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K-pop: Afinal, como ele se tornou tão grande?

Leia a abertura do especial com um intensivão sobre a história da música pop sul-coreana

por Érica Imenes em 23/01/2017

topo-kpop

Os EUA e a Inglaterra deixaram de ser a supremacia absoluta no que diz respeito ao cenário pop mundial, especialmente com o crescimento do YouTube, que ajuda a conectar pessoas dos quatro cantos do globo, com culturas que, até pouco tempo, seriam consideradas “inusitadas”. Mas a popularidade do k-pop não descreve somente o fenômeno de um certo produto cultural sendo consumido em escala global. O gênero absorveu diferentes tipos de influências do pop internacional para resultar em um estilo distinto, que transcende a experiência da audiência em ouvir a música e é, hoje em dia, um dos mercados mais ricos, tanto em ganhos monetários, quanto em diversidade cultural.

Mas se você acha que a dominação mundial da música coreana começou com a viralização de “Gangnam Style”, do rapper (SIM, rapper!) PSY, entenda todo o “rolê” que o k-pop fez, até o “boom” que presenciamos nos dias de hoje.

BIG BANGBIG BANG, grupo destaque no “BILLBOARD 200” em 2016. Foto: Divulgação (YG Ent.)

É DE COMER?

O “pop sul-coreano” é um termo de encher a boca, realmente, mas na prática é tudo bem simples: o k-pop é um dos itens exportados na “Onda Hallyu” (também conhecida como “Hallyu Wave” ou a “Onda Coreana”). A Hallyu é o nome dado ao fenômeno de disseminação da cultura coreana desde o fim de 1990, com o sucesso dos dramas (as novelas coreanas) na China e, posteriormente, tomando conta de todo o sudoeste asiático.

NASCE A CENA POP COREANA

A partir de 1995, o cenário do k-pop começou a tomar forma, centralizando o conteúdo em grupos masculinos e femininos de jovens artistas – os chamados “idols” - como influência comportamental à massa de fãs adolescentes. As agências de entretenimento aumentaram o investimento nos grupos que viriam a representá-las no mercado, desenvolvendo seus sistemas de formação de estrelas. Dentro dessa 1ª geração de “artistas fabricados” fazem parte nomes como H.O.T, Sechs Kies, S.E.S, Fin.K.L, Shinhwa e g.o.d.

2000-2010: DA ÁSIA, PARA O MUNDO

Com a separação de grande parte dos grupos da primeira geração de idols, as agências precisaram rever suas estratégias de mercado. Para suprir a lacuna que os grupos da primeira geração deixaram, dois solistas tomaram conta dos holofotes do cenário pop sul-coreano: BoA (conhecida entre os fãs como a ‘rainha do k-pop’) e Rain serviriam como o “novo marco zero”, no que diz respeito ao sucesso de atos de k-pop em mercados estrangeiros, com números recorde de vendas digitais e shows internacionais.

RAINO cantor Rain, em seu primeiro papel em Hollywood, no filme “Ninja Assassino” (2009). Foto: Reprodução

2011-2017: A EXPLOSÃO DA “NEO-HALLYU”

Seguindo a trilha de sucesso e a abertura internacional encabeçada por BoA e Rain, novos grupos de ídolos apareceram no mercado, com imagens distintas e diferentes formas de sintetizar as influências musicais, artísticas e fashion, que fizeram do k-pop o que é, hoje em dia. Essa fase contemporânea da onda coreana é chamada de neo-Hallyu, e é representada por grupos como Super Junior, TVXQ, BIG BANG, SHINee, Wonder Girls, Girl’s Generation, BEAST e 2NE1 – considerados sêniores, com estreias entre 2005 e 2009 – e, mais recentemente, nomes como EXO, BTS, TWICE e Black Pink - com estreias entre 2013 e 2016. Estes são da leva extremamente bem-sucedida, em especial, fora da Coreia.

EXOGrupo EXO, em show na Arena Taipei de Taiwan, em 2014. Foto: Reprodução (omonatheydidnt.livejournal.com)

Além da venda de singles digitais, as agências de entretenimento começaram a suprir a demanda de sua audiência jovem e internacional, com o uso do YouTube – e outras redes sociais – como forma de reforço na divulgação dos sites oficiais de vendas de músicas. Em 2012, a Hallyu chegou às massas globais de forma arrebatadora, após a viralização do clipe de PSY, "Gangnam Style". Apesar de não fazer parte do cenário de idols, os recordes alcançados pelo rapper veterano abriram (ainda mais) os olhos do resto do mundo para o rico cenário musical da Coreia do Sul.

