NOTÍCIAS

Oasis, a última grande banda do rock (pré-internet)

Documentário Supersonic mostra a força dos irmãos Gallagher na música dos anos 1990

por Marcos Lauro em 16/04/2017

Inglaterra, segunda metade dos anos 1990. O país (e boa parte da Europa) era tomado pela música eletrônica e pelas raves, que dançavam ao som do big beat, drum ‘n’ bass e outros ritmos. O rock, pós-Nirvana, estava meio esquecido – ou ainda não havia conhecido outro nome tão arrebatador quanto o de Seattle, que havia saído de cena em 1994 com o suicídio de Kurt Cobain. Mas dois irmãos, criados num conjunto habitacional de Manchester, estavam surgindo para mudar totalmente esse quadro.

Essa é a história contada em Supersonic, documentário de Mat Whitecross (diretor de diversos clipes do Coldplay) que chegou à Netflix em abril. O longa nos faz sair da superfície e ir além da imagem de arruaceiros, briguentos e sem papas na língua de Liam e Noel Gallagher. Sim, eles são tudo isso, mas são também os criadores do último grande fenômeno do rock pré-internet. Dois (de três) irmãos, completamente diferentes entre si, resolvem se juntar em uma banda depois de um histórico familiar complicado (o pai era violento com a esposa, mãe dos Gallagher, e com os filhos; a família literalmente fugiu do pai, que tentou reencontrar os irmãos após a fama) e levam esse ambiente pesado para a banda. Hoje, mesmo publicamente brigados e sem nenhum tipo de relacionamento pessoal, os dois narram o documentário e aparecem nos créditos como produtores executivos.

A grande prova da popularidade do Oasis e do tamanho que a banda alcançou é o show em Knebworth, em 1996, com público de 250 mil pessoas – e o documentário revela que mais de 2,6 milhões de pessoas tentaram comprar ingresso, o que daria para multiplicar aquelas duas noites em muitas outras. Isso em 1996, num período pré-internet, quando a rede já existia mas ainda não era popular ao ponto de forjar ídolos e chegar na pulverização que existe hoje. Pensando bem: que banda ou artista hoje lotaria um espaço para 250 mil pessoas? Nesses tempos de streaming e de 20, 30 artistas na playlist pessoal de cada usuário, qual nome levaria mais de dois milhões de pessoas para a compra de um ingresso? Por mais que um fã ou outro se empolgue e grite o nome do seu artista preferido, não há resposta. O Oasis foi o último artista a ocupar esse posto e não há volta.

O documentário dá a entender que a carreira do Oasis foi curta, tudo passa muito rápido diante dos olhos – até porque há um recorte apenas para os dois primeiros discos. Logo depois do primeiro, Definitely Maybe, de 1994, já houve uma ruptura, rapidamente resolvida entre os irmãos. “Se eu soubesse, tinha lançado o segundo álbum como artista solo. Tinha ficado rico!”, solta Noel, entre tantas frases de efeito durante o longa. Noel se mostra não apenas como o grande compositor do grupo, mas também como cabeça pensante enquanto Liam se resumo à voz e à postura. Arrebatador, o segundo álbum (What's the Story) Morning Glory?, de 1995, terminou o trabalho iniciado pelo primeiro: a dominação mundial. A banda lançaria mais cinco álbuns de estúdio, que não são citados no filme.

Não apenas os números grandiosos, mas também as melodias andariam esquecidas no rock inglês, sendo retomadas apenas em 2000 com a estreia do Coldplay – que não se aparenta em nada com o Oasis quando o assunto é comportamento dos integrantes. Por tudo isso, hoje, com o distanciamento histórico que esse tipo de afirmação precisa, já dá pra cravar o Oasis como o maior nome do rock inglês da era pré-internet, de uma época em que as pessoas ainda se telefonavam. Tão grande que o documentário nem abre espaço para maiores contextualizações sobre o britpop ou mesmo as desavenças com o Blur e outras bandas. No longa, só sobram farpas para Phil Collins e Sting, músicos abominados pelos Gallagher. Todo o resto é sobre o Oasis e seus primeiros anos, até 1996.

