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“Se alguém aqui é indie, sou eu”, afirma Otto

por em 26/06/2015
Por Lucas Borges Teixeira “Sou um velho roqueiro”. É assim que Otto, aos 47 anos, avalia sua trajetória e seu momento atual. O cantor pernambucano começa uma série de três shows no SESC Pinheiros, em São Paulo, neste fim de semana, em que resgata parte do repertório esquecido. Não à toa, a turnê chama-se “Recupera”. O músico pretende entrar em estúdio no mês que vem para a gravação do seu sexto disco solo, Ottomatopeia. Em entrevista à Billboard Brasil, ele revelou em que pé está o projeto e como deve equilibrar sua agenda. “Ninguém me paga para fazer disco, tenho que fazer shows”, explica, ao se definir “o indie de verdade”. Veja a seguir a entrevista completa em que o músico fala dos seus diferentes projetos, carreira e a situação de intolerância religiosa no Brasil atualmente: Vamos falar do seu novo show, o “Recupera”. Como surgiu essa ideia? “Recupera” era uma brincadeira com a banda de quando a gente ia em festival e tinha que tocar lá de madrugada... Aí tinha que recuperar: “Vamo tomar uma pra recuperar” [risos]. Mas o “Recupera”... Olha, eu tô indo pro meu sexto disco, o Ottomatopeia, e tem muita música que eu nunca tinha cantado em show ou que tinha cantado muito tempo atrás. Coisas com um som mais pós-punk, mais rock and roll, mais balada... Coisas que eu gosto, sabe? Não queria ir para o próximo sem tocar essas. O “Recupera” é um antecessor do Ottomatopeia. Eu sempre tenho todos os meus discos no meu show, então eu vou substituir. Elas [as músicas] ainda são atuais. Então você separou o repertório pelo que está mais a fim de tocar? Eu já tô nessa pegada rock and roll faz um tempo. Por causa dessa questão de contemporaneidade. O rock and roll explica bem essa contemporaneidade, do apocalipse das coisas. Como assim? Você está passando por um apocalipse? Eu não, o mundo! Eu tô na minha melhor fase. Sabe qual é o grande barato? É que rock and roll é atitude. Ele que define o que é contemporâneo e o que não é. Quando eu me vi com 47 anos, pensei: “poxa, sou um velho roqueiro” e quis tocar essas músicas. Vão ser só esses dias em São Paulo? Não, vou rodar. Esse eu quero muito levar por aí. No SESC Pinheiros vão ser três dias: 26, 27 e 28, que é o dia do meu aniversário e de Raul Seixas [28], pra você ver como tá alinhado com rock and roll. Vou fazer minha música brasileira com rock and roll. No repertório vai ter só carreira solo ou vai recuperar também Mundo livre S.A.? Olha, eu não tenho tempo. Já foi difícil escolher as músicas. Eu tô fazendo dez. Vai continuar meu show, mas eu substituí dez. Então não vai ter música inédita... Vai ter uma inédita, pode falar que vai ter uma inédita: a “Cowboy”. O Ottomatopeia já está com todas as músicas? Quando sai? Tem nove músicas. Vamos entrar no estúdio em julho aqui em São Paulo. Deve sair até o final do ano. Pode-se esperar uma pegada mais rock and roll no Ottomatopeia? Completamente. Pegada anos 80, com guitarra. Porque uma coisa é o seguinte: eu sou uma pessoa muito indie na vida. Se alguém é indie, não são esses moleques de calça jeans, sou eu. Por quê? Por causa do público. Eu não toco em rádio. Eu tenho público que me acompanha, eu só faço show... Por isso sou indie. Tanto que o cenário do show quem fez fui eu. Não sei se você já viu uns cartazes do “Recupera”, tão pregados por aí. Eu ajudei a colar. Você ajudou a montar o cenário? Eu montei o cenário com a Carol, a menina que fez a arte dos cartazes. Então eu tô conceituando tudo. É maturidade, cara, maturidade. Eu tô trabalhando mais, dando mais valor pra isso. Eu era mais novo e fazia de tudo. É isso que eu quero voltar. Eu tenho público, mas quero colar cartaz na rua. Você falou que está na melhor fase. Em relação a quê? De público, musicalmente... Eu comecei a cantar no Samba Pra Burro, meu primeiro disco. Antes, eu não sabia cantar. Então são anos e anos e anos pra gente chegar nesse momento bom de