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Muito Vivo - Pearl Jam

por em 09/04/2013
O Pearl Jam entra em sua terceira década com um álbum fortíssimo, que encara a questão da mortalidade. “não consigo ver o futuro”, diz Eddie vedder O   contexto era perfeito, tanto positiva quanto negativamente. Prestes a estrear as músicas de Lightning Bolt, seu primeiro álbum em quatro anos, o Pearl Jam estava no Wrigley Field, em Chicago, com mais de 40 mil fãs apertados em stands, encostados nos muros do campo externo, e se espalhando pelas ruas. Também havia uma presença não convidada: uma tempestade castigando o campo de beisebol com chuva e iluminando o céu com relâmpagos. O líder da banda, Eddie Vedder, havia pedIdo que o campo e o palco fossem evacuados à medida que aquilo que ele chamava de “temporal” se aproximava. A banda já estava tocando há 45 minutos. “O Eddie estava realmente no telefone falando com o cara do tempo na cidade sobre o sinal de celular estar pegando”, diz o empresário Kelly Curtis. O atraso causado pela chuva se alongou por quase três horas, enquanto Curtis e sua equipe observavam com preocupação o céu que clareava, e falavam sobre a cidade adiar seu toque de recolher, que deveria soar às 23h. “Se havia algum jeito de conseguirmos fazer isso, mesmo que significasse multa ou sei lá o quê, nós iríamos fazer. E, no fim das contas, a cidade, os Cubs, o promotor, os bombeiros, todo mundo estava de acordo. Houve um pouco de gritaria, mas nada de multas gigantes.” Pouco antes de o relógio bater meia-noite, a multidão voltou à posição, e a banda seguiu em frente, conquistando a todos com um set list que agitou até duas da manhã. O Pearl Jam revelou três músicas de Lightning Bolt – o single rápido e pesado “Mind Your Manners”, o rock que dá título ao álbum, e a delicada “Future Days”. Só “Manners” já havia sido tocada antes, há algumas noites, no Canadá. “Por sorte, nossos fãs recebem bem nossa nova música”, diz o guitarrista Mike McCready.  “Eles não querem ouvir só os antigos hits.” Mas eles tiveram que esperar um pouco pelo novo álbum. Lightning Bolt foi lançado no dia 15 de outubro nos EUA, pela Monkeywrench/ Republic, quatro anos depois de Backspacer, de 2009, que estreou na primeira posição do Billboard 200. Apesar de o intervalo não ter sido de tempo livre – o PJ fez turnê regularmente, projetos paralelos e lançamentos solo como Ukulele Songs, de Vedder, em 2011, dois álbuns da banda Brad, do guitarrista Stone Gossard, uma reunião com o Soundgarden por parte do baterista Matt Cameron, e três projetos diferentes do baixista Jeff Ament – esse período também foi a época de conciliar o passado com o futuro. O Pearl Jam trabalhou com o diretor  Cameron Crowe para marcar o 20º aniversário de sua estreia em 1991, com Ten (que ultra- passou a marca das dez milhões de unidades vendidas em fevereiro, de acordo com o Nielsen  SoundScan). O documentário Pearl Jam Twenty, que Crowe lançou em 2011, juntamente com o livro e a trilha sonora que o acompanham, enfocou a história completa do grupo. “Somos uma banda estabelecida. Então, como podemos ir o mais longe possível?”, diz Vedder a respeito da longevidade do grupo. “Acho que ainda não chegamos nem à metade do caminho.” Lightning Bolt traz 12 rocks vigorosos, grooves que parecem alçar voo, e baladas suaves dignas de figurar entre as melhores composições da banda. E tem alguns dos mais potentes vocais de Vedder, cantando sobre relações duradouras, má fé (“Getaway”, “Mind Your Manners”), a situação global (“Infallible”) e a transitoriedade da vida (“Pendulum”, entre outras). Mas existe uma sensação de que as apostas são mais altas desta vez. Músicas como “Sirens”, “Future Days” e “Swallowed Whole” enfrentam a ideia de mortalidade e podem refletir as questões levantadas no início de 2012, quando uma lesão nas costas colocou Vedder para escanteio. Danos temporários nos nervos o