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Kiko Loureiro, o brasileiro guitarrista do Megadeth – e ganhador do Grammy

A Billboard Brasil conversou com o músico, que ganhou Grammy e esteve na festa no último domingo

por Marcos Lauro em 15/02/2017

Adele, Beyoncé, Rihanna curtindo horrores na plateia, Bruno Mars... no último domingo vimos a nata do pop na TV durante o Grammy. Mas pouca gente viu um brasileiro ali no meio da festa. Ele não só viu tudo de perto como saiu com sua estatueta de lá. O Megadeth, banda veterana do metal da qual Kiko faz parte desde o começo de 2015.

ADELE É A GRANDE GANHADORA DO GRAMMY; VEJA A LISTA DOS VENCEDORES

Assim que entrou, Kiko já acompanhou a banda nos trabalhos de Dystopia, seu mais recente álbum, lançado em 2016. E desse disco saiu a faixa homônima que levou o prêmio de Melhor Performance do Metal e fez com que o guitarrista acompanhasse de perto – e ganhasse – seu primeiro Grammy.

A Billboard Brasil conversou com o músico, que revelou detalhes dos bastidores da festa:

megadeth-internaDirk Verbeuren (bateria), Dave Mustaine (vocal e guitarra), David Ellefson (baixo) e Kiko Loureiro (guitarra) - Divulgação

Depois de 12 indicações, esse é o primeiro Grammy do Megadeth. Qual era a chance real de ganhar? 
A banda já foi indicada 12 vezes e finalmente ganhou! E quando rolou a indicação, o Dave Mustaine falou que nem queria ir porque nunca ganhava. A banda já foi outras vezes à premiação e ficava uma sensação ruim de estar lá, com aquela pompa toda, e não serem escolhidos. Mas como não estávamos em turnê, deu pra ir e fomos confiantes. O Dave e o David [Ellefson, baixista], que estão desde o começo da banda, estão muito felizes pelo reconhecimento. No Brasil a gente tem noção do que é o Grammy, mas só aqui nos Estados Unidos a gente sente como é forte. É realmente o Oscar da música e é difícil mesmo ganhar, né... às vezes a Academia pode votar numa banda mais nova porque está numa pegada de revelar talentos, teve isso nos anos anteriores. Mas às vezes votam nuns nomes mais reconhecidos. Agora, por exemplo, teve Grammy pro David Bowie. Nas categorias de metal teve prêmio pro Korn, que já tem alguns anos mas tem uma pegada mais moderna no som.

E como é pra você entrar na banda e já receber um prêmio desse?
Pra mim é demais vivenciar tudo, né, as coisas que a gente só via pela televisão, do Brasil, de longe. Eu toquei com o Angra em grandes festivais, mas com o Megadeth a gente toca como headliner. A gente tocou antes do Black Sabbath na última turnê, por exemplo, em vários shows. A gente trabalha com 25 pessoas no dia a dia e 120 pessoas em toda a equipe, é uma coisa muito grande. E é demais estar no Grammy, sabe, subir no palco, receber o prêmio, fazer aquele circuito de tirar foto, entrevistas... tem o tapete vermelho antes, aquela coisa toda. Pra mim foi um barato. A minha intenção na banda é trabalhar não só na música, mas na parte psicológica também, de buscar, somar, criar. O clima está muito bom, todo mundo criativo, produtivo. Quando a banda tem muito tempo de carreira tem isso né. E o Grammy é o grande reconhecimento do trabalho feito nesse disco.

O metal é bem representado no Grammy? É um prêmio relevante pro gênero?
O prêmio é muito relevante no mercado da música e serve pra abrir portas. Você quando vira um “grammy winner”, ou só ser indicado, carrega pra sempre. Pro fã do metal é uma alegria. Mas quando uma banda de um estilo que é um nicho e quer fazer algo mais mainstream, fica mais legal falar que é um “grammy winner”. Principalmente nos Estados Unidos, isso soma bastante. Soma mesmo.

E foi a primeira vez em que você foi a um Grammy?
Foi a primeira vez que fui ao Grammy e fiquei desde cedo. Tem a pré-premiação, que foi a que a gente participou, com as categorias que não passam ao vivo na TV. E tem de tudo, de Melhor Música Infantil até Melhor Maestro. E a gente tava na categoria 69, o Dave até fez uma piadinha sobre isso na hora. É tudo impressionante. Numa mesma noite, eu vi todo mundo do pop. Vem Adele, Bruno Mars, Katy Perry... todo mundo tava ali e a gente estava sentado num lugar muito bom. A produção é ótima, apesar do microfone do Metallica não ter funcionado – é um erro crasso. O palco é muito grande, então eles montam o palco de um artista, já vão montando outro do outro lado, faz a pausa pro comercial e já chama outro... é o que o norte-americano saber fazer, né, a parte do show business.

