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O que é ser mulher na música brasileira?

Neste oito de março, perguntamos para cantoras de diferentes gêneros musicais sobre o momento atual para as mulheres no cenário

por Rebecca Silva em 08/03/2017

Nos últimos anos, temos acompanhado um crescimento no compartilhamento de histórias de luta e resistência de mulheres que batalharam e conquistaram seu espaço em um mundo que ainda é, infelizmente, machista. O empoderamento feminino se tornou assunto discutido diariamente em mesas de bar, salas de aula e portais na internet.

Por causa de mulheres que lutaram por seus direitos sociais, políticos e econômicos há décadas, comemoramos hoje (08/03) o Dia Internacional das Mulheres. Como ainda há muito o que conquistar pela frente, é preciso falar sobre as questões que ainda limitam mulheres de todo o mundo. E no meio da música não é diferente.

Também temos acompanhado, no Brasil, uma nova onda de artistas femininas ocupando espaços que, anteriormente, eram dominados pelos homens. Marília Mendonça, Maiara & Maraísa, Naiara Azevedo e Simone & Simaria são alguns dos nomes que chegaram para mudar o cenário sertanejo. Anitta e Ludmilla provaram seus valores e são destaques na mídia que antes desprezava cantoras de funk. E já inspiram gerações ainda mais novas, de jovens cantoras que veem uma chance de realizar o sonho de ser artista. Elza Soares continua, após mais de 60 anos de carreira, em atividade cantando sobre os dramas do cotidiano feminino.

Seja de roupa curta ou não, caprichando na coreografia ou impressionando com um show só de voz e violão... ou tudo isso junto e misturado. Que cada vez mais mulheres tenham espaço para fazer o que amam fazer, do jeito que bem entenderem, cantando sobre o que quiserem e se apresentando da forma que julgarem melhor artisticamente. E, principalmente, não sendo julgadas ou diminuídas por suas escolhas.

Porém, ainda que na frente das câmeras o número de mulheres possa ter crescido, nos bastidores a situação é bem diferente. Boa parte dos cargos na produção, composição e até mesmo em bandas que acompanham os artistas em turnê são ocupados por homens. É preciso dar mais oportunidade e espaço para as mulheres. Seja para o momento mais deprê das nossas vidas, quando uma boa sofrência nos ajuda a colocar toda a tristeza para fora, ou para quando estamos nos sentindo poderosas como a Beyoncé, precisamos que mais mulheres façam música.

Para comemorar este dia, a Billboard Brasil perguntou para cantoras brasileiras de diferentes gêneros musicais sobre como é ser mulher neste meio:

Bruna Viola

“Está sendo maravilhoso, principalmente porque as portas estão se abrindo cada vez mais para a mulherada, graças a Deus. Nós somos guerreiras e não só na música, mas como em várias profissões as mulheres vêm se destacando”.

Divulgação

Paula Fernandes

“O papel da mulher na música e em outras áreas deve ser de igualdade. Ser mulher no meio musical é motivo de muito orgulho para mim. Fico muito feliz por estar encorajando tanta gente a ingressar na carreira artística e ser referência para tantos talentos femininos espalhados pelo país. Estou satisfeita com o nosso momento atual, acho mais do que justo este reconhecimento. A cada dia existe menos preconceito no meio e isso é resultado de muito trabalho. Batalhei muito para conquistar meu espaço e vivenciar o que temos hoje me dá muito orgulho e sensação de missão cumprida”.

Divulgação

Paula Mattos

"Quando gravei o primeiro projeto, foi com a cara e com a coragem, com o dinheiro que tinha sem saber no que daria, apostando em um sonho pois o mercado era muito fechado para nós. Hoje muitas coisas mudaram, o mercado e o público estão mais abertos nos receber. Tenho muito orgulho em fazer parte desse movimento que revolucionou o mercado musical e tenho certeza que nós mulheres não seremos apenas uma ‘modinha’".

Divulgação

Sofia Oliveira

"Acho muito importante essa fase no cenário musical brasileiro de empoderamento feminino. Fico muito feliz pois estamos conquistando cada vez mais nosso espaço no cenário, inspirando, incentivando e apoiando muitas outras mulheres e meninas de alguma forma. Devemos unir nossas forças, mostrar nosso talento e tudo o que somos capazes".

