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Petrobrás Sinfônica toca álbum do Los Hermanos em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro

Conversamos com o diretor executivo da orquestra, Mateus Simões, sobre o espetáculo

por Marcos Lauro em 27/01/2017

A Orquestra Petrobrás Sinfônica, conhecida por se envolver em projetos que misturam de forma bastante criativa a música popular com o repertório clássico, preparou um espetáculo que toca o álbum Ventura, do Los Hermanos, na íntegra.

A Billboard Brasil conversou com Mateus Simões, diretor executivo da orquestra, para entender esse inusitado projeto.

Em primeiro lugar, pra quem não conhece o dia a dia de uma orquestra, qual o papel de um diretor executivo?
Ah, o papel é manter a orquestra funcionando. Atuo na parte financeira, produção, marketing, montagem de palco, relacionamento institucional... enfim, um pouco de tudo para manter a máquina funcionando, traçando estratégias e tudo mais.

E você sempre trabalhou com orquestras?
Eu vim do marketing. Estou há sete anos e meio aqui na Petrobrás Sinfônica, mas trabalho com orquestras há quase 10 anos. E aqui a gente tem um diferencial bacana, porque a orquestra é gerida pelos próprios músicos, que se dividem em comitês... é um processo que já vem há alguns anos e o diretor de um comitê já lê a mente do outro. Quando um projeto vai pro palco, nem dá pra saber de quem é tal projeto, eles são criados em comum, entre todos.

E qual é a história do Ventura, como veio essa ideia de tocar Los Hermanos?
A orquestra tinha acabado de lançar o #concertosecreto em 2015 [projeto feito em parceria com uma cervejaria com shows ao ar livre], ganhamos prêmio e tudo mais. A gente prestou atenção nisso e resolveu investir em coisas mais inusitadas. Numa reunião de marketing, surgiu a ideia de fazer algum álbum inteiro... tinha visto um festival em Chicago, em 2014, com várias bandas tocando seus álbuns clássicos na íntegra. Voltei pro Brasil e comentei. Ao mesmo tempo, saiu uma matéria dizendo que o Ventura era o melhor disco de música popular do Brasil. Soube que um dos músicos da orquestra gravou a tuba do Ventura. Ou seja, tinha um link aí. A orquestra ouviu o CD, ficou animada e fizemos uma parceria com o Queremos [site que funciona como uma espécie de crowndfunding para viabilizar shows]. O Simon, empresário do Los Hermanos, curtiu. João, do nosso marketing, era produtor da Banda do Mar, conhecia o Marcelo Camelo. Aí deu um clique, tudo casou.

O Los Hermanos tem um lance messiânico com os fãs. Já deu pra sentir isso nas primeiras apresentações?
Cara, os ingressos acabaram em 31 minutos, 1600 ingressos. No dia, a gente tremeu... era a primeira vez desse repertório no palco. A partir daí, surgiu a turnê que vai passar por Porto Alegre, São Paulo e voltar pro Rio, na Fundição Progresso. Teve fã de Minas Gerais, Recife, só pra ver o espetáculo. Só de falar, já fico arrepiado. Eu não sei explicar. As músicas funcionaram muito bem... quando terminou a segunda data, todo mundo se abraçou. Nada deu errado. E, sim, é quase uma religião, tomamos muito cuidado... no dia teve manifestação no centro do Rio e ficou aquela coisa de “será que vai rolar? Será que a gente suspende o show?”. O centro do Rio tava perigoso. Perguntaram no Facebook se ia ter espetáculo e os próprios fãs começaram a responder que ia ter, que eram de outra cidade e tinham vindo só pra isso etc.

Muitas outras orquestras trabalham também com repertório popular. Qual o diferencial de vocês?
A intenção é ser uma orquestra diferente. Que outra toca Pitty? Los Hermanos? É Petrobrás Sinfônica. A gente admira muito essas outras orquestras, a gente se relaciona muito bem com elas. O que a gente tenta é dar identidade. Os projetos populares são tão importantes quanto a nossa raiz clássica. Hoje a gente se divide em repertório clássico, pop (com convidados, séries tocando álbuns etc) e urbano (tocando na rua, em igrejas, praças, misturando clássico e popular). Com a gente, os três mundos têm a mesma importância.

Além da orquestra, qual seu histórico com música?
Tenho banda punk desde 12 anos. Acho que o problema de aceitação é algo comum entre punk e música clássica. Clássica é “música de avô”, careta... punk é “música da rua”, rebelde. Hoje toco mais pop punk, mas tem um passado de Ramones, The Clash... e eu que corro atrás dos shows, mando e-mail. Aqui na orquestra, todo mundo trabalha junto. Eu mesmo ajudo a montar palco, sonorizar, é uma correria... todo mundo ajuda na produção, no marketing. É o “do it yourself” do punk funcionando numa orquestra. Também sou DJ de duas festas e é a mesma coisa. Não tem acomodação, sempre pensando no novo e no próximo passo. Comemoro o sucesso, mas pensando na sequência.

Mateus é DJ das festas Crush e Dobradinha e toca na banda PhoneTrio.

Serviço:
Ventura Sinfônico – Petrobrás Sinfônica Toca Los Hermanos
Fundição Progresso – Rio de Janeiro
11/2 – 22h
Ingressos: de R$ 80 a R$ 160 na bilheteria ou pelo site

Auditório Araújo Viana – Porto Alegre
16/2 – 20h
Ingressos: de R$ 75 e R$ 150 na bilheteria ou pelo site

Teatro Bradesco – São Paulo
17 e 18/2 – 21h
Ingressos: de R$ 90 a R$ 180 na bilheteria ou pelo site

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Petrobrás Sinfônica toca álbum do Los Hermanos em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro

Conversamos com o diretor executivo da orquestra, Mateus Simões, sobre o espetáculo

por Marcos Lauro em 27/01/2017

A Orquestra Petrobrás Sinfônica, conhecida por se envolver em projetos que misturam de forma bastante criativa a música popular com o repertório clássico, preparou um espetáculo que toca o álbum Ventura, do Los Hermanos, na íntegra.

