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Terruá Pará - Cada vez mais familiar

por em 10/04/2013
Evento chega à terceira encarnação renovando e divulgando a música do estado nortista para todo o país S e a música paraense está em evidência hoje, com novos e velhos artistas ocupando espaços tanto alternativos como populares por todo o país, o Terruá Pará tem enorme parcela de culpa. Espetáculo coletivo bancado pelo governo estadual, ele teve sua primeira edição em 2006, quando muitos formadores de opinião do Sul Maravilha tomaram contato com carimbós, guitarradas e tecnonbregas, e ajudaram na divulgação dos mesmos. A terceira encarnação do show estreou no começo de novembro, em Belém, e dias depois chegou ao Teatro das Artes, em São Paulo. Mais uma vez, a direção artística ficou a cargo do gaúcho Carlos Eduardo Miranda e da pernambucana Cyz Zamorano, com bons pitacos do secretário de Comunicação do Pará, Ney Messias Jr., que há uma década vislumbrou o potencial de encantamento da música local, e não sossegou mais. Ney, por exemplo, sugeriu a inclusão de “Chamegoso” no roteiro do novo espetáculo. O hit gravado por Marco Monteiro nos anos 80 permanece no imaginário musical do paraense, mas não era conhecida por nenhum dos jornalistas forasteiros convidados para assistir ao evento. Além de ser executada com arranjo muito superior ao original, ela serviu para ilustrar uma das muitas relações fraternais do Terruá 3. “Chamegoso” foi defendida por Nanna Reis, morena de voz segura, filha de Alfredo Reis, um dos autores do sucesso. Outra conexão de pai e filha se deu com Júnior Soares, do Arraial do Pavulagem (detaque do primeiro Terruá), e a cantora e violinista Luê (destaque do segundo). Eles dividiram o palco em “Realeza Do Guamá”, tema emblemático do Arraial. Luê ainda teve um momento solo para recriar “Onde Andará Você”, do mítico Alípio Martins (1944-1997), que ela espertamente gravou no CD de estreia. No reforço do coro e do violino, era marcante a presença de Jade Guilhon, filha de Luiz Pardal, o maestro e arranjador do Terruá. Manoel Cordeiro e seu filho Felipe Cordeiro repetiram a dobradinha do segundo Terruá, agora com foco no mais experiente. Graças ao prestígio nacional de Felipe, Manoel, que trabalhou com zilhões de artistas da região (Beto Barbosa, entre eles), está sendo saudado agora como o ás das seis cordas que é (dias depois, a banda Manoel Cordeiro e os Desumanos, com os figurões Kassin e Liminha entre os integrantes, estrearia no festival Se Rasgum). O guitarrista também teve a incumbência de chamar ao palco o enteado Renan Sanches, vocalista da banda ARK, digna representante do tecnomelody. Com seu casaco transado, Renan apresentou a grudenta “Guere Guere” escudado pelo DJ Waldo Squash, da Gang do Eletro, atração encarregada dos números finais do show. O lugar escolhido para a realização do Terruá em Belém não foi o mais adequado: um espaço cimentado ao ar livre, com a plateia toda em pé. Alguns artistas sofreram para manter o interesse dos presentes, especialmente os que tinham que defender composições de Waldemar Henrique (1905-1995), maestro paraense e maior homenageado da edição (outro foi Toninho Nascimento, que apareceu para entoar o sucesso de Clara Nunes “Conto de Areia” com o sambista revelação Arthur Espíndola). Desse time fizeram parte Nazaré Pereira, cantora que construiu boa parte de sua carreira no exterior; Jaloo (um adepto do autotune com inclinação para James Blake), Camila Honda, japinha que está gravando o primeiro CD, e de quem muito se espera, e Sammliz, vocalista do grupo metaleiro Madame Saatan. A loira teve a chance de voltar à cena uma hora e meia depois para dividir “Aparelhagem De Apartamento” com João Lemos, do trio de rock irônico Molho Negro. Batendo o pedestal no palco com extrema violência, ela protagonizou um dos grandes momentos da noite, e deixou muita gente interessada em sua já rascunhada estreia solo. Quem teve apenas uma música para mostrar serviço – Juca Culatra, o cara do breggae e do skrega; Zebrabeat, formação que funde afrobeat com ritmos amazônicos; Pim, o irmão de Pinduca, que mandou seu divertido “Xote Do Papagaio”, e ficou devendo a clássica “O Lobisomem” – pode retornar em futuras edições do evento, como vem sendo praxe. O importante é que a iniciativa não pare. Fica aqui o clamor de alguém que vem sendo alfabetizado em música paraense pelo Terruá.
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por em 10/04/2013
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