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Fifth Harmony: o que deu errado?

Conheça os bastidores da saída de Camila Cabello do maior girl group dos últimos tempos

por Shirley Halperin em 23/12/2016

O Fifth Harmony já desafiou as probabilidades: vendeu meio milhão de álbuns em uma carreira lançada no programa de TV The X Factor há menos de cinco anos, alcançou dois TOP 5 no Hot 100 (“Worth It”, em 2015, e “Work From Home”, em 2016) e provou que o grupo, construído sobre o capricho de Simon Cowell e desenvolvido com a capacidade da indústria sazonal da Epic Records, de L.A. Reid, tem seu propósito no cenário pop. Então como as coisas azedaram?

No que virou um bate-boca entre do ela disse e o que elas disseram nos últimos dias, seguido da apresentação do grupo no Jingle Ball, em 18 de dezembro, as integrantes do Fifth Harmony Ally Brooke, 23 anos, Normani Kordei, 20, Dinah Jane, 19, e Lauren Jauregui, 20, anunciaram pelas mídias sociais que Camila Cabello teria “decidido sair”, segundo suas próprias palavras. O anúncio inesperado foi seguido da resposta de Camila: “Dizer que eu tinha ‘decidido sair do grupo’ não é verdade”. As Harmonizers, como são chamados os fãs do grupo, tomaram as mídias sociais para expressar a confusão sobre o que realmente levou o quinteto a se tornar um quarteto.

Camila Cabello deixa o Fifth Harmony

Ao mesmo tempo, muitos na indústria estão imaginando o que acontecerá com o que mídia social agora batizou de #FourthHarmony daqui em diante – especialmente considerando que a marca tem prazo de validade até o final de dezembro, quando a gravadora precisará decidir se aceita ou não a nova formação do grupo para um terceiro álbum. (A Epic Records não comentou sobre a situação e tanto o Fifth Harmony quanto Camila Cabello se recusaram a fazer qualquer pronunciamento sobre o assunto)

Ainda que os contratos do Fifth Harmony sejam estruturados de tal forma que sejam individuais, permitindo às integrantes fazerem músicas juntas e/ou separadas, de acordo com diversas fontes, tensões entre as meninas surgiram recentemente, desde que Camila vociferou aos quatro ventos seu desejo de continuar sua carreira fora do grupo. Suas aspirações não eram nenhuma surpresa para suas colegas de banda: por 18 meses, ela falou sobre suas expectativas de carreira solo à imprensa. Camila também contratou seu próprio empresário, Roger Gols, independentemente da atuação dos representantes do Fifth Harmony – Jared Paul (o mesmo do New Kids on the Block) até dezembro de 2015, quando Larry Rudolph of Maverick (de Britney Spears) assumiu a posição.

Mas, uma vez que o dueto “I Know What You Did Last Summer”, de Camila e Shawn Mendes, foi lançado, em novembro de 2015, conversas sobre o futuro do grupo com a formação original de cinco integrantes e rumores sobre rupturas começaram a se espalhar.

Uma fonte próxima à situação insiste que “Camila não poderia ter sido mais clara sobre seu desejo de sair do grupo”, negando sugestões de encontros e discussões em grupo – e é aqui onde os detalhes ficam confusos. Quem não estava falando com quem? Era Camila contra as quatro integrantes, com uma aliança ocasional de Dinah Jane? Ou foi uma situação completamente silenciosa, interrompida apenas quando o grupo estava no palco ou quando a mídia demandava? Camilla seria substituível (uma ideia de lançar uma busca por uma nova cantora via reality show foi discutida e cancelada) ou foi uma sábia decisão seguir em frente com a marca, mesmo com apenas quatro integrantes? Afinal de contas, Lauren Jauregui e Normani Kordei também anunciaram projetos fora do grupo, cavando certa independência. Lauren, por exemplo, assumiu-se bissexual e fez uma colaboração com Marian Hill.