deixaram com uso limitado de seu braço direito e forçaram o adiamento de uma turnê solo por 15 cidades americanas. “Foi assustador para ele na época, e uma dificuldade para tocar guitarra”, diz Curtis. “Ele é um cara bastante saudável, e não sabia o que estava acontecendo.” “Não saber como as coisas vão terminar – ou se as coisas vão terminar, se você vai ou não se curar – essa é a parte difícil”, diz Vedder, que passou por um processo de reabilitação física que lhe devolveu a saúde e o colocou de novo na estrada com o Pearl Jam em junho de 2012. “Todos sabemos o quanto o mundo é tóxico. Temos coisas incrivelmente belas e incrivelmente trágicas acontecendo ao mesmo tempo. Às vezes, quando você é atingido pelo lado trágico das coisas – e não estou nem falando de ferimentos, porque o que eu tive não foi nada se comparado ao que algumas pessoas já passaram – mas quando a lente de aumento da tragédia escolhe você, ela muda você. Isso acaba fazendo com que você tenha mais empatia. Por isso, parte do que o álbum está dizendo é: tente viver uma vida com empatia. Não espere que a tragédia atinja você para começar a compreender o que as outras pessoas estão passando.” Para Vedder, a parte trágica inclui o afoga- mento acidental do amigo Dennis Flemion, da banda Frogs, em julho de 2012, uma perda mencionada na música “Future Days”. O vocalista diz que a mortalidade não era algo que queria abordar em Lightning Bolt – mas não conseguia se afastar do tema. “Soa como algo banal e ridículo, mas a morte está em toda par- te”, diz ele. “Talvez só porque eu leia o jornal todo dia. Talvez seja a guerra, talvez sejam as taxas epidêmicas de suicídio dos veteranos que voltam para casa... Eu simplesmente não consigo aceitar isso. As músicas acabam sendo mantras que você toca para si mesmo também.” Um desses mantras é “Sirens”, uma linda balada em que Vedder reflete sobre “essa coisa frágil, esta vida que levamos/ Se eu pensar de- mais, não consego me recuperar/ Quando junto às sepulturas/ Pelas quais vivemos nossas vidas/ Com a morte sobre nossos ombros”. McCready compôs a música depois de assistir ao show de The Wall, de Roger Waters, que o inspirou a “tentar fazer algo com a mesma pegada”. Ele diz que a letra de Vedder “me fez chorar”. “Como banda, estamos agora numa idade em que há muita reflexão”, diz Gossard. “Com 40, quase 50 e poucos, você começa a ver a vida através de seus filhos, pelo filtro de relaciona- mentos que já têm de 20 a 30 anos, pelo filtro de seus pais ficando mais velhos e do falecimento de amigos e parentes – relacionamentos e tudo o que eles englobam, as dificuldades, os sacrifícios que você faz por eles, e as alegrias que eles trazem.” Vedder tem um suvenir em casa que reúne duas de suas paixões: uma luva de beisebol que era de Johnny Ramone quando ele era criança. Lightning Bolt uniu esse amor por esportes e música em 23 de outubro, quando a transmissão do World Series começou pela Fox Sports. “Todas as vinhetas musicais do World Series são do Pearl Jam”, diz Michele Anthony, que trabalha com a banda desde o começo, ajudou a administrar o selo Monkeywrench do PJ, e que recentemente foi nomeada vice- -presidente executiva de música gravada do Universal Music Group nos Estados Unidos. “A banda toda é muito fã de beisebol e tem muitos fãs que também gostam de esportes. Por isso, a Fox Sports nos procurou com uma ideia divertida, que foi licenciar 36 músicas deles e mais o novo álbum.” Curtis vê o contrato com o World Series (ver boxe na página anterior) como uma forma “mais moderna” de alcançar o público: “Na minha cabeça, devido ao fato de o rádio ter mudado tanto, é apenas um modo de as pessoas ouvirem nossa música em doses maciças”. Fazer a trilha sonora do World Series marca uma nova abordagem para o Pearl Jam. Ela iniciou com um misterioso relógio em contagem regressiva no site PearlJam.com, que, no dia 8 de julho, revelou as datas