NOTÍCIAS

Patrícia Marx volta à infância para lançar EP

por em 11/09/2015
Por Marcos Lauro Já são 33 anos de carreira. E desde o Trem da Alegria – e o impulso da apresentadora Xuxa para sair em carreira solo – até hoje, Patrícia Marx nunca parou. Depois de experimentar o sucesso estrondoso entre o público infantil nos anos 1980 e o adulto na década de 1990, a cantora e compositora seguiu seu rumo por um caminho mais autoral, autêntico e, acima de tudo, independente. “Minha fase na gravadora Trama, de 2001 a 2004, foi um grande aprendizado de como ser independente. Uma grande escola, pra aprender como fazer mesmo”, contou Patrícia para a Billboard Brasil. Patrícia escolheu o financiamento coletivo para seu próximo EP, com cinco músicas. Conversamos com ela sobre o repertório do disco, que remete a sua infância, e também sobre a lista “os 10 artistas do pop nacional que merecem mais uma chance”, que publicamos há alguns meses. Na época, soubemos que a matéria não foi bem recebida pela cantora. Mas agora está tudo bem. “Sem ressentimentos”, garantiu Patrícia Marx. Seu próximo EP vai ter cinco músicas e, dentre elas, duas conhecidas na voz da Gal. Como foi essa escolha? São músicas do Caetano que foram gravadas pela Gal, “Tigresa” e “Tapete Mágico”. Vai ter também a versão de “Black Orchid”, do Stevie Wonder, que gravei no primeiro disco da Xuxa. A versão é do Ronaldo Bastos e se chama “Miragem, Viagem”. Foi minha transição do Trem da Alegria pra carreira solo. A Xuxa que me motivou a sair. E ainda não sei se regravo outras músicas no EP ou se pego músicas novas. É um álbum que representa a minha infância, o meu ingresso na música, minha  formação musical e o que eu escutava na época. Seus pais eram ligados em música? Sim, muito ligados. Eles ouviam de jazz a MPB, música erudita... Minha mãe dava aulas de balé clássico. Ela era pintora também e meu pai era arquiteto. Então tem música, estética, tudo deles. O que você busca com o financiamento coletivo? Eu pesquisei muito antes, inclusive algumas questões sobre a liberdade desse esquema. Já que você propõe algo para o público e faz uma troca - afinal as pessoas compram cotas em troca de benefícios - eu pensei muito no que eu poderia fazer, na escolha de repertório etc. Então não é tanta liberdade assim. Você precisa negociar com o público. Aí eu fiz uma pesquisa na minha página no Facebook e pedi pra eles escolherem uma música bem do meu comecinho solo, entre cinco opções. Essa foi a minha forma de possibilitar uma participação maior do público no trabalho. E aí ganhou a “Miragem, Viagem”, que eu nem sabia que as pessoas gostavam, era a última música do álbum. A letra é super cabeça pra criança ouvir e as pessoas me falaram que choravam quando ouviam... E eu nem tinha ideia disso. Essa coisa da memória afetiva é muito forte, né? Sim, muito. A música tem isso, junto com sabores, aromas. Foi uma coisa bonita. Interessante você citar essa negociação direta com o público. Afinal, eles estão apoiando diretamente o trabalho. Claro, fica mais interessante pra pessoa se ela se envolve com o projeto. Eu pensei: as pessoas vão pagar pelo meu trabalho, então eu não posso fazer o que eu quiser. Dependo disso. Em 2012 você comemorou 30 anos de carreira. Qual foi o balanço? Eu já vinha sentindo todas as mudanças [no mercado fonográfico] desde 1998. A coisa era um pouquinho mais lenta, mas quando chegou a internet, o mundo mudou. Minha fase na gravadora Trama, de 2001 a 2004, foi um grande aprendizado de como ser independente. Uma grande escola, pra aprender como fazer mesmo. A gente ainda tinha apoio de gravadora, a própria Trama, mas depois o mercado foi caindo mesmo e a gente teve que se virar. Hoje é muito normal ser independente e ter que fazer tudo. Claro que ainda tem uma minoria de artistas que vive nesse esquema das gravadoras, mas elas se tornaram escritórios pra esses artistas. Hoje, a gente vê que a turma do rap é super unida. Pegaram esse formato, se uniram e continuam independentes. Tem o exemplo do Emicida com a Laboratório Fantasma. Então, é possível hoje o independente funcionar muito bem. No sertanejo tem muito isso também, de uma dupla compor para outra, gravar... coisa que no rock praticamente não existe mais. No rock e em nenhum outro segmento. Eu me vejo muito isolada e solitária nessa questão de parcerias com outros artistas. E outros artistas que eu conheço também reclamam dessa falta de coletividade. O que é normal lá fora, essa questão de parcerias. Eu já trabalhei com muita gente, DJs, artistas, pessoal da música eletrônica lá fora... Mas aqui é muito complicado. E também é difícil lidar com o público nessa questão de financiamento coletivo. Eles não têm esse hábito de comprar online, eu tenho que ficar explicando até a forma de pagamento... Meio que desenhar como funciona o sistema. Isso ainda é muito novo e apenas uma parcela pequena do público já conhece. Tem que ter paciência, é trabalhoso, bem trabalhoso... Tem que ter criatividade pra divulgar várias vezes sem ser monótono, falar do mesmo assunto durante 60 dias. Mas o lado bom é que o crowdfunding funciona como um coaching pro artista. A gente aprende a questão do orçamento, quanto custa cada coisa, tem que ter essa garra pra chamar as pessoas para o seu projeto, tem que ser positivo... Há 30 anos, sucesso era estar na Xuxa, no Chacrinha etc. Hoje, cada um tem um caminho. Pra você o que é sucesso? Eu vou bem pra parte do emocional das pessoas. Pra mim é estar no inconsciente coletivo. Quando a pessoa ouve uma música minha, que fez parte da vida dela e se emociona, é sucesso. As pessoas mais novas me falam: “Não conheci o seu trabalho, mas minha mãe ouve, queria ter nascido naquela época”. Isso pra mim é sucesso. E a Gal é uma referência pra você? Sim, sempre foi. É fantástica. Ela é minha primeira professora de canto. Ela e a Minnie Riperton. Essa questão de cantar agudo, afinado, com pouco vibrato, suave, doce... E eu cantava junto para aprender, então tenho uma identificação. Destaca algum disco dela? O Fantasia [1981], de onde eu tirei “Tapete Mágico”. Se eu ouvir hoje de novo, eu choro na hora. Eu ouvia direto, acaba um lado e colocava o outro. Eu viajava, imaginava aquela história toda. O seu show hoje é composto pelos hits ou você privilegia as músicas mais recentes? Eu coloco os hits: “Espelhos D’Água”, “Quando Chove”, “Ficar Com Você”, “Sonhos De Amor”... E coloco coisas novas. O show é muito livre. A gente quase não ensaia e cada show é um show. Tem Herbie Hancock, Michael Jackson (“Rock With You”), Erykah Badu... me identifico muito com a black, neo soul. É meio jazz, meio soul, com muito improviso. Há alguns meses a gente listou dez artistas nacionais que mereciam uma nova chance, você estava na lista e a gente soube que você não gostou muito da abordagem. Queria abrir espaço pra você comentar. Imagina, eu nem me lembrava [risos]. Mas eu vejo que as pessoas encaram quem não está na mídia como artistas que não fazem nada e isso é meio ingrato. Se as pessoas não acompanham seu trabalho e rola isso, tem que ter uma pesquisa em cima. Achei a lista meio estranha, mas por outro lado achei que foi uma lembrança bacana. Eu tenho medo dessas listas [risos]. A intenção foi, de verdade, dizer que os artistas listados continuam na luta, mas sem visibilidade... E nem sempre vai agradar todo mundo, né? E eu vi por esse lado. Super tranquilo, imagina. Sem ressentimentos.
