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Lou Reed - Uma vida Rock'N'Roll

por em 09/04/2013
Solo ou à frente do Velvet Underground, ele levou o rock para passeios selvagens...  e mais cultos, POR JOE LEVY Em 1964, pouco depois de se formar na Syracuse University, Lou Reed arrumou um emprego na indústria da música. Reed – que havia tocado covers numa banda de faculdade chamada LA & the Eldorados (seu nome de batismo era Lewis Allen Reed) – tinha uma conexão passional com o rock’n’roll dos primeiros anos, e já tinha tentado o doo-wop quando adolescente. Ele queria abrir caminho como compositor na Pickwick Records, um edifício cinza em Coney Island, Brooklyn. Assim como seu futuro mentor, Andy Warhol, mirava entre a inspiração e o trabalho em uma fábrica, só que com música pop em vez de pop art.  Diz a lenda que Lou Reed – ajudado por inspiração química – foi para o estúdio da Pickwick uma noite, para gravar várias faixas, incluindo uma música de instrução de dança chamada “The Ostrich” (o avestruz). Trecho da letra: “Você dá um passo para frente/ Você pisa em sua cabeça/ Dance a dança do avestruz!”. A Pickwick lançou o single, e a banda reunida para promovê-lo acabaria por se tornar o Velvet Underground. Trabalhando com John Cale, um violista galês de formação clássica envolvido com o mundo emergente do minimalismo de Nova York, Reed encontrou um som que unia a guitarra base do R&B e os zumbidos avant-garde, e que se recusava a reconhecer uma diferença entre repetição e revelação. Isso abriu um oceano de possibilidades, tão inesgotáveis quanto as verdades que Reed cresceu ouvindo.  Lançado em 1967, o primeiro álbum do Velvet Underground é conhecido por seu impacto, que foi mais imediato do que se imaginava (Mick Jagger disse uma vez que os Rolling Stones roubaram o som do primeiro LP para “Stray Cat Blues” em Beggars Banquet, de 1968), e continua até hoje. Tão influentes quanto o groove da Motown que conquistou o mundo, ou a habilidade pop dos Beatles, a transgressão e a transcendência do Velvet Underground geraram quatro álbuns de estúdio de 1967 a 1970, e moveram gerações de músicos que vieram depois – gente como David Bowie, R.E.M. e U2, que levou o que aprendeu ao topo das paradas.  Esse não foi o caso com o Velvet. Aquele álbum de estreia em 1967 não passou da 171ª posição no Billboard 200. No verão do amor, o Velvet Underground tinha, como uma canção deles diria mais tarde, “deixado a luz do sol do lado de fora, e dito ‘olá’ para o nunca”. Muito foi comentado sobre as incursões de Reed pelo submundo das drogas, do sadomasoquismo e dos sentimentos sombrios. Mas ele mesmo se recusou a ver isso de maneira mais simples: se você podia falar de drogas e sexo na literatura e nos filmes, por que não no rock’n’roll? (Ele expos seu panteão literário e uma introdução de “Street Hassle” no álbum ao vivo de 2004, Animal Serenade: “William Burroughs, Hu- bert Selby, John Rechy, Tennessee Williams, Nelson Algren – talvez um pouco de Raymond Chandler”.) A fusão que Reed fazia entre a linguagem da arte mais elevada e o modo de falar dos marginais das ruas – que, assim como sua exploração de turbilhões emocionais e da redenção pelo amor, continuou durante as mais de quatro décadas de sua carreira – era tão surpreendente quanto contundente.  Quando ele saiu do Velvet Underground, em 1970, ficou recolhido na casa da família em Long Island, trabalhando como datilógrafo para seu pai, que era contador. O primeiro álbum solo (em junho de 1972) era uma recriação turva de músicas feitas para o Velvet, mas Transformer – produzido por seu discípulo David Bowie – foi lançado seis meses depois.   Um documento fundamental do glam rock, o álbum continha duas das músicas mais duradouras de Reed: “Walk On The Wild Side”, que coloca prostitutas, travestis e viciados em anfetaminas como os apresentados em filmes de Warhol (como Trash) ao som de música, e “Perfect Day”, que, como diz a Ann Powers, da NPR, se tornou o equivalente de Reed para “Hallelujah”, de Leonard Cohen – tão amada e que mereceu tantas covers, que suas agonias por vezes passaram batido. Emily Haines, do Metric, disse à uma publicação especializada que, quando ela a cantou para Reed, ele disse: “Você precisa trazer mais dor à música. Você não está cantando sobre uma droga de piquenique!” (e esta era uma versão da qual ele gostava).  “Walk On The Wild Side” se tornou a única faixa de Reed a chegar ao Hot 100, alcançando a 16ª posição, enquanto Transformer teve sua melhor performance no 29º lugar. Na sequência do álbum, Reed criou um doloroso ciclo de canções sobre vício em drogas, prostituição e abuso infantil chamado Berlin. Foi uma jogada interpretada como perversa, esmagando qualquer impulso comercial em potencial – ci- clo que Reed repetiria ao longo de toda sua carreira, e que talvez não fosse intencional. Anos depois, ele disse a Bill Bentley, seu assessor de imprensa dos tempos da gravadora Sire, que conhecia gente que sempre queria ouvir a próxima “Walk On The Wild Side”. “Ele respondia: ‘Billy, eu a comporia, se pudesse”, contou Bentley a Terry Gross, do NPR. “Era verdade. Se ele achasse que pudesse compor outra, teria feito.”  “Os álbuns eram cartas”, disse Reed certa vez sobre seu tra- balho. “Cartas de verdade, de mim para determinadas pessoas. Que tinham e ainda têm, basicamente, nenhuma música, seja verbal ou instrumental, para ouvir” (Ele disse isso, ironicamente, no encarte de Metal Machine Music, de muitos modos o álbum menos pessoal que ele já fez, embora parte de seu objetivo era que os 64 minutos de microfonia instrumental brutal e zumbidos fossem a trilha sonora para uma vida vivida fora dos limites). Ao longo dos anos 70, ele tentou álbuns tanto comerciais como experimentais, às vezes oscilando muito entre esses extremos.  Mas em 1982, aos 40 anos, ele deu uma virada que o impulsionou pelo resto de sua carreira. Casado com Sylvia Morales, que também era sua empresária, largou o álcool e as drogas em favor de sua guitarra. Foi encorajado a fazer isso por Robert Quine, fã ardoroso do Velvet Underground (cujas gravações piratas pessoais de shows seriam lançadas em três CDs, em 2001), e que havia ajudado a dar à luz o punk de Nova York, quando tocou com Richard Hell & the Voidoids. Em três álbuns notáveis – The Blue Mask, Legendary Hearts e New Sensations –, Reed estabeleceu um som que é igualmente cálido e brutal. Guiado pelo baixo sutil de Fernando Saunders, ele passaria a adotá-lo pelos 31 anos seguintes.  Em 1990, Reed e Cale se reuniram para um tributo a Warhol, com Songs For Drella. Três anos depois, em uma exibição de Warhol em Paris, o Velvet Underground se apresentou em uma reunião espontânea, subindo ao palco para pegar os instrumen- tos de outra banda, e tocar “Heroin”. Uma turnê e um álbum ao vivo foram lançados na sequência. A esta altura, Reed havia mesclado os mundos da alta cultura e do rock’n’roll da maneira como ele sempre havia imaginado que seria possível. A Hyperion publicou um livro de capa dura com suas letras (que ficaram bem nas páginas), ele fez parceria com o diretor Robert Wilson em um projeto de teatro avant-garde, e Vaclav Havel disse que não teria se tornado presidente da Checoslováquia sem ele.  Ao mesmo tempo, Reed lançou um de seus melhores álbuns, Set The Twilight Reeling, de 1996 (uma oferenda de amor para a artista performática Laurie Anderson, com quem ele se envolveu depois que seu casamento com Sylvia acabou, e com quem se casou em 2008), e sua influência se tornou evidente em ondas sucessivas de bandas de rock, do Nirvana (que fez cover de “Here She Comes Now”) aos Strokes (que basearam a faixa- -título de seu álbum de estreia, “Is This It”, na música “I Found A Reason”, do Velvet.  Ao longo dos 46 anos de sua carreira em estúdio, Reed co- locou 23 álbuns na parada Billboard 200 (além de cinco com o Velvet Underground). Ele vendeu 1,6 milhão de álbuns na era do Nielsen SoundScan (desde 1991), com o Velvet sendo responsável por mais 2,1 milhões. A última aparição nas paradas foi a colaboração com o Metallica, Lulu. O álbum foi lançado em 2011, e estreou na 36ª posição do Billboard 200, seu álbum a atingir a mais alta posição desde que Sally Can’t Dance, de 1974, chegou ao 10º lugar – trabalho com melhor performance na lista. Em junho, foi revelado que Reed havia passado por um transplante de fígado dois meses antes. “Sou um triunfo das modernas medicina, física e química. Estou maior e mais forte do que nunca”, escreveu Reed em sua página no Facebook. “Estou ansioso para estar no palco tocando, e compondo mais