de outono da turnê americana de arenas, que começou em 11 de outubro, em Pittsburgh, e vai terminar com um show em sua cidade natal, Seattle, em 6 de dezembro. Um segundo relógio revelou o anúncio do álbum e o lançamento do primeiro single, “Mind Your Manners”, sendo que este último foi enviado para rádios, iTunes e YouTube no mesmo dia. E um novo aplicativo gratuito do Pearl Jam estreou em 25 de julho. As redes sociais desempenharam papel-chave no período que antecedeu ao lançamento do álbum. Houve a revelação dos nomes das faixas a partir do fim de agosto, com divulgação da arte criada para cada música pelo artista gráfico Don Pendleton, em emissões diárias via Twitter, Instagram e pelo site da banda. O segundo single, “Sirens”, chegou ao iTunes em 18 de setembro. O baixista Ament foi inspirado pela edição anual de comédia da Vanity Fair para propor a ideia de, em vez das tradicionais entrevistas para a imprensa, a banda se sentar diante das câmeras para conversar com quatro amigos: Carrie Brownstein, que foi da banda Sleater- -Kinney e hoje estrela o programa de humor Portlandia; o diretor Judd Apatow; o austra- liano campeão de surfe Mark Richards; e o ex-jogador da NFL Steve Gleason, que tem esclerose lateral amiotrófi ca. Filmadas pelo fotógrafo/diretor Danny Clinch, que dirigiu o show do Pearl Jam de 2007, Immagine In Cornice, as entrevistas apareceram na ESPN, IFC, NPR e em outros lugares. Além disso, Clinch se juntou à banda para vários vídeos no YouTube: clipes de “Mind Your Manners” e “Sirens”, uma série de vinhetas apresentando os integrantes da banda e trechos de músicas de Lightning Bolt, além de um documentário curto sobre o álbum, usando as entrevistas feitas por Brownstein, Gleason, Apatow e Richards. Tudo isso leva a Lightning Bolt, lançado pelo selo Monkeywrench (da banda) em paceria com a Republic Records, da Universal. E o relacionamento Monkeywrench-Universal vai crescer. “Queremos trabalhar com as pessoas com quem trabalhamos”, diz Curtis. “Ainda temos a oportunidade de lançar os álbuns que queremos.” “Eu realmente acredito que o Monkeywrench será um grande lar, tanto para artistas especializados como para novas bandas”, diz Anthony. “Qualquer artista que esteja procurando por um ambiente em que haja envolvimento direto, de forma intimista, que possa atuar e competir em nível de base com as grandes gravadoras, pode encontrar na Monkeywrench.” Já são mais de duas décadas de vitórias suadas, que trouxeram o Pearl Jam a este ponto: um décimo álbum de estúdio cuja intensidade pode ser comparada ao seu melhor trabalho. “O motivo número 1 é Eddie Vedder”, diz Gossard. “Ele não quer desaparecer silenciosamente ao pôr do sol. O que o deixa empolgado, o que o deixa com raiva, o que o energiza ainda são essas explosões de adrenalina. Elas têm a ver com as coisas que aprendemos nos primeiros anos tocando juntos, quando estávamos meio que enlouquecendo. Ele nunca esqueceu isso.” “Ainda somos os ‘novos garotos’ de muitos modos”, acrescenta Gossard. “Você olha para as pessoas que são nossos heróis –  veja os The Whos, Neil Youngs e Bruce  Springsteens – esses caras estão 20 ou 30 anos à nossa frente na estrada.” Perguntado se os exemplos desses heróis mudaram a percepção do rock’n’roll como algo a ser feito por jovens, Vedder responde: “Ainda é algo para jovens, por isso tivemos de nos manter jovens. A música permite que você faça isso, especialmente o rock’n’roll. Mas isso também tem que ver com crescer e se tornar mais maduro, então você tem um bom equilíbrio”. Vedder acha que parte da maturi- dade é “ser menos preciosista em relação aos álbuns, e talvez tentar lançar mais material. A ironia é que estou dizendo isso depois de levar quatro anos para lançar este trabalho. Agora, acho que já pensamos o bastante sobre o passado, e esta parece ser uma boa época para ser prolífico, aproveitar a oportunidade. Porque isso é bastante