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Entre o datado e o genial, disco de Gilmour tem bons momentos

por em 18/09/2015
Por Bruna Gonçalves Serur Muitos fãs do Pink Floyd veem Roger Waters como o gênio do grupo. A banda teve que se reajustar após a saída do baixista e nunca mais produziu uma música de muito sucesso. David Gilmour, no entanto, conseguiu se consolidar como artista solo por ser um grande músico. O seu primeiro álbum, homônimo, lançado em 1978, é infelizmente pouco conhecido porém sensacional. Assim como o seguinte, About Face [1984], no qual trabalhou com o amigo e também guitarrista Pete Townshend. E agora, Gilmour aparece com Rattle That Lock, disco que não podia começar melhor. A faixa “5 AM” é instrumental, bem ao estilo Pink Floyd (“Goodbye Blue Sky”, talvez). Logo em seguida vem o single homônimo, que lembra muito a fase pós-Waters da banda, quando Gilmour, Mason e Wright tentavam criar uma nova identidade – e isso não é necessariamente um elogio. DAVID GILMOUR CONFIRMA TRÊS SHOWS NO BRASIL Para um fã, é quase impossível evitar as comparações com Pink Floyd ao ouvir qualquer música que tenha a voz e a guitarra de Gilmour. Grande parte de Rattle That Lock poderia ter saído de algum disco clássico da banda – das três instrumentais, todas poderiam ser de The Wall ou Animals, com sua guitarra inconfundível – o que é algo (muito) bom. Além das instrumentais, destacam-se “Faces Of Stone”, “Beauty” e “In Any Tongue” – lembra do emocionante solo de guitarra em “Comfortably Numb”?. No meio do disco surge “Dancing Right In Front Of Me”, que começa promissor, mas evolui para tornar-se um jazz/blues cafona. Gilmour se separa de Pink por um breve momento. Para o meu alívio, reencontra-o na seguinte. E que reencontro! É quase uma montanha de emoções. Quando penso que tudo terminará bem, começa a tocar “The Girl In The Yellow Dress”. Desespero-me por alguns minutos, na esperança de que ela melhore. Não melhora. Parece ser uma faixa inserida para preencher um espaço e manter o padrão que Gilmour tem seguido de dez músicas por álbum. Parece uma música boa que o pianista toca em um restaurante que já foi chique e agora é ultrapassado. DISCO DE DAVID GILMOUR LEVOU QUASE 20 ANOS PARA FICAR PRONTO O disco tem ótimas faixas, mas ele se perde nessas duas: "Rattle That Lock” e “The Girl In The Yellow Dress”. Em Rattle That Lock não há nada tão brilhante quanto “There’s No Way Out Of Here”, da estreia solo de David Gilmour, mas é um bom disco, sólido. Diferentemente de On An Island [2006], seu álbum anterior de harmonias lentas, o britânico de 69 anos aposta em um rock um pouco mais sombrio, denso e maduro. Por mais difícil que seja para um fã, ouça Rattle That Lock pensando na evolução de Gilmour como músico, e não na sua ex-banda. Registrei as minhas primeiras impressões do quarto disco solo de David Gilmour para ver se elas se sustentariam após ouvi-lo quatro vezes. Este texto foi construído com base nessas anotações iniciais. Então, sim, a primeira impressão foi a que ficou. https://open.spotify.com/album/1gquhHnaFnshQuJGnHRpF9
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