Divulgação

Ludmilla

"Ser mulher é maravilhoso! É ser muitas em uma só, ser transformadora, guerreira. Acredito que a mulher já nasceu preparada para o que der e vier. Tenho orgulho de ser mulher, conseguir viver da música, ver a mudança do mercado dando o espaço e reconhecimento que devemos ter. Me orgulho mais ainda em poder inspirar de alguma forma outras mulheres a não desistir dos seus sonhos".

Divulgação

Daniela Mercury

“As mulheres hoje podem se expressar mais, têm mais espaço. Sempre existiram compositoras, mas isso não é esperado de uma mulher. Quando se começa uma carreira, se espera isso apenas dos homens. Mesmo que a mulher componha, ela acaba virando intérprete. Uma mulher que não é submissa, que não aceita o que dizem, é insuportável. Mas temos que ser assim. Não existe conquista sem luta”

Divulgação

Negra Li

“No começo da carreira, eu era muito podada e não percebia, no meu jeito de ser e me vestir. Usava as roupas dos meus irmãos, diziam que eu não podia sorrir. Para mim era normal, eu era muito nova. Hoje sei que foi machismo. Quando vejo a liberdade da Karol Conka, da Flora Mattos falando o que querem, fazendo suas próprias bases, é totalmente diferente do que tive”.

Divulgação

Valesca

“Iniciei no funk quando era um ritmo essencialmente masculino, machista, e a mulher era colocada como objeto. Sou dessas, que desde quando não era comentado sobre o empoderamento feminino, começava a defender as mulheres e buscar por direitos iguais na música. Ser mulher na música é ter voz, ter força, ter respeito e apimentar tudo de um jeito só nosso”.

Divulgação

IZA

“Tem que ser muito corajosa para se aventurar nessa indústria. Tô aqui porque a música me move, mas também pra mostrar para as outras minas que é possível. Não só estar nos holofotes, mas ser diretora, A&R, presidente. Meu trabalho é por todas nós, pelo nosso movimento. Ver o quanto somos fortes me enche de esperança. Vamos lutar por nós e por um mundo menos misógino e machista. Nós movemos o mundo”.

Divulgação

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O que é ser mulher na música brasileira?

Neste oito de março, perguntamos para cantoras de diferentes gêneros musicais sobre o momento atual para as mulheres no cenário

por Rebecca Silva em 08/03/2017

Nos últimos anos, temos acompanhado um crescimento no compartilhamento de histórias de luta e resistência de mulheres que batalharam e conquistaram seu espaço em um mundo que ainda é, infelizmente, machista. O empoderamento feminino se tornou assunto discutido diariamente em mesas de bar, salas de aula e portais na internet.

Por causa de mulheres que lutaram por seus direitos sociais, políticos e econômicos há décadas, comemoramos hoje (08/03) o Dia Internacional das Mulheres. Como ainda há muito o que conquistar pela frente, é preciso falar sobre as questões que ainda limitam mulheres de todo o mundo. E no meio da música não é diferente.

Também temos acompanhado, no Brasil, uma nova onda de artistas femininas ocupando espaços que, anteriormente, eram dominados pelos homens. Marília Mendonça, Maiara & Maraísa, Naiara Azevedo e Simone & Simaria são alguns dos nomes que chegaram para mudar o cenário sertanejo. Anitta e Ludmilla provaram seus valores e são destaques na mídia que antes desprezava cantoras de funk. E já inspiram gerações ainda mais novas, de jovens cantoras que veem uma chance de realizar o sonho de ser artista. Elza Soares continua, após mais de 60 anos de carreira, em atividade cantando sobre os dramas do cotidiano feminino.

Seja de roupa curta ou não, caprichando na coreografia ou impressionando com um show só de voz e violão... ou tudo isso junto e misturado. Que cada vez mais mulheres tenham espaço para fazer o que amam fazer, do jeito que bem entenderem, cantando sobre o que quiserem e se apresentando da forma que julgarem melhor artisticamente. E, principalmente, não sendo julgadas ou diminuídas por suas escolhas.