Fifth Harmony fala, mais uma vez, sobre a saída de Camila Cabello

A ideia de um hiato foi oferecida pela equipe de Camila, mas as outras integrantes não iriam aceitar esperar por sua carreira solo. Neste momento, os nervos começaram a ficar a flor da pele.

Houve várias tentativas de intervenções, como consultar um terapeuta quando elas estavam na estrada, com o objetivo de “ajudar as meninas a resolver seus problemas”, contou uma fonte ligada ao caso, que, afirmou ainda, que todas – menos Camila – participaram das sessões com um psicólogo. Também foi marcado uma espécie de encontro espiritual com Reid, no qual Camila não teria comparecido. Outra fonte, no entanto, diz que esse encontro nunca aconteceu, e que as sessões de terapia foram se transformando num quatro contra um, bem como a dinâmica atual de batalha de declarações públicas que estamos vendo. “Camila sentiu que a melhor forma de se comunicar efetivamente com suas companheiras de banda seria cara a cara, com cada uma, o que ela fez durante a turnê europeia.”

Até Simon Cowell teria se envolvido, aconselhando as integrantes do grupo a olhar a figura como um todo: seria válido manter essa gigantesca marca girando pelo maior tempo possível, afinal são sete milhões de downloads vendidos e 1.6 bilhão de streamings nos Estados Unidos desde dezembro de 2015, segundo a Nielsen Music. “As garotas queriam que o grupo continuasse junto pelo bem dos negócios”, diz a fonte. Mas ainda que Cowell eventualmente tenha cedido à ideia da saída de Camilla, ele era a voz da razão. Ele dizia: “Você não pode obrigar as pessoas a trabalharem juntas”.

Outra tentativa de manter o grupo, ainda que de menor importância, passa pela teoria de que um álbum solo de Camila e outro lançamento do Fifth Harmony não são, necessariamente, coisas excludentes. Mas, novamente, uma fonte ligada a Camila traça um novo cenário. “O empresário do grupo foi bem claro ao dizer que, se ela quisesse fazer qualquer outra música solo, não serviria mais para o grupo.”

Ser um grupo feminino “não é para os fracos”, diz o produtor veterano Ron Fair, que trabalhou com artistas como Christina Aguilera e Pussycat Dolls. “A indústria é tão difícil e imperdoável que apenas alguns fazem hits, comparecem a premiações e atingem completamente os seus sonhos.” Fair enfatiza que as ambições das bandas femininas geralmente são enraizadas logo na infância e que, com o passar dos anos, tornam-se “como um sistema de crença”. No entanto, uma vez que a dinâmica de grupo entra em jogo, “e o sucesso chega”, essa ambição se transforma numa dúvida individual: “E quanto a mim?” Nós vimos isso, na ficção, em Em Busca de um Sonho (Dreamgirls) e na história verídica das Supremes. Apenas pouquíssimos grupos femininos ficaram juntos por um longo período de tempo.

Machine Gun Kelly fala sobre a saída de Camila Cabello do Fifth Harmony

Uma coisa que não vem sendo debatida, contudo, é o potencial de Camilla como uma estrela. Não é tão incomum um integrante de um grupo tentar uma banda ou carreira solo – ainda que continue junto ao grupo, como Beyoncé fez enquanto estava no Destiny’s Child –, mas é menos comum alguém se destacar em uma coletiva como Camila tem feito ao longo dos últimos anos. Em termos de colaboração, o seu hit com Shawn Mendes, que chegou ao Top 20, destacou sua potência vocal, enquanto sua competência fez com que sua colaboração em “Bad Things”, de Machine Gun Kelly, colocasse o rapper no Top 10 do Hot 100. Camila ainda demonstrou – por meio de suas palhaçadas hilárias e autodepreciativas no Snapchat, citações em entrevista e interações íntimas com seus 3,2 milhões de seguidores no Twitter – ser uma superestrela com a destreza de se conectar com os fãs e apoiar os que estão a sua volta.

Ao relembrar a noite em que Shawn Mendes, Camila e o compositor Ido Zmishlany fizeram a música “I Know What You Did Last Summer” num camarim de um show da turnê 1989, de Taylor Swift, do qual Shawn era a atração de abertura, o CEO da Island Records, David Massey, descreve uma jovem “completamente envolvida no processo”. É muito claro, pra ele, que “Camila é um talento nato e traz uma energia incrível à música”.