músicas para me conectar com seus corações e espíritos e com o universo ao longo do futuro.” Mas, nos últimos meses, as coisas deram uma guinada para pior. Ele morreu no dia 27 de outubro em sua casa, em Amagansett, N.Y., em Long Island, aos 71 anos. “Eu quero alguma mágica para me manter vivo, eu quero um milagre”, cantou Reed em “The Magician,” uma das muitas músicas que ele compôs sobre morte e perda. Para Reed, esse milagre é sua música, a mesma coisa que ele disse uma vez, atribuindo a salvação de sua vida à música “Rock & Roll”, que ele reconheceu ser autobiográfica. E a música continua: no dia 3 de dezembro, a Universal vai lançar uma edição expandida com três discos a mais do segundo álbum do Velvet Underground, White Light/White Heat. IMPACTO IMEDIATO, por Keith Caulfield O catálogo de Lou Reed registrou aumento expressivo nas vendas após sua morte, em 27 de outubro. Uma vez que a semana de aferição do Nielsen SoundScan terminou no mesmo dia, as paradas refletem menos de 24 horas de atividades de venda logo após o falecimento do ícone do rock.  607% O catálogo de álbuns de Reed vendeu três mil unidades na semana, um aumento de 607% em relação aos menos de mil da semana anterior. Reed surgiu pela primeira vez como integrante da banda Velvet Underground, cujos álbuns venderam três mil cópias, um salto de 236%. O álbum mais vendido de Reed na semana anterior foi Transformer. 590% Lou Reed vendeu 17 mil downloads, subindo como um foguete em relação aos dois mil comercializados na semana anterior (um ganho de 590%). As vendas da música do Velvet Underground cresceram para cinco mil, um aumento de 410%. A faixa mais vendida de Reed na semana foi “Walk On The Wild Side”. 3.000% No Spotify, o catálogo de músicas do artista teve um aumento de 3.000% em streams no mundo todo, nas 12 horas que se seguiram à notícia de sua morte. 23.610% As exibições da página de Lou Reed na Wikipedia explodiram no dia de sua morte, subindo de quatro mil, em 26 de outubro, para 881 mil no dia seguinte (um aumento impressionante de 23.610%). As exibições continuaram de forma bastante constante no dia 28 de outubro: 824 mil. -
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Lou Reed - Uma vida Rock'N'Roll

por em 09/04/2013
Solo ou à frente do Velvet Underground, ele levou o rock para passeios selvagens...  e mais cultos, POR JOE LEVY Em 1964, pouco depois de se formar na Syracuse University, Lou Reed arrumou um emprego na indústria da música. Reed – que havia tocado covers numa banda de faculdade chamada LA & the Eldorados (seu nome de batismo era Lewis Allen Reed) – tinha uma conexão passional com o rock’n’roll dos primeiros anos, e já tinha tentado o doo-wop quando adolescente. Ele queria abrir caminho como compositor na Pickwick Records, um edifício cinza em Coney Island, Brooklyn. Assim como seu futuro mentor, Andy Warhol, mirava entre a inspiração e o trabalho em uma fábrica, só que com música pop em vez de pop art.  Diz a lenda que Lou Reed – ajudado por inspiração química – foi para o estúdio da Pickwick uma noite, para gravar várias faixas, incluindo uma música de instrução de dança chamada “The Ostrich” (o avestruz). Trecho da letra: “Você dá um passo para frente/ Você pisa em sua cabeça/ Dance a dança do avestruz!”. A Pickwick lançou o single, e a banda reunida para promovê-lo acabaria por se tornar o Velvet Underground. Trabalhando com John Cale, um violista galês de formação clássica envolvido com o mundo emergente do minimalismo de Nova York, Reed encontrou um som que unia a guitarra base do R&B e os zumbidos avant-garde, e que se recusava a reconhecer uma diferença entre repetição e revelação. Isso abriu um oceano de possibilidades, tão inesgotáveis quanto as verdades que Reed cresceu ouvindo.  Lançado em 1967, o primeiro álbum do Velvet Underground é conhecido por seu impacto, que foi mais imediato do que se imaginava (Mick Jagger disse uma vez que os Rolling Stones roubaram o som do primeiro LP para “Stray Cat Blues” em Beggars Banquet, de 1968), e continua até hoje. Tão influentes quanto o groove da Motown que conquistou o mundo, ou a habilidade pop dos Beatles, a transgressão e a transcendência do Velvet Underground geraram quatro álbuns de estúdio de 1967 a 1970, e moveram gerações de músicos que vieram depois – gente como David Bowie, R.E.M. e U2, que levou o que aprendeu ao topo das paradas.  