NOTÍCIAS

Renegado lança EP temático sobre os sete pecados capitais

Rappaer mineiro conta com participações de Samuel Rosa e Alexandre Carlo

por Marcos Lauro em 26/10/2015

Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e vaidade. Mesmo que você não tenha recebido uma educação católica, já ouviu pelo menos falar nos sete pecados capitais – já foram até tema de filmes, como Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995). Agora todos esses pecados estão reunidos no EP Relatos De Um Conflito Particular, lançado pelo rapper Flávio Renegado.

São oito faixas – a última é a interpretação do rapper sobre todos os pecados – com a participação de Samuel Rosa e Alexandre Carlo. A Billboard Brasil conversou com Renegado sobre o disco e sua carreira, que começou com o elogiado Do Oiapoque A Nova York.

Seu disco de estreia conseguiu uma boa repercussão na época [2008]. Passados alguns anos, que saldo você consegue tirar desse começo?
Do Oiapoque A Nova York foi a curva de mudança na minha vida. Este disco me permitiu conhecer e aumentar a minha perspectiva de mundo, novas culturas, idiomas e acesso. Nasci em uma comunidade onde as chances de eu ter este tipo de vivência são mínimas. Foram os meus sonhos, a minha música e muito trabalho que permitiram que isso fosse possível. Não aceitei o que a vida me impôs, quebrei estatísticas. O saldo que consigo tirar é que sobrevivi e agora tenho sonhos e desejos ainda maiores, bem maiores.

Já seu trabalho ao vivo teve produção do Liminha e do Kassin, que não são nomes normalmente ligados ao rap. Como foi a experiência? Reflete a diversidade do seu som?
Trabalhar com o Liminha ou com o Kassin por si só já é uma super experiência, tanto pela bagagem quanto pelo crivo e relevância que ambos carregam. A oportunidade de ter os dois dentro de um só trabalho foi uma vivência especial. Realmente, o meu som transita por diferentes caminhos. Ter e viver essas experiências me alimenta e isso, com certeza, se reflete no som. Sempre foi uma característica do meu trabalho trazer fusões com produtores de outras áreas. É um diálogo. Estou amplificando o rap para outras tribos.

Não estar no eixo Rio/São Paulo (Renegado é de Belo Horizonte) já te atrapalhou em algum momento?
Nunca encarei isso como dificuldade, mas sim como um desafio. Ser negro, pobre e estar na periferia da periferia é o meu desafio. Mas eu sou quem eu sou porque tive a convivência e vivência no Alto Vera Cruz, pegando traseira no busão, jogando bola no campo de terra, jogando capoeira. Isso tudo me fez ser quem eu sou, simples e complexo. “O pretinho comum agora é nobre vagabundo” e “Do Oiapoque a Nova York, vagabundo ouviu falar".

Você lançou o clipe de “Só Mais Um Dia” com a tecnologia 360º. Como você resolveu colocar essa ideia em prática? Quais foram as referências?
Eu estava no estúdio gravando quando recebi um link. Era uma animação em 360º e fiquei impressionado. Quando convidei o Erich Batista para dirigir o clipe, ele também curtiu a ideia. Durante a produção, começamos a ver vários artistas lançando e procuramos atuar na contramão do que estava rolando. Aí nasceu a ideia de caminhar pelo universo dos games.

Esse novo EP tem os sete pecados capitais como tema. Como foi esse processo, da pesquisa até a composição e gravação?
Tudo nasceu com um desafio. A minha empresária, Danusa Carvalho, me instigou a inventar o "8º pecado". A partir daí, foram quatro anos de estudos e reflexões até chegar a conclusão de que o mundo já está louco demais para se inventar mais um pecado. Então resolvi fazer a minha leitura dos sete pecados. Comecei a fazer a pré-produção e a compor o disco no meu home estúdio, estudei a banda, os parceiros, os convidados e resolvi assumir a produção deste trabalho.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Ar-Condicionado No 15
Wesley Safadão
Áudio indisponível
2
Regime Fechado
Simone & Simaria
3
Avisa Que Eu Cheguei (Part. Ivete Sangalo)
Naiara Azevedo
4
Na Conta Da Loucura
Bruno & Marrone
5
Amigo Taxista
Zé Neto & Cristiano
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Renegado lança EP temático sobre os sete pecados capitais