2NE1Grupo feminino 2NE1 (recentemente separado) e o amigo e designer de moda, Jeremy Scott. Foto: Reprodução (1st Look Magazine)

FÁBRICA DE ÍDOLOS

Os aspirantes a idols podem passar mais de uma década como trainees de agências de entretenimento, antes de conseguirem uma vaga em um grupo que seja coeso com seu perfil. A fórmula de sucesso dos grupos de ídolos sul-coreanos inclui passos similares, apesar das estratégias de marketing particular a cada agência ou conceito do grupo. A coordenação entre coreografia, composição e publicidade está inclusa nesse processo, sob direção da agência de entretenimento e sua equipe especializada. A moda é outro ponto marcante, no que diz respeito a identidade do k-pop como um “gênero de entretenimento multidisciplinar”. A Coreia do Sul – que sempre foi associada como uma exportadora de tendências fashion – domina a união entre música e moda, para reforçar o objetivo de expansão global, através da influência dos jovens idols.

ENFIM, O CONCEITO

O k-pop é mais do que só a música eletrizante, os clipes super bem produzidos e coreografias bem elaboradas. É o resultado de influências em constante evolução, sem barreiras geográficas, traduzindo o coreano em arte para se inspirar. Tudo isso aliado ao planejamento e a um sistema que propicia o nascimento de novas estrelas e ídolos a todo momento. Isso atende tanto o público mais velho, que ouvem os nomes já conhecidos, quanto a nova geração, sedenta por novidades e, principalmente, figuras para se espelhar.

Conheça e ouça os nomes citados na matéria na playlist abaixo:

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O Especial K-Pop é uma parceria entre a Billboard Brasil e o site especializado em cultura sul-coreana SarangInGayo.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
3
Ar-Condicionado No 15
Wesley Safadão
Áudio indisponível
4
Avisa Que Eu Cheguei (Part. Ivete Sangalo)
Naiara Azevedo
5
Regime Fechado
Simone & Simaria
RANKING COMPLETO
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K-pop: Afinal, como ele se tornou tão grande?

Leia a abertura do especial com um intensivão sobre a história da música pop sul-coreana

por Érica Imenes em 23/01/2017

topo-kpop

Os EUA e a Inglaterra deixaram de ser a supremacia absoluta no que diz respeito ao cenário pop mundial, especialmente com o crescimento do YouTube, que ajuda a conectar pessoas dos quatro cantos do globo, com culturas que, até pouco tempo, seriam consideradas “inusitadas”. Mas a popularidade do k-pop não descreve somente o fenômeno de um certo produto cultural sendo consumido em escala global. O gênero absorveu diferentes tipos de influências do pop internacional para resultar em um estilo distinto, que transcende a experiência da audiência em ouvir a música e é, hoje em dia, um dos mercados mais ricos, tanto em ganhos monetários, quanto em diversidade cultural.

Mas se você acha que a dominação mundial da música coreana começou com a viralização de “Gangnam Style”, do rapper (SIM, rapper!) PSY, entenda todo o “rolê” que o k-pop fez, até o “boom” que presenciamos nos dias de hoje.

BIG BANGBIG BANG, grupo destaque no “BILLBOARD 200” em 2016. Foto: Divulgação (YG Ent.)

É DE COMER?

O “pop sul-coreano” é um termo de encher a boca, realmente, mas na prática é tudo bem simples: o k-pop é um dos itens exportados na “Onda Hallyu” (também conhecida como “Hallyu Wave” ou a “Onda Coreana”). A Hallyu é o nome dado ao fenômeno de disseminação da cultura coreana desde o fim de 1990, com o sucesso dos dramas (as novelas coreanas) na China e, posteriormente, tomando conta de todo o sudoeste asiático.