Porém, ainda que na frente das câmeras o número de mulheres possa ter crescido, nos bastidores a situação é bem diferente. Boa parte dos cargos na produção, composição e até mesmo em bandas que acompanham os artistas em turnê são ocupados por homens. É preciso dar mais oportunidade e espaço para as mulheres. Seja para o momento mais deprê das nossas vidas, quando uma boa sofrência nos ajuda a colocar toda a tristeza para fora, ou para quando estamos nos sentindo poderosas como a Beyoncé, precisamos que mais mulheres façam música.

Para comemorar este dia, a Billboard Brasil perguntou para cantoras brasileiras de diferentes gêneros musicais sobre como é ser mulher neste meio:

Bruna Viola

“Está sendo maravilhoso, principalmente porque as portas estão se abrindo cada vez mais para a mulherada, graças a Deus. Nós somos guerreiras e não só na música, mas como em várias profissões as mulheres vêm se destacando”.

Divulgação

Paula Fernandes

“O papel da mulher na música e em outras áreas deve ser de igualdade. Ser mulher no meio musical é motivo de muito orgulho para mim. Fico muito feliz por estar encorajando tanta gente a ingressar na carreira artística e ser referência para tantos talentos femininos espalhados pelo país. Estou satisfeita com o nosso momento atual, acho mais do que justo este reconhecimento. A cada dia existe menos preconceito no meio e isso é resultado de muito trabalho. Batalhei muito para conquistar meu espaço e vivenciar o que temos hoje me dá muito orgulho e sensação de missão cumprida”.

Divulgação

Paula Mattos

"Quando gravei o primeiro projeto, foi com a cara e com a coragem, com o dinheiro que tinha sem saber no que daria, apostando em um sonho pois o mercado era muito fechado para nós. Hoje muitas coisas mudaram, o mercado e o público estão mais abertos nos receber. Tenho muito orgulho em fazer parte desse movimento que revolucionou o mercado musical e tenho certeza que nós mulheres não seremos apenas uma ‘modinha’".

Divulgação

Sofia Oliveira

"Acho muito importante essa fase no cenário musical brasileiro de empoderamento feminino. Fico muito feliz pois estamos conquistando cada vez mais nosso espaço no cenário, inspirando, incentivando e apoiando muitas outras mulheres e meninas de alguma forma. Devemos unir nossas forças, mostrar nosso talento e tudo o que somos capazes".

Divulgação

Ludmilla

"Ser mulher é maravilhoso! É ser muitas em uma só, ser transformadora, guerreira. Acredito que a mulher já nasceu preparada para o que der e vier. Tenho orgulho de ser mulher, conseguir viver da música, ver a mudança do mercado dando o espaço e reconhecimento que devemos ter. Me orgulho mais ainda em poder inspirar de alguma forma outras mulheres a não desistir dos seus sonhos".

Divulgação

Daniela Mercury

“As mulheres hoje podem se expressar mais, têm mais espaço. Sempre existiram compositoras, mas isso não é esperado de uma mulher. Quando se começa uma carreira, se espera isso apenas dos homens. Mesmo que a mulher componha, ela acaba virando intérprete. Uma mulher que não é submissa, que não aceita o que dizem, é insuportável. Mas temos que ser assim. Não existe conquista sem luta”

Divulgação

Negra Li

“No começo da carreira, eu era muito podada e não percebia, no meu jeito de ser e me vestir. Usava as roupas dos meus irmãos, diziam que eu não podia sorrir. Para mim era normal, eu era muito nova. Hoje sei que foi machismo. Quando vejo a liberdade da Karol Conka, da Flora Mattos falando o que querem, fazendo suas próprias bases, é totalmente diferente do que tive”.

Divulgação

Valesca

“Iniciei no funk quando era um ritmo essencialmente masculino, machista, e a mulher era colocada como objeto. Sou dessas, que desde quando não era comentado sobre o empoderamento feminino, começava a defender as mulheres e buscar por direitos iguais na música. Ser mulher na música é ter voz, ter força, ter respeito e apimentar tudo de um jeito só nosso”.

Divulgação

IZA

“Tem que ser muito corajosa para se aventurar nessa indústria. Tô aqui porque a música me move, mas também pra mostrar para as outras minas que é possível. Não só estar nos holofotes, mas ser diretora, A&R, presidente. Meu trabalho é por todas nós, pelo nosso movimento. Ver o quanto somos fortes me enche de esperança. Vamos lutar por nós e por um mundo menos misógino e machista. Nós movemos o mundo”.

Divulgação