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Maestro Billy lança álbum de música eletrônica com sons gravados nas ruas

Colunista da Billboard Brasil gravou na Holanda, Inglaterra, em Portugal, Alemanha e outros países

por Marcos Lauro em 06/05/2017

O produtor Maestro Billy está quase sempre com um gravador no bolso. Quando não, usa o celular. Com isso, ele está sempre registrando os sons das cidades por onde passa.

Com todo esse material acumulado, chegou a hora do produtor mexer nos sons e fazer música. O resultado final está no álbum Commute, lançado na última sexta-feira (05/05).

Conhecido por seus trabalhos na Rádio Jovem Pan (Pânico) e na TV Globo (Caldeirão do Hulk), Billy hoje mora em Berlim, na Alemanha, e trabalha com produções de som 3D e sound design, teoria em que o novo álbum é baseado. “Todos esses lugares têm uma sound impression, uma característica peculiar em termos de ambiente e som, que capturei e criei música sobre ele”, explica Billy.

“Uma vez eu estava dentro do metrô de Londres e comecei a gravar. No trem em que eu estava, os anúncios de áudio saíam de uma maneira estranha. Estavam dobrados, como se tivesse um delay na voz, mas era um erro de sincronização dos falantes. Quando voltei pro estúdio, achei o BPM do atraso e coloquei uma batida por baixo da voz. Então, criei uma música que emula um processo de andar dentro de uma estação de metrô”, explica o produtor sobre o processo de gravação de uma das faixas.

E atenção produtores e compositores: Prestem bastante atenção na faixa “Caipirinha”. Em breve, vamos lançar um concurso para escolher a melhor letra composta para a faixa e a música será lançada pelo próprio Maestro Billy, em parceria com a Billboard Brasil.

Ouça o álbum e leia, abaixo, um faixa-a-faixa feito pelo próprio Maestro Billy.

“Mind the Gap”

A primeira. Você pode sentir todo o movimento dentro do metrô de Londres. Todos os sons são mixados com a música, e a própria música tem alguns trechos que podem ser facilmente encontrados dentro de uma estação, como alguém cantando, todos os barulhos e ruídos graves. Também as batidas foram intencionalmente feitas com distorção, para dar a sensação de que alguém está ouvindo com um alto-falante de baixa qualidade dentro do trem.

“Sound of Spheres”

Eu tinha esses sons do espaço e sou fascinado pela música do Vangelis. A ideia aqui é ter verdadeiros sons graves mega sinistros junto com este sentimento de "fora do espaço", para emular um passeio através de estrelas e planetas.

“Caipirinha”

Os vocais estão disponíveis em uma loja de samples, então eu trabalhei com o conceito de beber caipirinha. Muita caipirinha. Começa normal, uma batida com algum solo de guitarra, fica mais lento, o cara começa a cantar, ficar bêbado, a voz distorce, a música fica mais rápida, mais distorcida e então a bossa-nova vira esse Deep House de novo, mas agora com caipirinha dentro dela. Faça de conta que está mamado. E cante junto.

“Bombay Sunset”

Sempre quis fazer uma música que eu pudesse tocar apenas uma nota. Esse é o caso. Só toquei a primeira nota. Todo o resto é uma sucessão de loops agrupados. A ideia aqui é mostrar um conceito que eu acredito, que todos os sons podem funcionar com todos os sons. Só precisa de um ambiente amigável e um BPM fixo para todos eles se reunirem. Então eu tenho orquestras misturadas com pianos, bateria, tablas, sitaras, guitarras de jazz, scratches e efeitos. Todos eles vindo de loops pré-existentes. Mais aquela nota que eu toquei no começo (e que fica na musica toda).

“Amsterdam Centraal”

O ambiente é da estação central de Amsterdam. Estava lá esperando pelo meu trem e gravando. Os anúncios não são tão perceptíveis, mas as vozes das pessoas que chegam podem ser ouvidas como binaural. Além disso, a batida e a linha de baixo criaram um mix entre uma das primeiras músicas dance de sucesso, “I Feel Love” (Giorgio Moroder / Donna Summer) com o ritmo de um trem.

“Berlin”

Techno, óbvio. Com sons do metrô da cidade. Eu sempre ouvi os anúncios do metrô e pensei em criar algo com eles. Também a chegada do trem tem algumas frequências de som interessantes, que realcei com compressão e equalização dentro da canção.

“Namaste”

Essa música foi feita em um dia. A música é bastante simples, mas o processamento da voz é diferente. Você não percebe quando a voz ("Namasteeeeee") vira um instrumento de 8 bits e fica dentro da mix com distorção, processamento e looping. Aqui embaixo você pode ouvir só a voz. Que no final dá o clima todo da música.

