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Kendrick Lamar: a criatividade mora no rap

Gênero reforça as origens provocativas e tem o álbum DAMN. como grande representante do momento

por Marcos Lauro em 17/04/2017

Esse foi o final de semana de Kendrick Lamar. Logo depois de lançar seu novo álbum DAMN., na sexta-feira (14/04), o rapper fez um dos melhores shows do primeiro final de semana do festival Coachella, realizado nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16/04) – já na madrugada de segunda para quem acompanhava pelo YouTube no Brasil.

Apesar de cantar em um dos maiores e mais tradicionais festivais do mundo, Lamar estava praticamente em casa: pouco mais de 200 quilômetros separam o local do evento de sua cidade natal, Compton, também na Califórnia, um dos berços do gangsta rap nos anos 1990. No palco, Lamar demonstrava a segurança de quem havia acabado de lançar um trabalho aclamado e tinha o público nas mãos por conta do seu repertório já conhecido. No palco grandioso do festival se destacava o telão, que se movimentava e chegou a ficar paralelo ao chão, com Lamar rimando em baixo.

Como os álbuns anteriores, DAMN. é temático e reveza músicas sobre perversidade e fraqueza. O rap, naturalmente, tem na autorreferência dos artistas uma forma de falar sobre a auto-estima e inspirar o ouvinte. Ou seja, o rapper diz que venceu na vida e hoje é herói para que o fã também se sinta assim e veja que seus problemas têm solução. Não há tanto espaço para questionamento. Já Lamar quebra essa barreira quando, em diversos momentos do álbum, pergunta: “É fraqueza ou maldade?”. Nessa toada, ele discute justiça, lealdade, instinto e uma série de assuntos que atravessam as batidas criadas por cerca de 30 produtores diferentes.

Além das comemoradas participações de Rihanna (em “LOYALTY.”) e U2 (em “XXX.”), outros importantes nomes aparecem “escondidos” nos créditos do disco. Kamasi Washington, que acabou de passar pelo Brasil com shows lotados, comanda as cordas em “LUST.”. O grupo BadBadNotGood, que causou, junto com Snoop Dogg, ao “atirar” em Donald Trump no clipe de “Lavender”, produz a mesma faixa. E Thundercat, músico que acabou de lançar seu novo trabalho, Drunk, toca contrabaixo em “FEEL.”. Outros três nomes para prestar atenção no disco.

Em 2017, temos o rap como o gênero mais criativo do cenário. Novos nomes (novos em tempo de carreira e idade), artistas interessados em questionar, álbuns como DAMN., que são complexos mas ao mesmo tempo apresentam uma sonoridade convidativa... sem comparações com gêneros que bombavam em outros tempos, mas, pra ficarmos no raso, o rap é o novo rock.

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Kendrick Lamar: a criatividade mora no rap

Gênero reforça as origens provocativas e tem o álbum DAMN. como grande representante do momento

por Marcos Lauro em 17/04/2017

Esse foi o final de semana de Kendrick Lamar. Logo depois de lançar seu novo álbum DAMN., na sexta-feira (14/04), o rapper fez um dos melhores shows do primeiro final de semana do festival Coachella, realizado nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16/04) – já na madrugada de segunda para quem acompanhava pelo YouTube no Brasil.

Apesar de cantar em um dos maiores e mais tradicionais festivais do mundo, Lamar estava praticamente em casa: pouco mais de 200 quilômetros separam o local do evento de sua cidade natal, Compton, também na Califórnia, um dos berços do gangsta rap nos anos 1990. No palco, Lamar demonstrava a segurança de quem havia acabado de lançar um trabalho aclamado e tinha o público nas mãos por conta do seu repertório já conhecido. No palco grandioso do festival se destacava o telão, que se movimentava e chegou a ficar paralelo ao chão, com Lamar rimando em baixo.

Como os álbuns anteriores, DAMN. é temático e reveza músicas sobre perversidade e fraqueza. O rap, naturalmente, tem na autorreferência dos artistas uma forma de falar sobre a auto-estima e inspirar o ouvinte. Ou seja, o rapper diz que venceu na vida e hoje é herói para que o fã também se sinta assim e veja que seus problemas têm solução. Não há tanto espaço para questionamento. Já Lamar quebra essa barreira quando, em diversos momentos do álbum, pergunta: “É fraqueza ou maldade?”. Nessa toada, ele discute justiça, lealdade, instinto e uma série de assuntos que atravessam as batidas criadas por cerca de 30 produtores diferentes.

Além das comemoradas participações de Rihanna (em “LOYALTY.”) e U2 (em “XXX.”), outros importantes nomes aparecem “escondidos” nos créditos do disco. Kamasi Washington, que acabou de passar pelo Brasil com shows lotados, comanda as cordas em “LUST.”. O grupo BadBadNotGood, que causou, junto com Snoop Dogg, ao “atirar” em Donald Trump no clipe de “Lavender”, produz a mesma faixa. E Thundercat, músico que acabou de lançar seu novo trabalho, Drunk, toca contrabaixo em “FEEL.”. Outros três nomes para prestar atenção no disco.

Em 2017, temos o rap como o gênero mais criativo do cenário. Novos nomes (novos em tempo de carreira e idade), artistas interessados em questionar, álbuns como DAMN., que são complexos mas ao mesmo tempo apresentam uma sonoridade convidativa... sem comparações com gêneros que bombavam em outros tempos, mas, pra ficarmos no raso, o rap é o novo rock.