatos de homens negros e pelos artistas que estão pegando esse manto de alguma forma. Lauryn Hill, Common, John Legend e Usher estão fazendo isso. Há artistas que estão prontos para se posicionar e usar essa energia dos movimentos para entreter e inspirar as pessoas. Este é o primeiro documentário que o Netflix financia. Você tem planos para fazer outro projeto com eles? Vamos perguntar para eles [risos]. Não, eu não sei o que vem por aí. Estou trabalhando em alguns projetos de documentários e em um roteiro.