20
Janeiro
2012

Especial: 30 anos sem Elis

  • Google+ 

Em 6 de abril de 1965, menos de um mês após completar 20 anos, a gaúcha Elis Regina Carvalho Costa subia ao palco do I Festival de Música Popular Brasileira, organizado pela TV Excelsior, para interpretar “Arrastão”, composição de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. A voz doce e forte da jovem cantora impressionou a plateia e os jurados, e Elis ficou com o 1º lugar do concurso, tornando-se a primeira vencedora de uma iniciativa que se tornaria tradição no cenário musical brasileiro pelas próximas duas décadas.

Começava ali a trajetória daquela que viria a ser considerada por muitos a maior cantora do Brasil. Com seu canto poderoso e encantador, Elis Regina consagrou composições de artistas até então pouco conhecidos como Chico Buarque, Renato Teixeira, Ivan Lins, Gilberto Gil, Milton Nascimento e outros, tornando-se uma das figuras mais admiradas e idolatradas da música brasileira.

A trajetória de sucesso de uma das vozes mais marcantes do país seria interrompida no dia 19 de janeiro de 1982. Aos 36 anos, Elis Regina falecia vítima de uma overdose de cocaína e álcool, deixando para trás um legado musical que influenciaria gerações.

Famosa por suas posições políticas expressivas e por sua vida intensa, a Pimentinha – apelido dado por seu amigo e parceiro Vinicius de Moraes – se tornou um dos mais importantes símbolos femininos e artísticos do Brasil.

Para homenagear os 30 anos de sua morte, a Billboard Brasil conversou com artistas que conviveram ou foram inspirados pelo legado de Elis. Nessas conversas, descobrimos obras que marcaram vidas e carreiras, fatos curiosos e, claro, muita saudade. Confira a seguir em nosso especial Elis Regina.


Tárik de Souza, jornalista e crítico musical

“Na contramão das megaclássicas gravações de Elis, escolho sua sóbria e comovida recriação de ‘Na Batucada Da Vida’, de Ary Barroso e Luiz Peixoto, do disco Elis, de 1974. Ali, ela comprova sua capacidade de apropriar-se de um sucesso antigo e alheio - Carmen Miranda ‘grifou’ a música em 1934, exatos 40 anos antes - e transformá-lo em pessoal e atemporal.”

 

Bruna Caram, cantora

“’O Que Tinha de Ser’, do diviníssimo disco Elis E Tom, é uma das minhas músicas favoritas na voz da Elis. Perdi as contas de quantas vezes parei tudo o que estava fazendo pra chorar ouvindo. É aquela canção-interpretação que, se você está ouvindo em casa, tem que sentar pra ouvir, se está ouvindo no carro, chega a estacionar! Absolutamente de tirar o fôlego.”

 

 

 

Paulo Ricardo, vocalista do RPM

“Minhas músicas preferidas são ‘Atrás da Porta’ e ‘Fascinação’. A Elis dava um  show em qualquer interpretação, mas a clareza do timbre dela e a emoção que essas duas músicas passam tem um efeito realmente arrasador, de levar qualquer pessoas às lagrimas”

 

 

Ana Cañas, cantora

“Com ‘Retrato Em Branco E Preto’ entendi definitivamente o que é se jogar no abismo de uma canção. A composição é de Tom Jobim e Chico Buarque.” 

 

Fernando Deluqui, guitarrista do RPM

“Para mim a melhor canção gravada por Elis é ‘Como Nossos Pais’. Gosto do arranjo  influenciado pelo blues com uma guitarra muito bem executada, misturada a uma viola caipira também muito bacana. Os gritos emocionados de Elis completam o arranjo de maneira extremamente harmônica. Tudo muito bom.”


Luiz Schiavon, tecladista do RPM

“’Arrastão’ e ‘Upa, Neguinho’ me fazem lembrar da época dos festivais da Record  da década de 60. Eu me identificava com os cantores da época como Chico Buarque, Elis Regina e Jair Rodrigues. A Elis … quem gosta de música e voz, gosta de Elis. Ela deve ser uma das três maiores cantoras da história do Brasil”



Daniela Mercury, cantora

“Elis conseguiu dar vida pra tantas canções de uma forma tão única que as interpretações dela são realmente incomparáveis. Dezenas de canções que ficaram marcadas, que só praticamente ela cantou. Das canções que ela fez, eu sempre persegui a força da interpretação dela de ‘Atrás Da Porta’, acho ela dramática, forte, intensa, visceral e emocionante. Perfeita no tempo das palavras, tudo era dito por ela. ‘Como Nossos Pais’ também, por ser aquele tipo de canção, um rock do sertão. Elis foi a única que cantou esse rock sertanejo dessa maneira. Além disso, pelo textomuito particular. Uma canção de interpretação aberta, solta. Ela se jogava nas cançõesinterpretava sem medo. Corsário, ‘Se Eu Quiser Falar Com Deus’ e ‘Tatuagem” são, também, interpretações inesquecíveis. Nunca alguém interpretou essas canções de forma tão bonita quanto ela.”


Walter Franco, cantor, compositor e vice-presidente da Abramus, Associação Brasileira de Música e Artes

“No restaurante Famiglia Mancini, juntos, Paulinho Nogueira, Capiba e amigos nos encontramos todos por acaso com Elis Regina. Que momentos especiais, incríveis, que alegria! Ao nos despedirmos com um abraço, ela nos disse: ‘Não me abandonem’.

Não houve tempo.

Guardada no lado esquerdo do peito, como um abraço eterno, ninguém jamais a esqueceria…”


China, músico e VJ

“Sou muito fã de Elis. Ela é uma das poucas cantoras da música brasileira que canta com a alma e o coração, realmente sentindo cada palavra que sai da sua boca. Gosto muito de ‘Atrás Da Porta’, onde, segundo a história, é possível ouvi-la chorando ao fim da gravação. Mas a música que mais me marcou é ‘20 Anos Blues’. Eu tinha 20 e poucos anos quando ouvi essa música pela primeira vez e foi muito marcante escutar aquela letra que falava das mesmas coisas que eu vivia. Isso sem falar na dramaticidade da interpretação: ‘Eu não te quero, eu te quero mal…’. Era tudo o que eu queria dizer naquele momento.”

 

Céu, cantora

“Adoro a Elis. Meu disco preferido dela é o Ensaio, que na verdade é um DVD de um programa [dirigido por Fernando Faro e apresentando pela TV Cultura]. Aquilo pra mim é coisa mais linda que uma cantora da música brasileira já fez. É um absurdo o que ela está cantando. É de tirar o fôlego. Não tem pra ninguém.”


Paulo P.A. Pagni, baterista do RPM

“Adoro a Elis! Cheguei a ir em show dela. Gosto de ‘Quero Uma Casa No Campo” porque eu moro em uma casa no campo! Gosto também de ‘Como Nossos Pais’.

 

 

Zeca Baleiro, músico e compositor

“Elis deixava a marca em tudo que cantava. Assim como ninguém no Santos Futebol Clube deveria mais usar a camisa 10, ninguém mais devia regravar nada já gravado pela Elis. Pra mim, são duas suas interpretações mais tocantes: ‘Corsário’ e ‘As Aparências Enganam’.”


Renato Teixeira, músico e compositor de “Romaria” e “Sentimental Eu Fico”, gravadas por Elis Regina

“Eu fui à casa de Elis, mostrei umas músicas e deixei algumas gravadas lá. Ela gravou ‘Romaria’ e ‘Sentimental Eu Fico’. Mas, a princípio, só o fato de ela ter gravado já estava bom, não havia nenhuma expectativa, não pensei que fosse acontecer tudo que acabou acontecendo. ‘Romaria’ foi um sucesso. E, mesmo sendo a primeira faixa do lado B do disco, foi a música que mais estourou. E isso não só me ajudou muito na carreira, como acabou abrindo as portas pra esse universo da música do interior. Cada vez que a gente escuta cantoras como ela, é como se estivessem vivas. Você não consegue escutar uma música dela pensando que faz 30 anos que ela morreu.”


Henrique Crespo, repórter da Billboard Brasil

“Descobri Elis através do disco Falso Brilhante (1976). Estão lá ‘Como Nossos Pais”’(Belchior), ‘Tatuagem’ (Chico Buarque) e outras pérolas que nunca saíram da minha memória. Mas foi um disco que ela lançou com Tom Jobim em 1974 (Elis & Tom) que virou o meu preferido. É uma obra incomparável que não sai do meu iPod. Ela não é referência no país das cantoras sem motivo.”

Comentários

Notícias em Destaque

Ver todos