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No Amapá, um festival de extremos

por em 15/12/2011

Em sua quarta edição, Quebramar vai da psicodelia ao thrash metal e põe de vez Macapá no mapa da nova música brasileira


Ao som do pós-punk de influências britânicas da banda cearense Plastique Noir, garotos e garotas macapaenses dançaram em ciranda em frente ao palco. Essa costura de referências geográficas dá a medida do que está acontecendo no estado do Amapá. Por mais improvável que pareça, não importa se o clima gótico imperava em plena linha do Equador, nem se o canto era em inglês ou se o público que pulava e dançava estava familiarizado com aquele tipo de som A música é um bálsamo de inspiração para o público de Macapá, que recebeu entre os dias 6 e 11 de dezembro a quarta edição do Festival Quebramar.

A formação de público, um dos maiores objetivos dos eventos que apostam na nova música brasileira, traz a Macapá um ar de novidade vanguardista, deixando a coisa toda muito mais interessante. Nada mais surpreendente do que ver a plateia cantando em coro músicas obscuras do gaúcho Júpiter Maçã, atração principal da primeira noite de shows na Fortaleza São José. Em ótima fase (sóbria), Flávio Basso provou ser o rei da psicodelia no Brasil. Durante uma hora e meia de show, despertou gargalhadas quando, entre uma música e outra, saudava o público com frases misturadas entre inglês e português. Na mesma noite, ainda se destacaram Godzilla – uma das grandes bandas locais em que uma moçada jovem mistura a sujeira do Nirvana com a pose de Nick Cave -, e Autoramas, que já tem público fiel na cidade. 

O sábado foi inteiro dos headbangers. Macapá tem uma cena metal forte e um dos “wall of death” mais selvagens do Brasil. O paulistano Torture Squad, que se apresentou pela primeira vez na cidade, era o nome mais aguardado. Mas antes, as sete bandas que desfilaram entre grind, gotic e thrash metal eram todas da região. O destaque foi a Matinta Perera, que mistura tambores de macumba no ataque thrash. 

O Festival Quebramar é capitaneado por uma turma muito jovem que compõe o Coletivo Palafita, a grande referência de novidades e atrações “alternativas” de Macapá. Seu núcleo, no entanto, é formado por integrantes da banda Mini Box Lunar, expoente da nova música brasileira. Deixando de lado as tarefas de produção, o grupo deu bela demonstração de humildade: em seu próprio festival: foi a primeira atração do domingo e, em função de um atraso, encurtaram a própria apresentação, em sacrifício para que outros tivessem tempo para mostrar seus trabalhos.

E entre as bandas que fizeram parte da programação do último dia estava o combo macapaense Timbres & Temperos, os manauaras Os Tucumanos e também Elisa Maia, a paraense Aíla, que convidou ao palco Manoel e Felipe Cordeiro – um dos grandes nomes da nova safra paraense. A revelação da noite foi a carismática rapper curitibana Karol Conká, que, acompanhada apenas de seu DJ, fez uma apresentação regada a rimas em estilo funkeiro. Os chamarizes de público para o domingo foram dois tiros certeiros da curadoria do evento: Teatro Mágico e Pepeu Gomes. O grupo arrancou muitos gritos e aplausos dos fãs (alguns, pintados), em clima de devoção quase gospel. E como todo festival precisa de heróis, o Quebramar terminou com o show de Pepeu, que subiu acompanhado do filho adolescente Felipe Gomes na outra guitarra e pescou sucessos de suas três últimas décadas de carreira. Não faltaram também homenagens, como a versão de “A Cidade”, de Chico Science & Nação Zumbi..

Entre a platéia o comentário geral era sobre a evolução do evento, que em 2011 foi um dos contemplados pelo edital público de festivais da Petrobras e recebeu uma atenção especial da administração estadual. O governo do Amapá reconheceu a iniciativa do Coletivo Palafita como algo fundamental para o desenvolvimento da cultura local, fortalecendo o região norte como um ponto alto para a nova música brasileira.