Esse não foi o caso com o Velvet. Aquele álbum de estreia em 1967 não passou da 171ª posição no Billboard 200. No verão do amor, o Velvet Underground tinha, como uma canção deles diria mais tarde, “deixado a luz do sol do lado de fora, e dito ‘olá’ para o nunca”. Muito foi comentado sobre as incursões de Reed pelo submundo das drogas, do sadomasoquismo e dos sentimentos sombrios. Mas ele mesmo se recusou a ver isso de maneira mais simples: se você podia falar de drogas e sexo na literatura e nos filmes, por que não no rock’n’roll? (Ele expos seu panteão literário e uma introdução de “Street Hassle” no álbum ao vivo de 2004, Animal Serenade: “William Burroughs, Hu- bert Selby, John Rechy, Tennessee Williams, Nelson Algren – talvez um pouco de Raymond Chandler”.) A fusão que Reed fazia entre a linguagem da arte mais elevada e o modo de falar dos marginais das ruas – que, assim como sua exploração de turbilhões emocionais e da redenção pelo amor, continuou durante as mais de quatro décadas de sua carreira – era tão surpreendente quanto contundente.  Quando ele saiu do Velvet Underground, em 1970, ficou recolhido na casa da família em Long Island, trabalhando como datilógrafo para seu pai, que era contador. O primeiro álbum solo (em junho de 1972) era uma recriação turva de músicas feitas para o Velvet, mas Transformer – produzido por seu discípulo David Bowie – foi lançado seis meses depois.   Um documento fundamental do glam rock, o álbum continha duas das músicas mais duradouras de Reed: “Walk On The Wild Side”, que coloca prostitutas, travestis e viciados em anfetaminas como os apresentados em filmes de Warhol (como Trash) ao som de música, e “Perfect Day”, que, como diz a Ann Powers, da NPR, se tornou o equivalente de Reed para “Hallelujah”, de Leonard Cohen – tão amada e que mereceu tantas covers, que suas agonias por vezes passaram batido. Emily Haines, do Metric, disse à uma publicação especializada que, quando ela a cantou para Reed, ele disse: “Você precisa trazer mais dor à música. Você não está cantando sobre uma droga de piquenique!” (e esta era uma versão da qual ele gostava).  “Walk On The Wild Side” se tornou a única faixa de Reed a chegar ao Hot 100, alcançando a 16ª posição, enquanto Transformer teve sua melhor performance no 29º lugar. Na sequência do álbum, Reed criou um doloroso ciclo de canções sobre vício em drogas, prostituição e abuso infantil chamado Berlin. Foi uma jogada interpretada como perversa, esmagando qualquer impulso comercial em potencial – ci- clo que Reed repetiria ao longo de toda sua carreira, e que talvez não fosse intencional. Anos depois, ele disse a Bill Bentley, seu assessor de imprensa dos tempos da gravadora Sire, que conhecia gente que sempre queria ouvir a próxima “Walk On The Wild Side”. “Ele respondia: ‘Billy, eu a comporia, se pudesse”, contou Bentley a Terry Gross, do NPR. “Era verdade. Se ele achasse que pudesse compor outra, teria feito.”  “Os álbuns eram cartas”, disse Reed certa vez sobre seu tra- balho. “Cartas de verdade, de mim para determinadas pessoas. Que tinham e ainda têm, basicamente, nenhuma música, seja verbal ou instrumental, para ouvir” (Ele disse isso, ironicamente, no encarte de Metal Machine Music, de muitos modos o álbum menos pessoal que ele já fez, embora parte de seu objetivo era que os 64 minutos de microfonia instrumental brutal e zumbidos fossem a trilha sonora para uma vida vivida fora dos limites). Ao longo dos anos 70, ele tentou álbuns tanto comerciais como experimentais, às vezes oscilando muito entre esses extremos.  Mas em 1982, aos 40 anos, ele deu uma virada que o impulsionou pelo resto de sua carreira. Casado com Sylvia Morales, que também era sua empresária, largou o álcool e as drogas em favor de sua guitarra. Foi encorajado a fazer isso por Robert Quine, fã ardoroso do Velvet Underground (cujas gravações piratas pessoais de shows seriam lançadas em três CDs, em 2001), e que havia ajudado a dar à luz o punk de Nova York, quando tocou com Richard Hell & the Voidoids. Em três álbuns notáveis – The Blue Mask, Legendary Hearts e New Sensations –, Reed estabeleceu um som que é igualmente cálido e brutal. Guiado pelo baixo sutil de Fernando Saunders, ele passaria a adotá-lo pelos 31 anos seguintes.  