cantor, de intérprete... Acho que tô no meu melhor momento, trabalhando bem. Você se mete em um monte de projetos. Nessa Virada Cultural, tocou com a Baby do Brasil, né? Como foi? Além de ela ser ídolo pra mim, eu tenho uma parada com Baby. Ela é um show e é uma pessoa que gosta muito de mim, acha que eu tenho uma energia positiva. Para mim, é uma troca muito grande. Sem falar que ela canta pra caramba. Então, é um grande encontro na minha vida, olha que eu não tenho tanto desses encontros... Foi só aquele show? Rolou lá em Pernambuco e agora na Virada. Mas quero ela do lado pra fazer um bocado de coisa. Na Virada do ano passado, você tocou o Canta Canta, Minha Gente, do Martinho da Vila, na íntegra. Continuou com esse projeto? Eu passei quase dois anos com ele, deixei agora. Esse disco mudou a minha vida, cara. Por quê? Eu entrei no candomblé com ele. Descobri a percussão, o samba... Então, é muito importante pra mim. Falando em candomblé, você acha que o Brasil passa por um período de intolerância? Cara, eu sinto que a bancada neopentecostal é muito histérica, de direita, atrasada. Com a carência do governo e uma oposição fraca, acho que deu espaço pra essa galera. Mas acho que a violência não vai chegar em canto algum. Eles tão mostrando, sim, a cara deles, que eu não gosto, porque não celebram a vida. Uma pena, né? Mas a gente tá no meio disso aí. Vem crescendo e a gente vai ter que lidar com esses caras malucos. Ainda bem que o Papa é legal, tem o budismo... O candomblé é maravilhoso: é o africano, nosso lado afro, uma coisa muito autêntica. Tenho nada com esses babacas, eles enchem o saco demais. O projeto para o resto do ano, então, é o “Recupera” e entrar pro estúdio? É, eu não posso parar de fazer show. Ninguém tá me pagando pra fazer disco. O máximo que eu consigo é uma parceria com uma distribuidora. Eu tenho que trabalhar pra ter meu disco. Eles não tão pagando ninguém, uma coisa muito bizarra. Por isso, o show é meu núcleo de trabalho, meu pilar econômico. Não posso parar.
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por em 26/06/2015
Por Lucas Borges Teixeira “Sou um velho roqueiro”. É assim que Otto, aos 47 anos, avalia sua trajetória e seu momento atual. O cantor pernambucano começa uma série de três shows no SESC Pinheiros, em São Paulo, neste fim de semana, em que resgata parte do repertório esquecido. Não à toa, a turnê chama-se “Recupera”. O músico pretende entrar em estúdio no mês que vem para a gravação do seu sexto disco solo, Ottomatopeia. Em entrevista à Billboard Brasil, ele revelou em que pé está o projeto e como deve equilibrar sua agenda. “Ninguém me paga para fazer disco, tenho que fazer shows”, explica, ao se definir “o indie de verdade”. Veja a seguir a entrevista completa em que o músico fala dos seus diferentes projetos, carreira e a situação de intolerância religiosa no Brasil atualmente: Vamos falar do seu novo show, o “Recupera”. Como surgiu essa ideia? “Recupera” era uma brincadeira com a banda de quando a gente ia em festival e tinha que tocar lá de madrugada... Aí tinha que recuperar: “Vamo tomar uma pra recuperar” [risos]. Mas o “Recupera”... Olha, eu tô indo pro meu sexto disco, o Ottomatopeia, e tem muita música que eu nunca tinha cantado em show ou que tinha cantado muito tempo atrás. Coisas com um som mais pós-punk, mais rock and roll, mais balada... Coisas que eu gosto, sabe? Não queria ir para o próximo sem tocar essas. O “Recupera” é um antecessor do Ottomatopeia. Eu sempre tenho todos os meus discos no meu show, então eu vou substituir. Elas [as músicas] ainda são atuais. Então você separou o repertório pelo que está mais a fim de tocar? Eu já tô nessa pegada rock and roll faz um tempo. Por causa dessa questão de contemporaneidade. O rock and roll explica bem essa contemporaneidade, do apocalipse das coisas. Como assim? Você está passando por um apocalipse? Eu não, o mundo! Eu tô na minha melhor fase. Sabe qual é o grande barato? É que rock and roll é atitude. Ele