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No Amapá, um festival de extremos

por em 15/12/2011

Em sua quarta edição, Quebramar vai da psicodelia ao thrash metal e põe de vez Macapá no mapa da nova música brasileira


Ao som do pós-punk de influências britânicas da banda cearense Plastique Noir, garotos e garotas macapaenses dançaram em ciranda em frente ao palco. Essa costura de referências geográficas dá a medida do que está acontecendo no estado do Amapá. Por mais improvável que pareça, não importa se o clima gótico imperava em plena linha do Equador, nem se o canto era em inglês ou se o público que pulava e dançava estava familiarizado com aquele tipo de som A música é um bálsamo de inspiração para o público de Macapá, que recebeu entre os dias 6 e 11 de dezembro a quarta edição do Festival Quebramar.

A formação de público, um dos maiores objetivos dos eventos que apostam na nova música brasileira, traz a Macapá um ar de novidade vanguardista, deixando a coisa toda muito mais interessante. Nada mais surpreendente do que ver a plateia cantando em coro músicas obscuras do gaúcho Júpiter Maçã, atração principal da primeira noite de shows na Fortaleza São José. Em ótima fase (sóbria), Flávio Basso provou ser o rei da psicodelia no Brasil. Durante uma hora e meia de show, despertou gargalhadas quando, entre uma música e outra, saudava o público com frases misturadas entre inglês e português. Na mesma noite, ainda se destacaram Godzilla – uma das grandes bandas locais em que uma moçada jovem mistura a sujeira do Nirvana com a pose de Nick Cave -, e Autoramas, que já tem público fiel na cidade. 

O sábado foi inteiro dos headbangers. Macapá tem uma cena metal forte e um dos “wall of death” mais selvagens do Brasil. O paulistano Torture Squad, que se apresentou pela primeira vez na cidade, era o nome mais aguardado. Mas antes, as sete bandas que desfilaram entre grind, gotic e thrash metal eram todas da região. O destaque foi a Matinta Perera, que mistura tambores de macumba no ataque thrash. 

O Festival Quebramar é capitaneado por uma turma muito jovem que compõe o Coletivo Palafita, a grande referência de novidades e atrações “alternativas” de Macapá. Seu núcleo, no entanto, é formado por integrantes da banda Mini Box Lunar, expoente da nova música brasileira. Deixando de lado as tarefas de produção, o grupo deu bela demonstração de humildade: em seu próprio festival: foi a primeira atração do domingo e, em função de um atraso, encurtaram a própria apresentação, em sacrifício para que outros tivessem tempo para mostrar seus trabalhos.

E entre as bandas que fizeram parte da programação do último dia estava o combo macapaense Timbres & Temperos, os manauaras Os Tucumanos e também Elisa Maia, a paraense Aíla, que convidou ao palco Manoel e Felipe Cordeiro – um dos grandes nomes da nova safra paraense. A revelação da noite foi a carismática rapper curitibana Karol Conká, que, acompanhada apenas de seu DJ, fez uma apresentação regada a rimas em estilo funkeiro. Os chamarizes de público para o domingo foram dois tiros certeiros da curadoria do evento: Teatro Mágico e Pepeu Gomes. O grupo arrancou muitos gritos e aplausos dos fãs (alguns, pintados), em clima de devoção quase gospel. E como todo festival precisa de heróis, o Quebramar terminou com o show de Pepeu, que subiu acompanhado do filho adolescente Felipe Gomes na outra guitarra e pescou sucessos de suas três últimas décadas de carreira. Não faltaram também homenagens, como a versão de “A Cidade”, de Chico Science & Nação Zumbi..

Entre a platéia o comentário geral era sobre a evolução do evento, que em 2011 foi um dos contemplados pelo edital público de festivais da Petrobras e recebeu uma atenção especial da administração estadual. O governo do Amapá reconheceu a iniciativa do Coletivo Palafita como algo fundamental para o desenvolvimento da cultura local, fortalecendo o região norte como um ponto alto para a nova música brasileira.