raro, no mínimo”. Então, se o Pearl Jam não está, como diz Vedder, nem na metade do caminho depois de 23 anos, onde ele se vê daqui a 20 anos? “O mais importante é poder ver quem você é hoje em dia, no tempo presente”, diz ele, rindo. “Porque não há garantias. Só estou tentando ser o mais forte possível para meus filhos, para minha família. Não consigo ver o futuro. Só quero estar vivo. UM CONTRATO CAMPEÃO, por Andrew Hampp e Jessica Letkermann Como aconteceu a parceria com o World Series O show épico e atrasado pela chuva do Pearl Jam no Wrigley Field, em Chicago, em julho, não terá sido a única vez em que a banda se conectará com o beisebol em 2013. Uma parceria com a Fox sports inclui a utilização de 48 músicas do Pearl Jam em campanhas promocionais e como música de fundo da cobertura do World series, transmitido de 23 a 31 de outubro na Fox, além de apresentar a música do grupo ao  longo de todo o mês de novembro como Artista do Mês em todas as emissoras de propriedades da Fox sports. O contrato inclui as 12 faixas de Lightning Bolt e 36 músicas do catálogo do Pearl Jam, abrangendo todos os álbuns da banda (com exceção do superpolítico Riot Act, de 2002). Os destaques do catálogo incluem “Animal”, “Better Man”, “Black”, “Blood”, “Corduroy”, “daughter”, “Even Flow”, e vão longe, a ponto de incluir “state Of Love And trust”, segundo revela Christian Fresco, gerente de produto do selo Monkeywrench. A vice-presidente da Fox sports Music, Janine Kerr, uma grande fã de PJ, acrescenta: “Eles perguntaram: ‘Que músicas você vai querer?’. Eu respondi: ‘Quantas posso ter?’.Então demos uma lista do que gostaríamos de ter, e eles concordaram com todas.” “Houve uma época em que não licenciamos muito músicas”, diz o empresário do Pearl Jam, Kelly Curtis. “Mas nos últimos anos, consideramos a possibilidade de licenciar pedidos utilizando o mesmo critério que usamos para todas as outras situações: gostamos disto? Nossos fãs gostariam disto? isto proporciona um fórum diferente para os fãs ouvirem a música? isto é algo que podemos apoiar? A banda ama beisebol, por isso não precisou nem pensar neste caso.” A Fox sports e a MLB fecharam contratos amplos com grandes astros de rock ao longo dos últimos anos, incluindo Jack White, durante a cobertura da National League Championship (campeonato da liga nacional), e 30 músicas do The Who para a trilha sonora do World series, ambos em 2012. Mas a parceria com o Pearl Jam é a maior em termos de número de músicas, e talvez seja a mais pessoal – não apenas o vocalista Eddie Vedder é fã de longa data dos Cubs (ele levou ao palco o lendário Cub Ernie Banks durante o show em Wrigley), como ele também se tornou amigo próximo de Joe Buck, locutor esportivo da Fox. A banda tocou em St. Louis, durante um trecho de sua turnê Backspacer, em 2010, quando vedder saudou  Buck no palco e passou algumas horas com ele após o show. “Nós literalmente só conversamos sobre futebol”, diz Buck. “Foi a coisa mais empolgante da minha vida. Você vai ouvir certos caras dizerem que são fãs dos Yankees ou da NFL, e talvez eles saibam alguma coisa, mas não são fãs de carteirinha. Esse cara é apenas um autêntico fanático por beisebol e nunca tive uma conversa mais relaxada e tranquila nesse tipo de ambiente.” As músicas do Pearl Jam serão apresentadas em todos os tipos de fundos musicais durante o World series, dos teasers de abertura a inserções comerciais curtas, e também em material promocional adicional por toda programação de horário nobre da Fox e redes de cabo  em novembro. “Toda vez que você tem a oportunidade de criar o visual para esse tipo de música, você sente vontade de agarrá-la”, diz o produtor executivo da Fox sports, John Entz. “Vamos pedir ao Joe para que faça as introduções também, para que não pareça que ele está dizendo palavras que alguém escreveu sobre o Pearl Jam. Ele realmente vai dizê-las com sinceridade.”  
