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Nome forte do pagode anos 1990, grupo Pixote lança um clipe por mês

Banda acabou de voltar de turnê pelos Estados Unidos e conversou com a Billboard Brasil

por Marcos Lauro em 18/04/2017

Fundado em 1993, o grupo Pixote é um dos grandes nomes do celebrado “pagode anos 1990”, momento em que o samba voltou aos holofotes e se tornou febre em todo o país. 24 anos depois, o grupo segue firme em sua carreira, com clipe novo e turnê pelos Estados Unidos no último mês de março. “Não ter mudado de formação, como muitos grupos fizeram, foi importante pra que a gente chegasse até aqui”, afirma Dodô, vocalista do grupo, em conversa com a Billboard Brasil.

Antes da viagem, o grupo lançou uma faixa do novo EP, Chiclete, e promete clipes para todas as faixas, um por mês.

Veja o clipe abaixo, da música “Ele e Ela”, e leia o papo com o músico:

Vocês acabaram de voltar dos Estados Unidos, tocaram em seis cidades. Já tinham ido antes?
Sim, fomos em 2009. Mas dessa vez foi especial, acho que a galera tava com muita saudade... cantaram tudo, até a música nova [risos]. Tinha uma onda muito grande do sertanejo indo pra lá e o pagode ficou meio de lado, mas a gente foi e deu pra perceber que ficaram muito animados. Tinha gente com camiseta do grupo, parecia um monte de parente [risos]... lembraram até da feijoada com pagode que a gente fazia no Santa Aldeia de sábado.

Alguma cidade impressionou mais? Deu pra curtir também ou foi só trabalho?
Boston foi bem legal e Orlando também, tem muito brasileiro lá... Newark, que a gente não esperava tanto, foi impressionante. E tivemos três dias de descanso, deu pra fazer umas compras, ir aos parques... fomos nuns dois. Eu amo, viro Dodô crianção [risos]. Voltei maravilhado! Da outra vez, ainda estavam construindo a parte do Harry Potter, agora deu pra visitar.

Vocês lançaram o clipe de “Ele e Ela” pouco antes de viajar. Já deu pra sentir a repercussão da música?
O primeiro show no Brasil foi em Curitiba. A gente estava fora e não sabia a repercussão aqui. Mas quando chegamoa lá já tinha uma galera cantando... os fãs assimilaram legal. Agora a gente tá sentindo nos shows.

E o EP novo, Chiclete, tem produção do Walmir Borges, que é um cara conhecido também na cena de samba rock. Como foi o trabalho com ele?
Os dois primeiros CDs do Pixote foram com ele, então já temos uma história juntos... ficamos distantes um tempo, trabalhamos com outros produtores na caminhada, e agora voltamos. E fizemos um lance diferente, todas as músicas têm clipes... vamos lançar uma por mês.

E com o formato de EP, hoje em dia fica melhor pra trabalhar cada música...
Exatamente. Os americanos sempre fizeram isso, né... Boys II Men, R.Kelly... lançavam os disco de seis músicas e tal. A gente adotou isso aqui. Porque se não fica aquela coisa de fazer 14 músicas, aí tocam só duas, três... o lance é não forçar a galera pra curtir. Fica mais fácil de trabalhar as músicas.

pixoteGrupo Pixote - Divulgação

E hoje, com todo mundo ouvindo de tudo, ainda tem o fã de samba, fiel, ou está tudo misturado?
Ainda tem o fã do samba. E tem as modas, né? Tem festa que a gente faz com cinco mil pessoas... show só nosso com duas mil. Tem a parada de querer ouvir coisas diferentes, mas na noite, mesmo nas festas do sertanejo, o DJ vai e toca um samba que esteja fazendo sucesso. O Brasil é isso aí, é mistura, mas tem o momento de cada um. Nos 1990, todo mundo queria ser o Salgadinho, o Belo... na hora da onda vai todo mundo. Quem tem seu público e faz um trabalho legal, volta.

Vocês começaram em 1993, no estouro do pagode. Como você explica a longevidade do Grupo Pixote?
Dos grupos que estouraram, fui o único vocalista que não saí e eu acho que isso contou muito. O movimento deu uma esfriada porque as formações mudaram muito. As pessoas assimilavam as marcas, né, o Netinho com o Negritude e tal. O Pixote, não... sempre a mesma cara. E o nosso público é engraçado, a gente vê uns caras barbudões dizendo “curto vocês desde pequeno” e aí eu falo “sai, bicho, para com isso” [risos]. Em 1997, quando o lance bombou mesmo, nosso som pegou a molecada que estava em época de escola. Pixote e Travessos, principalmente, ficaram como os grupos da molecada, das menininhas. Fora isso, as crianças também curtiram demais. E aí cê tem uma geração, né... muito louco isso. Até hoje a gente toma cuidado com conteúdo das letras, de fazer coisas legais... e tem que saber o que os adolescentes gostam, tem que saber pra onde eles estão indos. A gente vai nas comunidades, faz tarde de autógrafo com a molecada, vê de perto o que tá rolando. É muita informação pra rapaziada. Por isso tem que fazer clipe, tem que se tornar visível pra essa molecada.

Tem muitos grupos fazendo turnês só com repertório de anos 1990. Vocês fazem também?
Eu acho isso legal, mas tem que vir coisas novas. É bom relembrar... a gente até faz um “remember” no nosso show, com os grandes sucessos e tal. Mas o foco é nas coisas novas. O bom dessas turnês é que não deixa o movimento do samba parar... eu luto pra ver coisas novas, gente nova. Não adianta vir só na hora da moda, tem que segurar o público.

