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"Sentir pena não ajuda ninguém a crescer", diz Candy Mel

Integrante da Banda Uó defende que música é arte, independentemente do gênero e da orientação sexual de quem a produz

por Rebecca Silva em 25/05/2017

De forma despretensiosa, três amigos se juntaram para gravar vídeos divertidos para promover festas em Goiás. A brincadeira ficou séria quando eles resolveram formar uma banda com estilo próprio, discurso inflamado e um jeito todo Uó de viver a vida, há seis anos. A mudança para São Paulo logo aconteceu e, desde então, os integrantes da Banda Uó têm aprendido a conviver com a distância dos familiares, as dores e as delícias de viver em uma grande cidade urbana e as mudanças naturais da vida de cada um. Mais do que integrantes de um grupo famoso, o jeito despojado e verdadeiro de Mateus Carrilho, Candy Mel e Davi Sabbag não nos deixa esquecer que são pessoas, daquelas que você tem grandes chances de dividir a pista na balada ou encontrar pelas ruas, longe da visão glamurosa da fama.

BANDA UÓ LANÇA CLIPE DE "SAUNA" 

No último final de semana, rolou a terceira apresentação do grupo na Virada Cultural em São Paulo, nesta edição ao lado da cantora IZA. Ao contrário de outros palcos, que ficaram vazios, a banda conseguiu reunir muita gente na rua Xavier de Toledo. "A Virada deveria ser realizada mais de uma vez no ano. Tem o significado de cultura de rua, as pessoas têm acesso a uma diversidade sonora. Uma cidade só pode ser rica se ela for rica culturalmente", afirmou Candy Mel. Única mulher do grupo, ela disse que a ideia de chamar IZA para a apresentação foi por admiração. "Acompanhava o canal dela no YouTube antes de ficar conhecida. Nunca imaginei essa parceria, mas é uma junção de pessoas que se admiram".

Essa foi a Virada Cultural com mais atrações LGBT desde a criação do evento, em 2005, durante a gestão Serra-Kassab na Prefeitura de São Paulo. Sobre o momento para os artistas LGBT na música brasileira, Candy Mel se afasta de rótulos. Consciente da voz que tem, ela se mostra firme em suas posições e no que acredita, mas é doce como carrega no nome. "Finalmente as pessoas estão se abrindo para a música. Definir como LGBT é segregação. A música é um instrumento muito poderoso, que toca as pessoas, que vibra nelas. Não é possível rotular".

Para ela, a música é arte e carrega os sentimentos de quem a criou e não o seu DNA. "Tudo é desenvolvido por pessoas, falamos sobre sentimentos humanos, independentemente da orientação sexual. Sempre escutaram Ney Matogrosso e Ana Carolina sem dizer que era música gay. Era só música", aponta a cantora.

Recentemente, mais artistas surgiram falando abertamente sobre suas orientações sexuais e usam a música como forma de ativismo para expor suas questões, levando discussões para partes da sociedade que não costumavam se ver diante de problemas de outras realidades.

Para Mel, mulher trans, ocupar esses espaços não é nada mais do que justo. Com a visibilidade trazida pela Banda Uó, ela estrelou propagandas de grandes marcas, virou apresentadora do programa de TV Estação Plural e assina uma coluna na revista Quem. "Esse espaço midiático tem que ser ocupado. Não tem que ser aberto, tem que ser arregaçado."

Em boa fase na vida profissional, seja em seus projetos solo ou na Banda Uó, Mel afirma que não esquece da realidade de outros transgêneros. "Eu, Mel, que também sou transexual, estou feliz. Estou realizando meus sonhos, meus projetos, conquistando o que quis para mim e para a minha família. A Banda Uó está escrevendo seu nome, está em uma fase de amadurecimento. Mas isso não me cega para os problemas dos meus semelhantes".

Ela acredita que com a internet, mais vozes podem ser ouvidas, expondo realidades antes abafadas. "Estamos no início, estamos abrindo possibilidades. Mas enquanto não acontece, tem gente morrendo, gente se matando. Estamos sempre sujeitos à aprovação. Somos ignoradas pela medicina, pela família, pela sociedade. Não quero ser vista como diferente, quero ir e vir como qualquer um. É preciso se empoderar, se posicionar e cobrar. E sentir pena não ajuda ninguém a crescer".