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Muito Vivo - Pearl Jam

por em 09/04/2013
O Pearl Jam entra em sua terceira década com um álbum fortíssimo, que encara a questão da mortalidade. “não consigo ver o futuro”, diz Eddie vedder O   contexto era perfeito, tanto positiva quanto negativamente. Prestes a estrear as músicas de Lightning Bolt, seu primeiro álbum em quatro anos, o Pearl Jam estava no Wrigley Field, em Chicago, com mais de 40 mil fãs apertados em stands, encostados nos muros do campo externo, e se espalhando pelas ruas. Também havia uma presença não convidada: uma tempestade castigando o campo de beisebol com chuva e iluminando o céu com relâmpagos. O líder da banda, Eddie Vedder, havia pedIdo que o campo e o palco fossem evacuados à medida que aquilo que ele chamava de “temporal” se aproximava. A banda já estava tocando há 45 minutos. “O Eddie estava realmente no telefone falando com o cara do tempo na cidade sobre o sinal de celular estar pegando”, diz o empresário Kelly Curtis. O atraso causado pela chuva se alongou por quase três horas, enquanto Curtis e sua equipe observavam com preocupação o céu que clareava, e falavam sobre a cidade adiar seu toque de recolher, que deveria soar às 23h. “Se havia algum jeito de conseguirmos fazer isso, mesmo que significasse multa ou sei lá o quê, nós iríamos fazer. E, no fim das contas, a cidade, os Cubs, o promotor, os bombeiros, todo mundo estava de acordo. Houve um pouco de gritaria, mas nada de multas gigantes.” Pouco antes de o relógio bater meia-noite, a multidão voltou à posição, e a banda seguiu em frente, conquistando a todos com um set list que agitou até duas da manhã. O Pearl Jam revelou três músicas de Lightning Bolt – o single rápido e pesado “Mind Your Manners”, o rock que dá título ao álbum, e a delicada “Future Days”. Só “Manners” já havia sido tocada antes, há algumas noites, no Canadá. “Por sorte, nossos fãs recebem bem nossa nova música”, diz o guitarrista Mike McCready.  “Eles não querem ouvir só os antigos hits.” Mas eles tiveram que esperar um pouco pelo novo álbum. Lightning Bolt foi lançado no dia 15 de outubro nos EUA, pela Monkeywrench/ Republic, quatro anos depois de Backspacer, de 2009, que estreou na primeira posição do Billboard 200. Apesar de o intervalo não ter sido de tempo livre – o PJ fez turnê regularmente, projetos paralelos e lançamentos solo como Ukulele Songs, de Vedder, em 2011, dois álbuns da banda Brad, do guitarrista Stone Gossard, uma reunião com o Soundgarden por parte do baterista Matt Cameron, e três projetos diferentes do baixista Jeff Ament – esse período também foi a época de conciliar o passado com o futuro. O Pearl Jam trabalhou com o diretor  Cameron Crowe para marcar o 20º aniversário de sua estreia em 1991, com Ten (que ultra- passou a marca das dez milhões de unidades vendidas em fevereiro, de acordo com o Nielsen  SoundScan). O documentário Pearl Jam Twenty, que Crowe lançou em 2011, juntamente com o livro e a trilha sonora que o acompanham, enfocou a história completa do grupo. “Somos uma banda estabelecida. Então, como podemos ir o mais longe possível?”, diz Vedder a respeito da longevidade do grupo. “Acho que ainda não chegamos nem à metade do caminho.” Lightning Bolt traz 12 rocks vigorosos, grooves que parecem alçar voo, e baladas suaves dignas de figurar entre as melhores composições da banda. E tem alguns dos mais potentes vocais de Vedder, cantando sobre relações duradouras, má fé (“Getaway”, “Mind Your Manners”), a situação global (“Infallible”) e a transitoriedade da vida (“Pendulum”, entre outras). Mas existe uma sensação de que as apostas são mais altas desta vez. Músicas como “Sirens”, “Future Days” e “Swallowed Whole” enfrentam a ideia de mortalidade e podem refletir as questões levantadas no início de 2012, quando uma lesão nas costas colocou Vedder para escanteio. Danos temporários nos nervos o