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Peter Hook comanda balada pós-punk e eletrônica em São Paulo

Ex-baixista do Joy Division e do New Order apresentou coletânea de sucessos dos dois grupos na noite dessa terça

por Marcos Lauro em 07/12/2016

Peter Hook and The Light – 6/12 – Cine Joia/São Paulo

Se na última quinta-feira (01/12) o New Order passou por São Paulo, nessa terça (06/12), a alma do grupo esteve por aqui: Peter Hook, ex-baixista do New Order e do Joy Division, colocou punks, pós-punks e fãs de música eletrônica para dançar no Cine Joia.

Acompanhado do grupo The Light, que formou em 2010, Hook passou pelos singles das duas bandas em mais uma apresentação da turnê Substance. Tanto o Joy Division quanto o New Order têm coletâneas com esse nome, lançadas respectivamente em 1988 e 1987.

Para o alívio dos joelhos e pés maltratados em baladas anos 1980, o show começou pontualmente às dez da noite, o horário previsto. E durante uma hora e meia a banda tocou hits como “Ceremony”, “Blue Monday”, “The Perfect Kiss” e “True Faith” – esses foram os momentos que bateram recorde de celulares para o alto. Nessa primeira parte do show, o repertório do New Order foi dissecado de uma forma que fica fácil notar como o som cru do Joy Division se tornou essa mistura de rock e música eletrônica. O baixo era a alma desse som e, ao vivo, Hook consegue reproduzir a mesma timbragem que ouvimos no disco.

A tragédia com a equipe da Chapecoense foi citada duas vezes durante o show e não por coincidência: Fanático por futebol como todo bom inglês, Hook é torcedor do Manchester United, time que já viveu esse mesmo drama – em 1958, o avião que levava o clube caiu em Munique e vitimou 23 pessoas. Apesar do acidente com o time brasileiro ter chocado todo o país, a plateia de Hook não parecia muito preocupada e puxou um tímido “olê, Chapê” apenas na segunda citação, quase no final do show.

Depois da sequência de New Order e um intervalo com direito a Kraftwerk nos falantes, era chegada a hora de Joy Division. O show ficou mais pesado, punk, visceral e a resposta do público pareceu mais intensa. Se o New Order tem hits, Joy Division tem hinos que representam uma geração de darks, góticos e incompreendidos, aqueles que não viam tantas cores assim nos anos 1980 e preferiam um Bauhaus a uma Blitz, um Joy Division a um Kid Abelha. Essa segunda parte do show durou cerca de uma hora e vinte e foi ganhando tensão conforme o fim se aproximava. Porque, claro, todos sabiam e esperavam que vinham “Transmission”, “She’s Lost Control”, “Warsaw” e a última música da noite, o hino máximo dos góticos, “Love Will Tear Us Apart”.

Talvez devido ao calor, coturnos e sobretudos pretos não foram destacados para essa noite. Hook, em ótima forma e com uma banda afiada, mostrou o peso e a responsabilidade que tem um cara que mudou a música nos anos 1980, transformou o soturno em pop, o pós-punk em eletrônico. O baixo-alma dessa transformação esteve ali, sobre aquele palco. E em alguns momentos, Hook se abaixava e tocava bem perto de quem estava na boca do palco como quem quisesse mostrar como se faz. Reproduzir pode não ser tão difícil... quase impossível é ter uma carreira tão grandiosa a ponto de lotar um show de quase três horas com hits de duas bandas diferentes. Quem topa o desafio?

Ouça Substance, do Joy Division, para se inspirar:

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Peter Hook and The Light – 6/12 – Cine Joia/São Paulo

Se na última quinta-feira (01/12) o New Order passou por São Paulo, nessa terça (06/12), a alma do grupo esteve por aqui: Peter Hook, ex-baixista do New Order e do Joy Division, colocou punks, pós-punks e fãs de música eletrônica para dançar no Cine Joia.

Acompanhado do grupo The Light, que formou em 2010, Hook passou pelos singles das duas bandas em mais uma apresentação da turnê Substance. Tanto o Joy Division quanto o New Order têm coletâneas com esse nome, lançadas respectivamente em 1988 e 1987.

Para o alívio dos joelhos e pés maltratados em baladas anos 1980, o show começou pontualmente às dez da noite, o horário previsto. E durante uma hora e meia a banda tocou hits como “Ceremony”, “Blue Monday”, “The Perfect Kiss” e “True Faith” – esses foram os momentos que bateram recorde de celulares para o alto. Nessa primeira parte do show, o repertório do New Order foi dissecado de uma forma que fica fácil notar como o som cru do Joy Division se tornou essa mistura de rock e música eletrônica. O baixo era a alma desse som e, ao vivo, Hook consegue reproduzir a mesma timbragem que ouvimos no disco.

A tragédia com a equipe da Chapecoense foi citada duas vezes durante o show e não por coincidência: Fanático por futebol como todo bom inglês, Hook é torcedor do Manchester United, time que já viveu esse mesmo drama – em 1958, o avião que levava o clube caiu em Munique e vitimou 23 pessoas. Apesar do acidente com o time brasileiro ter chocado todo o país, a plateia de Hook não parecia muito preocupada e puxou um tímido “olê, Chapê” apenas na segunda citação, quase no final do show.

Depois da sequência de New Order e um intervalo com direito a Kraftwerk nos falantes, era chegada a hora de Joy Division. O show ficou mais pesado, punk, visceral e a resposta do público pareceu mais intensa. Se o New Order tem hits, Joy Division tem hinos que representam uma geração de darks, góticos e incompreendidos, aqueles que não viam tantas cores assim nos anos 1980 e preferiam um Bauhaus a uma Blitz, um Joy Division a um Kid Abelha. Essa segunda parte do show durou cerca de uma hora e vinte e foi ganhando tensão conforme o fim se aproximava. Porque, claro, todos sabiam e esperavam que vinham “Transmission”, “She’s Lost Control”, “Warsaw” e a última música da noite, o hino máximo dos góticos, “Love Will Tear Us Apart”.

Talvez devido ao calor, coturnos e sobretudos pretos não foram destacados para essa noite. Hook, em ótima forma e com uma banda afiada, mostrou o peso e a responsabilidade que tem um cara que mudou a música nos anos 1980, transformou o soturno em pop, o pós-punk em eletrônico. O baixo-alma dessa transformação esteve ali, sobre aquele palco. E em alguns momentos, Hook se abaixava e tocava bem perto de quem estava na boca do palco como quem quisesse mostrar como se faz. Reproduzir pode não ser tão difícil... quase impossível é ter uma carreira tão grandiosa a ponto de lotar um show de quase três horas com hits de duas bandas diferentes. Quem topa o desafio?

Ouça Substance, do Joy Division, para se inspirar: