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Terceira edição do Red Bull Sounderground reúne artistas de metrôs do mundo

por em 17/08/2014
  SUCESSO SUBTERRÂNEO Por Maurício Amendola Entre os dias 12 e 16 de agosto, a terceira edição do Red Bull Sounderground levou música de alto nível às estações de metrô do Rio de Janeiro. O evento celebra artistas de rua e contou com a presença de bandas e cantores de Londres, Moscou, Paris, Barcelona, Nova York, Montreal e Berlim, além de três atrações brasileiras: Astro Venga, Duo Entre Rios e Tautetêtitio. De acordo com o idealizador do projeto, Marcelo Beraldo, as audições para a escolha dos músicos nacionais revelaram uma qualidade acima da média; engana-se quem subestima o talento dos que recorrem a instalações do transporte público para mostrar sua arte. “Além da habilidade musical, levamos em conta o carisma, o magnetismo e, principalmente, a adaptabilidade para tocar em qualquer situação, já que os artistas de metrô são conhecidos por se apresentar de forma desplugada.” Beraldo entende que, no Brasil, há uma demanda reprimida com relação a espaços dedicados a artistas de rua. “Nós quisemos trazer à tona uma discussão que envolve democracia e arte. Vemos um país muito pobre no que diz respeito à arte de uma forma pública, e isso se dá por uma restrição da democracia.” Além do aspecto político-social, segundo Beraldo, o Red Bull Sounderground também tem como objetivo oferecer ao “povo do metrô” uma oportunidade de ouvir artistas competentes. “A ideia é mostrar que há muita vida além do Michel Teló.” Um dos selecionados na concorrida audição – mais de 60 inscritos –, o trio Tautetêtitio é formado por Floriano Varejão, Tauã Pinheiro e Maria Tereza Gandra, e tem influências que vão de Beatles a Fela Kuti. Para Maria Tereza, a arte na rua é importante para que a vivência no vai e vem de nossas rotinas seja um pouco mais harmoniosa.  “A música é a respiração da cidade. Vemos tanta gente perdida e triste por aí, e a arte é como uma gota lúdica que afeta as vias sensoriais e deixa nossa convivência mais saudável.” O grupo, do Rio de Janeiro, afirma que o público mais cativo pelas ruas é o infantil. “Tem gente que ama e gente que é indiferente, mas as crianças sempre gostam muito. É engraçado, porque as mães precisam esperar a música acabar porque os filhos querem escutar e sempre voltam para bater palmas ou algo do tipo. Esse público é espontâneo.” O caráter aleatório da plateia também desafia Akil Dasan, músico de Nova York que também veio para o Red Bull Sounderground.  “Quando você vai para as ruas seu público não sabe que ele é o seu público. Basicamente, você precisa estabelecer um vínculo com estranhos.” Dasan – que já fez jam sessions com Maroon 5, US3 e Lily Allen – conta que se não consegue arrancar sorrisos de desconhecidos quer dizer que não está fazendo um trabalho bom o bastante. “Pelas ruas, já vi a música separar brigas, fazer pessoas se apaixonarem e ou se confortarem. É uma linguagem que todos falamos e entendemos e contribui para a celebração de nossas similaridades.” O americano, porém, admite que em raras ocasiões surgem pessoas que pedem para que ele pare de tocar. “Eu respeito e paro, afinal, entrei no mundo da música para divertir as pessoas e não para irritá-las.” No YouTube, há diversos vídeos de Akil Dasan que dão a dimensão de sua capacidade de improviso. O músico, que utiliza apenas o violão e o beatbox, afirma que artistas populares – e talentosos –da atualidade são um tanto reticentes na hora de topar sair da zona de conforto e improvisar, seja na televisão ou em álbuns. “Eu não os culpo. A indústria mudou muito e, de fato, não há um foco na musicalidade virtuosa como já houve. Eu escolhi outro caminho e talvez por isso não fique rico, mas gosto das vantagens de ser livre para correr riscos quando eu bem entender.”
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