NASCE A CENA POP COREANA

A partir de 1995, o cenário do k-pop começou a tomar forma, centralizando o conteúdo em grupos masculinos e femininos de jovens artistas – os chamados “idols” - como influência comportamental à massa de fãs adolescentes. As agências de entretenimento aumentaram o investimento nos grupos que viriam a representá-las no mercado, desenvolvendo seus sistemas de formação de estrelas. Dentro dessa 1ª geração de “artistas fabricados” fazem parte nomes como H.O.T, Sechs Kies, S.E.S, Fin.K.L, Shinhwa e g.o.d.

2000-2010: DA ÁSIA, PARA O MUNDO

Com a separação de grande parte dos grupos da primeira geração de idols, as agências precisaram rever suas estratégias de mercado. Para suprir a lacuna que os grupos da primeira geração deixaram, dois solistas tomaram conta dos holofotes do cenário pop sul-coreano: BoA (conhecida entre os fãs como a ‘rainha do k-pop’) e Rain serviriam como o “novo marco zero”, no que diz respeito ao sucesso de atos de k-pop em mercados estrangeiros, com números recorde de vendas digitais e shows internacionais.

RAINO cantor Rain, em seu primeiro papel em Hollywood, no filme “Ninja Assassino” (2009). Foto: Reprodução

2011-2017: A EXPLOSÃO DA “NEO-HALLYU”

Seguindo a trilha de sucesso e a abertura internacional encabeçada por BoA e Rain, novos grupos de ídolos apareceram no mercado, com imagens distintas e diferentes formas de sintetizar as influências musicais, artísticas e fashion, que fizeram do k-pop o que é, hoje em dia. Essa fase contemporânea da onda coreana é chamada de neo-Hallyu, e é representada por grupos como Super Junior, TVXQ, BIG BANG, SHINee, Wonder Girls, Girl’s Generation, BEAST e 2NE1 – considerados sêniores, com estreias entre 2005 e 2009 – e, mais recentemente, nomes como EXO, BTS, TWICE e Black Pink - com estreias entre 2013 e 2016. Estes são da leva extremamente bem-sucedida, em especial, fora da Coreia.

EXOGrupo EXO, em show na Arena Taipei de Taiwan, em 2014. Foto: Reprodução (omonatheydidnt.livejournal.com)

Além da venda de singles digitais, as agências de entretenimento começaram a suprir a demanda de sua audiência jovem e internacional, com o uso do YouTube – e outras redes sociais – como forma de reforço na divulgação dos sites oficiais de vendas de músicas. Em 2012, a Hallyu chegou às massas globais de forma arrebatadora, após a viralização do clipe de PSY, "Gangnam Style". Apesar de não fazer parte do cenário de idols, os recordes alcançados pelo rapper veterano abriram (ainda mais) os olhos do resto do mundo para o rico cenário musical da Coreia do Sul.

2NE1Grupo feminino 2NE1 (recentemente separado) e o amigo e designer de moda, Jeremy Scott. Foto: Reprodução (1st Look Magazine)

FÁBRICA DE ÍDOLOS

Os aspirantes a idols podem passar mais de uma década como trainees de agências de entretenimento, antes de conseguirem uma vaga em um grupo que seja coeso com seu perfil. A fórmula de sucesso dos grupos de ídolos sul-coreanos inclui passos similares, apesar das estratégias de marketing particular a cada agência ou conceito do grupo. A coordenação entre coreografia, composição e publicidade está inclusa nesse processo, sob direção da agência de entretenimento e sua equipe especializada. A moda é outro ponto marcante, no que diz respeito a identidade do k-pop como um “gênero de entretenimento multidisciplinar”. A Coreia do Sul – que sempre foi associada como uma exportadora de tendências fashion – domina a união entre música e moda, para reforçar o objetivo de expansão global, através da influência dos jovens idols.

ENFIM, O CONCEITO

O k-pop é mais do que só a música eletrizante, os clipes super bem produzidos e coreografias bem elaboradas. É o resultado de influências em constante evolução, sem barreiras geográficas, traduzindo o coreano em arte para se inspirar. Tudo isso aliado ao planejamento e a um sistema que propicia o nascimento de novas estrelas e ídolos a todo momento. Isso atende tanto o público mais velho, que ouvem os nomes já conhecidos, quanto a nova geração, sedenta por novidades e, principalmente, figuras para se espelhar.

Conheça e ouça os nomes citados na matéria na playlist abaixo:

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O Especial K-Pop é uma parceria entre a Billboard Brasil e o site especializado em cultura sul-coreana SarangInGayo.