Acompanhou as performances? Qual foi a melhor, na sua opinião?
Adele, obviamente. Ele teve um problema na segunda música, entrou desafinada, mas em “Hello” foi bem, muito boa. Ao vivo você vê que é impressionante. Bruno Mars também foi ótimo, som super redondo. Mas todas, na verdade, são demais. O Metallica teve o lance do microfone... e eu não gostei daquela galera nada a ver no palco agitando de head banger. Parecia uma aula de zumba, de academia. Aquelas modelos vestidas de roqueiras, agitando, em vez de colocar fã de verdade. Aquilo ficou caricato. Mas a Lady Gaga é super divertida. Pô, canta com Tony Bennett, com Metallica... é uma grande personagem. O Ed Sheeran também que faz o lance todo sozinho e é muito difícil. Mas o que ficou na minha cabeça foi ao Bruno Mars e a qualidade da banda dele.

GRAMMY CONSAGRA E, AO MESMO TEMPO, PREJUDICA ADELE AO VIVO - DE NOVO

Alguma história curiosa dos bastidores?
Nenhuma em especial, na verdade. O legal mesmo é estar ali no meio, na nata da indústria musical mundial, né. Cê passa pelos artistas, por produtores que são muito bons e a galera nem conhece o rosto. Ah, o trâmite todo é interessante e muita gente não faz ideia. A estatueta que você recebe ali não é a que você leva pra casa, porque não tem seu nome gravado, né... ninguém sabe quem vai ganhar. Então você sai do palco, uma pessoa com luvinha branca te entrega outra pra você fazer foto, aí entra por um corredor, tira outra foto com outra estatueta, pega outro corredor – tudo bonito e tal – e vai pra outra sala pra entrevista coletiva e depois tira outra foto, que é a oficial. Depois tem outra entrevista e vai pra uma sala VIP onde tem os comes e bebes. Você faz uma tour e a cada momento você tá com um gramofonezinho. Ficam essas pessoas de luvinha branca, limpando as estatuetas, e te entregando. É um compromisso, né... cê acaba perdendo um monte de coisa da festa, mas é interessante. E na hora em que a gente foi receber o prêmio, tocou uma música do Metallica – e as pessoas sabem que tem uma história entre as duas bandas [Dave Mustaine foi expulso do Metallica e fundou o Megadeth em 1983]. Isso foi muito comentado na internet, quem acompanha encarou como uma gafe. Na real, ninguém sabia quem ia ganhar. Os caras da banda de suporte ali no palco devem ter escolhido o som do Metallica porque era o grande nome metal da noite, ia tocar depois com a Lady Gaga e tal, e não pensaram que poderia pegar mal. Depois o próprio Dave falou no Twitter que não era culpa da banda, tirou um sarro: “Não dá pra gente culpar a banda por não saber tocar Megadeth”.

Mas "ganhar um Grammy" era um assunto, internamente, na banda? Havia uma expectativa?
Era um assunto só quando a gente foi mesmo indicado, antes não era. Mas eu pensei nisso. O disco saiu em janeiro de 2016 e ficou em 3º lugar no Billboard 200. Era Adele, Justin Bieber e metal, né, Megadeth, foi um marco pra banda. Na parada de rock a gente ficou em primeiro. E no Canadá a gente ficou na frente do Bieber, em segundo e ele em terceiro. A gente sabe que é difícil, mas quando rola um reconhecimento de vendas, de ranking, de fãs elogiando... aí eu pensei nessa possibilidade sim.

E quais são os planos da banda, pós-Grammy?
A gente tem uma turnê já sendo fechada. Maio na Ásia, junho e julho nos festivais de verão nos Estados Unidos, agosto na Europa e setembro e outubro nos Estados Unidos de novo. Talvez tenha novembro e dezembro, mas nada confirmado. E a gente vai fazer um camp, uma experiência com os fãs. Vai ser na casa do Dave na Califórnia e os fãs vão passar o final de semana com a banda. Eu já fiz camp de guitarra, né, com aulas. A galera passa dois, três dias tendo aulas. Mas assim, com banda, não. Lá vai ter o lance musical, com shows acústicos e um tocando Symphony of Destruction [single clássico da banda, de 1992], vai ter aula também, vai ter degustação da cerveja do Megadeth, do café do David [Ellefson Coffee Co], a gente vai juntar os fãs pra bater papo e contar histórias. Isso vai ser agora em março, enquanto a turnê não começa.