A Billboard Brasil conversou com Mateus Simões, diretor executivo da orquestra, para entender esse inusitado projeto.

Em primeiro lugar, pra quem não conhece o dia a dia de uma orquestra, qual o papel de um diretor executivo?
Ah, o papel é manter a orquestra funcionando. Atuo na parte financeira, produção, marketing, montagem de palco, relacionamento institucional... enfim, um pouco de tudo para manter a máquina funcionando, traçando estratégias e tudo mais.

E você sempre trabalhou com orquestras?
Eu vim do marketing. Estou há sete anos e meio aqui na Petrobrás Sinfônica, mas trabalho com orquestras há quase 10 anos. E aqui a gente tem um diferencial bacana, porque a orquestra é gerida pelos próprios músicos, que se dividem em comitês... é um processo que já vem há alguns anos e o diretor de um comitê já lê a mente do outro. Quando um projeto vai pro palco, nem dá pra saber de quem é tal projeto, eles são criados em comum, entre todos.

E qual é a história do Ventura, como veio essa ideia de tocar Los Hermanos?
A orquestra tinha acabado de lançar o #concertosecreto em 2015 [projeto feito em parceria com uma cervejaria com shows ao ar livre], ganhamos prêmio e tudo mais. A gente prestou atenção nisso e resolveu investir em coisas mais inusitadas. Numa reunião de marketing, surgiu a ideia de fazer algum álbum inteiro... tinha visto um festival em Chicago, em 2014, com várias bandas tocando seus álbuns clássicos na íntegra. Voltei pro Brasil e comentei. Ao mesmo tempo, saiu uma matéria dizendo que o Ventura era o melhor disco de música popular do Brasil. Soube que um dos músicos da orquestra gravou a tuba do Ventura. Ou seja, tinha um link aí. A orquestra ouviu o CD, ficou animada e fizemos uma parceria com o Queremos [site que funciona como uma espécie de crowndfunding para viabilizar shows]. O Simon, empresário do Los Hermanos, curtiu. João, do nosso marketing, era produtor da Banda do Mar, conhecia o Marcelo Camelo. Aí deu um clique, tudo casou.

O Los Hermanos tem um lance messiânico com os fãs. Já deu pra sentir isso nas primeiras apresentações?
Cara, os ingressos acabaram em 31 minutos, 1600 ingressos. No dia, a gente tremeu... era a primeira vez desse repertório no palco. A partir daí, surgiu a turnê que vai passar por Porto Alegre, São Paulo e voltar pro Rio, na Fundição Progresso. Teve fã de Minas Gerais, Recife, só pra ver o espetáculo. Só de falar, já fico arrepiado. Eu não sei explicar. As músicas funcionaram muito bem... quando terminou a segunda data, todo mundo se abraçou. Nada deu errado. E, sim, é quase uma religião, tomamos muito cuidado... no dia teve manifestação no centro do Rio e ficou aquela coisa de “será que vai rolar? Será que a gente suspende o show?”. O centro do Rio tava perigoso. Perguntaram no Facebook se ia ter espetáculo e os próprios fãs começaram a responder que ia ter, que eram de outra cidade e tinham vindo só pra isso etc.

Muitas outras orquestras trabalham também com repertório popular. Qual o diferencial de vocês?
A intenção é ser uma orquestra diferente. Que outra toca Pitty? Los Hermanos? É Petrobrás Sinfônica. A gente admira muito essas outras orquestras, a gente se relaciona muito bem com elas. O que a gente tenta é dar identidade. Os projetos populares são tão importantes quanto a nossa raiz clássica. Hoje a gente se divide em repertório clássico, pop (com convidados, séries tocando álbuns etc) e urbano (tocando na rua, em igrejas, praças, misturando clássico e popular). Com a gente, os três mundos têm a mesma importância.

Além da orquestra, qual seu histórico com música?
Tenho banda punk desde 12 anos. Acho que o problema de aceitação é algo comum entre punk e música clássica. Clássica é “música de avô”, careta... punk é “música da rua”, rebelde. Hoje toco mais pop punk, mas tem um passado de Ramones, The Clash... e eu que corro atrás dos shows, mando e-mail. Aqui na orquestra, todo mundo trabalha junto. Eu mesmo ajudo a montar palco, sonorizar, é uma correria... todo mundo ajuda na produção, no marketing. É o “do it yourself” do punk funcionando numa orquestra. Também sou DJ de duas festas e é a mesma coisa. Não tem acomodação, sempre pensando no novo e no próximo passo. Comemoro o sucesso, mas pensando na sequência.

Mateus é DJ das festas Crush e Dobradinha e toca na banda PhoneTrio.

Serviço:
Ventura Sinfônico – Petrobrás Sinfônica Toca Los Hermanos
Fundição Progresso – Rio de Janeiro
11/2 – 22h
Ingressos: de R$ 80 a R$ 160 na bilheteria ou pelo site

Auditório Araújo Viana – Porto Alegre
16/2 – 20h
Ingressos: de R$ 75 e R$ 150 na bilheteria ou pelo site

Teatro Bradesco – São Paulo
17 e 18/2 – 21h
Ingressos: de R$ 90 a R$ 180 na bilheteria ou pelo site