De fato, a gravadora do Fifth Harmony, a Epic Records, vinha planejando um álbum solo de Camila pela maior parte deste ano, colocando a garota de 19 anos em estúdio com hitmakers como Benny Blanco e Diplo e também com compositores como Madison Love (“Bad Things”), Johnny Mitchell e Amarr, e os produtores Futuristics (“Bad Things”) e Serm (de “No Lie”, de Sean Paul). De acordo com uma fonte, o álbum está caminhando, com sessões já marcadas para janeiro. O primeiro single de Camila pode ser lançado em março ou abril e o álbum no verão americano.

Mas agora, cinco meninas e seus diversos representantes (três de cinco tem seus próprios advogados, enquanto a advogada Dina LaPolt representa o grupo) estão lidando com um dezembro frio, que começou por volta do dia 18 (data em que as quatro meninas entenderam que seria o último dia de Camila no grupo, enquanto uma pessoa da equipe dela alega que o dia marcaria apenas os últimos compromissos do ciclo desse álbum e “que não significa que ela queria deixar a banda”) e se estendeu até o final do ano, quando surgiu a opção de um terceiro álbum do Fifth Harmony.  O universo dos Harmonizers pode ter sido abalado.

“Eu acho que é um grande erro”, diz uma pessoa da indústria que acredita que as garotas deveriam ter continuado juntas para um terceiro álbum. “Esse é o momento do grupo. Elas acabaram de ter o maior recorde da carreira delas e a próxima gravação seria “a gravação”. Camila tem tido sucesso, mas com singles que não são dela.” (Nota: Camila e Machine Gun Kelly dividem igualmente o faturamento de “Bad Things”)

O Fifth Harmony vendeu 424 mil álbuns nos Estados Unidos até agora, mas o álbum Reflection movimentou duas vezes mais unidades do que o novo álbum, 7/27, então a métrica não indica nada com exatidão. Da perspectiva da gravadora, mesmo com três músicas no TOP 40, lançar um novo disco do grupo seria um esforço arriscado e caro. A aposta mais segura para a Epic talvez seja apostar em Camila como uma futura estrela. (Nota: Na mesma semana em que o drama veio a público, o último single do Fifth Harmony, “That’s My Girl”, saiu do Hot 100 e suas execuções nas rádios Top 40 foram cortadas pela metade, sinalizando que uma promoção da música talvez tenha sido deixada para mais pra frente.)

Se houve alguma reação além da guerra dos fãs, ela pode ter decorrido da forma como as informações foram divulgadas. Muito diferente do One Direction, outra banda do X-Factor, quando o ex-integrante Zayn Malik publicou uma declaração ao mesmo tempo em que seus colegas de banda e Cowell. “Eu tenho que fazer o que meu coração acha que é certo”, disse Zayn na época, seguido por elogios ao grupo que o colocou no mapa global. Uma fonte próxima a Camila disse a Billboard que a jovem cantora foi “pega completamente de surpresa” pelo post nas redes sociais oficiais do Fifth Harmony (o grupo tem 3,65 milhões de seguidores no Twitter e 7,5 milhões de likes no Facebook), o que colocou o ônus do rompimento totalmente sobre ela. “Isso tudo é resultado dos ciúmes das meninas”, diz a fonte. “Já vimos essa história um milhão de vezes.”

O que aconteceu para levar as quatro garotas a tomarem uma medida defensiva é assunto para debate, ainda que pareça que existiram algumas tentativas para estruturar o anúncio de forma conjunta – altamente mal sucedido. E não ajuda o fato de um áudio das integrantes do grupo reclamando sobre serem tratadas “como escravas” ter vazado.

