NOTÍCIAS

Yeah Yeah Yeahs e Red Hot Chili Peppers

por em 10/04/2013
  Duas bandas diferentes juntas, entre pérolas aos porcos e hits para a playbozada É ensinamento de mãe: preste atenção com quem você anda. Em sua segunda passagem pelo Brasil, o grupo nova-iorquino ignorou o conselho e fez três datas abrindo para o Red Hot Chili Peppers, banda que hoje possui fãs mais interessados em jogar video game do que em pesquisar sobre música. Tivesse vindo como atração do Planeta Terra, que ocorreu no mesmo período, Karen O e seus companheiros teriam sido acolhidos da maneira que merecem, sem as vaias ouvidas no show carioca, dentro do Circuito Cultural Banco do Brasil, ou a antipatia da plateia paulistana, que não conhecia nem “Maps”, a grande balada do conjunto. Mesmo sem ter para quem jogar charme, a cantora de ascendência coreana foi para o palco com um figurino cintilante, escondendo uma camiseta com fotos de Michael Jackson. A apresentação no Anhembi foi aberta por “Sacrilege”, single do mais recente álbum da banda. O coral gospel que pontua a faixa teve de ser acionado por playback, já que, ao vivo, o trio conta somente com um músico adicional: David Pajo, fundador do grupo seminal do pós-rock Slint e ex-parceiro de Billy Corgan no Zwan. Apenas mais duas novas apareceram no repertório: a boa “Despair” e “Slave”. Em compensação, quatro gemas de It’s Blitz (2009), cuja turnê não passou por aqui, foram executadas, incluindo as dançantes “Zero” e “Heads Will Roll”. Pérolas aos porcos, como se diz. A plateia do Chili Peppers sequer notou uma das grandes qualidades do YYY, que é montar set lists completamente diferentes a cada noite, sem sequer um esqueleto pré-determinando as músicas de abertura e encerramento. Karen berrou, ajoelhou-se algumas vezes, mas pulou bem menos do que de costume. Suas iniciais, K.O., que podiam ser lidas nas costas de sua jaqueta, remetiam a outra abreviação: knock out. Ela foi nocauteada pela indiferença de uma audiência bunda mole, que também não se rendeu aos barulhos da guitarra de Nick Zinner (que não cessam nem nos intervalos entre as canções), nem ao ótimo ataque do baterista Brian Chase. A formação atual do RHCP tocara no mesmo espaço dois anos antes, divulgando o mesmo álbum, I’m With You (2011). Se defende os hits recentes meio que no automático, o quarteto parece ainda se divertir em cena, especialmente nas passagens entre uma faixa e outra, quando rolam pequenas jams. Flea e Anthony Kiedis, que foram ciceroneados por Luciana Gimenez nas horas vagas, seguem habitando uma dimensão particular. Em determinado momento, o vocalista indagou se o amigo comeria um pratão de arroz com feijão em homenagem à plateia paulistana. A resposta do baixista foi um “obrigado por papaia” em português. Ambos trajavam uma peça que de um lado era calça e, do outro, bermuda. Os poucos presentes com idade para ter visto o florescer da banda nos anos 80 talvez desejassem mais dessa insanidade na escolha do repertório. Porém, tirando a cover de “Higher Ground” (Stevie Wonder), foi tudo pinçado do Blood Sugar Sex Magik em diante. E, mesmo quando visitou o álbum de 1991, a banda trouxe baladas, exceto por “if You Have To Ask” e o sucesso “Give It Away”, agora com um berimbau no arranjo, cortesia do brasileiro Mauro Refosco, que integra o time. Mauro, aliás, teve seu ovo babado por Flea (eles são companheiros na banda Atoms For Peace), e foi liberado para fazer um solo de cuíca na volta do bis. Pena que, na sequência, veio mais um hitzinho de FM para agradar a massa ignóbil que hoje se importa com o RHCP. Castigo para essa turma: o show terminou às 23h53, aquele horário em que não dá mais para usar o metrô e o taxista muy amigo encontra brecha para cobrar preço fechado exorbitante pela corrida.
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Ar-Condicionado No 15
Wesley Safadão
Áudio indisponível
2
Regime Fechado
Simone & Simaria
3
Avisa Que Eu Cheguei (Part. Ivete Sangalo)
Naiara Azevedo
4
Na Conta Da Loucura
Bruno & Marrone
5
Amigo Taxista
Zé Neto & Cristiano
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Yeah Yeah Yeahs e Red Hot Chili Peppers