deixaram com uso limitado de seu braço direito e forçaram o adiamento de uma turnê solo por 15 cidades americanas. “Foi assustador para ele na época, e uma dificuldade para tocar guitarra”, diz Curtis. “Ele é um cara bastante saudável, e não sabia o que estava acontecendo.” “Não saber como as coisas vão terminar – ou se as coisas vão terminar, se você vai ou não se curar – essa é a parte difícil”, diz Vedder, que passou por um processo de reabilitação física que lhe devolveu a saúde e o colocou de novo na estrada com o Pearl Jam em junho de 2012. “Todos sabemos o quanto o mundo é tóxico. Temos coisas incrivelmente belas e incrivelmente trágicas acontecendo ao mesmo tempo. Às vezes, quando você é atingido pelo lado trágico das coisas – e não estou nem falando de ferimentos, porque o que eu tive não foi nada se comparado ao que algumas pessoas já passaram – mas quando a lente de aumento da tragédia escolhe você, ela muda você. Isso acaba fazendo com que você tenha mais empatia. Por isso, parte do que o álbum está dizendo é: tente viver uma vida com empatia. Não espere que a tragédia atinja você para começar a compreender o que as outras pessoas estão passando.” Para Vedder, a parte trágica inclui o afoga- mento acidental do amigo Dennis Flemion, da banda Frogs, em julho de 2012, uma perda mencionada na música “Future Days”. O vocalista diz que a mortalidade não era algo que queria abordar em Lightning Bolt – mas não conseguia se afastar do tema. “Soa como algo banal e ridículo, mas a morte está em toda par- te”, diz ele. “Talvez só porque eu leia o jornal todo dia. Talvez seja a guerra, talvez sejam as taxas epidêmicas de suicídio dos veteranos que voltam para casa... Eu simplesmente não consigo aceitar isso. As músicas acabam sendo mantras que você toca para si mesmo também.” Um desses mantras é “Sirens”, uma linda balada em que Vedder reflete sobre “essa coisa frágil, esta vida que levamos/ Se eu pensar de- mais, não consego me recuperar/ Quando junto às sepulturas/ Pelas quais vivemos nossas vidas/ Com a morte sobre nossos ombros”. McCready compôs a música depois de assistir ao show de The Wall, de Roger Waters, que o inspirou a “tentar fazer algo com a mesma pegada”. Ele diz que a letra de Vedder “me fez chorar”. “Como banda, estamos agora numa idade em que há muita reflexão”, diz Gossard. “Com 40, quase 50 e poucos, você começa a ver a vida através de seus filhos, pelo filtro de relaciona- mentos que já têm de 20 a 30 anos, pelo filtro de seus pais ficando mais velhos e do falecimento de amigos e parentes – relacionamentos e tudo o que eles englobam, as dificuldades, os sacrifícios que você faz por eles, e as alegrias que eles trazem.” Vedder tem um suvenir em casa que reúne duas de suas paixões: uma luva de beisebol que era de Johnny Ramone quando ele era criança. Lightning Bolt uniu esse amor por esportes e música em 23 de outubro, quando a transmissão do World Series começou pela Fox Sports. “Todas as vinhetas musicais do World Series são do Pearl Jam”, diz Michele Anthony, que trabalha com a banda desde o começo, ajudou a administrar o selo Monkeywrench do PJ, e que recentemente foi nomeada vice- -presidente executiva de música gravada do Universal Music Group nos Estados Unidos. “A banda toda é muito fã de beisebol e tem muitos fãs que também gostam de esportes. Por isso, a Fox Sports nos procurou com uma ideia divertida, que foi licenciar 36 músicas deles e mais o novo álbum.” Curtis vê o contrato com o World Series (ver boxe na página anterior) como uma forma “mais moderna” de alcançar o público: “Na minha cabeça, devido ao fato de o rádio ter mudado tanto, é apenas um modo de as pessoas ouvirem nossa música em doses maciças”. Fazer a trilha sonora do World Series marca uma nova abordagem para o Pearl Jam. Ela iniciou com um misterioso relógio em contagem regressiva no site PearlJam.com, que, no dia 8 de julho, revelou as