 “A coisa toda foi tratada terrivelmente mal”, diz Chris Booker, da Rádio AMP, de Los Angeles. “Se as integrantes restantes do tivessem dito coisas boas, seria uma história sem grandes repercussões.” O veterano diz, ainda, que o mínimo de decência é necessário em situações em que um integrante-chave está deixando o grupo. Booker diz: “A resposta certa seria: ‘Nós amamos você, nós vamos sentir sua falta, vá e conquiste o mundo, blá, blá, blá’”.

“É muito perigoso mexer em time que está ganhando. Eu já vi isso causar estragos”, diz o produtor Fair. Ao mesmo tempo, ele pergunta: “Quem vai impedir uma menina de tentar e pra sempre se arrepender? E quando não se trata apenas de marketing ou de business, mas das esperanças e sonhos de alguém? A chave é administrar o time e tentar manter o trem nos trilhos. Mas quem é alguém para dizer que o Fifth Harmony como Fourth Harmony não é mais robusto e uma proposta mais energética do que quando tinha um a mais na engrenagem? Hoje, a música é dominante na receita do sucesso e enquanto as garotas e o time identificarem boas músicas, elas vão estar no topo”.

De sua parte, Camila pareceu bem à vontade ao compartilhar as necessidades do grupo e da sua própria carreira, como disse a Billboard em fevereiro. “O Fifth Harmony é incrível. Nós viemos de diferentes lugares, temos gostos musicais distintos e diferentes ideias sobre o que queremos produzir musicalmente, mas quando estamos juntas é mais ou menos assim: ‘Ok, essa é a nossa vibe’. No final do dia, você se sente um pouco sufocado quando não consegue expressar completamente quem você é sem nenhum compromisso.”

Camila, que aprendeu a tocar violão e tem como inspirações Ed Sheeran e John Mayer, complementou: “Essa é quem sou eu”. É o mesmo sentimento que ecoou em sua declaração um dia após a revelação da separação. “Seja corajoso para perseguir aquilo que faz o seu coração bater e o que te faz viver com um propósito”, ela escreveu. “Nossa felicidade é nossa própria responsabilidade.”

 

 

Shirley Halperin é a nova diretora da Billboard e editora de música do The Hollywood Reporter

 

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Conheça os bastidores da saída de Camila Cabello do maior girl group dos últimos tempos

por Shirley Halperin em 23/12/2016

O Fifth Harmony já desafiou as probabilidades: vendeu meio milhão de álbuns em uma carreira lançada no programa de TV The X Factor há menos de cinco anos, alcançou dois TOP 5 no Hot 100 (“Worth It”, em 2015, e “Work From Home”, em 2016) e provou que o grupo, construído sobre o capricho de Simon Cowell e desenvolvido com a capacidade da indústria sazonal da Epic Records, de L.A. Reid, tem seu propósito no cenário pop. Então como as coisas azedaram?

No que virou um bate-boca entre do ela disse e o que elas disseram nos últimos dias, seguido da apresentação do grupo no Jingle Ball, em 18 de dezembro, as integrantes do Fifth Harmony Ally Brooke, 23 anos, Normani Kordei, 20, Dinah Jane, 19, e Lauren Jauregui, 20, anunciaram pelas mídias sociais que Camila Cabello teria “decidido sair”, segundo suas próprias palavras. O anúncio inesperado foi seguido da resposta de Camila: “Dizer que eu tinha ‘decidido sair do grupo’ não é verdade”. As Harmonizers, como são chamados os fãs do grupo, tomaram as mídias sociais para expressar a confusão sobre o que realmente levou o quinteto a se tornar um quarteto.

Camila Cabello deixa o Fifth Harmony

Ao mesmo tempo, muitos na indústria estão imaginando o que acontecerá com o que mídia social agora batizou de #FourthHarmony daqui em diante – especialmente considerando que a marca tem prazo de validade até o final de dezembro, quando a gravadora precisará decidir se aceita ou não a nova formação do grupo para um terceiro álbum. (A Epic Records não comentou sobre a situação e tanto o Fifth Harmony quanto Camila Cabello se recusaram a fazer qualquer pronunciamento sobre o assunto)