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Marília Mendonça
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Sorte Que Cê Beija Bem
Maiara & Maraísa
4
Eu Era
Marcos & Belutti
5
Vidinha De Balada
Henrique & Juliano
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Kiko Loureiro, o brasileiro guitarrista do Megadeth – e ganhador do Grammy

A Billboard Brasil conversou com o músico, que ganhou Grammy e esteve na festa no último domingo

por Marcos Lauro em 15/02/2017

Adele, Beyoncé, Rihanna curtindo horrores na plateia, Bruno Mars... no último domingo vimos a nata do pop na TV durante o Grammy. Mas pouca gente viu um brasileiro ali no meio da festa. Ele não só viu tudo de perto como saiu com sua estatueta de lá. O Megadeth, banda veterana do metal da qual Kiko faz parte desde o começo de 2015.

ADELE É A GRANDE GANHADORA DO GRAMMY; VEJA A LISTA DOS VENCEDORES

Assim que entrou, Kiko já acompanhou a banda nos trabalhos de Dystopia, seu mais recente álbum, lançado em 2016. E desse disco saiu a faixa homônima que levou o prêmio de Melhor Performance do Metal e fez com que o guitarrista acompanhasse de perto – e ganhasse – seu primeiro Grammy.

A Billboard Brasil conversou com o músico, que revelou detalhes dos bastidores da festa:

megadeth-internaDirk Verbeuren (bateria), Dave Mustaine (vocal e guitarra), David Ellefson (baixo) e Kiko Loureiro (guitarra) - Divulgação

Depois de 12 indicações, esse é o primeiro Grammy do Megadeth. Qual era a chance real de ganhar? 
A banda já foi indicada 12 vezes e finalmente ganhou! E quando rolou a indicação, o Dave Mustaine falou que nem queria ir porque nunca ganhava. A banda já foi outras vezes à premiação e ficava uma sensação ruim de estar lá, com aquela pompa toda, e não serem escolhidos. Mas como não estávamos em turnê, deu pra ir e fomos confiantes. O Dave e o David [Ellefson, baixista], que estão desde o começo da banda, estão muito felizes pelo reconhecimento. No Brasil a gente tem noção do que é o Grammy, mas só aqui nos Estados Unidos a gente sente como é forte. É realmente o Oscar da música e é difícil mesmo ganhar, né... às vezes a Academia pode votar numa banda mais nova porque está numa pegada de revelar talentos, teve isso nos anos anteriores. Mas às vezes votam nuns nomes mais reconhecidos. Agora, por exemplo, teve Grammy pro David Bowie. Nas categorias de metal teve prêmio pro Korn, que já tem alguns anos mas tem uma pegada mais moderna no som.

E como é pra você entrar na banda e já receber um prêmio desse?
Pra mim é demais vivenciar tudo, né, as coisas que a gente só via pela televisão, do Brasil, de longe. Eu toquei com o Angra em grandes festivais, mas com o Megadeth a gente toca como headliner. A gente tocou antes do Black Sabbath na última turnê, por exemplo, em vários shows. A gente trabalha com 25 pessoas no dia a dia e 120 pessoas em toda a equipe, é uma coisa muito grande. E é demais estar no Grammy, sabe, subir no palco, receber o prêmio, fazer aquele circuito de tirar foto, entrevistas... tem o tapete vermelho antes, aquela coisa toda. Pra mim foi um barato. A minha intenção na banda é trabalhar não só na música, mas na parte psicológica também, de buscar, somar, criar. O clima está muito bom, todo mundo criativo, produtivo. Quando a banda tem muito tempo de carreira tem isso né. E o Grammy é o grande reconhecimento do trabalho feito nesse disco.

O metal é bem representado no Grammy? É um prêmio relevante pro gênero?
O prêmio é muito relevante no mercado da música e serve pra abrir portas. Você quando vira um “grammy winner”, ou só ser indicado, carrega pra sempre. Pro fã do metal é uma alegria. Mas quando uma banda de um estilo que é um nicho e quer fazer algo mais mainstream, fica mais legal falar que é um “grammy winner”. Principalmente nos Estados Unidos, isso soma bastante. Soma mesmo.

E foi a primeira vez em que você foi a um Grammy?
Foi a primeira vez que fui ao Grammy e fiquei desde cedo. Tem a pré-premiação, que foi a que a gente participou, com as categorias que não passam ao vivo na TV. E tem de tudo, de Melhor Música Infantil até Melhor Maestro. E a gente tava na categoria 69, o Dave até fez uma piadinha sobre isso na hora. É tudo impressionante. Numa mesma noite, eu vi todo mundo do pop. Vem Adele, Bruno Mars, Katy Perry... todo mundo tava ali e a gente estava sentado num lugar muito bom. A produção é ótima, apesar do microfone do Metallica não ter funcionado – é um erro crasso. O palco é muito grande, então eles montam o palco de um artista, já vão montando outro do outro lado, faz a pausa pro comercial e já chama outro... é o que o norte-americano saber fazer, né, a parte do show business.