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De forma despretensiosa, três amigos se juntaram para gravar vídeos divertidos para promover festas em Goiás. A brincadeira ficou séria quando eles resolveram formar uma banda com estilo próprio, discurso inflamado e um jeito todo Uó de viver a vida, há seis anos. A mudança para São Paulo logo aconteceu e, desde então, os integrantes da Banda Uó têm aprendido a conviver com a distância dos familiares, as dores e as delícias de viver em uma grande cidade urbana e as mudanças naturais da vida de cada um. Mais do que integrantes de um grupo famoso, o jeito despojado e verdadeiro de Mateus Carrilho, Candy Mel e Davi Sabbag não nos deixa esquecer que são pessoas, daquelas que você tem grandes chances de dividir a pista na balada ou encontrar pelas ruas, longe da visão glamurosa da fama.

BANDA UÓ LANÇA CLIPE DE "SAUNA" 

No último final de semana, rolou a terceira apresentação do grupo na Virada Cultural em São Paulo, nesta edição ao lado da cantora IZA. Ao contrário de outros palcos, que ficaram vazios, a banda conseguiu reunir muita gente na rua Xavier de Toledo. "A Virada deveria ser realizada mais de uma vez no ano. Tem o significado de cultura de rua, as pessoas têm acesso a uma diversidade sonora. Uma cidade só pode ser rica se ela for rica culturalmente", afirmou Candy Mel. Única mulher do grupo, ela disse que a ideia de chamar IZA para a apresentação foi por admiração. "Acompanhava o canal dela no YouTube antes de ficar conhecida. Nunca imaginei essa parceria, mas é uma junção de pessoas que se admiram".

Essa foi a Virada Cultural com mais atrações LGBT desde a criação do evento, em 2005, durante a gestão Serra-Kassab na Prefeitura de São Paulo. Sobre o momento para os artistas LGBT na música brasileira, Candy Mel se afasta de rótulos. Consciente da voz que tem, ela se mostra firme em suas posições e no que acredita, mas é doce como carrega no nome. "Finalmente as pessoas estão se abrindo para a música. Definir como LGBT é segregação. A música é um instrumento muito poderoso, que toca as pessoas, que vibra nelas. Não é possível rotular".

Para ela, a música é arte e carrega os sentimentos de quem a criou e não o seu DNA. "Tudo é desenvolvido por pessoas, falamos sobre sentimentos humanos, independentemente da orientação sexual. Sempre escutaram Ney Matogrosso e Ana Carolina sem dizer que era música gay. Era só música", aponta a cantora.

Recentemente, mais artistas surgiram falando abertamente sobre suas orientações sexuais e usam a música como forma de ativismo para expor suas questões, levando discussões para partes da sociedade que não costumavam se ver diante de problemas de outras realidades.

Para Mel, mulher trans, ocupar esses espaços não é nada mais do que justo. Com a visibilidade trazida pela Banda Uó, ela estrelou propagandas de grandes marcas, virou apresentadora do programa de TV Estação Plural e assina uma coluna na revista Quem. "Esse espaço midiático tem que ser ocupado. Não tem que ser aberto, tem que ser arregaçado."

Em boa fase na vida profissional, seja em seus projetos solo ou na Banda Uó, Mel afirma que não esquece da realidade de outros transgêneros. "Eu, Mel, que também sou transexual, estou feliz. Estou realizando meus sonhos, meus projetos, conquistando o que quis para mim e para a minha família. A Banda Uó está escrevendo seu nome, está em uma fase de amadurecimento. Mas isso não me cega para os problemas dos meus semelhantes".

Ela acredita que com a internet, mais vozes podem ser ouvidas, expondo realidades antes abafadas. "Estamos no início, estamos abrindo possibilidades. Mas enquanto não acontece, tem gente morrendo, gente se matando. Estamos sempre sujeitos à aprovação. Somos ignoradas pela medicina, pela família, pela sociedade. Não quero ser vista como diferente, quero ir e vir como qualquer um. É preciso se empoderar, se posicionar e cobrar. E sentir pena não ajuda ninguém a crescer".