Ainda que os contratos do Fifth Harmony sejam estruturados de tal forma que sejam individuais, permitindo às integrantes fazerem músicas juntas e/ou separadas, de acordo com diversas fontes, tensões entre as meninas surgiram recentemente, desde que Camila vociferou aos quatro ventos seu desejo de continuar sua carreira fora do grupo. Suas aspirações não eram nenhuma surpresa para suas colegas de banda: por 18 meses, ela falou sobre suas expectativas de carreira solo à imprensa. Camila também contratou seu próprio empresário, Roger Gols, independentemente da atuação dos representantes do Fifth Harmony – Jared Paul (o mesmo do New Kids on the Block) até dezembro de 2015, quando Larry Rudolph of Maverick (de Britney Spears) assumiu a posição.

Mas, uma vez que o dueto “I Know What You Did Last Summer”, de Camila e Shawn Mendes, foi lançado, em novembro de 2015, conversas sobre o futuro do grupo com a formação original de cinco integrantes e rumores sobre rupturas começaram a se espalhar.

Uma fonte próxima à situação insiste que “Camila não poderia ter sido mais clara sobre seu desejo de sair do grupo”, negando sugestões de encontros e discussões em grupo – e é aqui onde os detalhes ficam confusos. Quem não estava falando com quem? Era Camila contra as quatro integrantes, com uma aliança ocasional de Dinah Jane? Ou foi uma situação completamente silenciosa, interrompida apenas quando o grupo estava no palco ou quando a mídia demandava? Camilla seria substituível (uma ideia de lançar uma busca por uma nova cantora via reality show foi discutida e cancelada) ou foi uma sábia decisão seguir em frente com a marca, mesmo com apenas quatro integrantes? Afinal de contas, Lauren Jauregui e Normani Kordei também anunciaram projetos fora do grupo, cavando certa independência. Lauren, por exemplo, assumiu-se bissexual e fez uma colaboração com Marian Hill.

Fifth Harmony fala, mais uma vez, sobre a saída de Camila Cabello

A ideia de um hiato foi oferecida pela equipe de Camila, mas as outras integrantes não iriam aceitar esperar por sua carreira solo. Neste momento, os nervos começaram a ficar a flor da pele.

Houve várias tentativas de intervenções, como consultar um terapeuta quando elas estavam na estrada, com o objetivo de “ajudar as meninas a resolver seus problemas”, contou uma fonte ligada ao caso, que, afirmou ainda, que todas – menos Camila – participaram das sessões com um psicólogo. Também foi marcado uma espécie de encontro espiritual com Reid, no qual Camila não teria comparecido. Outra fonte, no entanto, diz que esse encontro nunca aconteceu, e que as sessões de terapia foram se transformando num quatro contra um, bem como a dinâmica atual de batalha de declarações públicas que estamos vendo. “Camila sentiu que a melhor forma de se comunicar efetivamente com suas companheiras de banda seria cara a cara, com cada uma, o que ela fez durante a turnê europeia.”

Até Simon Cowell teria se envolvido, aconselhando as integrantes do grupo a olhar a figura como um todo: seria válido manter essa gigantesca marca girando pelo maior tempo possível, afinal são sete milhões de downloads vendidos e 1.6 bilhão de streamings nos Estados Unidos desde dezembro de 2015, segundo a Nielsen Music. “As garotas queriam que o grupo continuasse junto pelo bem dos negócios”, diz a fonte. Mas ainda que Cowell eventualmente tenha cedido à ideia da saída de Camilla, ele era a voz da razão. Ele dizia: “Você não pode obrigar as pessoas a trabalharem juntas”.

Outra tentativa de manter o grupo, ainda que de menor importância, passa pela teoria de que um álbum solo de Camila e outro lançamento do Fifth Harmony não são, necessariamente, coisas excludentes. Mas, novamente, uma fonte ligada a Camila traça um novo cenário. “O empresário do grupo foi bem claro ao dizer que, se ela quisesse fazer qualquer outra música solo, não serviria mais para o grupo.”