datas de outono da turnê americana de arenas, que começou em 11 de outubro, em Pittsburgh, e vai terminar com um show em sua cidade natal, Seattle, em 6 de dezembro. Um segundo relógio revelou o anúncio do álbum e o lançamento do primeiro single, “Mind Your Manners”, sendo que este último foi enviado para rádios, iTunes e YouTube no mesmo dia. E um novo aplicativo gratuito do Pearl Jam estreou em 25 de julho. As redes sociais desempenharam papel-chave no período que antecedeu ao lançamento do álbum. Houve a revelação dos nomes das faixas a partir do fim de agosto, com divulgação da arte criada para cada música pelo artista gráfico Don Pendleton, em emissões diárias via Twitter, Instagram e pelo site da banda. O segundo single, “Sirens”, chegou ao iTunes em 18 de setembro. O baixista Ament foi inspirado pela edição anual de comédia da Vanity Fair para propor a ideia de, em vez das tradicionais entrevistas para a imprensa, a banda se sentar diante das câmeras para conversar com quatro amigos: Carrie Brownstein, que foi da banda Sleater- -Kinney e hoje estrela o programa de humor Portlandia; o diretor Judd Apatow; o austra- liano campeão de surfe Mark Richards; e o ex-jogador da NFL Steve Gleason, que tem esclerose lateral amiotrófi ca. Filmadas pelo fotógrafo/diretor Danny Clinch, que dirigiu o show do Pearl Jam de 2007, Immagine In Cornice, as entrevistas apareceram na ESPN, IFC, NPR e em outros lugares. Além disso, Clinch se juntou à banda para vários vídeos no YouTube: clipes de “Mind Your Manners” e “Sirens”, uma série de vinhetas apresentando os integrantes da banda e trechos de músicas de Lightning Bolt, além de um documentário curto sobre o álbum, usando as entrevistas feitas por Brownstein, Gleason, Apatow e Richards. Tudo isso leva a Lightning Bolt, lançado pelo selo Monkeywrench (da banda) em paceria com a Republic Records, da Universal. E o relacionamento Monkeywrench-Universal vai crescer. “Queremos trabalhar com as pessoas com quem trabalhamos”, diz Curtis. “Ainda temos a oportunidade de lançar os álbuns que queremos.” “Eu realmente acredito que o Monkeywrench será um grande lar, tanto para artistas especializados como para novas bandas”, diz Anthony. “Qualquer artista que esteja procurando por um ambiente em que haja envolvimento direto, de forma intimista, que possa atuar e competir em nível de base com as grandes gravadoras, pode encontrar na Monkeywrench.” Já são mais de duas décadas de vitórias suadas, que trouxeram o Pearl Jam a este ponto: um décimo álbum de estúdio cuja intensidade pode ser comparada ao seu melhor trabalho. “O motivo número 1 é Eddie Vedder”, diz Gossard. “Ele não quer desaparecer silenciosamente ao pôr do sol. O que o deixa empolgado, o que o deixa com raiva, o que o energiza ainda são essas explosões de adrenalina. Elas têm a ver com as coisas que aprendemos nos primeiros anos tocando juntos, quando estávamos meio que enlouquecendo. Ele nunca esqueceu isso.” “Ainda somos os ‘novos garotos’ de muitos modos”, acrescenta Gossard. “Você olha para as pessoas que são nossos heróis –  veja os The Whos, Neil Youngs e Bruce  Springsteens – esses caras estão 20 ou 30 anos à nossa frente na estrada.” Perguntado se os exemplos desses heróis mudaram a percepção do rock’n’roll como algo a ser feito por jovens, Vedder responde: “Ainda é algo para jovens, por isso tivemos de nos manter jovens. A música permite que você faça isso, especialmente o rock’n’roll. Mas isso também tem que ver com crescer e se tornar mais maduro, então você tem um bom equilíbrio”. Vedder acha que parte da maturi- dade é “ser menos preciosista em relação aos álbuns, e talvez tentar lançar mais material. A ironia é que estou dizendo isso depois de levar quatro anos para lançar este trabalho. Agora, acho que já pensamos o bastante sobre o passado, e esta parece ser uma boa época para ser prolífico, aproveitar a oportunidade. Porque isso é