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Resenha - Robert Plant: Uma Vida, de Paul Rees

por em 29/08/2014
Livro Plant   Voando acima do zeppelin Por Maurício Amendola Em Robert Plant: Uma Vida, o jornalista Paul Rees – editor da Kerrang! e da Q por mais de uma década – reconstrói toda a trajetória do frontman de uma das bandas mais importantes da história. Com narração extremamente descritiva e que deixa bem exposta a admiração por Plant e pelo Led Zeppelin, a biografia traz à tona os aspectos mais íntimos do vocalista, desde sua infância na zona industrial da Inglaterra, passando pela paixão por Elvis Presley, o blues e pelo futebol, até os dias de exageros e loucuras de uma divindade do rock mundial. Os relatos de amigos – alguns, nem tão amigos assim... – e do próprio biografado surpreendem por mostrá-lo como figura que alterna momentos de megalomania e fragilidade. Em certo momento do livro, Rees afirma que o músico é um personagem difícil de ser decifrado, que oscila entre rabugento e desinteressado, apaziguador e comunicativo. Na realidade, a história esmiuçada de Plant pode surpreender até o mais fervoroso fã de Led Zeppelin. A estrada percorrida antes de “In the days of my youth I was told what it means to be a man” – “Good Times, Bad Times”, primeira canção do primeiro disco do Led Zeppelin (1969) – revela, além de um artista virtuoso e sonhador, um verdadeiro viciado em música para hipster nenhum colocar defeito: Plant, com 14 anos, catalogava e arquivava cuidadosamente cada disco de sua coleção, repassando os encartes e os créditos de gravação. Na época, os pais dele chamavam as canções que ele ouvia exaustivamente de “música do demo”. Outra história interessante e que demonstra como Plant era, de fato, sedento por conhecimento musical – e com uma visão mais “underground” que a de seus amigos – é a de seu deslumbramento por Bo Diddley, ainda na adolescência. O primeiro show assistido por Plant contou com a presença do mito e de sua guitarra retangular, junto de ninguém menos que o Rolling Stones. Diferentemente de seus amigos, quem encantou profundamente o futuro vocalista do Led Zeppelin? Bo Diddley. Aliás, a paixão de Robert Plant pela música americana é mostrada em todo o livro. “Nós, britânicos, éramos monossilábicos em termos de música. Quando dizem que a gente devolveu o blues para os EUA, que bobagem”, afirma ele, já na fase pós-Led. Não é preciso comentar que as aventuras e desventuras do Led Zeppelin são destrinchadas em uma considerável quantidade de páginas do livro. Mas é preciso deixar claro e assegurado: trata-se de uma biografia de Robert Plant. Não espere declarações emocionadas sobre o talento musical (inegável, vale dizer) de Jimmy Page, John Bonham e John Paul Jones. O assunto aqui é outro, e, justamente por essa exclusividade temática, o livro se torna imprescindível para os fãs de Led Zeppelin. A mística dos quatro integrantes, passível de comparação à que existia entre os Beatles, é algo que já foi explorado, romantizado e saudado. Aqui, de maneira inédita, é possível entender como a aura do frontman foi decisiva para o grupo se tornar  referência para diversas bandas de gerações seguintes. Ou você achava que a proposta “vocalista de roupas e trejeitos afeminados – mas comedor – com voz rasgada” havia saído da cabeça de Steven Tyler, Axl Rose ou David Lee Roth?   http://www.youtube.com/watch?v=gAVB25yjY5I
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Resenha - Robert Plant: Uma Vida, de Paul Rees

por em 29/08/2014
Livro Plant   Voando acima do zeppelin Por Maurício Amendola Em Robert Plant: Uma Vida, o jornalista Paul Rees – editor da Kerrang! e da Q por mais de uma década – reconstrói toda a trajetória do frontman de uma das bandas mais importantes da história. Com narração extremamente descritiva e que deixa bem exposta a admiração por Plant e pelo Led Zeppelin, a biografia traz à tona os aspectos mais íntimos do vocalista, desde sua infância na zona industrial da Inglaterra, passando pela paixão por Elvis Presley, o blues e pelo futebol, até os dias de exageros e loucuras de uma divindade do rock mundial. Os relatos de amigos – alguns, nem tão amigos assim... – e do próprio biografado surpreendem por mostrá-lo como figura que alterna momentos de megalomania e fragilidade. Em certo momento do livro, Rees afirma que o músico é um personagem difícil de ser decifrado, que oscila entre rabugento e desinteressado, apaziguador e comunicativo. Na realidade, a história esmiuçada de Plant pode surpreender até o mais fervoroso fã de Led Zeppelin. A estrada percorrida antes de “In the days of my youth I was told what it means to be a man” – “Good Times, Bad Times”, primeira canção do primeiro disco do Led Zeppelin (1969) – revela, além de um artista virtuoso e sonhador, um verdadeiro viciado em música para hipster nenhum colocar defeito: Plant, com 14 anos, catalogava e arquivava cuidadosamente cada disco de sua coleção, repassando os encartes e os créditos de gravação. Na época, os pais dele chamavam as canções que ele ouvia exaustivamente de “música do demo”. Outra história interessante e que demonstra como Plant era, de fato, sedento por conhecimento musical – e com uma visão mais “underground” que a de seus amigos – é a de seu deslumbramento por Bo Diddley, ainda na adolescência. O primeiro show assistido por Plant contou com a presença do mito e de sua guitarra retangular, junto de ninguém menos que o Rolling Stones. Diferentemente de seus amigos, quem encantou profundamente o futuro vocalista do Led Zeppelin? Bo Diddley. Aliás, a paixão de Robert Plant pela música americana é mostrada em todo o livro. “Nós, britânicos, éramos monossilábicos em termos de música. Quando dizem que a gente devolveu o blues para os EUA, que bobagem”, afirma ele, já na fase pós-Led. Não é preciso comentar que as aventuras e desventuras do Led Zeppelin são destrinchadas em uma considerável quantidade de páginas do livro. Mas é preciso deixar claro e assegurado: trata-se de uma biografia de Robert Plant. Não espere declarações emocionadas sobre o talento musical (inegável, vale dizer) de Jimmy Page, John Bonham e John Paul Jones. O assunto aqui é outro, e, justamente por essa exclusividade temática, o livro se torna imprescindível para os fãs de Led Zeppelin. A mística dos quatro integrantes, passível de comparação à que existia entre os Beatles, é algo que já foi explorado, romantizado e saudado. Aqui, de maneira inédita, é possível entender como a aura do frontman foi decisiva para o grupo se tornar  referência para diversas bandas de gerações seguintes. Ou você achava que a proposta “vocalista de roupas e trejeitos afeminados – mas comedor – com voz rasgada” havia saído da cabeça de Steven Tyler, Axl Rose ou David Lee Roth?   http://www.youtube.com/watch?v=gAVB25yjY5I