Ser um grupo feminino “não é para os fracos”, diz o produtor veterano Ron Fair, que trabalhou com artistas como Christina Aguilera e Pussycat Dolls. “A indústria é tão difícil e imperdoável que apenas alguns fazem hits, comparecem a premiações e atingem completamente os seus sonhos.” Fair enfatiza que as ambições das bandas femininas geralmente são enraizadas logo na infância e que, com o passar dos anos, tornam-se “como um sistema de crença”. No entanto, uma vez que a dinâmica de grupo entra em jogo, “e o sucesso chega”, essa ambição se transforma numa dúvida individual: “E quanto a mim?” Nós vimos isso, na ficção, em Em Busca de um Sonho (Dreamgirls) e na história verídica das Supremes. Apenas pouquíssimos grupos femininos ficaram juntos por um longo período de tempo.

Machine Gun Kelly fala sobre a saída de Camila Cabello do Fifth Harmony

Uma coisa que não vem sendo debatida, contudo, é o potencial de Camilla como uma estrela. Não é tão incomum um integrante de um grupo tentar uma banda ou carreira solo – ainda que continue junto ao grupo, como Beyoncé fez enquanto estava no Destiny’s Child –, mas é menos comum alguém se destacar em uma coletiva como Camila tem feito ao longo dos últimos anos. Em termos de colaboração, o seu hit com Shawn Mendes, que chegou ao Top 20, destacou sua potência vocal, enquanto sua competência fez com que sua colaboração em “Bad Things”, de Machine Gun Kelly, colocasse o rapper no Top 10 do Hot 100. Camila ainda demonstrou – por meio de suas palhaçadas hilárias e autodepreciativas no Snapchat, citações em entrevista e interações íntimas com seus 3,2 milhões de seguidores no Twitter – ser uma superestrela com a destreza de se conectar com os fãs e apoiar os que estão a sua volta.

Ao relembrar a noite em que Shawn Mendes, Camila e o compositor Ido Zmishlany fizeram a música “I Know What You Did Last Summer” num camarim de um show da turnê 1989, de Taylor Swift, do qual Shawn era a atração de abertura, o CEO da Island Records, David Massey, descreve uma jovem “completamente envolvida no processo”. É muito claro, pra ele, que “Camila é um talento nato e traz uma energia incrível à música”.

De fato, a gravadora do Fifth Harmony, a Epic Records, vinha planejando um álbum solo de Camila pela maior parte deste ano, colocando a garota de 19 anos em estúdio com hitmakers como Benny Blanco e Diplo e também com compositores como Madison Love (“Bad Things”), Johnny Mitchell e Amarr, e os produtores Futuristics (“Bad Things”) e Serm (de “No Lie”, de Sean Paul). De acordo com uma fonte, o álbum está caminhando, com sessões já marcadas para janeiro. O primeiro single de Camila pode ser lançado em março ou abril e o álbum no verão americano.

Mas agora, cinco meninas e seus diversos representantes (três de cinco tem seus próprios advogados, enquanto a advogada Dina LaPolt representa o grupo) estão lidando com um dezembro frio, que começou por volta do dia 18 (data em que as quatro meninas entenderam que seria o último dia de Camila no grupo, enquanto uma pessoa da equipe dela alega que o dia marcaria apenas os últimos compromissos do ciclo desse álbum e “que não significa que ela queria deixar a banda”) e se estendeu até o final do ano, quando surgiu a opção de um terceiro álbum do Fifth Harmony.  O universo dos Harmonizers pode ter sido abalado.

“Eu acho que é um grande erro”, diz uma pessoa da indústria que acredita que as garotas deveriam ter continuado juntas para um terceiro álbum. “Esse é o momento do grupo. Elas acabaram de ter o maior recorde da carreira delas e a próxima gravação seria “a gravação”. Camila tem tido sucesso, mas com singles que não são dela.” (Nota: Camila e Machine Gun Kelly dividem igualmente o faturamento de “Bad Things”)

O Fifth Harmony vendeu 424 mil álbuns nos Estados Unidos até agora, mas o álbum Reflection movimentou duas vezes mais unidades do que o novo álbum, 7/27, então a métrica não indica nada com exatidão. Da perspectiva da gravadora, mesmo com três músicas no TOP 40, lançar um novo disco do grupo seria um esforço arriscado e caro. A aposta mais segura para a Epic talvez seja apostar em Camila como uma futura estrela. (Nota: Na mesma semana em que o drama veio a público, o último single do Fifth Harmony, “That’s My Girl”, saiu do Hot 100 e suas execuções nas rádios Top 40 foram cortadas pela metade, sinalizando que uma promoção da música talvez tenha sido deixada para mais pra frente.)