bastante raro, no mínimo”. Então, se o Pearl Jam não está, como diz Vedder, nem na metade do caminho depois de 23 anos, onde ele se vê daqui a 20 anos? “O mais importante é poder ver quem você é hoje em dia, no tempo presente”, diz ele, rindo. “Porque não há garantias. Só estou tentando ser o mais forte possível para meus filhos, para minha família. Não consigo ver o futuro. Só quero estar vivo. UM CONTRATO CAMPEÃO, por Andrew Hampp e Jessica Letkermann Como aconteceu a parceria com o World Series O show épico e atrasado pela chuva do Pearl Jam no Wrigley Field, em Chicago, em julho, não terá sido a única vez em que a banda se conectará com o beisebol em 2013. Uma parceria com a Fox sports inclui a utilização de 48 músicas do Pearl Jam em campanhas promocionais e como música de fundo da cobertura do World series, transmitido de 23 a 31 de outubro na Fox, além de apresentar a música do grupo ao  longo de todo o mês de novembro como Artista do Mês em todas as emissoras de propriedades da Fox sports. O contrato inclui as 12 faixas de Lightning Bolt e 36 músicas do catálogo do Pearl Jam, abrangendo todos os álbuns da banda (com exceção do superpolítico Riot Act, de 2002). Os destaques do catálogo incluem “Animal”, “Better Man”, “Black”, “Blood”, “Corduroy”, “daughter”, “Even Flow”, e vão longe, a ponto de incluir “state Of Love And trust”, segundo revela Christian Fresco, gerente de produto do selo Monkeywrench. A vice-presidente da Fox sports Music, Janine Kerr, uma grande fã de PJ, acrescenta: “Eles perguntaram: ‘Que músicas você vai querer?’. Eu respondi: ‘Quantas posso ter?’.Então demos uma lista do que gostaríamos de ter, e eles concordaram com todas.” “Houve uma época em que não licenciamos muito músicas”, diz o empresário do Pearl Jam, Kelly Curtis. “Mas nos últimos anos, consideramos a possibilidade de licenciar pedidos utilizando o mesmo critério que usamos para todas as outras situações: gostamos disto? Nossos fãs gostariam disto? isto proporciona um fórum diferente para os fãs ouvirem a música? isto é algo que podemos apoiar? A banda ama beisebol, por isso não precisou nem pensar neste caso.” A Fox sports e a MLB fecharam contratos amplos com grandes astros de rock ao longo dos últimos anos, incluindo Jack White, durante a cobertura da National League Championship (campeonato da liga nacional), e 30 músicas do The Who para a trilha sonora do World series, ambos em 2012. Mas a parceria com o Pearl Jam é a maior em termos de número de músicas, e talvez seja a mais pessoal – não apenas o vocalista Eddie Vedder é fã de longa data dos Cubs (ele levou ao palco o lendário Cub Ernie Banks durante o show em Wrigley), como ele também se tornou amigo próximo de Joe Buck, locutor esportivo da Fox. A banda tocou em St. Louis, durante um trecho de sua turnê Backspacer, em 2010, quando vedder saudou  Buck no palco e passou algumas horas com ele após o show. “Nós literalmente só conversamos sobre futebol”, diz Buck. “Foi a coisa mais empolgante da minha vida. Você vai ouvir certos caras dizerem que são fãs dos Yankees ou da NFL, e talvez eles saibam alguma coisa, mas não são fãs de carteirinha. Esse cara é apenas um autêntico fanático por beisebol e nunca tive uma conversa mais relaxada e tranquila nesse tipo de ambiente.” As músicas do Pearl Jam serão apresentadas em todos os tipos de fundos musicais durante o World series, dos teasers de abertura a inserções comerciais curtas, e também em material promocional adicional por toda programação de horário nobre da Fox e redes de cabo  em novembro. “Toda vez que você tem a oportunidade de criar o visual para esse tipo de música, você sente vontade de agarrá-la”, diz o produtor executivo da Fox sports, John Entz. “Vamos pedir ao Joe para que faça as introduções também, para que não pareça que ele está dizendo palavras que alguém escreveu sobre o Pearl Jam. Ele realmente vai dizê-las com sinceridade.”