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Emicida e Kendrick Lamar dão o mesmo recado em videoclipes

por em 01/07/2015
Por Rodrigo Amaral da Rocha Lançados no mesmo dia (terça-feira, 30/06) e com poucas horas de diferença, os novos clipes de Kendrick Lamar e Emicida retratam o preconceito racial e de classes de formas diferentes, mas com um o mesmo sentimento: o otimismo. "Meus joelhos estão ficando fracos e minha arma pode explodir, mas nós vamos ficar bem", canta Kendrick Lamar. Filmado em preto e branco, o clipe de "Alright", do rapper nascido em Compton (Califórnia), usa bem das metáforas para tratar da discriminação dentro da sociedade norte-americana. O vídeo começa com a prisão de um jovem negro, dando início a revolta de moradores de um bairro da cidade de Los Angeles. É aí que começa o sonho de Lamar: dinheiro voando pelo gueto de L.A., a polícia levando no braço o carro do rapper com seus amigos. Mas o sonho de Lamar termina do jeito que o vídeo começou - com um tiro. Mesmo caído, Lamar sorri para câmera, como se tudo estivesse bem (alright). "Favela ainda é senzala jão. Bomba relógio prestes a estourar", alerta Emicida em "Boa Esperança". Assim como no clipe de Lamar, o vídeo de "Boa Esperança", do paulistano Emicida, vai até os 7 minutos e não economiza na produção para tratar o mesmo assunto, a discriminação social e racial. A metáfora do clipe do rapper nascido no Jardim Fontalis, zona norte de São Paulo, também leva à tona uma rebelião - desta vez dos empregados de uma mansão. Inconformados com o tratamentos dos patrões, eles iniciam um motim, que se espalha por todo o país. De forma radical, esta é a "boa esperança"de Emicida. O rap nacional e mundial passou por constantes mudanças nos últimos anos. As letras transgressoras e sempre atentas aos problemas da sociedade dividem espaço hoje com um conteúdo que tem falado mais de amor, de dinheiro e de diversão. Isso é um (bom) sinal da evolução do rap , afinal, há espaço para todo mundo; mas também é a prova que o gênero continua sendo forte como 'música de protesto'. Um outro (mau) sinal é que os problemas são os mesmos desde a década de 1980, quando o rap surgiu como forma de dar a voz à periferia.
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