Em 1990, Reed e Cale se reuniram para um tributo a Warhol, com Songs For Drella. Três anos depois, em uma exibição de Warhol em Paris, o Velvet Underground se apresentou em uma reunião espontânea, subindo ao palco para pegar os instrumen- tos de outra banda, e tocar “Heroin”. Uma turnê e um álbum ao vivo foram lançados na sequência. A esta altura, Reed havia mesclado os mundos da alta cultura e do rock’n’roll da maneira como ele sempre havia imaginado que seria possível. A Hyperion publicou um livro de capa dura com suas letras (que ficaram bem nas páginas), ele fez parceria com o diretor Robert Wilson em um projeto de teatro avant-garde, e Vaclav Havel disse que não teria se tornado presidente da Checoslováquia sem ele.  Ao mesmo tempo, Reed lançou um de seus melhores álbuns, Set The Twilight Reeling, de 1996 (uma oferenda de amor para a artista performática Laurie Anderson, com quem ele se envolveu depois que seu casamento com Sylvia acabou, e com quem se casou em 2008), e sua influência se tornou evidente em ondas sucessivas de bandas de rock, do Nirvana (que fez cover de “Here She Comes Now”) aos Strokes (que basearam a faixa- -título de seu álbum de estreia, “Is This It”, na música “I Found A Reason”, do Velvet.  Ao longo dos 46 anos de sua carreira em estúdio, Reed co- locou 23 álbuns na parada Billboard 200 (além de cinco com o Velvet Underground). Ele vendeu 1,6 milhão de álbuns na era do Nielsen SoundScan (desde 1991), com o Velvet sendo responsável por mais 2,1 milhões. A última aparição nas paradas foi a colaboração com o Metallica, Lulu. O álbum foi lançado em 2011, e estreou na 36ª posição do Billboard 200, seu álbum a atingir a mais alta posição desde que Sally Can’t Dance, de 1974, chegou ao 10º lugar – trabalho com melhor performance na lista. Em junho, foi revelado que Reed havia passado por um transplante de fígado dois meses antes. “Sou um triunfo das modernas medicina, física e química. Estou maior e mais forte do que nunca”, escreveu Reed em sua página no Facebook. “Estou ansioso para estar no palco tocando, e compondo mais músicas para me conectar com seus corações e espíritos e com o universo ao longo do futuro.” Mas, nos últimos meses, as coisas deram uma guinada para pior. Ele morreu no dia 27 de outubro em sua casa, em Amagansett, N.Y., em Long Island, aos 71 anos. “Eu quero alguma mágica para me manter vivo, eu quero um milagre”, cantou Reed em “The Magician,” uma das muitas músicas que ele compôs sobre morte e perda. Para Reed, esse milagre é sua música, a mesma coisa que ele disse uma vez, atribuindo a salvação de sua vida à música “Rock & Roll”, que ele reconheceu ser autobiográfica. E a música continua: no dia 3 de dezembro, a Universal vai lançar uma edição expandida com três discos a mais do segundo álbum do Velvet Underground, White Light/White Heat. IMPACTO IMEDIATO, por Keith Caulfield O catálogo de Lou Reed registrou aumento expressivo nas vendas após sua morte, em 27 de outubro. Uma vez que a semana de aferição do Nielsen SoundScan terminou no mesmo dia, as paradas refletem menos de 24 horas de atividades de venda logo após o falecimento do ícone do rock.  607% O catálogo de álbuns de Reed vendeu três mil unidades na semana, um aumento de 607% em relação aos menos de mil da semana anterior. Reed surgiu pela primeira vez como integrante da banda Velvet Underground, cujos álbuns venderam três mil cópias, um salto de 236%. O álbum mais vendido de Reed na semana anterior foi Transformer. 590% Lou Reed vendeu 17 mil downloads, subindo como um foguete em relação aos dois mil comercializados na semana anterior (um ganho de 590%). As vendas da música do Velvet Underground cresceram para cinco mil, um aumento de 410%. A faixa mais vendida de Reed na semana foi “Walk On The Wild Side”. 3.000% No Spotify, o catálogo de músicas do artista teve um aumento de 3.000% em streams no mundo todo, nas 12 horas que se seguiram à notícia de sua morte. 23.610% As exibições da página de Lou Reed na Wikipedia explodiram no dia de sua morte, subindo de quatro mil, em 26 de outubro, para 881 mil no dia seguinte (um aumento impressionante de 23.610%). As exibições continuaram de forma bastante constante no dia 28 de outubro: 824 mil. -