por em 10/04/2013
  Duas bandas diferentes juntas, entre pérolas aos porcos e hits para a playbozada É ensinamento de mãe: preste atenção com quem você anda. Em sua segunda passagem pelo Brasil, o grupo nova-iorquino ignorou o conselho e fez três datas abrindo para o Red Hot Chili Peppers, banda que hoje possui fãs mais interessados em jogar video game do que em pesquisar sobre música. Tivesse vindo como atração do Planeta Terra, que ocorreu no mesmo período, Karen O e seus companheiros teriam sido acolhidos da maneira que merecem, sem as vaias ouvidas no show carioca, dentro do Circuito Cultural Banco do Brasil, ou a antipatia da plateia paulistana, que não conhecia nem “Maps”, a grande balada do conjunto. Mesmo sem ter para quem jogar charme, a cantora de ascendência coreana foi para o palco com um figurino cintilante, escondendo uma camiseta com fotos de Michael Jackson. A apresentação no Anhembi foi aberta por “Sacrilege”, single do mais recente álbum da banda. O coral gospel que pontua a faixa teve de ser acionado por playback, já que, ao vivo, o trio conta somente com um músico adicional: David Pajo, fundador do grupo seminal do pós-rock Slint e ex-parceiro de Billy Corgan no Zwan. Apenas mais duas novas apareceram no repertório: a boa “Despair” e “Slave”. Em compensação, quatro gemas de It’s Blitz (2009), cuja turnê não passou por aqui, foram executadas, incluindo as dançantes “Zero” e “Heads Will Roll”. Pérolas aos porcos, como se diz. A plateia do Chili Peppers sequer notou uma das grandes qualidades do YYY, que é montar set lists completamente diferentes a cada noite, sem sequer um esqueleto pré-determinando as músicas de abertura e encerramento. Karen berrou, ajoelhou-se algumas vezes, mas pulou bem menos do que de costume. Suas iniciais, K.O., que podiam ser lidas nas costas de sua jaqueta, remetiam a outra abreviação: knock out. Ela foi nocauteada pela indiferença de uma audiência bunda mole, que também não se rendeu aos barulhos da guitarra de Nick Zinner (que não cessam nem nos intervalos entre as canções), nem ao ótimo ataque do baterista Brian Chase. A formação atual do RHCP tocara no mesmo espaço dois anos antes, divulgando o mesmo álbum, I’m With You (2011). Se defende os hits recentes meio que no automático, o quarteto parece ainda se divertir em cena, especialmente nas passagens entre uma faixa e outra, quando rolam pequenas jams. Flea e Anthony Kiedis, que foram ciceroneados por Luciana Gimenez nas horas vagas, seguem habitando uma dimensão particular. Em determinado momento, o vocalista indagou se o amigo comeria um pratão de arroz com feijão em homenagem à plateia paulistana. A resposta do baixista foi um “obrigado por papaia” em português. Ambos trajavam uma peça que de um lado era calça e, do outro, bermuda. Os poucos presentes com idade para ter visto o florescer da banda nos anos 80 talvez desejassem mais dessa insanidade na escolha do repertório. Porém, tirando a cover de “Higher Ground” (Stevie Wonder), foi tudo pinçado do Blood Sugar Sex Magik em diante. E, mesmo quando visitou o álbum de 1991, a banda trouxe baladas, exceto por “if You Have To Ask” e o sucesso “Give It Away”, agora com um berimbau no arranjo, cortesia do brasileiro Mauro Refosco, que integra o time. Mauro, aliás, teve seu ovo babado por Flea (eles são companheiros na banda Atoms For Peace), e foi liberado para fazer um solo de cuíca na volta do bis. Pena que, na sequência, veio mais um hitzinho de FM para agradar a massa ignóbil que hoje se importa com o RHCP. Castigo para essa turma: o show terminou às 23h53, aquele horário em que não dá mais para usar o metrô e o taxista muy amigo encontra brecha para cobrar preço fechado exorbitante pela corrida.