Rappaer mineiro conta com participações de Samuel Rosa e Alexandre Carlo

por Marcos Lauro em 26/10/2015

Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e vaidade. Mesmo que você não tenha recebido uma educação católica, já ouviu pelo menos falar nos sete pecados capitais – já foram até tema de filmes, como Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995). Agora todos esses pecados estão reunidos no EP Relatos De Um Conflito Particular, lançado pelo rapper Flávio Renegado.

São oito faixas – a última é a interpretação do rapper sobre todos os pecados – com a participação de Samuel Rosa e Alexandre Carlo. A Billboard Brasil conversou com Renegado sobre o disco e sua carreira, que começou com o elogiado Do Oiapoque A Nova York.

Seu disco de estreia conseguiu uma boa repercussão na época [2008]. Passados alguns anos, que saldo você consegue tirar desse começo?
Do Oiapoque A Nova York foi a curva de mudança na minha vida. Este disco me permitiu conhecer e aumentar a minha perspectiva de mundo, novas culturas, idiomas e acesso. Nasci em uma comunidade onde as chances de eu ter este tipo de vivência são mínimas. Foram os meus sonhos, a minha música e muito trabalho que permitiram que isso fosse possível. Não aceitei o que a vida me impôs, quebrei estatísticas. O saldo que consigo tirar é que sobrevivi e agora tenho sonhos e desejos ainda maiores, bem maiores.

Já seu trabalho ao vivo teve produção do Liminha e do Kassin, que não são nomes normalmente ligados ao rap. Como foi a experiência? Reflete a diversidade do seu som?
Trabalhar com o Liminha ou com o Kassin por si só já é uma super experiência, tanto pela bagagem quanto pelo crivo e relevância que ambos carregam. A oportunidade de ter os dois dentro de um só trabalho foi uma vivência especial. Realmente, o meu som transita por diferentes caminhos. Ter e viver essas experiências me alimenta e isso, com certeza, se reflete no som. Sempre foi uma característica do meu trabalho trazer fusões com produtores de outras áreas. É um diálogo. Estou amplificando o rap para outras tribos.

Não estar no eixo Rio/São Paulo (Renegado é de Belo Horizonte) já te atrapalhou em algum momento?
Nunca encarei isso como dificuldade, mas sim como um desafio. Ser negro, pobre e estar na periferia da periferia é o meu desafio. Mas eu sou quem eu sou porque tive a convivência e vivência no Alto Vera Cruz, pegando traseira no busão, jogando bola no campo de terra, jogando capoeira. Isso tudo me fez ser quem eu sou, simples e complexo. “O pretinho comum agora é nobre vagabundo” e “Do Oiapoque a Nova York, vagabundo ouviu falar".

Você lançou o clipe de “Só Mais Um Dia” com a tecnologia 360º. Como você resolveu colocar essa ideia em prática? Quais foram as referências?
Eu estava no estúdio gravando quando recebi um link. Era uma animação em 360º e fiquei impressionado. Quando convidei o Erich Batista para dirigir o clipe, ele também curtiu a ideia. Durante a produção, começamos a ver vários artistas lançando e procuramos atuar na contramão do que estava rolando. Aí nasceu a ideia de caminhar pelo universo dos games.

Esse novo EP tem os sete pecados capitais como tema. Como foi esse processo, da pesquisa até a composição e gravação?
Tudo nasceu com um desafio. A minha empresária, Danusa Carvalho, me instigou a inventar o "8º pecado". A partir daí, foram quatro anos de estudos e reflexões até chegar a conclusão de que o mundo já está louco demais para se inventar mais um pecado. Então resolvi fazer a minha leitura dos sete pecados. Comecei a fazer a pré-produção e a compor o disco no meu home estúdio, estudei a banda, os parceiros, os convidados e resolvi assumir a produção deste trabalho.