Se houve alguma reação além da guerra dos fãs, ela pode ter decorrido da forma como as informações foram divulgadas. Muito diferente do One Direction, outra banda do X-Factor, quando o ex-integrante Zayn Malik publicou uma declaração ao mesmo tempo em que seus colegas de banda e Cowell. “Eu tenho que fazer o que meu coração acha que é certo”, disse Zayn na época, seguido por elogios ao grupo que o colocou no mapa global. Uma fonte próxima a Camila disse a Billboard que a jovem cantora foi “pega completamente de surpresa” pelo post nas redes sociais oficiais do Fifth Harmony (o grupo tem 3,65 milhões de seguidores no Twitter e 7,5 milhões de likes no Facebook), o que colocou o ônus do rompimento totalmente sobre ela. “Isso tudo é resultado dos ciúmes das meninas”, diz a fonte. “Já vimos essa história um milhão de vezes.”

O que aconteceu para levar as quatro garotas a tomarem uma medida defensiva é assunto para debate, ainda que pareça que existiram algumas tentativas para estruturar o anúncio de forma conjunta – altamente mal sucedido. E não ajuda o fato de um áudio das integrantes do grupo reclamando sobre serem tratadas “como escravas” ter vazado.

 “A coisa toda foi tratada terrivelmente mal”, diz Chris Booker, da Rádio AMP, de Los Angeles. “Se as integrantes restantes do tivessem dito coisas boas, seria uma história sem grandes repercussões.” O veterano diz, ainda, que o mínimo de decência é necessário em situações em que um integrante-chave está deixando o grupo. Booker diz: “A resposta certa seria: ‘Nós amamos você, nós vamos sentir sua falta, vá e conquiste o mundo, blá, blá, blá’”.

“É muito perigoso mexer em time que está ganhando. Eu já vi isso causar estragos”, diz o produtor Fair. Ao mesmo tempo, ele pergunta: “Quem vai impedir uma menina de tentar e pra sempre se arrepender? E quando não se trata apenas de marketing ou de business, mas das esperanças e sonhos de alguém? A chave é administrar o time e tentar manter o trem nos trilhos. Mas quem é alguém para dizer que o Fifth Harmony como Fourth Harmony não é mais robusto e uma proposta mais energética do que quando tinha um a mais na engrenagem? Hoje, a música é dominante na receita do sucesso e enquanto as garotas e o time identificarem boas músicas, elas vão estar no topo”.

De sua parte, Camila pareceu bem à vontade ao compartilhar as necessidades do grupo e da sua própria carreira, como disse a Billboard em fevereiro. “O Fifth Harmony é incrível. Nós viemos de diferentes lugares, temos gostos musicais distintos e diferentes ideias sobre o que queremos produzir musicalmente, mas quando estamos juntas é mais ou menos assim: ‘Ok, essa é a nossa vibe’. No final do dia, você se sente um pouco sufocado quando não consegue expressar completamente quem você é sem nenhum compromisso.”

Camila, que aprendeu a tocar violão e tem como inspirações Ed Sheeran e John Mayer, complementou: “Essa é quem sou eu”. É o mesmo sentimento que ecoou em sua declaração um dia após a revelação da separação. “Seja corajoso para perseguir aquilo que faz o seu coração bater e o que te faz viver com um propósito”, ela escreveu. “Nossa felicidade é nossa própria responsabilidade.”

 

 

Shirley Halperin é a nova diretora da Billboard e editora de música do The Hollywood Reporter