“Love Maschine”

Minha primeira tentativa de fazer música de uma maneira diferente, sem teclado, usando apenas o Maschine da Native Instrument (tanto o DAW quanto o equipamento). Levei dois dias para mixar, mas o conceito foi muito fácil, era só feeling, nenhuma teoria visível em tudo. O Maschine fez toda a teoria para mim. Além disso, para os vocais, pedi em um post no Facebook pras pessoas escreverem suas palavras favoritas em Inglês. Passei algumas em um software de text-to-speech e rendeu três vozes sintetizadas. Durante este processo, notei que "love" era a palavra mais usada, e todas as outras palavras podiam se relacionar com ela. Então fiz os últimos versos para terminar em "love", Não há loops ou samples nela.

“Baixa-Chiado”

Minha segunda tentativa de usar outro DAW para o projeto, agora com Ignite. Eu gosto de sair do meu equipamento comum do dia-a-dia para criar. São diferentes sons, diferentes métodos de mixagem, criação, reprodução etc. Neste caso, como eu era novo no ambiente, decidi fazer um estilo "clássico" de Lounge Music. Mas com mais batidas, como as do início dos anos 00 do selo Naked Music. Amo esse conceito ostinato-minimalista de manter apenas uma linha de baixo e evoluir sobre ela com acordes diferentes e dissonantes. Como as canções New Order dos anos 80 (não comparando, apenas usando como referência). O sound design por baixo é uma caminhada através do metro de Lisboa. Que é muito mais tranquilo do que os de Londres ou Berlim. A canção evolui e o trem se aproxima, quando chega na plataforma vem um solo, lembrando de pessoas entrando e saindo do trem. A locutora diz "Próxima estação - Baixa-Chiado". Também há uma referência do Verão de Vivaldi durante a canção. Só pra dar um clima.

“Dark”

Essa música era para ser uma experiência sinestésica de um doce brasileiro. Sim, um bombom de chocolate escuro com sabor de laranja nele. Você primeiro toca a embalagem, a sensação de abrir, colocar na sua boca e sentir todos os sabores requintados nele. O solo de saxofone distorcido é o momento que você mastiga pela primeira vez. Você gosta tanto que você faz tudo de novo, agora com mais sabor em sua boca (a segunda parte da canção). Até porque você juntou dois bombons em uma bocada só.

“Psalm”

Gravei alguém rezando e cantando dentro de uma igreja no sul da Alemanha. Com meu celular. Depois de limpar e tratar o áudio, preservei o reverb natural das instalações, fiz algumas mudanças na melodia usando Melodyne, acrescentei alguns sons hipnóticos e repetitivos para realçar este clima etéreo, em seguida, adicionei sons comuns como piano, bateria e guitarra. A voz funciona tanto em uma única harmonia e numa harmonia mais elaborada. Está aberta para interpretação. No final, o "cantor" fecha o seu livro de oração, levanta-se da sua posição de oração e sai.

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O produtor Maestro Billy está quase sempre com um gravador no bolso. Quando não, usa o celular. Com isso, ele está sempre registrando os sons das cidades por onde passa.

Com todo esse material acumulado, chegou a hora do produtor mexer nos sons e fazer música. O resultado final está no álbum Commute, lançado na última sexta-feira (05/05).

Conhecido por seus trabalhos na Rádio Jovem Pan (Pânico) e na TV Globo (Caldeirão do Hulk), Billy hoje mora em Berlim, na Alemanha, e trabalha com produções de som 3D e sound design, teoria em que o novo álbum é baseado. “Todos esses lugares têm uma sound impression, uma característica peculiar em termos de ambiente e som, que capturei e criei música sobre ele”, explica Billy.

“Uma vez eu estava dentro do metrô de Londres e comecei a gravar. No trem em que eu estava, os anúncios de áudio saíam de uma maneira estranha. Estavam dobrados, como se tivesse um delay na voz, mas era um erro de sincronização dos falantes. Quando voltei pro estúdio, achei o BPM do atraso e coloquei uma batida por baixo da voz. Então, criei uma música que emula um processo de andar dentro de uma estação de metrô”, explica o produtor sobre o processo de gravação de uma das faixas.

E atenção produtores e compositores: Prestem bastante atenção na faixa “Caipirinha”. Em breve, vamos lançar um concurso para escolher a melhor letra composta para a faixa e a música será lançada pelo próprio Maestro Billy, em parceria com a Billboard Brasil.

Ouça o álbum e leia, abaixo, um faixa-a-faixa feito pelo próprio Maestro Billy.

“Mind the Gap”

A primeira. Você pode sentir todo o movimento dentro do metrô de Londres. Todos os sons são mixados com a música, e a própria música tem alguns trechos que podem ser facilmente encontrados dentro de uma estação, como alguém cantando, todos os barulhos e ruídos graves. Também as batidas foram intencionalmente feitas com distorção, para dar a sensação de que alguém está ouvindo com um alto-falante de baixa qualidade dentro do trem.

“Sound of Spheres”

Eu tinha esses sons do espaço e sou fascinado pela música do Vangelis. A ideia aqui é ter verdadeiros sons graves mega sinistros junto com este sentimento de "fora do espaço", para emular um passeio através de estrelas e planetas.

