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Simone Lial lança segundo disco e fala sobre o samba na Lapa

por em 11/09/2015

Por Bruna Gonçalves Serur

A cantora carioca Simone Lial lançou seu segundo álbum E Toda Dor Que Sofri Será Canção, o sucessor de O Amor Daqui de Casa (2013). Nascida no subúrbio carioca de Ramos e frequentadora do tradicional bloco Cacique de Ramos desde a infância, Simone tem a música no sangue – é neta e bisneta de músicos. Aos 20 e poucos anos já se apresentava na Lapa.

Em 1998, formou o grupo Goiabada Cascão, já fez apresentações com o Garrafieira, o Mulato Velho e a Orquestra Criôla, da qual ainda é integrante. Inclusive, gravou uma faixa para o álbum autoral da Orquestra, Subúrbio Bossa Nova, com o soprista Humberto Araújo.

A cantora também participou do disco É Batata!, do grupo Tio Samba – do qual era integrante –, que fez com que o grupo ficasse entre os três finalistas do Prêmio da Música Brasileira, em 2011, na categoria Melhor Grupo de Samba. No dia 26 de setembro, Simone fará uma apresentação no Centro Cultural Carioca, no centro do Rio de Janeiro.

https://open.spotify.com/album/2mLD7WXdazRp4Wkk22PXWG

Como o Cacique de Ramos influenciou o seu trabalho?

E Toda Dor Que Sofri Será Canção reverencia a revolução estética da batucada suburbana dos anos 80, que foi iniciada pela galera do Cacique de Ramos. Usamos no CD o repique de mão, o pandeiro de nylon, o tantã e o banjo, com essa intenção. Além da sonoridade percussiva, tenho admiração pelos compositores que iniciaram sua trajetória nesta época, como Arlindo Cruz, Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila, Zeca Pagodinho, Sombrinha, Jorge Aragão, Cleber Augusto e Sereno. Muitos deles, menos o Luiz Carlos da Vila, foram integrantes do Fundo de Quintal, que surgiu do bloco do Cacique de Ramos na década de 1970. O compositor Sereno é integrante até hoje.

A Lapa ainda tem a importância de mostrar novos talentos do samba?

Muitos artistas de qualidade inquestionável se apresentam em casas tradicionais de samba na Lapa. O bairro construiu, nestes anos de revitalização, possibilidades para os novos. Mas é preciso filtrar e valorizar os talentos verdadeiros. Algumas casas deveriam repensar com cuidado de que forma estão tratando estas gerações de cantores e compositores. E estes precisam ter a responsabilidade e as informações necessárias para valorizar sua arte.

Qual é a principal diferença entre fazer parte de um grupo ou ser uma artista solo hoje?

O grupo divide as responsabilidades quando não tem um líder que banca tudo. Ou seja, ganham a mesma coisa, tirando o fato de alguns membros serem compositores e ganharem também como tal. Existem questões artísticas e estéticas que precisam ser pensadas e discutidas com todos os integrantes e sua equipe de trabalho. É muita gente opinando, o que pode ser bom ou não. Já o artista solo se arrisca mais, porque tem liberdade para isso, dentro de certo limite imposto pelo conceito do seu projeto. Claro que isso depende da situação na qual ele está [no mercado da música], e de onde quer chegar, em termos de reconhecimento e imagem. Acho que, depois que ele atinge certo grau de sucesso, esta liberdade pode se ampliar, mas sua identidade precisa ser preservada de alguma forma. Neste sentido, acho que o grupo fica engessado no perfil que compôs. Já o artista solo, se quiser, pode mudar. Com muito cuidado e clareza, buscando a sua verdade.

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por em 11/09/2015

Por Bruna Gonçalves Serur

A cantora carioca Simone Lial lançou seu segundo álbum E Toda Dor Que Sofri Será Canção, o sucessor de O Amor Daqui de Casa (2013). Nascida no subúrbio carioca de Ramos e frequentadora do tradicional bloco Cacique de Ramos desde a infância, Simone tem a música no sangue – é neta e bisneta de músicos. Aos 20 e poucos anos já se apresentava na Lapa.

Em 1998, formou o grupo Goiabada Cascão, já fez apresentações com o Garrafieira, o Mulato Velho e a Orquestra Criôla, da qual ainda é integrante. Inclusive, gravou uma faixa para o álbum autoral da Orquestra, Subúrbio Bossa Nova, com o soprista Humberto Araújo.

A cantora também participou do disco É Batata!, do grupo Tio Samba – do qual era integrante –, que fez com que o grupo ficasse entre os três finalistas do Prêmio da Música Brasileira, em 2011, na categoria Melhor Grupo de Samba. No dia 26 de setembro, Simone fará uma apresentação no Centro Cultural Carioca, no centro do Rio de Janeiro.

https://open.spotify.com/album/2mLD7WXdazRp4Wkk22PXWG

Como o Cacique de Ramos influenciou o seu trabalho?

E Toda Dor Que Sofri Será Canção reverencia a revolução estética da batucada suburbana dos anos 80, que foi iniciada pela galera do Cacique de Ramos. Usamos no CD o repique de mão, o pandeiro de nylon, o tantã e o banjo, com essa intenção. Além da sonoridade percussiva, tenho admiração pelos compositores que iniciaram sua trajetória nesta época, como Arlindo Cruz, Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila, Zeca Pagodinho, Sombrinha, Jorge Aragão, Cleber Augusto e Sereno. Muitos deles, menos o Luiz Carlos da Vila, foram integrantes do Fundo de Quintal, que surgiu do bloco do Cacique de Ramos na década de 1970. O compositor Sereno é integrante até hoje.

A Lapa ainda tem a importância de mostrar novos talentos do samba?

Muitos artistas de qualidade inquestionável se apresentam em casas tradicionais de samba na Lapa. O bairro construiu, nestes anos de revitalização, possibilidades para os novos. Mas é preciso filtrar e valorizar os talentos verdadeiros. Algumas casas deveriam repensar com cuidado de que forma estão tratando estas gerações de cantores e compositores. E estes precisam ter a responsabilidade e as informações necessárias para valorizar sua arte.

Qual é a principal diferença entre fazer parte de um grupo ou ser uma artista solo hoje?

O grupo divide as responsabilidades quando não tem um líder que banca tudo. Ou seja, ganham a mesma coisa, tirando o fato de alguns membros serem compositores e ganharem também como tal. Existem questões artísticas e estéticas que precisam ser pensadas e discutidas com todos os integrantes e sua equipe de trabalho. É muita gente opinando, o que pode ser bom ou não. Já o artista solo se arrisca mais, porque tem liberdade para isso, dentro de certo limite imposto pelo conceito do seu projeto. Claro que isso depende da situação na qual ele está [no mercado da música], e de onde quer chegar, em termos de reconhecimento e imagem. Acho que, depois que ele atinge certo grau de sucesso, esta liberdade pode se ampliar, mas sua identidade precisa ser preservada de alguma forma. Neste sentido, acho que o grupo fica engessado no perfil que compôs. Já o artista solo, se quiser, pode mudar. Com muito cuidado e clareza, buscando a sua verdade.