que define o que é contemporâneo e o que não é. Quando eu me vi com 47 anos, pensei: “poxa, sou um velho roqueiro” e quis tocar essas músicas. Vão ser só esses dias em São Paulo? Não, vou rodar. Esse eu quero muito levar por aí. No SESC Pinheiros vão ser três dias: 26, 27 e 28, que é o dia do meu aniversário e de Raul Seixas [28], pra você ver como tá alinhado com rock and roll. Vou fazer minha música brasileira com rock and roll. No repertório vai ter só carreira solo ou vai recuperar também Mundo livre S.A.? Olha, eu não tenho tempo. Já foi difícil escolher as músicas. Eu tô fazendo dez. Vai continuar meu show, mas eu substituí dez. Então não vai ter música inédita... Vai ter uma inédita, pode falar que vai ter uma inédita: a “Cowboy”. O Ottomatopeia já está com todas as músicas? Quando sai? Tem nove músicas. Vamos entrar no estúdio em julho aqui em São Paulo. Deve sair até o final do ano. Pode-se esperar uma pegada mais rock and roll no Ottomatopeia? Completamente. Pegada anos 80, com guitarra. Porque uma coisa é o seguinte: eu sou uma pessoa muito indie na vida. Se alguém é indie, não são esses moleques de calça jeans, sou eu. Por quê? Por causa do público. Eu não toco em rádio. Eu tenho público que me acompanha, eu só faço show... Por isso sou indie. Tanto que o cenário do show quem fez fui eu. Não sei se você já viu uns cartazes do “Recupera”, tão pregados por aí. Eu ajudei a colar. Você ajudou a montar o cenário? Eu montei o cenário com a Carol, a menina que fez a arte dos cartazes. Então eu tô conceituando tudo. É maturidade, cara, maturidade. Eu tô trabalhando mais, dando mais valor pra isso. Eu era mais novo e fazia de tudo. É isso que eu quero voltar. Eu tenho público, mas quero colar cartaz na rua. Você falou que está na melhor fase. Em relação a quê? De público, musicalmente... Eu comecei a cantar no Samba Pra Burro, meu primeiro disco. Antes, eu não sabia cantar. Então são anos e anos e anos pra gente chegar nesse momento bom de cantor, de intérprete... Acho que tô no meu melhor momento, trabalhando bem. Você se mete em um monte de projetos. Nessa Virada Cultural, tocou com a Baby do Brasil, né? Como foi? Além de ela ser ídolo pra mim, eu tenho uma parada com Baby. Ela é um show e é uma pessoa que gosta muito de mim, acha que eu tenho uma energia positiva. Para mim, é uma troca muito grande. Sem falar que ela canta pra caramba. Então, é um grande encontro na minha vida, olha que eu não tenho tanto desses encontros... Foi só aquele show? Rolou lá em Pernambuco e agora na Virada. Mas quero ela do lado pra fazer um bocado de coisa. Na Virada do ano passado, você tocou o Canta Canta, Minha Gente, do Martinho da Vila, na íntegra. Continuou com esse projeto? Eu passei quase dois anos com ele, deixei agora. Esse disco mudou a minha vida, cara. Por quê? Eu entrei no candomblé com ele. Descobri a percussão, o samba... Então, é muito importante pra mim. Falando em candomblé, você acha que o Brasil passa por um período de intolerância? Cara, eu sinto que a bancada neopentecostal é muito histérica, de direita, atrasada. Com a carência do governo e uma oposição fraca, acho que deu espaço pra essa galera. Mas acho que a violência não vai chegar em canto algum. Eles tão mostrando, sim, a cara deles, que eu não gosto, porque não celebram a vida. Uma pena, né? Mas a gente tá no meio disso aí. Vem crescendo e a gente vai ter que lidar com esses caras malucos. Ainda bem que o Papa é legal, tem o budismo... O candomblé é maravilhoso: é o africano, nosso lado afro, uma coisa muito autêntica. Tenho nada com esses babacas, eles enchem o saco demais. O projeto para o resto do ano, então, é o “Recupera” e entrar pro estúdio? É, eu não posso parar de fazer show. Ninguém tá me pagando pra fazer disco. O máximo que eu consigo é uma parceria com uma distribuidora. Eu tenho que trabalhar pra ter meu disco. Eles não tão pagando ninguém, uma coisa muito bizarra. Por isso, o show é meu núcleo de trabalho, meu pilar econômico. Não posso parar.