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Inglaterra, segunda metade dos anos 1990. O país (e boa parte da Europa) era tomado pela música eletrônica e pelas raves, que dançavam ao som do big beat, drum ‘n’ bass e outros ritmos. O rock, pós-Nirvana, estava meio esquecido – ou ainda não havia conhecido outro nome tão arrebatador quanto o de Seattle, que havia saído de cena em 1994 com o suicídio de Kurt Cobain. Mas dois irmãos, criados num conjunto habitacional de Manchester, estavam surgindo para mudar totalmente esse quadro.

Essa é a história contada em Supersonic, documentário de Mat Whitecross (diretor de diversos clipes do Coldplay) que chegou à Netflix em abril. O longa nos faz sair da superfície e ir além da imagem de arruaceiros, briguentos e sem papas na língua de Liam e Noel Gallagher. Sim, eles são tudo isso, mas são também os criadores do último grande fenômeno do rock pré-internet. Dois (de três) irmãos, completamente diferentes entre si, resolvem se juntar em uma banda depois de um histórico familiar complicado (o pai era violento com a esposa, mãe dos Gallagher, e com os filhos; a família literalmente fugiu do pai, que tentou reencontrar os irmãos após a fama) e levam esse ambiente pesado para a banda. Hoje, mesmo publicamente brigados e sem nenhum tipo de relacionamento pessoal, os dois narram o documentário e aparecem nos créditos como produtores executivos.

A grande prova da popularidade do Oasis e do tamanho que a banda alcançou é o show em Knebworth, em 1996, com público de 250 mil pessoas – e o documentário revela que mais de 2,6 milhões de pessoas tentaram comprar ingresso, o que daria para multiplicar aquelas duas noites em muitas outras. Isso em 1996, num período pré-internet, quando a rede já existia mas ainda não era popular ao ponto de forjar ídolos e chegar na pulverização que existe hoje. Pensando bem: que banda ou artista hoje lotaria um espaço para 250 mil pessoas? Nesses tempos de streaming e de 20, 30 artistas na playlist pessoal de cada usuário, qual nome levaria mais de dois milhões de pessoas para a compra de um ingresso? Por mais que um fã ou outro se empolgue e grite o nome do seu artista preferido, não há resposta. O Oasis foi o último artista a ocupar esse posto e não há volta.

O documentário dá a entender que a carreira do Oasis foi curta, tudo passa muito rápido diante dos olhos – até porque há um recorte apenas para os dois primeiros discos. Logo depois do primeiro, Definitely Maybe, de 1994, já houve uma ruptura, rapidamente resolvida entre os irmãos. “Se eu soubesse, tinha lançado o segundo álbum como artista solo. Tinha ficado rico!”, solta Noel, entre tantas frases de efeito durante o longa. Noel se mostra não apenas como o grande compositor do grupo, mas também como cabeça pensante enquanto Liam se resumo à voz e à postura. Arrebatador, o segundo álbum (What's the Story) Morning Glory?, de 1995, terminou o trabalho iniciado pelo primeiro: a dominação mundial. A banda lançaria mais cinco álbuns de estúdio, que não são citados no filme.

Não apenas os números grandiosos, mas também as melodias andariam esquecidas no rock inglês, sendo retomadas apenas em 2000 com a estreia do Coldplay – que não se aparenta em nada com o Oasis quando o assunto é comportamento dos integrantes. Por tudo isso, hoje, com o distanciamento histórico que esse tipo de afirmação precisa, já dá pra cravar o Oasis como o maior nome do rock inglês da era pré-internet, de uma época em que as pessoas ainda se telefonavam. Tão grande que o documentário nem abre espaço para maiores contextualizações sobre o britpop ou mesmo as desavenças com o Blur e outras bandas. No longa, só sobram farpas para Phil Collins e Sting, músicos abominados pelos Gallagher. Todo o resto é sobre o Oasis e seus primeiros anos, até 1996.