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Banda acabou de voltar de turnê pelos Estados Unidos e conversou com a Billboard Brasil

por Marcos Lauro em 18/04/2017

Fundado em 1993, o grupo Pixote é um dos grandes nomes do celebrado “pagode anos 1990”, momento em que o samba voltou aos holofotes e se tornou febre em todo o país. 24 anos depois, o grupo segue firme em sua carreira, com clipe novo e turnê pelos Estados Unidos no último mês de março. “Não ter mudado de formação, como muitos grupos fizeram, foi importante pra que a gente chegasse até aqui”, afirma Dodô, vocalista do grupo, em conversa com a Billboard Brasil.

Antes da viagem, o grupo lançou uma faixa do novo EP, Chiclete, e promete clipes para todas as faixas, um por mês.

Veja o clipe abaixo, da música “Ele e Ela”, e leia o papo com o músico:

Vocês acabaram de voltar dos Estados Unidos, tocaram em seis cidades. Já tinham ido antes?
Sim, fomos em 2009. Mas dessa vez foi especial, acho que a galera tava com muita saudade... cantaram tudo, até a música nova [risos]. Tinha uma onda muito grande do sertanejo indo pra lá e o pagode ficou meio de lado, mas a gente foi e deu pra perceber que ficaram muito animados. Tinha gente com camiseta do grupo, parecia um monte de parente [risos]... lembraram até da feijoada com pagode que a gente fazia no Santa Aldeia de sábado.

Alguma cidade impressionou mais? Deu pra curtir também ou foi só trabalho?
Boston foi bem legal e Orlando também, tem muito brasileiro lá... Newark, que a gente não esperava tanto, foi impressionante. E tivemos três dias de descanso, deu pra fazer umas compras, ir aos parques... fomos nuns dois. Eu amo, viro Dodô crianção [risos]. Voltei maravilhado! Da outra vez, ainda estavam construindo a parte do Harry Potter, agora deu pra visitar.

Vocês lançaram o clipe de “Ele e Ela” pouco antes de viajar. Já deu pra sentir a repercussão da música?
O primeiro show no Brasil foi em Curitiba. A gente estava fora e não sabia a repercussão aqui. Mas quando chegamoa lá já tinha uma galera cantando... os fãs assimilaram legal. Agora a gente tá sentindo nos shows.

E o EP novo, Chiclete, tem produção do Walmir Borges, que é um cara conhecido também na cena de samba rock. Como foi o trabalho com ele?
Os dois primeiros CDs do Pixote foram com ele, então já temos uma história juntos... ficamos distantes um tempo, trabalhamos com outros produtores na caminhada, e agora voltamos. E fizemos um lance diferente, todas as músicas têm clipes... vamos lançar uma por mês.

E com o formato de EP, hoje em dia fica melhor pra trabalhar cada música...
Exatamente. Os americanos sempre fizeram isso, né... Boys II Men, R.Kelly... lançavam os disco de seis músicas e tal. A gente adotou isso aqui. Porque se não fica aquela coisa de fazer 14 músicas, aí tocam só duas, três... o lance é não forçar a galera pra curtir. Fica mais fácil de trabalhar as músicas.

pixoteGrupo Pixote - Divulgação

E hoje, com todo mundo ouvindo de tudo, ainda tem o fã de samba, fiel, ou está tudo misturado?
Ainda tem o fã do samba. E tem as modas, né? Tem festa que a gente faz com cinco mil pessoas... show só nosso com duas mil. Tem a parada de querer ouvir coisas diferentes, mas na noite, mesmo nas festas do sertanejo, o DJ vai e toca um samba que esteja fazendo sucesso. O Brasil é isso aí, é mistura, mas tem o momento de cada um. Nos 1990, todo mundo queria ser o Salgadinho, o Belo... na hora da onda vai todo mundo. Quem tem seu público e faz um trabalho legal, volta.

Vocês começaram em 1993, no estouro do pagode. Como você explica a longevidade do Grupo Pixote?
Dos grupos que estouraram, fui o único vocalista que não saí e eu acho que isso contou muito. O movimento deu uma esfriada porque as formações mudaram muito. As pessoas assimilavam as marcas, né, o Netinho com o Negritude e tal. O Pixote, não... sempre a mesma cara. E o nosso público é engraçado, a gente vê uns caras barbudões dizendo “curto vocês desde pequeno” e aí eu falo “sai, bicho, para com isso” [risos]. Em 1997, quando o lance bombou mesmo, nosso som pegou a molecada que estava em época de escola. Pixote e Travessos, principalmente, ficaram como os grupos da molecada, das menininhas. Fora isso, as crianças também curtiram demais. E aí cê tem uma geração, né... muito louco isso. Até hoje a gente toma cuidado com conteúdo das letras, de fazer coisas legais... e tem que saber o que os adolescentes gostam, tem que saber pra onde eles estão indos. A gente vai nas comunidades, faz tarde de autógrafo com a molecada, vê de perto o que tá rolando. É muita informação pra rapaziada. Por isso tem que fazer clipe, tem que se tornar visível pra essa molecada.

Tem muitos grupos fazendo turnês só com repertório de anos 1990. Vocês fazem também?
Eu acho isso legal, mas tem que vir coisas novas. É bom relembrar... a gente até faz um “remember” no nosso show, com os grandes sucessos e tal. Mas o foco é nas coisas novas. O bom dessas turnês é que não deixa o movimento do samba parar... eu luto pra ver coisas novas, gente nova. Não adianta vir só na hora da moda, tem que segurar o público.