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Ar-Condicionado No 15
Wesley Safadão
Áudio indisponível
2
Regime Fechado
Simone & Simaria
3
Avisa Que Eu Cheguei (Part. Ivete Sangalo)
Naiara Azevedo
4
Na Conta Da Loucura
Bruno & Marrone
5
Amigo Taxista
Zé Neto & Cristiano
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Patrícia Marx volta à infância para lançar EP

por em 11/09/2015
Por Marcos Lauro Já são 33 anos de carreira. E desde o Trem da Alegria – e o impulso da apresentadora Xuxa para sair em carreira solo – até hoje, Patrícia Marx nunca parou. Depois de experimentar o sucesso estrondoso entre o público infantil nos anos 1980 e o adulto na década de 1990, a cantora e compositora seguiu seu rumo por um caminho mais autoral, autêntico e, acima de tudo, independente. “Minha fase na gravadora Trama, de 2001 a 2004, foi um grande aprendizado de como ser independente. Uma grande escola, pra aprender como fazer mesmo”, contou Patrícia para a Billboard Brasil. Patrícia escolheu o financiamento coletivo para seu próximo EP, com cinco músicas. Conversamos com ela sobre o repertório do disco, que remete a sua infância, e também sobre a lista “os 10 artistas do pop nacional que merecem mais uma chance”, que publicamos há alguns meses. Na época, soubemos que a matéria não foi bem recebida pela cantora. Mas agora está tudo bem. “Sem ressentimentos”, garantiu Patrícia Marx. Seu próximo EP vai ter cinco músicas e, dentre elas, duas conhecidas na voz da Gal. Como foi essa escolha? São músicas do Caetano que foram gravadas pela Gal, “Tigresa” e “Tapete Mágico”. Vai ter também a versão de “Black Orchid”, do Stevie Wonder, que gravei no primeiro disco da Xuxa. A versão é do Ronaldo Bastos e se chama “Miragem, Viagem”. Foi minha transição do Trem da Alegria pra carreira solo. A Xuxa que me motivou a sair. E ainda não sei se regravo outras músicas no EP ou se pego músicas novas. É um álbum que representa a minha infância, o meu ingresso na música, minha  formação musical e o que eu escutava na época. Seus pais eram ligados em música? Sim, muito ligados. Eles ouviam de jazz a MPB, música erudita... Minha mãe dava aulas de balé clássico. Ela era pintora também e meu pai era arquiteto. Então tem música, estética, tudo deles. O que você busca com o financiamento coletivo? Eu pesquisei muito antes, inclusive algumas questões sobre a liberdade desse esquema. Já que você propõe algo para o público e faz uma troca - afinal as pessoas compram cotas em troca de benefícios - eu pensei muito no que eu poderia fazer, na escolha de repertório etc. Então não é tanta liberdade assim. Você precisa negociar com o público. Aí eu fiz uma pesquisa na minha página no Facebook e pedi pra eles escolherem uma música bem do meu comecinho solo, entre cinco opções. Essa foi a minha forma de possibilitar uma participação maior do público no trabalho. E aí ganhou a “Miragem, Viagem”, que eu nem sabia que as pessoas gostavam, era a última música do álbum. A letra é super cabeça pra criança ouvir e as pessoas me falaram que choravam quando ouviam... E eu nem tinha ideia disso. Essa coisa da memória afetiva é muito forte, né? Sim, muito. A música tem isso, junto com sabores, aromas. Foi uma coisa bonita. Interessante você citar essa negociação direta com o público. Afinal, eles estão apoiando diretamente o trabalho. Claro, fica mais interessante pra pessoa se ela se envolve com o projeto. Eu pensei: as pessoas vão pagar pelo meu trabalho, então eu não posso fazer o que eu quiser. Dependo disso. Em 2012 você comemorou 30 anos de carreira. Qual foi o balanço? Eu já vinha sentindo todas as mudanças [no mercado fonográfico] desde 1998. A coisa era um pouquinho mais lenta, mas quando chegou a internet, o mundo mudou. Minha fase na gravadora Trama, de 2001 a 2004, foi um grande aprendizado de como ser independente. Uma grande escola, pra aprender como fazer mesmo. A gente ainda tinha apoio de gravadora, a própria Trama, mas depois o mercado foi caindo mesmo e a gente teve que se virar. Hoje é muito normal ser independente e ter que fazer tudo. Claro que ainda tem uma minoria de artistas que vive nesse esquema das gravadoras, mas elas se tornaram escritórios pra esses artistas. Hoje, a gente vê que a turma do rap é super unida. Pegaram esse formato, se uniram e continuam independentes. Tem o exemplo do Emicida com a Laboratório Fantasma. Então, é possível hoje o independente funcionar muito bem. No sertanejo tem muito isso também, de uma dupla compor para outra, gravar... coisa que no rock praticamente não existe mais. No rock e em nenhum outro segmento. Eu me vejo muito isolada e solitária nessa questão de parcerias com outros artistas. E outros artistas que eu conheço também reclamam dessa falta de coletividade. O que é normal lá fora, essa questão de parcerias. Eu já trabalhei com muita gente, DJs, artistas, pessoal da música eletrônica lá fora... Mas aqui é muito complicado. E também é difícil lidar com o público nessa questão de financiamento coletivo. Eles não têm esse hábito de comprar online, eu tenho que ficar explicando até a forma de pagamento... Meio que desenhar como funciona o sistema. Isso ainda é muito novo e apenas uma parcela pequena do público já conhece. Tem que ter paciência, é trabalhoso, bem trabalhoso... Tem que ter criatividade pra divulgar várias vezes sem ser monótono, falar do mesmo assunto durante 60 dias. Mas o lado bom é que o crowdfunding funciona como um coaching pro artista. A gente aprende a questão do orçamento, quanto custa cada coisa, tem que ter essa garra pra chamar as pessoas para o seu projeto, tem que ser positivo... Há 30 anos, sucesso era estar na Xuxa, no Chacrinha etc. Hoje, cada um tem um caminho. Pra você o que é sucesso? Eu vou bem pra parte do emocional das pessoas. Pra mim é estar no inconsciente coletivo. Quando a pessoa ouve uma música minha, que fez parte da vida dela e se emociona, é sucesso. As pessoas mais novas me falam: “Não conheci o seu trabalho, mas minha mãe ouve, queria ter nascido naquela época”. Isso pra mim é sucesso. E a Gal é uma referência pra você? Sim, sempre foi. É fantástica. Ela é minha primeira professora de canto. Ela e a Minnie Riperton. Essa questão de cantar agudo, afinado, com pouco vibrato, suave, doce... E eu cantava junto para aprender, então tenho uma identificação. Destaca algum disco dela? O Fantasia [1981], de onde eu tirei “Tapete Mágico”. Se eu ouvir hoje de novo, eu choro na hora. Eu ouvia direto, acaba um lado e colocava o outro. Eu viajava, imaginava aquela história toda. O seu show hoje é composto pelos hits ou você privilegia as músicas mais recentes? Eu coloco os hits: “Espelhos D’Água”, “Quando Chove”, “Ficar Com Você”, “Sonhos De Amor”... E coloco coisas novas. O show é muito livre. A gente quase não ensaia e cada show é um show. Tem Herbie Hancock, Michael Jackson (“Rock With You”), Erykah Badu... me identifico muito com a black, neo soul. É meio jazz, meio soul, com muito improviso. Há alguns meses a gente listou dez artistas nacionais que mereciam uma nova chance, você estava na lista e a gente soube que você não gostou muito da abordagem. Queria abrir espaço pra você comentar. Imagina, eu nem me lembrava [risos]. Mas eu vejo que as pessoas encaram quem não está na mídia como artistas que não fazem nada e isso é meio ingrato. Se as pessoas não acompanham seu trabalho e rola isso, tem que ter uma pesquisa em cima. Achei a lista meio estranha, mas por outro lado achei que foi uma lembrança bacana. Eu tenho medo dessas listas [risos]. A intenção foi, de verdade, dizer que os artistas listados continuam na luta, mas sem visibilidade... E nem sempre vai agradar todo mundo, né? E eu vi por esse lado. Super tranquilo, imagina. Sem ressentimentos.