“Caipirinha”

Os vocais estão disponíveis em uma loja de samples, então eu trabalhei com o conceito de beber caipirinha. Muita caipirinha. Começa normal, uma batida com algum solo de guitarra, fica mais lento, o cara começa a cantar, ficar bêbado, a voz distorce, a música fica mais rápida, mais distorcida e então a bossa-nova vira esse Deep House de novo, mas agora com caipirinha dentro dela. Faça de conta que está mamado. E cante junto.

“Bombay Sunset”

Sempre quis fazer uma música que eu pudesse tocar apenas uma nota. Esse é o caso. Só toquei a primeira nota. Todo o resto é uma sucessão de loops agrupados. A ideia aqui é mostrar um conceito que eu acredito, que todos os sons podem funcionar com todos os sons. Só precisa de um ambiente amigável e um BPM fixo para todos eles se reunirem. Então eu tenho orquestras misturadas com pianos, bateria, tablas, sitaras, guitarras de jazz, scratches e efeitos. Todos eles vindo de loops pré-existentes. Mais aquela nota que eu toquei no começo (e que fica na musica toda).

“Amsterdam Centraal”

O ambiente é da estação central de Amsterdam. Estava lá esperando pelo meu trem e gravando. Os anúncios não são tão perceptíveis, mas as vozes das pessoas que chegam podem ser ouvidas como binaural. Além disso, a batida e a linha de baixo criaram um mix entre uma das primeiras músicas dance de sucesso, “I Feel Love” (Giorgio Moroder / Donna Summer) com o ritmo de um trem.

“Berlin”

Techno, óbvio. Com sons do metrô da cidade. Eu sempre ouvi os anúncios do metrô e pensei em criar algo com eles. Também a chegada do trem tem algumas frequências de som interessantes, que realcei com compressão e equalização dentro da canção.

“Namaste”

Essa música foi feita em um dia. A música é bastante simples, mas o processamento da voz é diferente. Você não percebe quando a voz ("Namasteeeeee") vira um instrumento de 8 bits e fica dentro da mix com distorção, processamento e looping. Aqui embaixo você pode ouvir só a voz. Que no final dá o clima todo da música.

“Love Maschine”

Minha primeira tentativa de fazer música de uma maneira diferente, sem teclado, usando apenas o Maschine da Native Instrument (tanto o DAW quanto o equipamento). Levei dois dias para mixar, mas o conceito foi muito fácil, era só feeling, nenhuma teoria visível em tudo. O Maschine fez toda a teoria para mim. Além disso, para os vocais, pedi em um post no Facebook pras pessoas escreverem suas palavras favoritas em Inglês. Passei algumas em um software de text-to-speech e rendeu três vozes sintetizadas. Durante este processo, notei que "love" era a palavra mais usada, e todas as outras palavras podiam se relacionar com ela. Então fiz os últimos versos para terminar em "love", Não há loops ou samples nela.

“Baixa-Chiado”

Minha segunda tentativa de usar outro DAW para o projeto, agora com Ignite. Eu gosto de sair do meu equipamento comum do dia-a-dia para criar. São diferentes sons, diferentes métodos de mixagem, criação, reprodução etc. Neste caso, como eu era novo no ambiente, decidi fazer um estilo "clássico" de Lounge Music. Mas com mais batidas, como as do início dos anos 00 do selo Naked Music. Amo esse conceito ostinato-minimalista de manter apenas uma linha de baixo e evoluir sobre ela com acordes diferentes e dissonantes. Como as canções New Order dos anos 80 (não comparando, apenas usando como referência). O sound design por baixo é uma caminhada através do metro de Lisboa. Que é muito mais tranquilo do que os de Londres ou Berlim. A canção evolui e o trem se aproxima, quando chega na plataforma vem um solo, lembrando de pessoas entrando e saindo do trem. A locutora diz "Próxima estação - Baixa-Chiado". Também há uma referência do Verão de Vivaldi durante a canção. Só pra dar um clima.

“Dark”

Essa música era para ser uma experiência sinestésica de um doce brasileiro. Sim, um bombom de chocolate escuro com sabor de laranja nele. Você primeiro toca a embalagem, a sensação de abrir, colocar na sua boca e sentir todos os sabores requintados nele. O solo de saxofone distorcido é o momento que você mastiga pela primeira vez. Você gosta tanto que você faz tudo de novo, agora com mais sabor em sua boca (a segunda parte da canção). Até porque você juntou dois bombons em uma bocada só.

“Psalm”

Gravei alguém rezando e cantando dentro de uma igreja no sul da Alemanha. Com meu celular. Depois de limpar e tratar o áudio, preservei o reverb natural das instalações, fiz algumas mudanças na melodia usando Melodyne, acrescentei alguns sons hipnóticos e repetitivos para realçar este clima etéreo, em seguida, adicionei sons comuns como piano, bateria e guitarra. A voz funciona tanto em uma única harmonia e numa harmonia mais elaborada. Está aberta para interpretação. No final, o "cantor" fecha o seu livro de oração, levanta-se da sua posição de oração e sai.