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“É um erro para a música perder a MPB FM”, diz Zabelê

Cantora, que ficou conhecida no grupo SNZ ao lado das irmãs, segue carreira solo

por Rebecca Silva em 03/02/2017

Imagine ser fruto do amor entre dois grandes músicos brasileiros, integrantes de uma das bandas que fizeram história no país, e crescer rodeado de nomes como Gal Costa, Caetano, Gil e Armandinho. Além disso, ter contato com artistas internacionais como Nina Hagen, brincando nos bastidores dos shows e festivais como se fossem playgrounds. Essa é a história de Zabelê, filha de Baby do Brasil e Pepeu Gomes, que ficou conhecida ao lado das irmãs na virada dos anos 2000 no grupo SNZ. Agora, ela segue carreira solo, cantando MPB e mostrando a sua personalidade. A Billboard Brasil conversou com a cantora sobre a mudança na sonoridade, a família talentosa e a música brasileira.

A sonoridade do remix de “Prática”, criado por Leo Breanza, é bem diferente da versão original, do seu CD. Como surgiu a ideia?

“Prática” é minha segunda música de trabalho e foi um pedido dos fãs. Quis ouvir a voz deles, acho importante essa conexão porque são eles que seguem o nosso trabalho, dão força, admiram o que a gente faz. Via muito esse pedido nas redes sociais. A sonoridade diferente era o que eu queria. A versão original, mais MPB, alternativa, é quem eu sou. Mas, uma vez que faço uma música, ela é para todos, é do mundo. Eu queria que quem não conhecesse o meu som, ouvisse o remix e chegasse à primeira versão também, conhecesse a ideia original. O objetivo da música é trazer um pensamento positivo para as pessoas, ela se repete como um mantra. Acho que é um momento propício para lançar essa música porque as pessoas estão desanimadas com o Brasil, a política, a economia. Essa música é a minha essência. A versão original é a Zabelê, o remix é a democracia, a música que tem que ser de todo mundo.

Seu disco solo tem uma sonoridade mais MPB, diferente do som pop pelo qual conhecemos você no trio que formava com suas irmãs, o SNZ. Como foi esse processo de encontrar sua essência e transmitir uma mensagem?

Foi uma busca. Tive que sentir no meu coração que era a hora, sem pressão nenhuma. Se tivesse cedido às pressões, teria lançado bem antes. Foi exatamente quando senti a vontade de mostrar. Tenho o maior orgulho do SNZ, de tudo que aprendi ao lado das minhas irmãs. Produzíamos nossos discos desde aquela época e trago uma bagagem importante para minha carreira hoje. Agora sou mais madura, estou em outra fase. O mais difícil é fazer com que ultrapassem essa barreira do grupo e vejam meu som, minha cara. Meu trabalho agora é mostrar quem eu sou, sozinha.

Qual foi a opinião da sua família sobre o disco?

Minha família ouviu o disco depois que ele estava pronto. Temos opiniões muito fortes e respeito pelo trabalho um do outro, pelo momento de cada um mostrar o seu som. Minha família inteira produz, faz arranjos, escreve, canta. Não quis criar uma situação e produzi sozinha, com liberdade, para mostrar a minha assinatura. Tive um retorno lindo, meus pais amam o disco, eles acham autêntico. Viram minha personalidade nas faixas, sentiram orgulho.

Suas irmãs se converteram e seguem carreira no universo gospel. Como é a sua relação com religião e espiritualidade?

Minha religião é Deus. Temos que respeitar aquilo com o que cada um se conecta. Tenho amigos de todas as religiões. Pratico yoga, fui criada em um universo de positividade, isso veio da minha mãe. Essa ideia de colocar o mundo em um modo proativo. O importante é encontrar o seu caminho e ser feliz.

Quais são os próximos passos da carreira musical? Continua trabalhando o Zabelê ou vem novidade?

Agora vou lançar o lyric video de “Prática” e o clipe mais para a frente. Também vou fazer uma série de vídeos para a internet, com convidados, inclusive minha mãe. Isso nem a minha assessoria sabe, hein? [risos]

Nessa semana, recebemos a notícia sobre o fim da rádio MPB FM, no Rio. Sendo filha de ícones da música brasileira, o que achou da decisão?

Fiquei muito triste. Tive uma experiência maravilhosa com eles. Abriram caminho pra mim, lançaram meu single. Tive muito espaço e sou artista independente. Sempre achei esse posicionamento muito bom, de dar oportunidade. Hoje, com a internet, temos a chance de conhecer de tudo um pouco, ouvir tudo. É uma pena que no dial não possamos ter diversidade. É um erro para a música perder a MPB, que é uma relíquia. Com a internet, temos que ir atrás das coisas novas para conhecer. O rádio fazia o papel de apresentar algo novo e isso é importante, é mais popular. Nossa música é respeitada mundialmente. As lojas lá fora tocam bossa nova, MPB. Nos honram lá fora, devemos respeitar aqui também. Tomei um susto, foi uma perda para as futuras gerações.

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Zabelê ainda pequena, rodeada de música. (Reprodução/Acervo Pessoal)

Você criou o projeto “Uma Janela Para o Futuro” para ajudar crianças carentes. Fala um pouquinho sobre essa iniciativa.

É um projeto social que já tenho há cinco anos, mas nunca botei em evidência, sempre fiz em silêncio. Agora que eu estou começando a divulgar. É um projeto realizado em comunidades carentes e que beneficia crianças por meio da cultura e da arte. Levamos até onde não chega a informação que deveria ser de todos. Queria levar um pouco do que eu sempre tive, nascendo na família que nasci, com as oportunidades que tive. Sempre amei crianças.

Você tem uma playlist no seu Spotify que chama “Minha Vibe”, com faixas de artistas que participaram da produção do álbum e de alguns cantores gringos como The Weeknd, Justin Timberlake e Bruno Mars. O que mais você curte ouvir?

Sou tão eclética... Gosto de dizer que escuto de Novos Baianos a Michael Jackson. Todo o grupo, Gal Costa, Caetano, Gil, A Cor do Som, Armandinho, grandes amigos dos meus pais e tudo aquilo que ouvíamos em casa, Stevie Wonder, Prince, George Michael. Gosto também de Gwen Stefani, Daft Punk.

Como foi ver, agora já mais velha, a turnê recente dos Novos Baianos?

Maravilhoso. Eles são ícones da música brasileira, marcaram época, foi um movimento histórico junto da Tropicália. Vejo isso não só como filha, podia ver também nos fãs. É um presente para o público receber essa mensagem agora, na época em que estamos vivendo.

Ouça "Prática": 

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Cantora, que ficou conhecida no grupo SNZ ao lado das irmãs, segue carreira solo

por Rebecca Silva em 03/02/2017

Imagine ser fruto do amor entre dois grandes músicos brasileiros, integrantes de uma das bandas que fizeram história no país, e crescer rodeado de nomes como Gal Costa, Caetano, Gil e Armandinho. Além disso, ter contato com artistas internacionais como Nina Hagen, brincando nos bastidores dos shows e festivais como se fossem playgrounds. Essa é a história de Zabelê, filha de Baby do Brasil e Pepeu Gomes, que ficou conhecida ao lado das irmãs na virada dos anos 2000 no grupo SNZ. Agora, ela segue carreira solo, cantando MPB e mostrando a sua personalidade. A Billboard Brasil conversou com a cantora sobre a mudança na sonoridade, a família talentosa e a música brasileira.

A sonoridade do remix de “Prática”, criado por Leo Breanza, é bem diferente da versão original, do seu CD. Como surgiu a ideia?

“Prática” é minha segunda música de trabalho e foi um pedido dos fãs. Quis ouvir a voz deles, acho importante essa conexão porque são eles que seguem o nosso trabalho, dão força, admiram o que a gente faz. Via muito esse pedido nas redes sociais. A sonoridade diferente era o que eu queria. A versão original, mais MPB, alternativa, é quem eu sou. Mas, uma vez que faço uma música, ela é para todos, é do mundo. Eu queria que quem não conhecesse o meu som, ouvisse o remix e chegasse à primeira versão também, conhecesse a ideia original. O objetivo da música é trazer um pensamento positivo para as pessoas, ela se repete como um mantra. Acho que é um momento propício para lançar essa música porque as pessoas estão desanimadas com o Brasil, a política, a economia. Essa música é a minha essência. A versão original é a Zabelê, o remix é a democracia, a música que tem que ser de todo mundo.

Seu disco solo tem uma sonoridade mais MPB, diferente do som pop pelo qual conhecemos você no trio que formava com suas irmãs, o SNZ. Como foi esse processo de encontrar sua essência e transmitir uma mensagem?

Foi uma busca. Tive que sentir no meu coração que era a hora, sem pressão nenhuma. Se tivesse cedido às pressões, teria lançado bem antes. Foi exatamente quando senti a vontade de mostrar. Tenho o maior orgulho do SNZ, de tudo que aprendi ao lado das minhas irmãs. Produzíamos nossos discos desde aquela época e trago uma bagagem importante para minha carreira hoje. Agora sou mais madura, estou em outra fase. O mais difícil é fazer com que ultrapassem essa barreira do grupo e vejam meu som, minha cara. Meu trabalho agora é mostrar quem eu sou, sozinha.

Qual foi a opinião da sua família sobre o disco?

Minha família ouviu o disco depois que ele estava pronto. Temos opiniões muito fortes e respeito pelo trabalho um do outro, pelo momento de cada um mostrar o seu som. Minha família inteira produz, faz arranjos, escreve, canta. Não quis criar uma situação e produzi sozinha, com liberdade, para mostrar a minha assinatura. Tive um retorno lindo, meus pais amam o disco, eles acham autêntico. Viram minha personalidade nas faixas, sentiram orgulho.

Suas irmãs se converteram e seguem carreira no universo gospel. Como é a sua relação com religião e espiritualidade?

Minha religião é Deus. Temos que respeitar aquilo com o que cada um se conecta. Tenho amigos de todas as religiões. Pratico yoga, fui criada em um universo de positividade, isso veio da minha mãe. Essa ideia de colocar o mundo em um modo proativo. O importante é encontrar o seu caminho e ser feliz.

Quais são os próximos passos da carreira musical? Continua trabalhando o Zabelê ou vem novidade?

Agora vou lançar o lyric video de “Prática” e o clipe mais para a frente. Também vou fazer uma série de vídeos para a internet, com convidados, inclusive minha mãe. Isso nem a minha assessoria sabe, hein? [risos]

Nessa semana, recebemos a notícia sobre o fim da rádio MPB FM, no Rio. Sendo filha de ícones da música brasileira, o que achou da decisão?

Fiquei muito triste. Tive uma experiência maravilhosa com eles. Abriram caminho pra mim, lançaram meu single. Tive muito espaço e sou artista independente. Sempre achei esse posicionamento muito bom, de dar oportunidade. Hoje, com a internet, temos a chance de conhecer de tudo um pouco, ouvir tudo. É uma pena que no dial não possamos ter diversidade. É um erro para a música perder a MPB, que é uma relíquia. Com a internet, temos que ir atrás das coisas novas para conhecer. O rádio fazia o papel de apresentar algo novo e isso é importante, é mais popular. Nossa música é respeitada mundialmente. As lojas lá fora tocam bossa nova, MPB. Nos honram lá fora, devemos respeitar aqui também. Tomei um susto, foi uma perda para as futuras gerações.

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Zabelê ainda pequena, rodeada de música. (Reprodução/Acervo Pessoal)

Você criou o projeto “Uma Janela Para o Futuro” para ajudar crianças carentes. Fala um pouquinho sobre essa iniciativa.

É um projeto social que já tenho há cinco anos, mas nunca botei em evidência, sempre fiz em silêncio. Agora que eu estou começando a divulgar. É um projeto realizado em comunidades carentes e que beneficia crianças por meio da cultura e da arte. Levamos até onde não chega a informação que deveria ser de todos. Queria levar um pouco do que eu sempre tive, nascendo na família que nasci, com as oportunidades que tive. Sempre amei crianças.

Você tem uma playlist no seu Spotify que chama “Minha Vibe”, com faixas de artistas que participaram da produção do álbum e de alguns cantores gringos como The Weeknd, Justin Timberlake e Bruno Mars. O que mais você curte ouvir?

Sou tão eclética... Gosto de dizer que escuto de Novos Baianos a Michael Jackson. Todo o grupo, Gal Costa, Caetano, Gil, A Cor do Som, Armandinho, grandes amigos dos meus pais e tudo aquilo que ouvíamos em casa, Stevie Wonder, Prince, George Michael. Gosto também de Gwen Stefani, Daft Punk.

Como foi ver, agora já mais velha, a turnê recente dos Novos Baianos?

Maravilhoso. Eles são ícones da música brasileira, marcaram época, foi um movimento histórico junto da Tropicália. Vejo isso não só como filha, podia ver também nos fãs. É um presente para o público receber essa mensagem agora, na época em que estamos vivendo.

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