Acompanhou as performances? Qual foi a melhor, na sua opinião?
Adele, obviamente. Ele teve um problema na segunda música, entrou desafinada, mas em “Hello” foi bem, muito boa. Ao vivo você vê que é impressionante. Bruno Mars também foi ótimo, som super redondo. Mas todas, na verdade, são demais. O Metallica teve o lance do microfone... e eu não gostei daquela galera nada a ver no palco agitando de head banger. Parecia uma aula de zumba, de academia. Aquelas modelos vestidas de roqueiras, agitando, em vez de colocar fã de verdade. Aquilo ficou caricato. Mas a Lady Gaga é super divertida. Pô, canta com Tony Bennett, com Metallica... é uma grande personagem. O Ed Sheeran também que faz o lance todo sozinho e é muito difícil. Mas o que ficou na minha cabeça foi ao Bruno Mars e a qualidade da banda dele.

GRAMMY CONSAGRA E, AO MESMO TEMPO, PREJUDICA ADELE AO VIVO - DE NOVO

Alguma história curiosa dos bastidores?
Nenhuma em especial, na verdade. O legal mesmo é estar ali no meio, na nata da indústria musical mundial, né. Cê passa pelos artistas, por produtores que são muito bons e a galera nem conhece o rosto. Ah, o trâmite todo é interessante e muita gente não faz ideia. A estatueta que você recebe ali não é a que você leva pra casa, porque não tem seu nome gravado, né... ninguém sabe quem vai ganhar. Então você sai do palco, uma pessoa com luvinha branca te entrega outra pra você fazer foto, aí entra por um corredor, tira outra foto com outra estatueta, pega outro corredor – tudo bonito e tal – e vai pra outra sala pra entrevista coletiva e depois tira outra foto, que é a oficial. Depois tem outra entrevista e vai pra uma sala VIP onde tem os comes e bebes. Você faz uma tour e a cada momento você tá com um gramofonezinho. Ficam essas pessoas de luvinha branca, limpando as estatuetas, e te entregando. É um compromisso, né... cê acaba perdendo um monte de coisa da festa, mas é interessante. E na hora em que a gente foi receber o prêmio, tocou uma música do Metallica – e as pessoas sabem que tem uma história entre as duas bandas [Dave Mustaine foi expulso do Metallica e fundou o Megadeth em 1983]. Isso foi muito comentado na internet, quem acompanha encarou como uma gafe. Na real, ninguém sabia quem ia ganhar. Os caras da banda de suporte ali no palco devem ter escolhido o som do Metallica porque era o grande nome metal da noite, ia tocar depois com a Lady Gaga e tal, e não pensaram que poderia pegar mal. Depois o próprio Dave falou no Twitter que não era culpa da banda, tirou um sarro: “Não dá pra gente culpar a banda por não saber tocar Megadeth”.

Mas "ganhar um Grammy" era um assunto, internamente, na banda? Havia uma expectativa?
Era um assunto só quando a gente foi mesmo indicado, antes não era. Mas eu pensei nisso. O disco saiu em janeiro de 2016 e ficou em 3º lugar no Billboard 200. Era Adele, Justin Bieber e metal, né, Megadeth, foi um marco pra banda. Na parada de rock a gente ficou em primeiro. E no Canadá a gente ficou na frente do Bieber, em segundo e ele em terceiro. A gente sabe que é difícil, mas quando rola um reconhecimento de vendas, de ranking, de fãs elogiando... aí eu pensei nessa possibilidade sim.

E quais são os planos da banda, pós-Grammy?
A gente tem uma turnê já sendo fechada. Maio na Ásia, junho e julho nos festivais de verão nos Estados Unidos, agosto na Europa e setembro e outubro nos Estados Unidos de novo. Talvez tenha novembro e dezembro, mas nada confirmado. E a gente vai fazer um camp, uma experiência com os fãs. Vai ser na casa do Dave na Califórnia e os fãs vão passar o final de semana com a banda. Eu já fiz camp de guitarra, né, com aulas. A galera passa dois, três dias tendo aulas. Mas assim, com banda, não. Lá vai ter o lance musical, com shows acústicos e um tocando Symphony of Destruction [single clássico da banda, de 1992], vai ter aula também, vai ter degustação da cerveja do Megadeth, do café do David [Ellefson Coffee Co], a gente vai juntar os fãs pra bater papo e contar histórias. Isso vai ser agora em março, enquanto a turnê não começa.