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Vítimas do Acaso retrata a realidade do Rio de Janeiro em vídeo

Independente, banda "virtual" é composta por um vocalista e um produtor

por Marcos Lauro em 02/02/2017

Depois de um período em Londres, o músico Ricardo Gomes resolveu reviver uma banda da sua adolescência chamada Vítimas do Acaso. Nessa quinta (02/02), ele lança em primeira mão na Billboard Brasil o lyric video da faixa “Mar De Lixo”, com letra contundente sobre a atual situação do Rio de Janeiro. A música estará nessa sexta nas plataformas de streaming.

Gomes define a Vítimas do Acaso como uma banda virtual. Ele conta com os vocais de Rodrigo El-Hayck e, no melhor estilo do it yourself, é responsável por toda a produção. “Não temos planos de reunir músicos para tocarmos ao vivo. Pelo menos por enquanto”, afirma Gomes.

Veja o vídeo abaixo e leia a conversa com os dois:

Qual a maior dificuldade do estilo “do it yourself” hoje em dia?
Ricardo Gomes:
O “do it yourself” nos traz muita liberdade mas também grandes desafios. Acredito que a maior dificuldade no estúdio é acumular diversos papéis. Em “Mar de Lixo”, por exemplo, sou produtor, programador, guitarrista, backing vocal, arranjador e engenheiro de mixagem. Ter tantas funções é bem comum atualmente. Só que cada uma delas requer uma habilidade e um conhecimento diferente. Estar bem preparado para cada uma delas é um grande desafio.
Rodrigo El-Hayck: Acredito que a maior dificuldade seja encontrar as pessoas certas para desempenharem suas funções de forma mais dinâmica e eficiente. Hoje, precisamos otimizar a nossa vida, pois os gastos envolvidos de maneira direta e indireta em uma grande cidade como o Rio de Janeiro podem fazer com que o projeto perca força dependendo do tempo necessário a ser empregado. Como passei alguns anos sem treinar vocal, pensei logo em contratar um voice coach para apresentar um melhor trabalho em curto espaço de tempo.

Como foi essa experiência de produção solo? Chegou a pegar opiniões com amigos e outros músicos?
Ricardo: Trabalhar com diferentes opiniões é fundamental para te dar uma melhor perspectiva do trabalho. Tenho amigos produtores em quem confio muito e aos quais sempre gosto de recorrer. Da mesma maneira, sempre estou à disposição para dar uma segunda opinião nos projetos deles.

A faixa tem tudo a ver com o que acontece no Rio (e no Brasil hoje). Você estava em Londres há pouco tempo. Sempre acompanhava os noticiários de lá ou focou na música?
Ricardo: O curioso dessa musica é que foi inicialmente escrita no início dos anos 90 pelo Rodrigo. Quando eu morava em Londres, sempre acompanhava as notícias, especialmente porque tinha família e amigos por aqui. Mas só depois que eu voltei ao Rio tive uma ideia melhor de como estava a cidade. Foi quando me lembrei de “Mar de Lixo” e sugeri ao Rodrigo que a resgatássemos. Nós a reescrevemos fazendo uma adaptação para a atualidade. 

Quando sentiu necessidade de expor essas mazelas do Rio? Acha que tem solução?
Rodrigo: Sempre. A música já tem mais de 20 anos. Sofreu algumas mudanças, mas sua alma já estava escrita e transmitia nosso desencanto. Nosso país passa por transformações que pareciam impossíveis. Se falássemos de uma grande investigação na política dois ou três anos atrás, não poderíamos imaginar tantos poderosos investigados e presos. É de extrema importância que tudo isso continue e que a população comece a reagir e ter vergonha de compartilhar condutas erradas, desonestas com o objetivo de levar alguma vantagem. Infelizmente um percentual muito alto da população não tem acesso à educação e cultura e, infelizmente, as músicas críticas deixaram de tocar nas rádios. A música é uma das maiores armas que temos para levantar o debate, estimular a atitude e a reflexão. O Rio foi a potencialização de tudo de errado em nosso país. Se vangloriar da estúpida malandragem carioca fez com que as pessoas de bem não possam mais conviver em paz. O Rio está falido em todos os sentidos. Sinceramente, acho que o Rio não tem solução a curto ou médio prazo. Sistema de saúde precário, não existe segurança nem para ir à escola... Professores, policiais, bombeiros e tantos outros tem seus pagamentos afetados. Chegamos ao caos. 

Pretende continuar nessa pegada solo ou já pensa num grupo?
Ricardo: O Vítimas do Acaso é uma banda virtual, formada apenas por mim e pelo Rodrigo. Ele no lead vocal e eu desenvolvendo a sonoridade no estúdio. Fazemos tudo aqui na minha produtora de áudio mesmo. E nossa arte é essa: compor e explorar sonoridades. É nossa forma de nos expressar. Não temos planos de reunir músicos para tocarmos ao vivo. Pelo menos por enquanto.

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Independente, banda "virtual" é composta por um vocalista e um produtor

por Marcos Lauro em 02/02/2017

Depois de um período em Londres, o músico Ricardo Gomes resolveu reviver uma banda da sua adolescência chamada Vítimas do Acaso. Nessa quinta (02/02), ele lança em primeira mão na Billboard Brasil o lyric video da faixa “Mar De Lixo”, com letra contundente sobre a atual situação do Rio de Janeiro. A música estará nessa sexta nas plataformas de streaming.

Gomes define a Vítimas do Acaso como uma banda virtual. Ele conta com os vocais de Rodrigo El-Hayck e, no melhor estilo do it yourself, é responsável por toda a produção. “Não temos planos de reunir músicos para tocarmos ao vivo. Pelo menos por enquanto”, afirma Gomes.

Veja o vídeo abaixo e leia a conversa com os dois:

Qual a maior dificuldade do estilo “do it yourself” hoje em dia?
Ricardo Gomes:
O “do it yourself” nos traz muita liberdade mas também grandes desafios. Acredito que a maior dificuldade no estúdio é acumular diversos papéis. Em “Mar de Lixo”, por exemplo, sou produtor, programador, guitarrista, backing vocal, arranjador e engenheiro de mixagem. Ter tantas funções é bem comum atualmente. Só que cada uma delas requer uma habilidade e um conhecimento diferente. Estar bem preparado para cada uma delas é um grande desafio.
Rodrigo El-Hayck: Acredito que a maior dificuldade seja encontrar as pessoas certas para desempenharem suas funções de forma mais dinâmica e eficiente. Hoje, precisamos otimizar a nossa vida, pois os gastos envolvidos de maneira direta e indireta em uma grande cidade como o Rio de Janeiro podem fazer com que o projeto perca força dependendo do tempo necessário a ser empregado. Como passei alguns anos sem treinar vocal, pensei logo em contratar um voice coach para apresentar um melhor trabalho em curto espaço de tempo.

Como foi essa experiência de produção solo? Chegou a pegar opiniões com amigos e outros músicos?
Ricardo: Trabalhar com diferentes opiniões é fundamental para te dar uma melhor perspectiva do trabalho. Tenho amigos produtores em quem confio muito e aos quais sempre gosto de recorrer. Da mesma maneira, sempre estou à disposição para dar uma segunda opinião nos projetos deles.

A faixa tem tudo a ver com o que acontece no Rio (e no Brasil hoje). Você estava em Londres há pouco tempo. Sempre acompanhava os noticiários de lá ou focou na música?
Ricardo: O curioso dessa musica é que foi inicialmente escrita no início dos anos 90 pelo Rodrigo. Quando eu morava em Londres, sempre acompanhava as notícias, especialmente porque tinha família e amigos por aqui. Mas só depois que eu voltei ao Rio tive uma ideia melhor de como estava a cidade. Foi quando me lembrei de “Mar de Lixo” e sugeri ao Rodrigo que a resgatássemos. Nós a reescrevemos fazendo uma adaptação para a atualidade. 

Quando sentiu necessidade de expor essas mazelas do Rio? Acha que tem solução?
Rodrigo: Sempre. A música já tem mais de 20 anos. Sofreu algumas mudanças, mas sua alma já estava escrita e transmitia nosso desencanto. Nosso país passa por transformações que pareciam impossíveis. Se falássemos de uma grande investigação na política dois ou três anos atrás, não poderíamos imaginar tantos poderosos investigados e presos. É de extrema importância que tudo isso continue e que a população comece a reagir e ter vergonha de compartilhar condutas erradas, desonestas com o objetivo de levar alguma vantagem. Infelizmente um percentual muito alto da população não tem acesso à educação e cultura e, infelizmente, as músicas críticas deixaram de tocar nas rádios. A música é uma das maiores armas que temos para levantar o debate, estimular a atitude e a reflexão. O Rio foi a potencialização de tudo de errado em nosso país. Se vangloriar da estúpida malandragem carioca fez com que as pessoas de bem não possam mais conviver em paz. O Rio está falido em todos os sentidos. Sinceramente, acho que o Rio não tem solução a curto ou médio prazo. Sistema de saúde precário, não existe segurança nem para ir à escola... Professores, policiais, bombeiros e tantos outros tem seus pagamentos afetados. Chegamos ao caos. 

Pretende continuar nessa pegada solo ou já pensa num grupo?
Ricardo: O Vítimas do Acaso é uma banda virtual, formada apenas por mim e pelo Rodrigo. Ele no lead vocal e eu desenvolvendo a sonoridade no estúdio. Fazemos tudo aqui na minha produtora de áudio mesmo. E nossa arte é essa: compor e explorar sonoridades. É nossa forma de nos expressar. Não temos planos de reunir músicos para tocarmos ao vivo. Pelo menos por enquanto.